Inteligência artificial e robótica em centro de distribuição
O centro de
distribuição de 90 mil metros quadrados da Amazon em Baltimore é uma imensa
máquina de atendimento de pedidos. Se você se posiciona em uma das pontas do
armazém, sua estrutura de titânio branco e suas esteiras rolantes aparentemente
intermináveis parecem desaparecer no horizonte, ainda que o horizonte de alguma
maneira pareça estar dentro do edifício.
A máquina é uma combinação estonteante de escadas, rampas,
separadores e um total de quase 18 quilômetros de esteiras rolantes.
Os pedidos dos clientes se movem das estantes para bandejas
e de bandejas para caixas, enquanto percorrem a máquina e são carregados em
furgões de entrega, passando por trabalhadores estacionados em diversos pontos
do percurso.
Os seres humanos raramente precisam se movimentar aqui. É
muito mais rápido, e barato, levar os objetos a eles.
É para isso que servem os robôs. Parecidos com versões
robustas do aspirador de pó robotizado Roomba, equipadas com prateleiras da
Ikea no topo, esses robôs Kiva são capazes de transportar até 340 quilos de
produtos em seus cerca de 40 compartimentos.
Depois que um cliente faz um pedido, um robô carrega os
itens até um trabalhador, que lê em uma tela que item apanhar e em que
compartimento ele está localizado, passa o código de barra por um leitor e
posiciona o produto em uma bandeja amarela que viaja pela esteira rolante até a
estação de embalagem.
A inteligência artificial sugere um tamanho de caixa
apropriado. Um trabalhador coloca o item na caixa, que um robô sela e, depois
de aplicar a etiqueta de endereço, envia ao seu próximo destino.
Seres humanos em geral são necessários para apanhar objetos
específicos e posicioná-los, tarefas que os robôs ainda não dominaram.
Os robôs da Amazon sinalizam uma imensa mudança na maneira
pela qual as coisas que compramos serão selecionadas, armazenadas e entregues.
A empresa requer um minuto de trabalho humano para levar um pacote a um
caminhão de entrega, mas esse número está a caminho do zero.
Armazéns autônomos se fundirão com sistemas automáticos de
fabricação e entrega, formando uma cadeia de suprimento completamente
automática.
E os sistemas de armazenagem nesses locais parecem cada vez
mais com os de dados na nuvem. Em lugar de guardar itens semelhantes no mesmo
lugar —prática útil quando apanhar os produtos é tarefa humana—, os armazéns da
Amazon conservam múltiplas cópias de um mesmo produto em locais aleatórios,
conhecidos apenas dos robôs.
Tentar encontrar uma panela elétrica Instapot em um dos
armazéns da Amazon seria como tentar descobrir onde na nuvem um de seus emails
está armazenado. É claro que isso não é necessário. Basta tocar a tela, e o
email aparece. Não há intervenção humana.
As entregas também estão a ponto de mudar drasticamente.
Amazon, Google, Uber e muitas startups estão trabalhando em drones para
entregas, que um dia nos conectarão à nuvem física.
A Amazon emprega 575 mil pessoas. Muitas delas trabalham nos
centros de distribuição, realizando tarefas que os robôs ainda não dominam, mas
podem aprender em breve.
Christopher Atkeson, professor de robótica na Universidade
Carnegie Mellon, diz que um braço robótico capaz de substituir os trabalhadores
dos armazéns da Amazon estará disponível dentro de cinco anos. A empresa não
revela muito sobre seus planos de longo prazo.
Tye Brady, vice-presidente de tecnologia da Amazon Robotics,
diz só que a empresa está sempre tentando tornar os empregados mais eficientes.
Outros grupos de varejo são mais diretos. Richard Lou,
presidente-executivo e do conselho da JD.com, uma das mais importantes
companhias de comércio eletrônico da China, que depende fortemente da
automação, já declarou que sua meta é uma força de trabalho 100% robotizada.
Um armazém completamente automatizado é apenas o começo.
Amazon e Walmart patentearam armazéns parecidos com zepelins, que flutuarão a
300 metros de altura e estarão equipados com drones prontos a entregar creme
dental e papel higiênico aos consumidores em suas casas, como se fossem
arquivos de computador. Bem-vindo à nuvem física.
Antes de chegarmos lá, os robôs precisam ganhar a capacidade
de executar todas as tarefas em um armazém por conta própria. Embora nenhum
outro grupo de varejo se aproxime da Amazon em termos de escala, a Ocado,
empresa de varejo online de mantimentos na Inglaterra, tem a automação mais
sofisticada do mercado.
Em um armazém a 110 quilômetros a sudoeste de Londres, um
enxame de robôs da Ocado, com tamanho semelhante ao do R2-D2, corre por sobre
uma grade elevada de quadrados vazados; as máquinas cruzam percursos e chegam
perto de colidir umas com as outras, sem nunca fazê-lo.
Por sob a grade ficam os produtos, empilhados em bandejas
com 18 camadas de altura. Quando um cliente faz um pedido, por exemplo uma
garrafa de leite, um robô da Ocado se desloca ao quadrado apropriado, estende
os braços para baixo e agarra uma bandeja contendo leite.
O robô em seguida posiciona a bandeja dentro de sua barriga
e a conduz a uma esteira rolante, que conduz o leite aos trabalhadores, que
contam com a destreza necessária a pegar a garrafa e embalá-la em uma sacola de
compras.
A Ocado já pensa de modo mais ambicioso. A empresa estuda
como usar uma versão maior de seus robôs para lidar com contêineres de carga,
porque carregar caminhões é muito difícil.
Existem gargalos nos portos. Da mesma forma que ampliar a
largura de banda permite expandir a capacidade da internet, aumentar os robôs
da Ocado poderia possibilitar que eles se movimentem por sobre pilhas de
contêineres e os carreguem em veículos de entrega.
Depois dos armazéns, os veículos de entrega são o próximo
alvo da automação. Amazon e Walmart estão trabalhando em como levar pacotes de
um furgão autoguiados ao comprador, seja por meio de um veículo autônomo ainda
menor ou pela criação de armários de entrega nos bairros.
Quando a necessidade de um motorista humano é removida —e
com ela a de um volante, air‑bag e cinto de segurança—, um veículo de entrega
pode assumir quase qualquer forma.
O conceito de transporte modular da Mercedes-Benz é um
chassi elétrico em forma de prancha de skate, que pode servir de base a um
furgão de passageiros, caminhão de carga ou casa motorizada.
Durante o dia, o chassis poderia ser afixado a uma
carroceria de ônibus e usado para transportar passageiros. À noite seria
destacado para recarga, empilhado em uma garagem.
Em lugar de furgões de tamanho padrão, frotas de pequenas
“cápsulas” de entregas poderiam apanhar pacotes em depósitos centralizados e
entregá-las aos compradores, usando infraestrutura de inteligência artificial
parecida com a que está em uso nos armazéns hoje.
Sistemas de entregas sobre rodas são muito mais prováveis
que drones, para o futuro próximo nos EUA. Mas não vai demorar para que o céu
se torne uma extensão da nuvem física, nos conectando da mesma maneira que
nossos celulares nos conectam à computação em nuvem. Fonte: Folha de São Paulo - The Wall Street Journal- 19.nov.2018
A empresa Ocado de varejo online de mantimentos na
Inglaterra, tem a automação mais sofisticada do mercado.
Marcadores: Tecnologia

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