Acidentes em obras custam caro ao país e à vida do trabalhador
Com tantas obras públicas e privadas espalhadas pelo país, aumenta a preocupação com a segurança dos operários. Cada acidente grave custa muito para o estado e acaba com os sonhos de uma pessoa.
Os
acidentes na construção civil são a segunda principal causa de internação no
setor de ortopedia do maior hospital do país, Hospital das Clínicas de São
Paulo. Boa parte dos pacientes chega em estado grave ao hospital. O que falta
para reduzir o número de casos?
ACIDENTE
– SEM EXPERIÊNCIA
Em
abril de 2010, aposentado por invalidez Jefferson Silva
comemorava o primeiro emprego, ajudante de pedreiro. Começou em uma segunda-feira.
Recebeu a ordem de preparar um galpão que seria demolido.
“Primeiro eles me deram uma bota, um uniforme e um capacete. Só. Eu não tinha
mais nenhuma experiência”, lembra Jefferson, que só trabalhou até sexta-feira.
“Ele
falou assim: ‘Vai quebrar uma coluna ali’. Conforme eu e meu amigo batemos, o
negócio desabou. Nós batemos três vezes. Quando bateu o negocio, desabou.
Quando desabou, bateu na minha perna e derrubou a gente”, descreve Jefferson.
TRAUMA
GRAVE
Ele
teve fratura exposta no braço, quebrou a bacia e teve as pernas esmagadas.
Depois de cinco cirurgias, uma foi amputada. Jefferson não é exceção. De cada
cinco casos tratados no Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São
Paulo, um é funcionário da construção civil. Dos operários acidentados, oito
chegam em estado
grave. Ficam pelo menos um ano em recuperação.
“Ele
dificilmente consegue trabalhar da mesma forma que antes. Para essa função, ele
tem uma demanda mecânica grande. É difícil ele voltar a ter atividade ao nível
que ele tinha anteriormente ao acidente”, alerta o ortopedista Alexandre Godoy.
ALÉM
DO EPI, TREINAMENTO
Qualquer
obra é cheia de objetos que cortam, furam, esmagam. Mas entre eles e os
operários devem existir os capacetes, as luvas, as botas, os óculos e,
sobretudo, o treinamento.
“Eu
acredito que treinamento é fundamental. A conscientização do funcionário é
importante. Quer dizer, ele de início ser obrigado a usar os equipamentos que
protegem a sua vida e com o tempo ir se acostumando com isso”, diz Valdir
Pignatta, professor da Poli-USP.
FISCALIZAÇÃO
DO MINISTÉRIO DO TRABALHO
O
Ministério do Trabalho fiscaliza mais de 800 itens nas construções, de capacete
à sinalização de áreas de risco, mas a prevenção ainda é o melhor remédio.
“As
medidas mais importantes são as de natureza coletiva. Para impedir que
aconteçam acidentes, essas medidas vão em cima das principais causas de
acidentes de trabalho na construção, que são queda de altura, soterramento e
choque elétrico”, avisa Rinaldo Lima, diretor de fiscalização do Ministério do
Trabalho.
Há
15 anos o Brasil tem normas que obrigam os funcionários da construção civil a
seguir normas de segurança e usar equipamentos de proteção para evitar
acidentes, mas eles continuam acontecendo. Em um ambiente que mistura objetos
perigosos e altura, a chance de acontecer um problema muito grave é grande.
O
HC FEZ UMA ESTIMATIVA DO CUSTO DESSES ACIDENTES.
Entre
internação, remédios, cirurgias, reabilitação e pensão do INSS, tratar cada
trabalhador da construção civil gravemente ferido custa perto de R$ 68 mil.
Como o Ministério do Trabalho não tem um controle rígido sobre o número de
acidentes, não é possível calcular o prejuízo para o país.
As
construtoras podem ser multadas em casos de falta de equipamentos de segurança
e de acidentes com funcionários. O valor pode chegar a R$ 7 mil. Fonte:
Bom Dia Brasil - 01/04/2011
Comentário:
Comentário:
De acordo com pesquisa de
2004, 75% dos trabalhadores são analfabetos funcionais.
O que isso significa para
segurança do trabalho? Podem confundir cores, não entendem sinais e as
instruções.
Como o programa de treinamento
terá resultado com essa limitação de entendimento de texto?
Na construção civil: 72% dos
trabalhadores nunca realizaram cursos ou treinamentos; 80% possuem menos de
quatro anos de estudo e 20% são analfabetos;
As causas mais comuns dos
acidentes de trabalho:
■ modo operatório inadequado
à segurança
■ falha na antecipação/detecção de risco
■ falta ou inadequação de
análise de risco da tarefa
■ ausência/insuficiência de
treinamento.
■ uso impróprio/incorreto
de equipamentos /materiais/ ferramentas
■ sistema/dispositivo de
proteção ausente/inadequado por
concepção
■ improvisação; procedimentos
de trabalho inexistentes
■ procedimentos de trabalho
inexistentes ou inadequados
■ outros fatores do individuo
não especificados
■ falta de planejamento/preparação do trabalho
Marcadores: acidente

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