A importância da inspeção preventiva em tanques de álcool
Foto-perna de aço envolvido com concreto a prova de incêndio.A corrosão em uma das pernas. O revestimento de concreto dificulta a inspeção da perna de aço
Os resultados das inspeções preventivas de tanques para armazenagem de álcool têm nos mostrado um dado alarmante: em média, seis em cada dez tanques inspecionados apresentam vazamento pelo fundo. E, normalmente, este vazamento não é percebido pelo método convencional de medição de volume. Soma-se a isto o fato de que quase a totalidade dos tanques de álcool inspecionados apresenta algum tipo de não conformidade com relação às normas construtivas que regem a sua fabricação. De maneira geral, isto se deve a vários aspectos, sendo os mais significativos o não emprego, total ou parcial, de uma norma técnica construtiva quando da sua fabricação, a falta de cuidados essenciais durante a montagem e soldagem, além do descuido com a manutenção periódica, considerada vital.
Acredita-se que a situação descrita acima possa ser corrigida ou amenizada, aplicando-se inicialmente a manutenção corretiva para a eliminação de problemas conceituais e críticos, complementando-se esta ação com um programa de manutenção preventiva periódica.
INSPEÇÕES
Os resultados das inspeções, em geral, nos remetem para algumas não-conformidades típicas. São elas:
■Documentação
Com raras exceções, normalmente não são encontrados documentos relativos à fabricação dos tanques, como desenhos, certificados de matéria-prima e de consumíveis para soldagem, documentação de soldagem (EPS, RQPS, RQS), certificados de ensaios não destrutivos como radiografia, líquidos penetrantes, teste hidrostático e projeto de instalação e segurança operacional.
■Parque de Tanques
Normalmente não obedecem a distância mínima exigida entre os tanques e as bacias de contenção são subdimensionadas e sem proteção.
■Fundo
O fundo dos tanques é a área mais crítica, pois eventuais vazamentos não são visíveis e são difíceis de serem identificados.
Normalmente são encontradas junções entre as chapas soldadas que não se enquadram nas normas, dispositivos auxiliares de montagem não removidos ou removidos de forma incorreta, abaulamento expressivo devido a procedimentos de soldagem incorretos, insuficiência de solda e corrosão, entre outros. Tudo isto acaba de uma forma ou de outra facilitando vazamentos.
■Costado
As normas de fabricação determinam uma espessura mínima das chapas para cada anel do costado em função do diâmetro, altura e densidade do produto armazenado. Após a medição destas espessuras os cálculos são refeitos e situações como baixa espessura, corrosão ou mau dimensionamento podem reprovar o costado ou parte dele. Além disto, normalmente são observados defeitos nas soldas, como trincas, porosidades excessivas e, o mais grave, falta de penetração da solda, que pode resultar em ruptura do costado com conseqüente vazamento do produto armazenado.
■Estrutura
Normalmente observam-se deformações no teto do tanque devido a estrutura de sustentação estar subdimensionada ou fixação indevida da sapata do mastro com solda nas chapas do fundo. Isto ocorre devido ao recalque natural do fundo quando submetido às cargas de armazenagem do produto, podendo, em casos extremos, provocar trincas nas chapas do fundo nas áreas próximas às soldas. Outra situação gravíssima encontrada é o super dimensionamento da solda de união da chapa do teto com o costado que, por norma, deve ser "frágil", para que no caso de aumento da pressão interna (causada por eventual incêndio), funcionar como uma espécie de fusível, evitando a ruptura do costado, o que provocaria vazamento do produto e, conseqüentemente, aumentaria a área do incêndio.
■Fundação
A norma de fabricação especifica que o costado deve ser montado sobre uma cinta de concreto e isto nem sempre é obedecido, o que resulta em recalque não uniforme no costado, podendo ocasionar trincas na solda de união entre o fundo e o costado. A base também deve ser protegida contra infiltrações e inspecionada quanto ao aparecimento de trincas
Fonte: Welding Soldagem e Inspeções
Comentário: Por serem enterrados e de difícil inspeção visual, os fundos dos tanques e as tubulações enterradas de uma fábrica, planta industrial ou indústria petroquímica tendem a ser esquecidos pelos técnicos de operação e manutenção, que geralmente são surpreendidos quando os primeiros furos causados por corrosão começam a aparecer.
O comportamento do solo como meio corrosivo em uma planta industrial é muito importante de ser estudado e depende de muitas variáveis, como: aeração, umidade, pH, presença de micro- organismos, condições climáticas, heterogeneidades, presença de bactérias redutoras de sulfato, presença de fertilizantes e despejos industriais, melhor ou pior qualidade do revestimento, contato bimetálico devido à malha de aterramento elétrico de cobre e correntes de fuga.
Essa grande quantidade de variáveis faz com que o solo seja considerado um dos meios corrosivos mais complexos que existem, sendo praticamente impossível de se determinar com exatidão sua ação agressiva para os materiais metálicos nele enterrados, normalmente o aço e o ferro fundido, muito comuns em plantas industriais.
A agressividade do solo e os problemas de corrosão, podem, entretanto, ser diagnosticados com boa precisão, mediante a determinação e análise das seguintes variáveis:
• Resistividade elétrica do solo.
• pH do solo.
• Valores dos potenciais das instalações de aço ou ferro fundido, medidos em relação ao próprio solo.
• Conhecimento das características de instalação dos tanques, das tubulações enterradas e malhas de aterramento elétrico (lay-out, comprimentos, diâmetros, tipo de revestimento e desenhos de instalação). Fonte: IEC-Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda
Marcadores: segurança

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