Comportamento humano nos incêndios
O estudo do comportamento humano em situações de incêndio, é um estudo complexo, pelo fato de serem impraticáveis as realizações de certos experimentos que venham a demonstrar as reais reações e comportamentos, sem que venha a se expor a riscos a integridade física dos envolvidos nestes, e com isto os estudos existentes fornecem apenas partes das situações reais experimentadas por vítimas em situações reais de incêndio. Estes estudos têm sido conduzidos nos últimos 40 anos iniciando-se na década de 60 nos Estados Unidos e na Inglaterra, sido intensificados a partir da década de 70, pela ocorrência do incêndio do edifício Joelma em São Paulo em 1974. Cenas bem vivas até hoje de pessoas se lançando ao espaço na tentativa de escapar as chamas percorreram todo o mundo, via televisão, se tornando uma referência trágica mundial e aguçando a curiosidade científica mundial.
De todos os fatos observados uma coisa é
certa: - de que o treinamento prévio de como agir ou sobreviver em meio a um
incêndio, realizado com uma certa periodicidade, pelo menos uma vez ao ano, é a
forma mais segura de se reduzir as fatalidades e os acidentes decorrentes dos
incêndios.
RESPOSTA
FISIOLÓGICA
As
reações humanas são condicionadas por um mecanismo fisiológico, no qual o homem
ao ser informado de uma situação de perigo, o qual ele identifica com base em
experiências, cognitivas anteriores ou de conhecimento adquirido através da
informação e de relatos, o qual lhe permite estabelecer comparações. As
reações, estas as mais típicas são:
■
a fuga, na maior parte dos comportamentos ou,
■
a luta da situação de perigo, ou a ausência dela,
■
a inércia, em que nada mais é de um processo total de negação do fato
relacionado com o perigo, motivado por uma situação maior e mais complexa que a
capacidade individual de ser tomada qualquer ação, quer fugir ou lutar. A
resposta fisiológica ao medo é um dos fenômenos fisiológicos mais básicos,
inerentes às espécies animais, e a garantia de sua sobrevivência e evolução. Os
seres vivos, em especial os animais, cujo homem é parte integrante da espécie,
ao perceberem da ocorrência de um determinado perigo, pelos seus sentidos,
sendo os mais importantes e influentes: a visão, a audição, o olfato, e o tato,
têm o seu processamento lógico-sensorial baseado na definição ou não de uma
situação de perigo como visto anteriormente. Esta situação sendo identificada
como uma situação de perigo é transmitida um impulso elétrico pelo Sistema
Nervoso Central (o qual corre em grande parte pelo interior da coluna
vertebral) a um conjunto de glândulas situadas sobre os rins - as glândulas
supra-renais, as quais se incumbem de liberar o hormônio adrenalina (ou
epinefrina) para a corrente sanguínea.
Em momentos de "stress", as
supra-renais secretam quantidades abundantes deste hormônio que prepara o
organismo para grandes esforços físicos, estimula o coração, eleva a tensão
arterial, relaxa certos músculos e contrai outros.
Quando
lançada na corrente sanguínea, devido a quaisquer condições do meio ambiente
que ameacem a integridade física do corpo (fisicamente ou psicologicamente,
medo), a adrenalina aumenta a freqüência dos batimentos cardíacos (cronotrópica
positiva) e o volume de sangue por batimento cardíaco, eleva o nível de açúcar
no sangue (hiperglicemiante). Esta reação minimiza o fluxo sanguíneo nos vasos
e no sistema intestinal enquanto maximiza o tal fluxo para os músculos
voluntários nas pernas e nos braços e "queima" gordura contida nas
células adiposas, promovendo uma relativa insensibilidade das extremidades bem
como possibilita uma coagulação rápida de pequenos ferimentos.
Também
promove a dilatação pupilar (midríase) o que aumenta o campo angular de visão,
e consequentemente o campo visual para fuga, luta ou percepção do perigo. Para
reações de curta duração, decorrentes de uma situação ou sensação de perigo
rápido (um escorregão, ou susto por exemplo) esta substância é secretada pela
parte exterior da glândula supra-renal.
Para
situações de stress ou perigo mais duradouro, como por exemplo: um incêndio, um
tiroteio ou uma ameaça constante, esta substância é excretada pelo córtex (ou
seja, a parte interior) da glândula supra-renal, a qual libera quantidades menores
porém intervaladas em um tempo maior, proporcional a ameaça e a sua duração. O
fato da percepção de uma situação de risco pode passar por conjunto de
julgamentos iniciais que levam à dúvida ou a incredibilidade, em geral sempre
através de um processo de negação, com pensamentos do tipo "eu não
acredito que isto esteja acontecendo" ou "não pode ser verdade".
DEMORA
NA TOMADA DA DECISÃO
Via
de regra há uma demora significativa entre a tomada de qualquer decisão entre
lutar e ou fugir, o que por vezes se torna fatal, pois os desdobramentos dos
eventos, em especial dos incêndios, se desenvolvem com velocidades rápidas ( em
geral a partir de 3 min e 42 seg. experimentos do NIST – National Institute of
Standards and Technologies – E.U.A. a produção de elementos tóxicos e a
temperatura de um incêndio a menos de 2,10m já se tornam críticos à vida) em
termos de produção de fumaça, com a liberação de produtos tóxicos, opacidade e
liberação súbita de calor ( a ocorrência de um "flashover" ).
FUGA
DESCONTROLADA
Na
fuga, a qual é um processo descontrolado, e em geral é a causa maior de
acidentes e fatalidades. Entretanto na desocupação, o qual é um processo
controlado ou sob comando, as pessoas tendem a seguir os padrões das instruções
previamente recebidas, quer por treinamentos ou exercícios simulados, e ainda
seguindo as informações contidas em sinais ou plantas de emergência, com isto
as pessoas devem nestas situações serem sempre informadas para onde ir e como
agir. Ao contrário do que se pensa, e do muito que se tem divulgado ao longo
dos anos, é raro nos incêndio ocorrer o chamado pânico, que é uma resposta de
inadaptação a uma determinada situação não controlada ou não controlável.
Entretanto
há uma profunda e significativa relação de pré-disponibilidade para estas
situações em eventos esportivos ou religiosos, aonde associado a elevada
densidade ocupacional, e ao reduzido número e as dimensões das vias de saída,
há o forte apelo emocional, como elemento latente.
As
pessoas de uma forma geral seguem os caminhos e as ações as quais estão
acostumadas ou foram treinadas, é um padrão típico dos animais, incluindo
formigas, abelhas e até bactérias. Experiências demonstram na elaboração de
Planos de Escape, que apesar de uma determinada via de fuga se encontrar mais
próxima ou adequada, as pessoas em situação de perigo tendem a utilizar aquela
que estejam mais acostumadas, em um processo hoje denominado Dinâmica das
Multidões (Crowd Dynamics).
PULAR,
OPÇÃO LÓGICA
Mesmo
em situações em que as pessoas se lançam pelas janelas em um incêndio, tal
visão de quem está do lado de fora sugere a ocorrência de pânico, entretanto
sob a lógica decisória comportamental dos envolvidos, tal ação era um resultado
de uma escolha entre ficar e morrer em meio as chamas cuja probabilidade de
sobrevivência seria nenhuma, a uma probabilidade ainda que infinitamente
pequena: a de saltar e sobreviver, portanto tal atitude é baseada em uma opção
lógica, apesar de parecer o contrário.
OCORRÊNCIA
OU NÃO DE PÂNICO
O
evento corrido no World Trade Center (WTC) em 11 Setembro de 2001, lançou novas
luzes sobre o fato e demonstrou que mesmo sobre eminência e conhecimento do
perigo em que estavam expostas as pessoas, não houve pânico, e as pessoas
procuravam ajudar uma às outras. Um grande número de cardiopatas, obesos, com
restrições de locomoção, asmáticos, grávidas etc. para escaparem daquela
situação, uma vez que as escadas, isto é aquelas que ainda se mantinham
desobstruídas, e possibilitavam tal conduta e geravam em virtude de sua
dimensão e sinalização um relativo conforto e segurança psicológica..
Na
ocorrência do pânico, após várias tentativas de ação frustradas por uma
determinada reação, p. ex. tentar várias vezes escapar por uma porta que se
encontra fechada, dá lugar a tentativas de quebra da mesma, ou mesmo devido a
raros eventos, como o exemplo ocorrido no Station Nightclub, em West Warnick,
Rhode Island, EUA, em 20 de Fevereiro de 2003, quando 100 pessoas entre
empregados e clientes perderam a vida, ficando um grande número presos as
portas por retenções corpo a corpo. Estas ações por vezes individuais, por
vezes coletivas se processam a velocidades cada vez maiores, uma vez que há um
perigo em desenvolvimento e constante aproximação: - o fogo e com isto as ações
tendem a ser mais rápidas e portanto levam a uma descoordenação motora,
psicológica e sensorial de onde resultando no pânico, o qual se manifesta ou
por choros compulsivos, gritos, ações inesperadas, ou bloqueio psicológico do
tipo inercial - paralisia e apatia total.
AÇÃO
DO MONÓXIDO DE CARBONO NO ORGANISMO
Em
muitos casos de incêndios, entretanto esta situação na realidade não chega a se
manifestar, pois a própria ação dos
compostos da fumaça, em especial o monóxido de carbono (CO) levam ao
entorpecimento das ações por meio da sonolência e dos desmaios. Isto decorre em razão dos efeitos
fisiológicos da combinação do CO com a hemoglobina no sangue através de um
processo químico ocorrido a nível celular em atmosferas normais.
CONSCIÊNCIA
COLETIVA
Na realidade as pessoas em uma situação de
emergência tendem a seguir padrões comportamentais regidos por uma "consciência
coletiva", a qual pode ser definida como um arcabouço cultural de idéias
morais e normativas, adquiridos pela humanidade ao longo de sua evolução, tendo
padrões típicos comportamentais assim denominados:
■ Aglutinação - fenômeno pelo qual o ser humano se sente melhor protegido
quando em grupo do que isolado e, portanto, em situações de perigo as pessoas
tendem a se agrupar umas as outras, cujo sentimento remota a mais básica das sensações emocionais
do ser humano: a proteção pelo abraço materno, em uma determinada área, em
geral um saída, a qual por vezes podem não ser a mais adequada para fins de
escape, e,
■ Convergência- Quando tal mecanismo de “Aglutinação” inverte-se, e observando
que a oportunidade de sobrevivência será tão e exclusivamente única para
poucos, em função das limitações ao livre escape, as pessoas lutam pela sua
sobrevivência, agredindo umas as outras, pisoteando-as, como é muito comum em
estádios esportivos.
O AMBIENTE DO INCÊNDIO
Um
dos elementos fundamentais de toda estratégia da Proteção Contra Incêndios é a
Proteção a Vida (Life Safety), e neste conceito há três direções:
■ a
prevenção da ignição,
■ o
controle do incêndio e
■ o
terceiro que é o de isolar as pessoas dos efeitos impactantes da combustão
pelo: tempo, distância e abrigo.
Os
fatores específicos que determinam um maior ou menor sucesso durante uma
desocupação estão ligados a três parâmetros básicos: Tempo, Tempo-Crítico e
Intervalo para ação.
Tempo
Como
o incêndio se desenvolve ao longo de uma linha do tempo, e nesta linha vimos
que a fumaça é o elemento impactante, que primeiro surge e por mais tempo se
mantém, mesmo depois da extinção das chamas e da redução do calor (a nível de
tolerância fisiológica). A ameaça está diretamente relacionada com a velocidade
de propagação do fogo (Flame Spread Rate), esta consideravelmente maior aonde
existe uma determinada carga mobiliária (p.ex. cadeiras, sofás, camas, em geral
como quase tudo hoje à base de polímeros sintéticos) bem como revestimentos
(p.ex. divisórias, forros, pisos) estes também a base de polímeros sintéticos,
como espumas, poliestireno etc.
Em
alguns casos como o caso do incêndio do Hotel MGM em Las Vegas, ocorrido em 21
de Novembro de 1980, em Las Vegas, EUA, o fator de difícil identificação ligado
as características (inodoro, incolor, insípido) do monóxido de carbono (CO),
fez com que não pudesse ser percebida a propagação da fumaça em decorrência de
um incêndio que lavrava no restaurante do Hotel, tendo se propagado pela juntas
de dilatação sísmica e penetrado nos vários quartos, deixando um saldo de 85
mortos, sem que houvesse neles a identificação de menor esforço ou posição
indicativa de percepção do risco ou de escape.
Tempo-crítico
O
tempo crítico para a sobrevivência humana, e consequentemente para o escape é
composta de três condições que interagem entre si:
■
as temperaturas elevadas do ambiente,
■ as
condições tóxicas e
■ as
atuais ou pré-existentes condições psico-fisiológicas dos ocupantes.
Temperaturas
elevadas do ambiente podem causar queimaduras ou stress térmico (intermação)
que mesmo lentas podem comprometer o equilíbrio homeostático e levar à morte,
bem como golpes súbitos de calor radiante proveniente de "flashovers"
- inflamação generalizada do ambiente ou "backdrafts" - explosões
súbitas de fumaça.
As
condições tóxicas podem ser criadas em função da composição química do material
que se encontra presente e de suas concentrações (carga de incêndio).
As
atuais ou pré-existentes condições psico-fisiológicas dos ocupantes são diretamente
afetadas pelas temperaturas elevadas do ambiente e pelas condições tóxicas do
local, sendo um exemplo comum a de problemas cardíacos anteriores, o que leva a
inúmeras fatalidades nos incêndios.
Intervalo para ação
O
intervalo entre a descoberta do fogo e a estimativa de seu risco, pode ser
definido como o tempo disponível para serem tomadas as ações que previnam os
ocupantes de estarem expostos aos riscos do incêndio.
Esta
ação pode ser através da ativação do equipamento automático de extinção ou pelo
confinamento do incêndio (compartimentação) , saída dos ocupantes (desocupação)
ou ambos. Quanto mais cedo for descoberto o fogo mais tempo se terá para as
ações de controle, e neste aspecto os sistemas automáticos de detecção e de extinção
de incêndios (detectores, sistema de
sprinklers) ocupam preponderante papel. O risco nem sempre cresce com a mesma
velocidade do incêndio. A ação de um destes sistemas pode reduzir a velocidade
de propagação deste risco.
O FATOR HUMANO
Duas
pessoas reagem de forma diferente a uma mesma situação quando ela ocorre, e
mesmo assim, uma destas pode agir de uma determinada forma hoje e
diferentemente daqui a algumas horas, dias ou semanas. Há certos fatores que
podem determinar como nós agiremos em determinadas situações. Como nós agimos
frente ao calor, fumaça e chamas é baseado nos seguintes fatores:
■ Idade - Os mais novos devido ao
desconhecimento e as restrições de mobilidade, e os mais velhos ( por isso as
faixas de maior vulnerabilidade nos incêndios é até os 5 anos e acima dos 65
anos) além destas restrições de mobilidade, devido a outros problemas de ordem
sensorial e neurológica tem a sua capacidade de lidar com o incêndio reduzida
tornando-se um fator crítico de sobrevivência,
■ Tamanho
- Pessoas de maior massa muscular podem tolerar melhor altas doses de materiais
tóxicos gerados nos incêndios, entretanto no tocante ao condicionamento cardio-respiratório,
crucial nestas condições de sobrevivência, estas pessoas em geral mal
condicionadas podem tornar-se vítimas potenciais,
■ Condições
físicas pré-existentes - A condição geral de um indivíduo poderá ter um efeito
na sua sobrevivência em um incêndio, Nestas podemos incluir: - estabilidade cardíaca
( determinada pela condição anatomo-fisiológica do sistema cardio-circulatório),
■ Condição
Aeróbica (associada ao condicionamento cardio-respiratório) - Mobilidade
(ligada ao biotipo, peso, altura, flexibilidade articular, doenças
músculo-esqueléticas), neste aspecto temos também de considerar grávidas,
pessoas com restrição motora, visual e auditiva, em especial cadeirantes,
■ Capacidade
Respiratória - A maior parte das "causas mortis" nos incêndios
decorre da inalação de fumaça. Por esta razão a capacidade respiratória é uma
condição crítica de sobrevivência na situação de um incêndio. Quaisquer doenças
crônicas pré-existentes como efisema pulmonar e asma (devido a alteração
respiratória por conta da alteração e da elevação da freqüência respiratória,
em decorrente da obstrução dos músculos pulmonares contraem-se, interrompendo o
ciclo respiratório e provocando vasoconstrição - diminuição do calibre das vias
aéreas pulmonares. Fatores estes associados a fumaça, stress, calor etc.),
podem reduzir consideravelmente esta capacidade.
Fatores
agudos como Resfriados, Gripes ou Pneumonias podem vir a afetar esta
capacidade. E no caso de fumantes as condições pulmonares, bem reduzidas em
geral, dificultam a ações de troca pulmonar a nível alveolar, em termos de
absorção de O2, e consequentemente dificultando uma boa irrigação sanguínea
cerebral, indispensável para a tomada de ações, quer quanto ao critério, quanto
a velocidade das mesmas, quer quanto ao impulso neurológico em uma situação de
incêndio.
■ Medicação,
drogas e álcool - estes elementos reduzem substancialmente a capacidade de
avaliação e da percepção dos riscos inerentes a um incêndio, alterando substancialmente a capacidade de se tomar a
decisão adequada frente a emergências. Estatísticas recentes (United States
Fire Administration – USFA , Abril, 17 , 2008) citam que pelo menos 10% das
fatalidades em incêndios residenciais tem como causa principal o uso de drogas
ou álcool, em especial nas comunidades mais pobres. Neste aspecto a faixa
etária envolvida neste tipo de evento se situa entre 20 a 64 anos, cujos
índices são duas vezes maiores que as outra faixas etárias, e os homens são os
mais predominantes neste aspecto.
RISCOS DO INCÊNDIO
Como
as pessoas reagem ao incêndio é determinado pelos riscos provenientes da
situação do incêndio, estes são determinados pela:
■temperatura,
calor, fumaça e
■ redução
da taxa de oxigênio.
Temperatura
- os efeitos podem variar com a duração da exposição. A umidade e
respirabilidade também têm efeito. As condições mais severas podem ocorrer mais
entre 50°C até 65°C e são consideradas incapacitantes. Temperaturas acima de
100°C podem causar a morte.
A
tabela ao lado mostra os efeitos fisiológicos do calor:
■ Fluxo
de Calor e queimaduras - Esta é a medida de quanto calor é disponível para ser
transferido a pele humana ( ou outra superfície). O limite superior é 2.5kW/m2
por 3 minutos sem dor severa. Isto é equivalente a colocação da mão a poucos centímetros de uma lâmpada de 100 watts por cerca de 3
minutos. O ponto alto da temperatura será quanto mais rápido a queimadura
ocorrer.
■ Obscurecimento pela Fumaça - A fumaça tem
diversos efeitos negativos - a redução da visibilidade para menos de 4 metros,
a irritação e a toxidez causada pela inalação, causa lacrimejamento e medo, e
consequentemente reduz a capacidade da pessoa escapar.
■ Redução do nível de oxigênio
(O2) – O índice de oxigênio na atmosfera é da ordem de 21%, portanto, quando este valor é reduzido vários efeitos
fisiológicos ocorrem, bem como psicológicos. Quando ocorrem a redução do nível
de O2 podemos relacionar a valores porcentuais
quanto a valores associados à pressão. Quando temos a redução dos valores
quantitativos temos os efeitos associados à anoxia, a qual pode resultar em
comportamentos irracionais e que por vezes são sugeridos de estarem ligados ao
fator pânico, entretanto com a redução do percentual de O2 no cérebro, há o aumento dos valores de dióxido de carbono
(CO2), o qual produz um efeito sedante e por vezes dependendo da concentração
alucinógeno, fazendo com que se feche uma porta ao invés de abrí-la para fugir
de um incêndio.
CONCENTRAÇÃO
DE OXIGÊNIO NO LOCAL
A
quantidade de O2 no ambiente determina ou não a sobrevivência em um incêndio;
■ concentrações
menores que 9% levam a inconsciência imediata, e a
■ partir
do terceiro minuto nestas condições restritivas caem as chances de
sobrevivência em um incêndio.
Há
muitos gases resultantes do processo de combustão, entretanto o mais comum e consequentemente
o mais problemático é o monóxido de carbono (CO), que é responsável por mais da
metade das mortes relatadas nos incêndios, devido a sua extrema compatibilidade
com a hemoglobina (Hb) conforme citado anteriormente. Além de perigoso em
pequenas quantidades, as concentrações de CO tendem a ser cumulativas, ou seja
isto significa que diversas exposições em curtos intervalos de tempo podem
fazer com que sejam acumuladas consideráveis concentrações de CO, o que pode se
tornar fatal em alguns casos.
Em
1979 Walter Berl e Byron Halpin do Johns Hopkins University analizaram 463
mortes decorrentes de incêndios em Maryland, nos E.E.U.U. e apresentaram a
primeira estatística que evidenciava a relação destas mortes diretamente a
inalação de CO.
A
presença de partículas sólidas de carvão, resultante da combustão incompleta,
se alojam nas vias respiratórias e criam espasmos musculares, do tipo tosse,
enjôo e vômitos devido a sua toxidez. Em contato com a retina ocular provocam
coceira, e lacrimejamento o que pode levar a acidentes em decorrência da perda
temporária da visão.
O COMPORTAMENTO HUMANO DURANTE OS INCÊNDIOS
Da
forma que um indivíduo é informado de que um incêndio está se desenvolvendo
próximo a si tem um impacto direto sobre as suas ações. Há diversas formas nas
quais as pessoas possam ser alertadas da ocorrência de um incêndio, em via de
regra são:
■
sistemas de alerta - Através de sons ou luzes específicas, uma vez já
reconhecidas através de programas informativos, de treinamento ou exercícios
simulados levam a pessoa a identificar como um alerta de incêndio. É importante
que estes sinais, possuam intensidade sonora acima do ruído de fundo em
especial nas indústrias (acima de 95Db), podendo por vezes serem conjugados com
sistemas luminosos. Sistemas de Ar Condicionado tendem a absorver ruídos e com
isto quando no funcionamento destes sistemas em especial em hotéis, os sinais
tendem a passar desapercebidos.
Crianças
e idosos possuem em geral sono mais profundo o que vem a dificultar a percepção
destes sinais. Entretanto estes sistemas apenas informam que está ocorrendo um
incêndio, entretanto não informam como agir e para onde se dirigir, portanto
devem ser seguidos de instruções dadas por sistemas de notificação sonora.
Estes alertas devem apenas ser utilizados, no sentido geral, ou seja para o
público, uma vez que a situação está de difícil controle e para a segurança dos
ocupantes é imprescindível a desocupação ( controlada) ou o abandono ( por ação
própria)
■ Sistema
de Notificação Sonora - Este sistema deve ser complementar aos sistema de
alerta, uma vez que uma mensagem pura e simples, pode passar desapercebida em
meio a pessoas, trabalhando, conversando com máquinas funcionando, em ambientes
com grande concentração de público, como shopping centers, na fase ainda
controlável do incêndio, as mensagens devem ser apenas em código e destinadas
apenas às equipes de emergência, evitando-se assim ansiedade e condutas
descontroladas e inapropriadas.
As mensagens devem ter uma elaboração
prévia, e algumas palavras como “Calma”, “Não Corra”, podem vir a ser
problemáticas, gerando um entendimento inverso ao esperado. O volume da
mensagem, o tom de voz também tem um efeito direto na forma pela qual as
pessoas percebem a ameaça.
■ Cheiro de fumaça - O cheiro da fumaça é um
outro fator importante na percepção que
um incêndio está em desenvolvimento, o que leva a maior parte das pessoas a
tentar a localização exata de sua origem.
■ Notificação
pessoal - A notificação pessoal constitui a forma direta e em geral a tida como
a mais confiável pela maior parte das pessoas, especialmente se esta
notificação for dada por familiares ou colegas de trabalho.
■ Barulhos
- Um outro modo de percepção da ocorrência de um incêndio pode ser a de pessoas
subindo ou descendo escadas, no corredor, vozes altas, gritos, apitos, viaturas
do Corpo de Bombeiros chegando etc.
Nos
estudos realizados na Inglaterra e Estados Unidos, entre 1987 e 1991 sob a
forma de questionários, chegaram algumas conclusões importantes:
■ A maior parte das pessoas 39% acredita durante
o acionamento de um alarme de incêndio tratar-se apenas de um exercício
simulado, e outra quantidade significativa 23% pensa estar relacionado o som
com as atividades de manutenção dos sistemas, apenas 14% consideram a hipótese
de um incêndio real;
■ As
razões que levam as pessoas a considerar que mesmo após terem percebido o sinal
de alarme de incêndio, consideram que se trata de um incêndio, 34% informaram que com somente uma informação
oral adicional, 18% devido a familiaridade com o som e 14% na incerteza
consideram-no como um alarme real;
■ Quanto a reação ao alarme,
- um
número significativo de pessoas 24%, ignora o alarme,
-enquanto
outros 24% procuram localizar o alarme,
-13%
procuram comprovar se o incêndio é real e
-outros
13% avisam terceiros para deixar o edifício;
■
Uma vez tendo sido cientificados por terceiros, ou seja, por outras pessoas que
ouviram o alarme, e repassaram a informação,
- 38%
procuraram deixar o edifício em resposta as instruções,
enquanto
18% preferiram ignorar o alarme e
- 13%
preferiram manter suas atividades rotineiras, ao invés de abandonar o local;
■Entretanto
após uma situação de incêndio real, feita uma avaliação teve como resultado:
- 68% das pessoas ligaram o som ao incêndio
real em andamento,
- entretanto
mesmo assim 32% das pessoas não ligaram o alarme ao incêndio;
Estes
dados tendem a provar que via de regra: “AS PESSOAS NÃO ACREDITAM QUE OS
INCÊNDIOS POSSAM OCORRER, A NÃO SER
QUANDO ELE ESTÁ REALMENTE OCORRENDO.”
■
Quanto a real percepção da ocorrência de um incêndio a certeza foi dada:
-
Para 26% das pessoas, através do cheiro da fumaça, para outras
- 21%
através da notificação direta e
- 18%
pelo barulho associado;
Cinco processos seqüenciais foram
identificados como padrões-resposta a situações de emergência, predecessores do
pânico os quais se alternam sucessivamente em uma espiral crescente, são eles:
RECONHECIMENTO
Da
forma que um indivíduo é informado ou tem a sensação de "que algo não
corre bem", ou seja, de que um incêndio está se desenvolvendo próximo a
si, tem um impacto direto sobre as suas ações.
VALIDAÇÃO
Este
processo consiste na tentativa de avaliar o quão séria representa a ameaça a
que ele está exposto, quando são colocadas questões do tipo: - "Devemos
desocupar o prédio ou aguardar as instruções?", "Este cheiro de
fumaça será de algo que realmente está queimando?".
DEFINIÇÃO
Este
processo consiste basicamente no conhecimento da informação sobre o perigo ao
qual o indivíduo está exposto, dentro de certas variáveis qualitativas, como a
natureza da ameaça, a magnitude do risco, e o contexto temporal de
desenvolvimento da emergência, neste caso do incêndio. Neste aspecto o
indivíduo pode determinar o curso de andamento da situação, com questões do
tipo "A quantidade de fumaça que ainda poderemos ver?" ou "Quantidade de calor que ainda poderemos sentir?"
AVALIAÇÃO
Este
processo pode ser descrito como um conjunto de atividades cognitivas e
psicológicas requeridas para que o indivíduo venha a responder à ameaça. A
habilidade individual de se controlar a ansiedade e o stress torna-se fatores
preponderantes, e neste processo a ameaça causada pelo incêndio determinará,
segundo o padrão psicológico ou vivencial do indivíduo a ação subseqüente: a de
fugir ou a de lutar contra o fogo.
EXECUÇÃO
Esta
parte do processo é relativa ao conjunto de mecanismos os quais o indivíduo
lançará mão, o qual foi estabelecido previamente, durante o processo de avaliação,
e que será a garantia de sua sobrevivência.
REAVALIAÇÃO
Este
é o processo mais estressante para o indivíduo, em especial quando uma última
tentativa tem acabado de falhar, e a subseqüência destas tentativas ( p. ex.
tentar escapar de locais aonde as portas se encontram fechadas ou obstruídas),
pode levar devido a recorrência do stress, cansaço à perda subseqüente da
coordenação motora ao incremento da possibilidade de sucesso, tornando as
decisões cada vez menos racionais e daí ao pânico como elemento final.
Fonte:
Sérgio Baptista de Araujo, Ten. Cel. BM .
Marcadores: incêndio

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