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quinta-feira, outubro 16, 2014

A maior tragédia de mineração do Brasil

Era uma segunda-feira,  10 de setembro de 1984, a  equipe de mineiros escalada para o primeiro turno de trabalho na Mina Santana, da extinta Companhia Carbonífera de Urussanga, havia acabado de descer para o subsolo. Por volta das 5h houve a explosão. Todos os 31 trabalhadores do painel seis, que estavam a 80 metros de profundidade, morreram.

PIOR ACIDENTE DA MINERAÇÃO BRASILEIRA
Até hoje, 30 anos depois, este ainda é considerado o pior acidente da mineração brasileira – e um marco para a normatização da atividade. Na época havia muito mais trabalho (eram quase 13 mil mineiros e a indústria produzia o dobro do que atualmente) e quase não existiam regras. A extração do carvão era manual, usava-se explosivos e não havia sequer a proibição de fumar na mina.

CAUSAS DA EXPLOSÃO
As causas da explosão nunca foram, de fato, esclarecidas. Perícias feitas na época indicaram acúmulo de gás metano (um gás inflamável, presente na camada de carvão, que em determinada quantidade causa explosões).
A situação pode ter agravado por falta de ventilação na mina devido a queda de energia ocorrida na véspera do acidente  que pode ter comprometido o funcionamento dos exaustores que carregam o ar da superfície para o subsolo.

MORTES
Os mineiros morreram por asfixia e queimaduras. Nos dois primeiros dias de resgate, segundo consta em publicações da época, todos os que se aproximaram da mina deixaram o local intoxicados. A operação para a retirada dos corpos só foi encerrada cinco dias depois do acidente e reuniu bombeiros de Criciúma, Itajaí, Florianópolis e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

EVOLUÇÃO DA INDÚSTRIA,
A evolução da indústria, desde a tragédia em Urussanga, avançou: tanto em tecnologia quanto em segurança. A produção é quase totalmente mecanizada, o que melhorou – e muito – as condições de trabalho. Os casos de pneumoconiose, doença pulmonar causada pela inalação de poeira que assombrou as últimas gerações de mineiros, praticamente inexistem. Isso porque o maquinário usado para extrair carvão borrifa água enquanto opera, o que aumenta a umidade no subsolo e diminui o pó. Além disso, máscaras faciais são itens obrigatórios para o serviço.

REGRAS DE SEGURANÇA MAIS CRITERIOSA
A evolução da indústria, desde a tragédia em Urussanga, avançou: tanto em tecnologia quanto em segurança. A produção é quase totalmente mecanizada, o que melhorou – e muito – as condições de trabalho.

Hoje ninguém desce para o subsolo sem equipamento de segurança e treinamento adequado. A atividade é regida por uma norma específica à mineração e a cada seis meses as mineradoras são fiscalizadas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral – autarquia ligada ao Ministério das Minas e Energia.

Um técnico de segurança mede a quantidade de gases tóxicos durante os turnos de trabalho. Essa tecnologia que não existia há 30 anos. As regras de segurança da mina também ficaram mais criteriosas. "A utilização dos equipamentos de segurança é obrigatória. Quem trabalha diretamente com a mineração ou perto da extração não pode ficar sem máscara", afirma Jonathann Hoffmann, engenheiro de segurança de trabalho de uma mina em Içara.
O Ministério Público do Trabalho recebe os relatórios e, se necessário, firma Termos de Ajuste de Conduta (TAC) com as empresas. A região carbonífera de SC responde por metade da produção de carvão mineral do país. É interligada por Criciúma, Forquilhinha, Içara, Lauro Müller, Siderópolis e Treviso.

PROFISSÃO DE ALTO RISCO
Quem atua em contato direto com a extração do minério tem no máximo 15 anos de profissão. O que, segundo o Sindicato dos Mineiros, é um atrativo do serviço. A aposentadoria precoce permite a quem inicia na atividade aos 21 anos ser amparado pela Previdência Social aos 36.
Não é qualquer pessoa que tem estrutura física e emocional para desenvolver a atividade. É escuro, isolado e não se tem diálogo com muitas pessoas.
Dados da Previdência Social mantém a profissão de mineiro como uma das mais perigosas do país, ao lado dos que atuam nas plataformas de petróleo. E por um motivo: as chances de acidentes fatais são maiores em locais isolados, onde é difícil escapar.

PRINCIPAIS CAUSAS DOS ACIDENTES RECENTES
■ desmoronamento de rochas do teto e das laterais da mina
■ e choque elétrico.
Para diminuir os acidentes, a Associação Brasileira do Carvão discute a criação de um centro de tecnologia na área da segurança em mineração.
Fonte: Diário Catarinense - 06/09/2014

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posted by ACCA@3:00 AM

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