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segunda-feira, janeiro 03, 2011

Só 6% das lâmpadas têm descarte correto

O que fazer com as lâmpadas fluorescentes após a vida útil? Das mais de 200 milhões de unidades que são consumidas anualmente no Brasil, apenas cerca de 6%, ou 12 milhões, recebem destinação correta - o que inclui a retirada do mercúrio e a reciclagem de seus componentes, como vidro e alumínio.

FALTA DE UMA ESTRUTURA DE COLETA
Atualmente, a falta de uma estrutura de coleta para que o consumidor leve suas lâmpadas e o pequeno número de empresas capacitadas para realizar a destinação correta do material são os grandes desafios. Em todo o País, não existe mais que uma dezena de empresas licenciadas para reciclar o material.

"A demanda existe, mas há poucas empresas que se dedicam a essa atividade porque é baixo o valor de mercado para os resíduos do processo de descarte de lâmpadas fluorescentes. E isso inibe as empresas", afirma Plínio Di Masi, diretor-geral da Naturalis Brasil, recicladora de lâmpadas de Itupeva (SP).

A Naturalis Brasil atende companhias que, por força da legislação ou de programas de gestão ambiental, como a certificação da ISO 14001, são obrigadas a dar destinação correta às lâmpadas. São cerca de 50 clientes, entre hospitais, escolas e indústrias. Mas também recebe lâmpadas de consumidores e condomínios que não sabem o que fazer com o resíduo.

Segundo outro reciclador, a Tramppo, em Cotia (SP), que tem cerca de 400 clientes, entre eles o Metrô de São Paulo, a demanda pelo serviço de descontaminação e reciclagem de lâmpadas vem crescendo fortemente nos últimos anos. "Nossos clientes, em sua maioria, são empresas que possuem programas de gestão ambiental e precisam dar destino correto a esse tipo de resíduo", diz Carlos Alberto Patchelli, diretor da Tramppo.

A empresa nasceu na incubadora de negócios da Universidade de São Paulo (Cietec/USP), vislumbrando o mercado potencial de reciclagem de lâmpadas. A tecnologia empregada permite, por exemplo, que o pó fosfórico, subproduto do processo de reciclagem, seja reaproveitado na indústria de cerâmica. O vidro vai para a produção de pisos e o perigoso mercúrio é reutilizado na produção de barômetros e termômetros. "A proposta é fechar o ciclo", diz Patchelli.

CUSTOS
O Estado de São Paulo ainda precisa concluir a regulamentação da Política Estadual de Resíduos Sólidos, que vai impor metas de reciclagem para determinados tipos de resíduos, como pilhas, embalagens de agrotóxicos e lâmpadas.

A definição das metas deveria sair até o dia 31, mas, segundo o secretário adjunto de Meio Ambiente de São Paulo, Casemiro Tércio Carvalho, o prazo para que a indústria se adapte à coleta das lâmpadas nos pontos de venda deve ser prorrogado até fevereiro. "Existe um custo para a logística reversa desse material. Mas isso tem de ser feito, e um dos caminhos é por meio de parcerias entre a indústria e os pontos de venda." Segundo os recicladores, o custo de reciclar uma lâmpada fluorescente fica entre R$ 1 e R$ 1,20.

Outro problema, segundo Carvalho, é que há poucas empresas habilitadas a fazer o descarte e a reciclagem dos componentes das lâmpadas. Em todo o Estado de São Paulo, por exemplo, só há quatro. De acordo com a própria Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a quantidade é insuficiente para atender à demanda que a lei de resíduos estadual vai gerar. Sozinho, o Estado consome nada menos do que 65% das lâmpadas fluorescentes vendidas no País.

LOGÍSTICA
O Brasil tem algumas iniciativas de coleta de lâmpadas. A Apliquim Recicla Brasil, hoje a maior recicladora de lâmpadas do País - processa em torno de 7,5 milhões de unidades/ano -, fechou parcerias com lojas de materiais de construção do Rio de Janeiro e de Caxias do Sul (RS) para receber descarte dos consumidores. Grandes redes, como Leroy Merlin, também já começam a coleta em algumas lojas. "Mas são iniciativas pontuais, que não atendem o consumidor. A maioria acaba descartando as lâmpadas no lixo comum", diz Eduardo Sebben, diretor superintendente da Apliquim Recicla Brasil.
De olho na obrigatoriedade futura, indústria e varejo começam a se articular. A Philips deve incluir, no primeiro semestre de 2011, as lâmpadas fluorescentes em seu projeto Ciclo Sustentável, que realiza a logística reversa de eletroeletrônicos, pilhas e baterias.

FALTAM CRITÉRIOS MAIS RÍGIDOS PARA DESTINAÇÃO
A Lei Nacional de Resíduos Sólidos, de 2 de agosto de 2010, foi regulamentada na semana passada, mas não houve detalhamento sobre a questão da destinação e reciclagem das lâmpadas. Havia a expectativa de que seriam impostos critérios mais rígidos para a destinação desse tipo de resíduo, o que ainda não ocorreu.
Segundo o decreto, os consumidores que não separarem o lixo seco do úmido estarão sujeitos a multas. Entre outras medidas, o decreto prevê penalidades para aqueles que não cumprirem as obrigações estabelecidas na coleta seletiva e nos sistemas de logística reversa, pelo qual aparelhos eletroeletrônicos, pilhas e pneus terão de retornar aos fabricantes. A punição pode vir em forma de advertência e, em caso de reincidência, multas de R$ 50 a R$ 500.

Fonte: Estadão - 29 de dezembro de 2010

COMENTÁRIO:
Custos para Descontaminação de Lâmpadas
O custo para a reciclagem e a conseqüente descontaminação do gerador de resíduos depende do volume, distância e serviços específicos escolhidos pelo cliente.
Nos EUA, o custo para pequenos geradores de lâmpadas usadas varia de US$ 1.08 a US$2.00 por lâmpada. Para grandes geradores, o preço final é da ordem de US$0.36 por lâmpada de 1,20 metros, mais custos com frete e acondicionamento para transporte. No Brasil, uma tradicional empresa do ramo cobra pelos serviços de descontaminação valores de R$0,60 a R$0,70 por lâmpada. A esse preço, deve-se acrescentar os custos de frete (transporte), embalagem e seguro contra acidentes. O ônus envolvido no processo de reciclagem tem sido suportado, até o presente momento, pelas empresas e indústrias mais organizadas, que possuem um programa ambiental definido.
Os subprodutos resultantes do processo de reciclagem, tais como vidro, alumínio, pinos de latão e mercúrio, possuem baixo valor agregado: R$20,00/tonelada para o vidro; R$900,00/tonelada para o alumínio; R$900,00/tonelada para o latão e R$0,04 a R$ 1, l2/grama para o mercúrio, dependendo do seu grau de pureza.

CONTROVÉRSIA: LÂMPADAS INCANDESCENTES (LI) X LÂMPADAS FLUORESCENTES (LF)
A proibição do uso dessa tecnologia seria eficiente para resolver a escassez da energia elétrica? As lâmpadas fluorescentes compactas (FLC) que têm sido apresentadas como substitutas das incandescentes são realmente ecológicas porque duram mais?
Estas são algumas das indagações?
A presença de mercúrio na composição das FLC, metal altamente nocivo ao meio ambiente, está no centro da discussão, já que o principal apelo da campanha pelo banimento das incandescentes é o impacto ambiental causado por elas, por desperdiçarem energia.

LÂMPADAS INCANDESCENTES
Prós:
São consideradas lixo comum, o que significa que o descarte não causa grandes danos ao meio ambiente;
■ Têm índice de reprodução de cor de 100%, valor ainda não alcançado por nenhuma outra tecnologia;
■ São em média de 5 vezes mais baratas do que as concorrentes.
Contras:
■ Utilizam apenas 5% da energia que consomem, transformando os outros 95% em calor;
■ Têm vida curta, em torno de 700 a 1000 horas (um ano).

LÂMPADAS FLUORESCENTES
Prós:
■ Consomem de 4 a 5 vezes menos energia que as lâmpadas comuns (incandescentes);
■ Têm longa vida; algumas chegam a durar até 6000 horas (seis anos);
■ Trabalham em baixa temperatura;
■ Estão disponíveis com aparências de cor desde o branco-quente até o branco-frio.
Contras:
■ Possuem mercúrio em sua composição, que é altamente tóxico;
■ Têm um índice de reprodução de cor de até 85%;
■ Praticamente todas as lâmpadas fabricadas no mundo têm baixo fator de potência;
■ São mais caras que as incandescentes.

Para o lighting designer brasileiro, Guinter Parschalk o grande obstáculo a ser vencido é fazer com que os equipamentos utilizados em residências retornem à cadeia produtiva. “Enquanto uma lâmpada fluorescente tubular é bem empregada numa empresa, onde a reciclagem pode ser feita facilmente sob orientações dos governos, nas residências esta operação se torna inviável, porque o uso é pulverizado”.

Guinter Parschalk lembra, que as lâmpadas fluorescentes são econômicas quando usadas em locais onde não sejam acesas e apagadas com freqüência, como os ambientes de trabalho, por consumirem uma grande carga de energia ao serem ligadas. Em residências, por exemplo, onde não há controle de quantas vezes as lâmpadas são acionadas, o consumo pode continuar alto após a troca das incandescentes pelas fluorescentes.

Se a substituição das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes vai contribuir com a diminuição do consumo de energia e reduzir a emissão de CO² na atmosfera terrestre, que seja feita!
Agora, o que não se pode fazer é se livrar de um problema e criar outro ainda maior. É preciso lembrar que temos de saber o que fazer com os produtos que serão substituídos, ou vamos criar montanhas de lâmpadas incandescentes, descartadas de uma hora para outra? É preciso viabilizar a reciclagem das lâmpadas fluorescentes; ou vamos esperar que elas cheguem aos aterros, poluam os lençóis freáticos, para começarmos a pensar?

Hoje o que está na moda é o uso do termo SUSTENTABILIDADE. O mundo percebeu que tem usar os recursos naturais de modo racional. Em principio é bom, desde que as ações sejam feitas de modo racional, analisando todos os custos envolvidos. Hoje com a paranóia ambiental, parece que existe um ciclo no mundo proposto por especialistas para que cada ciclo seja eleito o vilão dessa história da INSUSTENTABILIDADE do planeta, sem levar em consideração as conseqüências dessas substituições. Desta vez são as lâmpadas incandescentes.

Um dos princípios básicos da "teoria de sistemas” é que novos sistemas trazem soluções para problemas existentes e também trazem novos problemas que demandam novos sistemas.

Ou como disse Guinter Parschalk: A escassez da energia elétrica é fruto do crescimento populacional. Não pode ser resolvida com a simples substituição das lâmpadas incandescentes por fluorescentes.

Fiz o teste no meu apartamento trocando as lâmpadas incandescentes por fluorescentes durante um ano. Queimaram cinco lâmpadas fluorescentes, equivalendo a troca de 20 lâmpadas incandescentes. Hoje apenas a cozinha está com lâmpada fluorescente. A garagem do prédio onde eu moro, o sindico colocou as lâmpadas fluorescentes visando redução de energia elétrica com acionamento com sensor de presença. Em menos dois meses de instalação já trocaram dez lâmpadas !! Avisei na época que não se recomenda o acionamento dessas lâmpadas várias vezes ao dia. Fontes: Lume Arquitetura e ACCA

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posted by ACCA@9:09 AM