Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

terça-feira, agosto 30, 2016

Explosão em caminhão mata trabalhador em Araquari

O mecânico FRM, de 28 anos, morreu após uma explosão na empresa onde ele trabalhava em Araquari, no Norte catarinense, na manhã de sexta-feira, 13 novembro de 2015. O acidente aconteceu, por volta das 8h30, com um caminhão tanque de óleo lubrificante.

CAUSA DO ACIDENTE
O acidente ocorreu no   galpão que funciona como oficina de caminhões da empresa Filtroville, às margens da BR-280, a menos de 200 metros da BR-101, no Norte de Santa Catarina.

As primeiras informações davam conta de que ele teria começado a soldar perto de uma tampa, sobre o caminhão.
Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Araquari, os colegas do mecânico informaram que ele estava trabalhando sobre o caminhão com uma lixadeira. Há a suspeita de que havia algum produto químico dentro do tanque do veículo, que explodiu.  Parte do telhado de zinco e vidros do galpão ficou danificado.

VIZINHANÇA
O estrondo foi sentido pelos vizinhos, que correram para ver o que havia ocorrido.
— Tremeu tudo na vizinhança. Estávamos tomando café e ouvimos uma explosão. Parecia que era um raio daqueles que caem bem perto da casa, sabe? — disse um dos moradores, que não quis se identificar.

VÍTIMA
Os outros mecânicos disseram aos bombeiros que o corpo de Fábio foi arremessado contra o teto de zinco. Os colegas dele ainda estavam em estado de choque e precisaram ser atendidos e acalmados pelos socorristas.
O helicóptero Águia da PM de Joinville foi até o local para prestar atendimento, mas não foi possível porque ele morreu no local.

EMPRESA
A empresa faz coleta e transporte de cargas perigosas, especialmente resíduos de óleos, combustíveis e resíduos da indústria. Começou a operar em Joinville em 1994 e hoje tem sua sede nas margens da BR-280. O local onde ocorreu o acidente funciona como uma espécie de oficina de manutenção de caminhões e tanques. Fonte: A Noticia - 13/11/2015
  
Comentário: Podemos considerar essa empresa como pequena. Segundo a Confederação Nacional de Comércio (CNC) no Brasil  existe 12.470.015 MPE´s  sendo 1.100.000 pequenas empresas industriais e 250.000 pequenas construtoras.
As MPE (Micro e Pequenas Empresas) convivem com dificuldades cotidianas que acentuam a precarização nas condições de segurança e saúde no trabalho. Dentre essas dificuldades podemos destacar:
a) ausência de racionalização dos programas de segurança e saúde do trabalhador (SST), ou seja, não há uma simplificação nos diversos programas que leve em consideração as peculiaridades das MPE; a inexistência de um sistema de financiamento para aquisição de máquinas novas e protegidas ou para a instalação de dispositivos de proteção em máquinas usadas;
b) a falta de conhecimento técnico para implementação de melhorias no processo produtivo que conduzam a melhores condições de trabalho, além das medidas individuais e coletivas de proteção dos trabalhadores;
c) dificuldades na contratação de assessorias técnicas em Saúde e Segurança do Trabalho (SST), visando à correta elaboração, implementação e acompanhamento dos programas de gestão de SST, face ao alto custo dos serviços prestados pelas empresas de assessoramento ou para a realização de alguns serviços necessários à melhoria dos ambientes de trabalho; e
d) dificuldades na obtenção de orientação quanto ao fiel cumprimento da legislação trabalhista e previdenciária
Nos Estados Unidos, a agência de segurança do trabalho possui um programa de segurança específica para empresas média e pequena, onde elas solicitam suas inscrições e recebem treinamento para implementação do programa de segurança. Nesse período a agência não aplica nenhum tipo de sanção. São enfoques diferentes para um mesmo problema em relação à aplicabilidade das normas. Nos USA, a agência procura disseminar a política de segurança através de palestras, treinamento, cooperação entre as entidades representativas.

Houve imprudência ou total desconhecimento de medidas de segurança que  um trabalhador deve ter.
Há duas medidas básicas que o soldador deve conhecer;
■ Não solde tanques, tambores se não tiver absoluta segurança de não haver perigo de combustão ou explosão. 
■ Não confie em seu instinto para decidir se há ou não segurança para soldar  tanques ou tambores. Investigue o que foi guardado nesses recipientes, pois uma quantidade mínima de gás ou líquido pode provocar séria explosão. Caso o recipiente tenha contido material inflamável, lave-o com água muitas vezes ou desgaseifica, antes de soldar.

O tanque ou tambor que não sofreu um processo de lavagem adequado,  permanece com gás ou líquido residual. Com aquecimento o liquido ou o gás se expande preenchendo  o tambor ou tanque com uma mistura explosiva de ar e vapores inflamáveis.
Conseqüentemente, os tanques quase-vazios podem ser significativamente muito mais perigosos do que os tambores/tanques  que estão cheios. Em geral o trabalhador supõe que o risco de um tanque quase-vazio é inferior do que um tambor cheio.
Porque o risco real “está oculto”, é essencial que os tanques de líquidos inflamáveis advertem com “destaque” o alto risco de explosão de um tanque parcialmente vazio.

Os avisos adicionais em relação ao corte ou soldagem são necessários, assim como instruções para evitar todas as fontes de ignição e manter o tambor fechado completamente. Quanto ao treinamento de empregado sobre os riscos de tambores quase-vazios podem ser úteis, pois todos tambores usados, frequentemente, podem encontrar-se em mãos de empregados não treinados ou de terceiros.
Isto reforça a necessidade para etiquetagem adequada e chamativa, isso vai além dos avisos usuais para líquido inflamável.
Em geral, a pessoa leiga não treinada acredita intuitivamente que menos liquido inflamável significa menos risco, quando o oposto é verdadeiro.

Este caso envolveu as seguintes normas e recomendações;
■ Comunicação de Riscos
■ Norma de líquidos inflamáveis
■ Fatores humanos – treinamento
■ Manual de Produtos Químicos
■ Etiqueta de aviso de perigo

Finalidade da Comunicação de Riscos
■ Identificação dos riscos
■ Procedimentos de segurança para trabalhar com produtos químicos
■ Procedimentos de comunicação de riscos
■ A Importância das Etiquetas de Identificação /Etiqueta de alerta
■ Equipamentos de Proteção Individual
■ Reação a uma Emergência
■ Riscos Químicos e Como Controlá-los
■ MSDS – Manual de Produtos Químicos – FISPQ – Ficha de Segurança de Produtos Químicos

Marcadores: ,

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@3:00 AM

Assinar
Postagens [Atom]