Incêndio no Pantanal
CENÁRIO
O bioma Pantanal é considerado uma das maiores extensões
úmidas contínuas do planeta. Este bioma continental é considerado o de menor
extensão territorial no Brasil. A sua
área aproximada é 150.355 km²
(IBGE,2004), ocupando assim 1,76% da área total do território brasileiro. Em
seu espaço territorial o bioma, que é uma planície aluvial, é influenciado por
rios que drenam a bacia do Alto Paraguai.
O Pantanal sofre influência direta de três importantes
biomas brasileiros:
■Amazônia,
■Cerrado e
■Mata Atlântica.
Além disso, sofre influência do bioma Chaco (nome dado ao
Pantanal localizado no norte do Paraguai e leste da Bolívia).
Estudos indicam que o bioma abriga os seguintes números de
espécies catalogadas:
■263 espécies de peixes,
■41 espécies de anfíbios,
■113 espécies de répteis,
■463 espécies de aves e
■132 espécies de mamíferos sendo 2 endêmicas.
Segundo a Embrapa Pantanal, quase duas mil espécies de
plantas já foram identificadas no bioma e classificadas de acordo com seu
potencial, e algumas apresentam vigoroso
potencial medicinal.
INCÊNDIOS
Inicio
Um incêndio de grandes proporções atinge desde o último
domingo (27) uma extensa área de pantanal entre os municípios de Aquidauana,
Miranda e Corumbá, em Mato Grosso do Sul. O fogo se espalhou por cerca de 50
mil hectares, tamanho equivalente ao da cidade de Maceió.
As chamas, que se alastraram rapidamente pela mata seca,
impulsionadas pelo vento, deixaram a área encoberta por nuvem de fumaça e
fuligem.
Causa
Segundo os bombeiros, o incêndio começou na região do Morro
do Azeite e do Passo do Lontra em seis pontos isolados e distantes uns dos
outros, o que eleva a probabilidade de que tenha sido provocado pela ação
humana.
"Não é possível dizer ainda que foi criminoso, porque
não foi feita perícia, mas certamente é fruto da ação do homem, seja por
negligência ou por imprudência”, afirma o tenente-coronel Fernando Carminati,
do Corpo de Bombeiros. “Fizemos um sobrevoo na segunda-feira [28] e vimos que
era de grandes proporções. Então pedimos reforço de efetivo e apoio de outras
instituições."
RECURSOS DISPONÍVEIS
Bombeiros e equipamentos disponíveis
Ao todo, 33 bombeiros trabalham das 8h às 21h no campo para
conter o fogo. No solo, a mata é densa e de difícil acesso, e os bombeiros são
guiados por uma equipe que acompanha a evolução do incêndio por meio de dois
helicópteros. Três aviões auxiliam jogando água sobre as chamas.
Reforços
Ao todo, 151 pessoas, entre bombeiros e funcionários rurais,
estão mobilizadas no combate ao fogo. Em uma única propriedade, houve mais de
40 mil hectares queimados.
Em 5 de novembro
chegou reforços de bombeiros do DF compostos por uma aeronave capaz de
transportar até 3.100 litros de água e mais 35 homens para o combate o fogo.
Comunicações e apoio
A partir de 02 de novembro, o Exército também dará apoio ao
combate aos focos no Rio Negro, deslocando para a área uma cozinha de campanha,
reservatório de água potável e equipe para instalação de sistema de
comunicação, que é uma das dificuldades operacionais no contato entre as ações
por terra com as aeronaves. A região terá uma base operacional, que está sendo
instalada na Fazenda Barranco Alto.
“Estamos atualmente com 91 focos em toda a área monitorada”,
informou o coordenado da Coordenadoria de Defesa Civil do Estado,
tenente-coronel Fábio Catarinelli, com base em dados de satélites. O comando da
Operação Pantanal 2 anunciou a chegada do avião Air Tractor do Corpo de
Bombeiros do Distrito Federal.
Regiões afetadas
Os principais municípios atingidos foram;
■Corumbá, na fronteira com a Bolívia, 440 km distante de
Campo Grande.
■Miranda e Aquidauana, 210 km e 150 km distante de Campo
Grande. A BR-262, que liga esses municípios, está interditada em diversos
trechos, alguns deles com mais de 10 km, para que a força-tarefa possa
trabalhar no controle das chamas. O trabalho reúne Corpo de Bombeiros, Exército
e Ibama/PrevFogo.
Devido à fumaça na pista, a Polícia Rodoviária Federal tem
recomendado que população evite dirigir à noite tanto pela BR-262 quanto pela
Estrada Parque, uma rota alternativa em meio a fazendas turísticas e de
produção.
Infraestrutura e comercio interrompidos
Além da fumaça, Corumbá e Miranda enfrentam falta de acesso
à internet, uma vez que o incêndio danificou a fibra óptica que leva internet
aos municípios.
A população tem sofrido também com queda de energia em
consequência das queimadas. Segundo a Energisa, empresa de abastecimento de
energia elétrica nas cidades, “as queimadas provocam o desligamento de linhas e
consequentes variações de tensão na rede elétrica que atende Corumbá,
Aquidauana e Miranda".
Corumbá está sem abastecimento de água em alguns bairros, já
que a bomba de captação da cidade parou de funcionar.
Os desdobramentos das queimadas são sentidos em diversos
setores, incluindo o comércio, que não tem conseguido efetuar vendas em cartões
de crédito ou débito por conta da falta de internet, e a saúde pública.
Na quinta-feira (31),
a prefeitura emitiu nota informando a população de que devido aos problemas
ocasionados pela falta de internet, a rede pública de saúde está
impossibilitada de agendar consultas e também de entregar exames.
Propagação do fogo, fora de controle
O grande incêndio na região do Pantanal em Mato Grosso do
Sul já atingiu uma área de 1.200 km2 , comparável à da cidade do Rio
de Janeiro.
A estimativa da destruição foi feita pelo Inpe (Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais). O número, porém, já aumentou e tende a
crescer porque ainda há focos de incêndio, segundo Fábio Catarinelli, coordenador
da Defesa Civil de Mato Grosso do Sul. Apesar dos esforços, não há previsão do
fim do fogo.
“A situação está bem
crítica, a temperatura está alta, a umidade está baixa, a vegetação está muito
seca e esses fatores agravam a situação do incêndio. O fogo é voraz e até área
alagada, cuja vegetação pega fogo por cima, queima muito rápido. Utilizamos um
parâmetro que se chama 'risco de fogo', e no Pantanal ele está entre alto,
muito alto e crítico”, diz Catarinell.
O principal desafio para conter e apagar as chamas é a
densidade da mata e as áreas alagadas. O fogo passa por cima da água, por entre
as copas das árvores, e segue queimando por cima de pântanos. Bombeiros
relataram ter visto animais que fugiram desesperadamente e ainda assim morreram
devido a queimaduras.
Em 04 de novembro, segundo dados do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe), já foram queimados 122 mil hectares na região de
Corumbá e Miranda.
Emergência
Devido à gravidade do incêndio, o governo estadual publicou,
no último dia 31 outubro, resolução no Diário Oficial proibindo queimadas
controladas por mais um mês, até dia 30 de novembro. Na mesma linha, a
Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil apontou a situação de emergência
das cidades de Aquidauana, Bonito, Miranda e Corumbá, todos os destinos
turísticos que estão prejudicados pelos incêndios e seus desdobramentos, como
falta e/ou oscilação de energia elétrica, água e internet.
Fauna e flora
Mata à dentro, animais mortos queimados. Entre eles,
jacarés. Outros tentam fugir dos focos de calor e das chamas.
Araras ameaçadas descreve Neiva Guedes, coordenadora do
Instituto Arara Azul, espécie vulnerável e em risco de extinção. Segundo ela,
os efeitos das queimadas podem perdurar por até um ano no ambiente.
Como a arara-azul é uma espécie de dieta restrita a
basicamente dois tipos de frutos (acuri e bocaiúva), a destruição das palmeiras
torna os alimentos escassos.
"Agora, estamos em época reprodutiva e os efeitos
perduram com o passar do tempo. Vai demorar para as palmeiras se recuperarem e
surgirem cachos de frutos para que as araras se alimentem", diz Guedes.
Em termos imediatos, as queimadas causaram perdas diretas ou
indiretas a 49% dos ninhos monitorados na estação natural de reprodução do
Instituto. Além de ninhos, ovos e filhotes queimados, parte dos animais morreu
devido ao calor das labaredas, por desidratação ou asfixia causada pela fumaça.
Para Felipe Dias, agrônomo e diretor-executivo do Instituto
SOS Pantanal, as queimadas significam a “perda ainda imensurável" de
animais e plantas. Segundo ele, apesar de as queimadas serem recorrentes no
Pantanal em época de estiagem, nesse ano, a proporção das chamas surpreendeu a
todos.
“Alguns animais
fogem, mas de que adianta se o alimento, como certas plantas, se perdeu? Há
também perda enorme de espécies cuja característica é a lentidão e que estão na
base alimentar de outras, como insetos, répteis e anfíbios", diz.
Controle do fogo
Após 13 dias de incêndio, bombeiros anunciaram no sábado, 9
de novembro, q eu controlam o fogo no Pantanal.
Até esta sexta-feira, 8 de novembro, foi contabilizada a
destruição de aproximadamente 173 mil hectares, área superior a da cidade de
São Paulo.
O fogo atingiu seis municípios: Aquidauana, Anastácio,
Miranda, Bodoquena, Rio Negro e Corumbá.
As chuvas que atingem a região ajudaram na redução dos
focos, segundo o Corpo de Bombeiros. As chamas chegaram a atingir as
proximidades do Parque Estadual do Rio Negro, localizado na região central do
Pantanal.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
informam que, em outubro, foi registrado o maior número de queimadas no
Pantanal nos últimos 17 anos. O balanço do instituto registra 2.430 focos de
incêndio no mês no bioma, número 1.925% maior do que o verificado em outubro do
ano passado.
Pantanal - Balanço
Em outubro, o Pantanal teve o maior número de focos de
incêndio para o mês em 17 anos, com 2.430 registros, segundo dados do Inpe
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre a região do bioma em Mato
Grosso e Mato Grosso do Sul.
O fogo seguiu novembro adentro e apenas no período de 27 de
outubro a 9 de novembro consumiu 1.730 km² em Mato Grosso do Sul, uma área
maior que a da cidade de São Paulo (1.521 km²).
Também de acordo com o Inpe, em 2019 o Pantanal teve a maior
extensão de terra queimada dos últimos 12 anos.
Entre janeiro e outubro, foram 18.138 km² atingidos por
focos de incêndio. Em todo o ano de 2007, foram 18.699 km².
Chuva
Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e Clima (Cemtec),
no fim de outubro os ventos eram de até 40 km/h e a umidade relativa do ar era
de 10%. Após as chuvas, a umidade subiu para 35% e chegou a 95% nos municípios
atingidos. “Choveu de encharcar o solo”, diz Catarinelli.
Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador-geral de operações
e modelagem do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres
Naturais), diz que as chuvas já estavam abaixo do normal esperado para essa
época do ano há pelo menos três meses, o que facilitou a propagação das chamas.
O período de chuvas na região depende da passagem de frentes
frias que, neste ano, tiveram um comportamento incomum e “passaram batido” por
Mato Grosso do Sul.
Clima
Clima seco, temperaturas altas e ventos fortes criam
ambiente propício para propagação das chamas.
Queimadas
Catarinelli diz que 90% das queimadas são de causa humana,
seja por ação ou omissão do homem. “É cultural que, após um longo período de
estiagem, assim que há uma previsão de chuva, as pessoas coloquem fogo como
método de ‘limpeza’ do campo, prática que é ilegal”, diz.
Julio Sampaio, gerente do programa Cerrado e Pantanal da ONG
WWF-Brasil, também diz que a culpa é do mau uso do fogo em áreas de pasto.
Segundo ele, a limpeza de áreas de pasto com o fogo pode acabar saindo do controle.
Interrupções
Serviços como abastecimento de energia, água e internet
foram prejudicados em seis municípios (Aquidauana, Miranda, Corumbá, Rio Negro,
Anastácio e Bodoquena), paralisando parcialmente serviços públicos de saúde,
como agendamentos de consultas e entrega de exames, e transações bancárias que
dependiam de internet. Fontes: Folha de São Paulo – 1º nov a 12.nov.2019, UOL Noticias
-09/11/2019, Midia Max‑ 02/11/2019
Marcadores: incêndio florestal

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