Acidente de trabalho provoca a morte do trabalhador
Um acidente de trabalho registrado na terça-feira, 14 de
outubro, provocou a morte de um rapaz, por volta das 6 horas, em Apucarana,
Paraná.
QUEDA DO TANQUE
De acordo com informação preliminar do Corpo de Bombeiros,
um funcionário de estabelecimento industrial situado à margem do Contorno Sul,
na BR-376 (km 2) teria caído em compartimento dentro da empresa e morrido no
local.
Segundo os Bombeiros, o trabalhador estava realizando
manutenção em um dos tanques localizado na empresa, e teria caído dentro do
compartimento - com profundidade aproximada de 4 m - que estava cheio de água
com produtos químicos, utilizados no tratamento de peças de couro.
VÍTIMA
O corpo do trabalhador foi encaminhado ao Instituto Médico
Legal (IML) de Apucarana para exame de necropsia. O IML
informou que a vítima foi identificada como sendo DFA, de 24 anos, residente no
Jardim Colonial, na zona leste de Apucarana.
NOTA DA EMPRESA DE ESCLARECIMENTO
A empresa divulgou uma nota, sobre o acidente: Segundo
relatos de testemunhas e colegas de trabalho, o funcionário DFA, 24 anos,
estava em procedimento operacional na estação de tratamento de efluentes, em
local aberto e arejado, quando da manutenção de limpeza da peneira, de maneira
involuntária, a peneira caiu em tanque de adensamento de lodo próximo a uma
área restrita e protegida. A vítima colocou uma escada e adentrou indevidamente
no tanque que estava praticamente vazio, apesar de apelos do colega de trabalho
para que não fizesse tal procedimento inseguro e não permitido. No fundo do tanque, a vítima veio a
desfalecer, possivelmente ocasionado por asfixia de gases da fermentação do
lodo orgânico. Imediatamente os colegas
de trabalho tentaram retirá-lo, mas devido aos riscos conhecidos de tal
operação não foi possível efetivar com sucesso, portanto acionaram os bombeiros
rapidamente para sua retirada e
tentativa de reanimação.
Fonte: TN Online - 14 de Outubro de 2014
Comentário:
Sem levar em consideração o mérito de conscientização de
segurança, o que podemos analisar o ser humano em relação a percepção do
perigo. O que faz uma pessoa entrar num tanque, sabendo dos seus perigos? Por
que o perigo, às vezes, é invisível? Ou
o perigo está oculto?
Ou algumas pessoas têm a incapacidade de detectar e evitar situações
ameaçadoras, o que provavelmente contribuem para a frequência com acidentes ou incidentes?
Temos duas válvulas de escape no nosso comportamento; o medo
e ansiedade.
Ansiedade e medo são formas mais intensas de se demonstrar
uma preocupação. O medo está na interface do mundo exterior com o mundo
interior. Exteriormente, começa pela consciência de fatores de risco que variam
fora do controle da pessoa.
O risco é uma probabilidade de dano relacionado ao acaso: significa
uma ameaça às pessoas e aos seus valores. Cabe ao indivíduo reagir a esses
fatores para preservar a sua própria segurança e das pessoas pelas quais é
responsável. Portanto, à consciência do risco está associada a percepção
interna da pessoa sobre a sua vulnerabilidade a esses fatores e sua capacidade
de reação com êxito.
Assim, pode-se dizer que o medo compõe-se de três elementos
básicos:
■Percepção de risco: a consciência de que algo negativo ou
danoso pode acontecer;
■Vulnerabilidade: o sentimento de que a própria pessoa pode
ser atingida por esses fatores;
■Capacidade de resposta: se os recursos disponíveis e as
habilidades serão suficientes para
tratar com êxito a incidência desses fatores sobre o problema apresentado.
O medo varia na medida da alteração desses três fatores. Por
exemplo, quanto maior a habilidade e a competência para a resposta, menor a
percepção de vulnerabilidade e, portanto, menor a preocupação com o medo. Se
cresce o sentimento de vulnerabilidade e de incapacidade de resposta, aguça-se
proporcionalmente a intensidade do medo. O medo é a preocupação com o risco e a
incerteza sobre a possibilidade de êxito em determinadas situações.
Medo e ansiedade são usados como sinônimos na vida prática.
Mas há uma distinção importante. Por ser a avaliação mental de estímulos
ameaçadores, o medo é um processo cognitivo e não uma reação emocional. A
ansiedade é a reação emocional a situações de risco.
Medo e ansiedade são conceitos correlatos e, na vida
prática, freqüentemente usados como sinônimos. No entanto, há uma distinção
importante. O medo é um julgamento de que há um perigo real ou potencial em
determinada circunstância: surge com a percepção de risco, ou seja, a possível
ocorrência de algo danoso. Por ser normalmente percebido como um perigo,
involuntário e, em parte, incontrolável, o risco naturalmente provoca o medo.
Uma pessoa sente medo quando se aproxima do perigo ou se imagina lá; portanto,
o medo pode aumentar diante de fatores que não estão presentes, mas que poderão
ocorrer no futuro. Assim, o medo pode ser realista, explicável por premissas
lógicas e razoáveis e por observação objetiva ou irrealista, baseado em
premissas falsas e imaginações contrárias à observação. Por definição,
imaginações são irrealistas: derivam de crenças falsas sobre a realidade e,
normalmente, são frutos de informações incorretas, incompletas ou inadequadas.
Por ser a avaliação mental de estímulos ameaçadores, o medo
é um processo cognitivo e não uma reação emocional.
A ansiedade é a reação emocional a situações de risco.
Caracteriza-se por ser normalmente um sentimento desagradável de tensão,
nervosismo e perturbações físicas. A ansiedade é a resposta natural e
instantânea ao medo e, portanto, não pode ser classificada de irrealista ou
realista porque é emocional. Ativa-se a ansiedade quando se percebe ou se
imagina a situação ameaçadora.
Na maioria das pessoas, a ansiedade resulta em alterações
comportamentais visíveis, como ações inusitadas de agressividade ou de
inibição; em outras, mantém-se nos limites da vivência interna. Em alguns
momentos, a ansiedade adquire uma intensidade maior, resultando em pânico.
Normalmente, a ansiedade se antecipa aos eventos, mas surge
também a respeito de algo já passado quando se reativa a imaginação. A ansiedade
também pode originar-se de percepções de risco no próprio comportamento, como
uma intervenção pública ou uma interação pessoal nova.
O medo e a ansiedade são acompanhados por tentativas de
evitar ou escapar da situação que os produz. A tendência ao escape aumenta o
sentimento de ansiedade sem necessariamente alterar a situação promotora do
medo.
Fatores de decisão
A percepção de risco, o medo e a sua manifestação emocional
– a ansiedade – são fontes de perturbações comportamentais que afetam a forma
de a pessoa decidir. O processamento de informações é afetado por diversos
fatores internos e externos à mente humana, que alteram não só a percepção de
dados externos como a forma de valorizá-los e utilizá-los no processo de
escolher. A mente humana é repleta de dados e de julgamentos onde se formam
associações e as reações de medo e ansiedade podem promover enganos e formulações
incorretas de conceitos. Esse processamento confuso de informações ocorre em
todas as fases do processo decisório, deixando as pessoas suscetíveis às más
decisões.
Quanto mais complexas são as decisões, mais se buscam e se
analisam dados e, portanto, maiores as chances de distorções. Fonte: Adaptação
do artigo Ansiedade e medo na empresa,
Paulo Roberto de Mendonça Motta, PhD pela Universidade of
North Carolina (USA).
Hoje no Mundo de Segurança do Trabalho no Brasil, o governo
está criando normas ou melhorando-as
numa velocidade incrível, que durante as implantações nas empresas, algumas se tornam
desatualizadas, não há tempo analisar sua eficácia. Está criando o controle do
controle do controle. É a fiscalização de papel.
São prontuários, siglas mais siglas, questionários, tudo
preenchido conforme às normas, tudo nos
leva crer sabemos tudo, mas nos leva a não fazer nada, pois os acidentes
acontecem, estão acontecendo e acontecerão em um ciclo vicioso.
Não dá para organizar a vida de segurança do trabalhador num
Manual de Instruções de Segurança.
Voltando a realidade da empresa onde ocorreu o acidente: O
trabalhador estava fazendo a manutenção e deixou cair a peneira no tanque. O
trabalhou pegou uma escada e entrou no tanque quase vazio para pegar a peneira,
mas sendo alertado por outros trabalhadores do perigo. O trabalhador veio a
desfalecer devido aos gases e morrer.
Podemos indagar; O trabalhador realmente recebeu
treinamento? Ele conseguiu absorver os
ensinamentos básicos de segurança? Ele conhecia os perigos existentes no
tanque?
TREINAMENTO DE EMPREGADO
Quanto ao treinamento de empregado sobre os riscos de
tanques são úteis, pois podem
encontrar-se a execução de serviços em mãos de empregados não treinados
ou de terceiros. Isto reforça a necessidade para etiquetagem adequada e
chamativa. Em geral, a pessoa leiga não treinada acredita intuitivamente que
menos liquido/resíduo, significa menos
risco, quando o oposto é verdadeiro.
Este caso envolve as seguintes normas e recomendações;
·Comunicação de Riscos
·Norma de segurança (espaço confinado)
·Fatores humanos – treinamento
·Manual de Produtos Químicos
·Etiqueta de aviso de perigo
Finalidade da Comunicação de Riscos
·Identificação dos riscos
·Procedimentos de segurança para trabalhar com produtos
químicos
·Procedimentos de comunicação de riscos
·A Importância das Etiquetas de Identificação /Etiqueta de alerta
·Equipamentos de Proteção Individual
·Reação a uma Emergência
·Riscos Químicos e Como Controlá-los
·FISPQ – Manual de Produtos QuímicosMarcadores: acidente

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