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quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Lembrança - Incêndio em hotel na Espanha

Quando o Hotel Corona de Aragón foi construído em Zaragoza, em 1968, teve que ser obtida uma autorização de construção, dada pela municipalidade. Ela consiste essencialmente de uma permissão para construir sob certas regras de construção, mas sem nenhuma referencia a incêndios. O comandante do Corpo de Bombeiros não teve oportunidade de examinar ou comentar os planos de construção.

Depois disso, duas portarias sobre prevenção contra incêndios foram introduzidas em Zaragoza.
A primeira, datada de 1964, exige a instalação de hidrantes em torno de certos tipos de edificações, tais como: teatros, cinemas, colégios, universidades, hospitais, supermercados e usinas. A segunda se aplica a edificações com mais de 28,5 metros de altura e estabelece prescrições para facilitar a luta contra incêndios, dizendo respeito a tubulações secas, hidrantes, extintores e escadas de emergência ou escadas que permitam a evacuação.

Essas portarias se aplicam somente para projetos e construções de novos edifícios e não contem quaisquer referencia a escadas enclausuradas, medidas de limitação da propagação do fogo e da fumaça, iluminação de emergência e sistema de alarme em caso de incêndio.

SITUAÇÃO E DESCRIÇÃO DO EDIFÍCIO
O Hotel Corona de Aragón, estava situado no centro da cidade de Zaragoza e ocupava praticamente toda uma quadra de 84 por 21 metros.

O hotel é constituído por: três subsolos, o térreo e dez pavimentos,

Característica do hotel
• a estrutura do edifício era de colunas de aço não protegidas, com alvenaria de tijolos furados e piso convencional.
• nos dois subsolos inferiores estavam localizados; a casa da caldeira e o depósito de combustível,  a instalação de condicionamento de ar, casa de força e eram  protegidos por um sistema automático de C02.
• a cozinha do Café Formigal estava localizada no primeiro subsolo.
• no térreo, estava localizado um restaurante chamado "The Piccadilly".
• os nove pavimentos possuíam 250 apartamentos, e o último andar abrigava os escritórios e a administração do hotel.
• a caixa da escadaria aberta,  era metálica,  comum a todos os andares, desde o primeiro subsolo até o 11o  andar.

ESCADA DE EMERGÊNCIA
Possuía uma escada de emergência localizada no fundo da edificação, próxima a escada principal. Embora a escada fosse enclausurada com paredes de tijolos, as portas não eram resistentes ao fogo e nem de fechamento automático. O acesso era feito o pelo hall do elevador.

CORPO DE BOMBEIROS
O Corpo de Bombeiros Municipal de Zaragoza tinha um único posto de bombeiros com algumas viaturas antigas, incluindo uma plataforma hidráulica e uma escada Magirus . O posto estava próximo ao hotel.

CENÁRIO DO  INCÊNDIO
 O incêndio teve inicio pouco após as 8 horas, 12 de julho de 1979, na cozinha do Café Formigal, no primeiro subsolo. Uma máquina de fritura para preparação de "churros", um tipo de rosca popular na Espanha, tinha sido aquecida em razão do afluxo de hóspedes para o café da manhã e para a preparação das bandejas daqueles que iriam tomar o café em seus quartos.

O óleo superaquecido se inflamou. Acima, mas não conectado a maquina, havia uma coifa destinada a receber a fumaça causada pela fritura. O duto da coifa atravessa uma grande abertura, mudando de direção para passar pela parede do fundo do hotel e alcançar à área externa.
A abertura feita no forro para a passagem do duto era consideravelmente maior do que o duto e não havia nenhum dispositivo de vedação ou corta chamas.
O pessoal da cozinha combateu o fogo da máquina de fritura com extintores de C02, durante 10 minutos, antes que eles notassem que o fogo não estava sendo controlado, mas, de fato, se propagando e não somente na cozinha mas, também, através da abertura do duto no restaurante Piccadilly, no andar acima.

PROPAGAÇÃO DO INCÊNDIO
O incêndio se espalhou rapidamente pelos dois andares, envolvendo o mobiliário, a decoração etc., grande parte de espuma e outros materiais plásticos. Como a escada principal do hotel, não era enclausurada, era também utilizado pelos restaurantes, o fogo e a fumaça ocuparam a caixa de escada até o ultimo andar. O fogo e as chamas concentraram-se no último andar, envolvendo a  maioria dos escritórios e as chamas eram visíveis pelas janelas .
Ao mesmo tempo, as chamas em grande quantidade e uma enorme coluna de fumaça preta saíam das janelas adjacentes do restaurante e recobriam a fachada do prédio em toda a extensão. Esta foi à situação com a qual os bombeiros se defrontaram, na chegada, 10 a 15 minutos após a chamada.

SEM SISTEMA DE ALARME E PORTAS CORTA-FOGO
Sem sistema de alarme, houve pouco tempo e praticamente nenhuma possibilidade de alertar os hóspedes; as fumaças  invadindo os corredores a partir da escada principal não enclausurada e a fuga se tornando extremamente difícil. Algumas pessoas utilizaram a escada de emergência como meio de fuga, até que ela ficou envolvida pela fumaça, uma vez que as portas que lhe davam acesso não eram resistentes ao fogo ou de fechamento automático.

RESGATE
Alguns foram resgatados do terraço superior por helicópteros de uma base militar próxima.
Outros se lançaram em um pequeno tanque existente no andar abaixo do terraço e aguardaram na água até a chegada de socorro. Alguns hóspedes jogaram se ou caíram pelas janelas ou balcões, a maioria deles pelo lado frontal do edifício.
Os bombeiros efetuaram vários salvamentos por meio da escada Magirus, da plataforma hidráulica, de escadas portáteis de bombeiros e ainda por três guindastes requisitados de um canteiro de obras vizinho.

HOSPEDES
Estimativa de hospedes no momento do incêndio: 420

VÍTIMAS
78 mortos e 113 feridos

DANOS CAUSADOS
Os danos causados pelo incêndio foram enormes nos dois andares do restaurante, nas zonas próximas da escada principal e no ultimo andar, o da administração do hotel.
A estrutura e demais componentes do edifício não foram seriamente atingidos e não houve colapso de colunas, de vigas, pisos e paredes, devido em grande parte à ventilação de incêndio tanto externa como internamente, através das caixas de escadas abertas e das janelas do último andar.

CONCLUSÃO
A extensão do incêndio era previsível, tendo em vista a construção e o "layout" do edifício, a demora de 10 minutos na chamada dos bombeiros e a grande quantidade de materiais facilmente combustíveis nos dois restaurantes. O fato de o número de mortos não ter sido mais elevado se deve aos esforços dos bombeiros, os quais, com limitados recursos à sua disposição, se viram face a face com uma difícil tarefa de salvamento e combate a incêndio. Fonte: Revista "Fire International " e RTV.ES

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posted by ACCA@6:18 AM

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