Incêndio atinge prédio do Museu Nacional, no Rio
O Museu Nacional pegou fogo na noite de domingo (2 de
setembro) . É a mais antiga instituição cientifica do país e guarda em seu
acervo mais de 20 milhões de itens. O incêndio atingiu os três andares do
prédio e começou por volta de 19h30.
MUSEU NACIONAL
O Museu Nacional tinha uma área útil de 13.616,79 m²
distribuída pelos seus três pavimentos. Possuía um total de 122 salas, sendo 63
salas do primeiro pavimento, 36 no segundo e 23 no terceiro. A maior parte do
acervo estava disposta nos dois primeiros pavimentos.
Meteorito de Bendegó
Coleções de Paleontologia, mineralogia e botânica
Pátio onde foi assinada a primeira constituição brasileira
2º PAVIMENTO
Fóssil de Luzia
Sala dos dinossauros
Coleção egípcia
Múmia dos Andes
Móveis originais usados por D. João VI
Diários da Imperatriz Leopoldina e coleções dos
pesquisadores do império
3º PAVIMENTO
Administração e direção do Museu
CORPO DE BOMBEIROS
Os bombeiros chegaram por volta das 20h30 ao local. A operação de combate às chamas foi feita pelo
batalhão de São Cristóvão com o apoio de mais onze quartéis da região. Segundo
o comandante dos Bombeiros, Roberto Robadey, os hidrantes estavam sem pressão
no início da operação, o que prejudicou o combate. Tivemos de acionar a Cedae
(companhia estadual de água e esgoto), que nos forneceu água.
CONTROLE DO FOGO
O fogo foi controlado somente após seis horas, por volta das
4h.
RESCALDO
O comandante do Corpo de Bombeiros do Rio, coronel Roberto
Robadey, disse na manhã de
segunda-feira, 3, que o trabalho de rescaldo do incêndio deve durar mais de
dois dias, por se tratar de um prédio histórico e de uma instituição cultural.
Robadey afirmou que ainda há pedaços de estruturas
penduradas nos três pavimentos, mas que não há indícios de desabamentos
iminentes. Segundo ele, os profissionais do museu irão ajudar no processo de
rescaldo para que seja tentada a recuperação de itens de valor.
VIGILÂNCIA
Quando o incêndio começou, o Museu Nacional já estava
fechado para visitação do público. Quatro vigilantes estavam no edifício,
perceberam o fogo, fugiram e chamaram os bombeiros. Testemunhas que estavam no
parque que há próximo ao local disseram que o fogo começou no primeiro andar,
mas ainda não há informações sobre as causas do incêndio.
DESTRUIÇÃO DO MUSEU
Dois andares foram bastante destruídos, e parte do teto, de
madeira, caiu. O prédio não corre risco
de desabar. As paredes externas do prédio são bastante grossas e, embora
antigas, resistiram ao fogo. Algumas partes internas desabaram, afirmou o
coronel Robadev.
A maior parte do acervo, de cerca de 20 milhões de itens,
foi totalmente destruída. Fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte
viraram cinzas. Pedaços de documentos queimados foram parar em vários bairros
da cidade.
A vice-diretora do
Museu Nacional, Cristiana Serejo, disse que 90% do acervo queimou e sobrou parte do acervo dos invertebrados, o
setor de vertebrados e botânica. Foram retiradas algumas cerâmicas, peças
minerais e os meteoritos, talvez uns dias 10%", estimou.
Não havia seguro contra incêndio e o acervo também não
estava segurado.
ACERVO TEM 20 MILHÕES DE ITENS
O Museu Nacional é vinculado à UFRJ e completou 200 anos em
2018. Seu acervo tem mais de 20 milhões de itens. Especializado em história
natural, é o mais antigo centro de ciência do Brasil e o maior museu desse tipo
na América Latina.
A instituição foi criada por Dom João VI, em 06 de junho de
1818, e foi inicialmente sediada no Campo de Sant'Ana.
PALÁCIO FOI RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA REAL
O prédio onde hoje funciona o Museu Nacional/UFRJ foi uma
doação do comerciante Elias Antônio Lopes ao príncipe regente D. João, em 1808,
ano da chegada da família real ao Rio. Após a morte de dona Maria I, em 1816,
D. João mudou-se definitivamente para o Paço de São Cristóvão, onde permaneceu
até 1821.
D. Pedro I e D. Pedro II também moraram por lá. Com o fim do
Império, em 1889, toda a família se exilou na França. O palácio foi, então,
palco da plenária da primeira Assembleia Constituinte da República, entre
novembro de 1890 e fevereiro de 1891. O Museu Nacional se mudou para o palácio
no ano seguinte, 1892.
NÃO TINHA EQUIPAMENTOS DE COMBATE A INCÊNDIO PREVISTOS POR
LEI
■Segundo funcionários, não havia brigada de incêndio 24
horas e nem planta elétrica.
■Havia planos de instalar os equipamentos obrigatórios.
■Segundo o comandante-geral dos bombeiros do Rio, Roberto
Robadey , a administração do museu esteve reunida com a corporação recentemente
para apresentar um plano de adequação. “É uma construção anterior à legislação
e precisava se adequar”, disse ele.
FALTA DE PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO
A vice-diretora do museu
confirmou que o prédio não possuía sistema de hidrantes e sprinklers. O
número mínimo de saídas de emergência também não seria respeitado por
limitações técnicas, pois o imóvel era tombado
pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
INVESTIGAÇÃO: SCANNER MAPEIA ÁREAS DESTRUÍDAS
Policiais federais iniciaram, por volta das 9h de hoje, o
trabalho de scanner, que faz parte da perícia iniciada ontem pela PF para tenta
identificar o que teria motivado o fogo no prédio.
Os scanners foram instalados do lado de fora do prédio. Por
meio deles, será possível realizar o mapeamento de áreas que ainda estão
interditadas pela Defesa Civil ou que estão bloqueadas pelo alto volume de
entulhos. O escaneamento consegue identificar as paredes que ainda estão de pé,
no interior do museu, em áreas que nem a Defesa Civil ainda não conseguiu
chegar.
Com o aparelho é possível fazer algo como um
"mapeamento 3D" da situação do prédio. Somente ao final do trabalho
de perícia será iniciada a remoção dos escombros no interior do museu.
RECONSTRUÇÃO DO MUSEU NACIONAL
A reconstrução do Museu Nacional do Rio deverá custar de R$
50 milhões a R$ 100 milhões, segundo o diretor da instituição, o paleontólogo
Alexander Kellner.
O trabalho de escoramento do palácio começou no último dia
21 de setembro e tem por objetivo dar segurança para que agentes da Polícia
Federal possam trabalhar na investigação das causas do incêndio e as equipes
técnicas comecem a revirar os escombros em busca do que restou do acervo.
Técnicas de arqueologia e paleontologia serão empregadas para recuperar os
fragmentos.
"Conforme as áreas forem sendo isoladas, vamos entrando
para fazer esse trabalho de recuperação do acervo", afirmou o diretor.
"No momento, o mais importante é garantir a segurança."
UNESCO ESTIMA QUE RESTAURAÇÃO DO MUSEU NACIONAL LEVARÁ 10
ANOS
Agência da ONU lidera missão que avalia situação do museu
que foi destruído em incêndio. Trabalho inicial dos especialistas se concentra
na recuperação de objetos do acervo que estão sob os escombros. A Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) estima que a
restauração do Museu Nacional levará cerca de dez anos.
"É um trabalho de muitos anos. Atualmente, não há uma
solução mágica para reconstruir o museu em poucos meses. Temos um longo
trabalho de identificação dos escombros, muitos dos quais são fragmentos de
artigos do museu", afirmou a representante da Unesco no Brasil.
Fontes:
UOL- 02/09/2018 a 05/09/2018; G1-02/09/2018; Deutsche Welle – 18.09.2018
Comentário;
Laudo da Polícia Federal : Resumo – publicado em 04/04/2019
Incêndio que destruiu o Museu Nacional começou no
ar-condicionado do auditório, diz laudo da PF
Segundo perito, um dos três equipamentos não possuía
aterramento externo, e não havia disjuntor individualizado para cada um deles.
Incêndio acabou com grande parte do acervo do museu em setembro do ano passado.
PRIMEIRO SINAL DE FUMAÇA
Segundo Carlos Alberto Trindade, perito especialista em
incêndio, o primeiro sinal de fumaça foi registrado pelas câmeras às 19h13 no
segundo pavimento. Com a ajuda de outras imagens, foi possível perceber que a
fumaça partia do andar térreo.
"O fogo começou no auditório e no pavimento
térreo", afirmou Trindade.
Os equipamentos elétricos encontrados no auditório foram
periciados, a fim de se identificar se algum deles tinha sinais de ter
originado as chamas. Caixas de som, projetor e outros aparelhos não
apresentavam nenhum sinal suspeito. Análises mais detalhadas passaram a ser
feitas nos três equipamentos de ar-condicionado que havia na sala.
“Nós identificamos logo no início que havia o rompimento de
um fio no aparelho que ficava mais próximo do palco do auditório”, disse.
Segundo o perito, o rompimento do cabo é “típico de um
evento de uma sobre‑corrente, uma corrente maior que o aparelho pode suportar
sem queda do disjuntor”, ou seja, houve um curto circuito no aparelho.
Trindade enfatizou que foi identificada falha na instalação
do sistema de ar condicionado do auditório. Um dos três equipamentos não
possuía aterramento externo e não havia disjuntor individualizado para cada um
dos três aparelhos.
Comentário:
Problemas no combate ao incêndio
•Os dois hidrantes próximos ao Museu Nacional não tinham
pressão suficiente.
•O comandante-geral dos bombeiros disse que a falta de água
atrasou os trabalhos.
•Bombeiros buscaram água de lago e precisaram pedir
caminhões-pipa.
•A Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro
(Cedae) disponibilizou carros‑pipa.
Problemas de infraestrutura
■Falta de sistema de segurança contra incêndio
■Instalação elétrica muito antiga
DADOS HISTÓRICOS - INCÊNDIOS
Em 10 anos, fogo dizima sete prédios com tesouros culturais
e científicos do país
1. TEATRO CULTURA ARTÍSTICA, 2008
Destruído por um incêndio que durou mais de quatro horas em
2008, o Teatro Cultura Artística, na região central de São Paulo, até hoje está
coberto por tapumes. Foi inaugurado em 1950, com um concerto de Heitor
Villa-Lobos.
O teto desabou, uma sala foi inteiramente incendiada e uma
outra ficou alagada. Além de dois pianos e equipamentos de som e iluminação,
foram destruídos o figurino das peças O Bem Amado, do ator Marco Nanini, e Toc
Toc.
O afresco de Di Cavalcanti na fachada, com 48 metros de
largura e 8 metros de altura, é um dos poucos pontos da estrutura original com
condições de ser restaurado.
As causas do incêndio são desconhecidas. Sabe-se apenas que
ele começou perto da cortina do palco. No decorrer da última década, vários
prazos para o início da recuperação não foram cumpridos perdidos. Desde março,
contudo, o local está em obras, e a expectativa é de que o novo teatro fique
pronto em 2021.
2. INSTITUTO BUTANTÃ, 2010
Em maio de 2010, um incêndio atingiu o laboratório de
répteis do Instituto Butantãn, na Zona Oeste de São Paulo, destruindo um dos
principais acervos de cobras do mundo.
O fogo atingiu o prédio em que cientistas pesquisavam
cobras, aranhas e escorpiões. Parte dos animais foi retirada com vida do local
e levada para um local seguro.
Segundo o Instituto Butantan, a coleção atingida pelo
incêndio possuía cerca de 77 mil cobras catalogadas e cerca de 5 mil em
processo de registro.
3. MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA, 2013
Em novembro de 2013, um incêndio atingiu o Memorial da
América Latina, em São Paulo, e destruiu o auditório Simón Bolívar, onde havia
uma tapeçaria de 800 metros quadrados da artista Tomie Ohtake.
Onze integrantes do Corpo de Bombeiros e um brigadista
ficaram feridos enquanto tentavam conter as chamas.
O laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo apontou
um curto-circuito como causa do incêndio. Segundo a perícia, pouco antes do
início do fogo, havia faltado luz no local e um gerador reserva fora acionado,
o que pode ter provocado uma sobrecarga de energia.
Em janeiro de 2013, um incêndio destruiu réplicas, cenários,
fiações e pisos do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas, em Belo Horizonte.
A instituição tem um dos maiores acervos de fósseis de mamíferos do Brasil.
O fogo atingiu principalmente o segundo andar, onde havia
três exposições: uma sobre a vida no Cerrado, outra sobre o paleontólogo
dinamarquês Peter Lund, e uma sobre o Período Pleistoceno.
5. CENTRO CULTURAL LICEU DE ARTES E OFÍCIOS, 2014
Fundado em 1873, o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, no
centro da capital paulista, reabriu as portas como centro cultural somente em agosto de 2018, depois de ficar mais de quatro
anos fechado.
O incêndio de fevereiro de 2014 queimou quadros, esculturas,
móveis antigos e réplicas em gesso. Entre as 35 peças danificadas, estava a
versão em gesso da Pietá, de Michelangelo, cujo original em mármore está na
Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Quando pegou fogo, em razão de um curto-circuito, o auto de
vistoria dos Bombeiros estava vencido.
6. MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA, 2015
Em 21 de dezembro de 2015, chamas tomaram conta dos três
andares e da cobertura do Museu da Língua Portuguesa, no centro de São Paulo,
que naquela segunda-feira estava fechado para o público.
Tudo virou cinza. À época, Isa Ferraz, curadora do museu,
classificou o incêndio como uma "tragédia". Inaugurado em março de 2006, era um dos
museus mais visitados do Brasil e da América do Sul, e o primeiro do mundo
dedicado exclusivamente a um idioma. A estrutura ainda está sendo reconstruída
7. CINEMATECA BRASILEIRA, 2016
Em fevereiro de 2016, a Cinemateca Brasileira perdeu de
forma definitiva 270 títulos. Um incêndio em um dos quatro depósitos do galpão
na parte de trás do terreno na Vila Clementino, bairro da zona sul de São
Paulo, destruiu cerca de 731 - dos quais 461 possuíam cópias de segurança - de
seus 44 mil títulos, entre cinejornais com cenas do noticiário político e
curtas‑metragens.
Os rolos carbonizados eram feitos de nitrato de celulose,
substância inflamável usada em películas cinematográficas até os anos 1950.
Fonte: G1 - 03/09/2018
Marcadores: incêndio

2 Comments:
Gostaria de falar que há algumas incorreções no texto. Não foi citada a ocorrência de curto-circuito no ar-condicionado, mas tão somente uma sobrecarga ou sobrecorrente. São eventos distintos.
A sobrecorrente é definida como sendo qualquer corrente elétrica que flui por um equipamento com magnitude acima da qual o equipamento foi projetado para funcionar. As sobrecorrentes podem ser sob a forma de uma sobrecarga ou curto-circuito.
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