Incêndio em prédio residencial em Balneário Camboriú
Um
incêndio na manha de segunda-feira, 17 de junho, atingiu pelo menos dois
apartamentos no edifício Notre Dame, na Avenida Atlântica, em Balneário
Camboriú, Santa Catarina.
CAUSA
A
suspeita é que o incêndio tenha começado em um ar condicionado, que fica na
parte externa do apartamento que estava vazio, causado por problemas na fiação elétrica.
O aparelho em chamas soltou fagulhas que incendiaram ar-condicionado que estava
no andar de baixo.
VÍTIMAS
Não há
vítimas fatais. Os policiais precisaram arrombar uma porta para retirar a
moradora vizinha, uma senhora de 88 anos, cadeirante e que havia inalado muita
fumaça.
CONTROLE
DO INCENDIO
As
chamas iniciaram em um dos cômodos do apartamento do 3º andar do prédio e os bombeiros utilizaram o sistema de hidrante do
edifício e combateram o fogo antes que se propagasse para o restante do prédio.
DANOS
MATERIAIS
Os
maiores danos ocorreram apenas no quarto em que estava o ar condicionado.
BOMBEIROS DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ NÃO TEM EQUIPAMENTO
PARA COMBATER FOGO EM PRÉDIOS ALTOS
O incêndio
levantou, novamente, a discussão sobre
os equipamentos utilizados pelo Corpo de Bombeiros para o combate às chamas.
DEMORA
EM CHEGAR
Os
curiosos que assistiram a movimentação na Avenida Atlântica reclamaram da
demora dos bombeiros para chegar até o local, 20 minutos. De acordo com o tenente Daniel Dutra, o tempo
de atendimento a uma chamada é de até 12 minutos. Porém, problemas de
deslocamento por Balneário Camboriú são frequentes.
— O
trânsito é um fator complicador nas nossas ocorrências, não apenas em caso de
fogo. Quando respondemos chamadas de afogamento, acidentes, quase sempre temos
dificuldades em chegar ao local — revela o tenente-coronel Walter Ferreira
Povoas.
O oficial
enfatiza a importância de as pessoas liberarem a passagem imediatamente para
veículos de emergência.
—
Pedimos para as pessoas assim que nos verem com as luzes ligadas abram caminho.
Um minuto a mais no trânsito pode custar a vida de uma pessoa — avisa.
ALTURA
DOS PRÉDIOS
Isabel
Valente é ex-síndica de um prédio de 27 andares. Ela mora no 20° e diz que se
questiona frequentemente sobre o que faria em uma situação de emergência, já
que a escada dos bombeiros atinge até o 10º
andar. Em Balneário Camboriú, a instituição não conta com unidades móveis com
escada Magirus, mais adequada para edificações maiores.
Para
muitos, mesmo com sistemas de segurança presentes nos prédios, à altura dos
edifícios continua deixando os moradores assustados.
Seguros,
seguros, a gente não se sente. São tantos prédios uns maiores do que os outros
sendo construídos e a gente nota que os bombeiros não possuem equipamentos
eficientes para todos os casos. E se o incêndio fosse em um andar onde a escada
não alcançasse? — questiona Isabel.
PREVENÇÃO
■Sempre
que for se ausentar de casa, mesmo que por poucos dias, não deixe nada ligado
na parede (com exceção da geladeira, que funciona de forma diferente)
■Faça
uma revisão regularmente da instalação elétrica de sua casa
■Jamais
deixe velas acesas sem estar presente no mesmo cômodo
■Avise um vizinho de confiança sobre a sua
ausência e deixe sempre o seu contato em caso de emergências
■ Não
utilize benjamins ou dispositivos que aglomerem mais de um aparelho na mesma
tomada. Eles podem causar graves problemas nas instalações elétricas
Fontes: Zero
Hora, Diário Catarinense, O Sol Diario, 17/06/2013
Comentário:
O Balneário
Camboriú tem vários projetos aprovados de edifícios residenciais ou mistos
(comercial e residencial), com altura variando de 170m a 240 m.
A cidade
tem mais de 200 prédios e a estimativa
dos bombeiros é de que 30 a 40% apresentem irregularidades.
AS
PRIORIDADES OPERACIONAIS EM INCÊNDIOS DE EDIFÍCIOS ALTOS
Um chefe
de operação tem poucas escolhas quando enfrenta um incêndio nos últimos andares
de um edifício alto.
As
opções táticas à disposição dos bombeiros são bastante limitadas quando o fogo
localiza-se fora do alcance de uma escada. O resgate de pessoas pela parte
externa do prédio, usando escadas ou equipamento aéreo, não é possível nesses
casos. Quando isso ocorre, o chefe da operação só tem como opções o uso de uma
estratégia agressiva ou uma estratégia de não‑combate.
DIFICULDADE
NA LOGÍSTICA
O
transporte de pessoal e equipamentos para os andares superiores de um prédio
pode aumentar enormemente o tempo de preparação, especialmente se os elevadores
não puderem ser usados. O tempo de preparação para o lançamento de uma frente
de ataque, que geralmente não ultrapassa dois ou três minutos, facilmente passa
a ser de dez minutos ou mais, pois os bombeiros precisam chegar ao andar do
incêndio pelas escadas. Após carregar todo seu equipamento escada acima, os
primeiros bombeiros a subir provavelmente estarão exaustos. O pessoal de apoio
nas escadas e o uso de procedimentos de reabilitação podem minimizar esse
problema, mas as primeiras brigadas a preparar uma ofensiva nos andares
superiores de um edifício alto têm que se virar sozinhas.
A
IMPORTÂNCIA DA REDE DE ÁGUA DE INCÊNDIO
Quanto
mais alto for o andar do incêndio, mais importante se torna a tubulação interna
de incêndio. A instalação de uma linha de mangueiras no 10º andar de um prédio
já se constitui um desafio, mas posicionar uma no 30º , 50º ou no 100º andar é
muito mais difícil.
Em
termos práticos, o chefe de emergência precisa levar em consideração as
variáveis hidráulicas necessárias para superar a perda de carga o efeito da
altura, além do pessoal adicional necessário. A perda de pressão por elevação
corresponde a 0,03 kgf/cm2 para cada 30cm de altura.
Embora a altura de cada
andar varie de prédio para prédio, e os primeiros andares sejam geralmente mais
altos que os superiores, para efeitos práticos calcula-se que cada andar tem 3
metros de altura. Conseqüentemente, o bombeamento para um sistema de mangueiras
no segundo andar gera uma perda de pressão de aproximadamente 0,3 kgf/cm2. Um
bombeamento para o 51º andar corresponde
a uma perda de pressão de 18,4 kgf/cm2, e o bombeamento para o 101º andar resulta em uma perda de 29,5 kgf/cm2.
Para se conseguir superar estas perdas elevadas seria necessário utilizar pressões
de bombeamento muito acima das pressões recomendadas para as mangueiras e
bombas de incêndio existentes.
INCÊNDIO
NO HOTEL ONE MERIDIAN PLAZA
O
incêndio no hotel One Meridian Plaza, na Filadélfia, em 1991, é um bom exemplo
de quanto depende o corpo de bombeiros da rede de água de incêndio do edifício.
No instante do sinistro, a rede de incêndio do prédio desocupado tinha válvulas
redutoras de pressão, o que resultou em baixa pressão no sistema. Para tentar
obter as pressões e vazões necessárias, o chefe da operação considerou a
possibilidade de mandar bombeiros transportarem mangueiras de grande diâmetro
até o incêndio, que havia iniciado no 22º andar e se espalhado até o 29o. Se
considerarmos que cada andar tem 3 metros de altura, e que o 22º andar está localizado a 64 de altura, a perda
de pressão por elevação equivalia a 6,2 kgf/cm2. O uso de mangueiras de 13cm
iria reduzir a perda de carga, mas seria difícil transportá-las 21 andares
escada acima.
O
cálculo hidráulico indica que seria necessária uma pressão de descarga na faixa
de 55 a 65 lpm (litros por minuto) para se suprir o esguicho automático.
Esguichos de jato sólido operam a pressões menores para o mesmo nível de vazão
e, por esse motivo, exigem menos do equipamento de bombeamento e das
mangueiras. Essa tática seria possível em termos hidráulicos, mesmo com
esguichos automáticos que requerem pressão de 6,8 kgf/cm2. Entretanto, poucos
corpos de bombeiro dispõem do número de bombeiros necessário para implementar
semelhante estratégia, que exige muito trabalho.
No final
das contas, 316 bombeiros combateram o incêndio no One Meridian Plaza. Três
deles morreram antes que o chefe da operação decidisse retirar o seu pessoal,
optando por uma estratégia de não-combate.
DESAFIOS
DE COMBATE A INCÊNDIOS
Incêndios
em edifícios altos podem dominar completamente as equipes de combate e ameaçar
um número grande de ocupantes e bombeiros. Esses incêndios representam um dos
maiores desafios para os combatentes de incêndios em edifícios, porque exigem a
modificação de técnicas padrão de combate a incêndios e também porque limitam o
leque de opções do chefe da operação. Fonte: NFPA - Junho/Agosto 2001
Marcadores: incêndio

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