QUAIS SÃO OS RISCOS DE ACIDENTES COM VEÍCULOS A HIDROGÊNIO?
TANQUES PERIGOSOS
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Simulação da nuvem de hidrogênio inflamável ao redor do veículo dois segundos após três liberações da válvula de segurança em um túnel com ventilação transversal. |
Os carros e caminhões movidos a hidrogênio têm um potencial de contribuição ao meio ambiente muito superior ao dos veículos elétricos, mas também trazem seus próprios riscos.
Engenheiros da Universidade
de Tecnologia de Graz, na Áustria, mostraram agora que o problema pode ser
particularmente sério se um veículo a hidrogênio envolver-se em um acidente
dentro de um túnel.
A análise envolve os veículos
nos quais o hidrogênio é mantido pressurizado em tanques, como tipicamente
acontece nos veículos a com células a combustível. Devido à alta densidade
energética do hidrogênio e à alta pressão com que ele é armazenado em tanques,
esses carros a hidrogênio têm um potencial de danos muito elevado - existem
também tecnologias para armazenar o hidrogênio para os carros em estado sólido.
De acordo com as normas
atuais, o hidrogênio é armazenado nos automóveis a uma pressão de 700 bar e nos
caminhões e ônibus a 350 bar. Se ocorrer dano a um tanque desses, uma grande
quantidade de energia é liberada rapidamente; se o hidrogênio pegar fogo, ele
queima a temperaturas superiores a 2.000 graus Celsius.
Embora os tanques sejam muito
robustos e bem protegidos contra impactos mecânicos, eles não resistem a uma
colisão traseira com um caminhão, por exemplo. "Este cenário deve,
portanto, ser evitado tanto quanto possível," afirmam Martin Aggarwal e
seus colegas.
RISCO DE EXPLOSÃO DO
HIDROGÊNIO
Em termos de probabilidade, o resultado mais provável de um acidente envolvendo um veículo a hidrogênio é que não haverá impacto significativo do próprio gás, que vazará rapidamente para a atmosfera. No entanto, a situação é bem diferente se o acidente ocorrer em túneis ou outros locais restritos. A equipe identificou três cenários de perigo diferentes que podem ocorrer em casos de acidentes graves nessas condições.
No primeiro caso, o dispositivo de alívio de pressão térmica é
acionado quando a pressão do tanque aumenta em decorrência de um impacto
térmico (por exemplo, um incêndio no veículo ou ao seu redor), liberando o
hidrogênio do tanque em um jato controlado. Isso mantém a pressão em um
determinado nível e evita a ruptura do tanque. Se o hidrogênio descarregado
entrar em combustão - o que pode acontecer facilmente quando misturado ao ar -,
a chama é direcionada para o solo. No entanto, isso continua a ser perigoso
porque o hidrogênio queima sem cor ou odor, ainda que a zona de perigo seja
limitada.
O segundo cenário envolve uma falha na válvula de alívio de pressão, o
que pode fazer com que o tanque exploda, criando uma onda de choque que se
espalharia por todo o túnel. Até aproximadamente 30 metros do acidente existe o
risco de morte para qualquer pessoa, mas esse risco ainda envolve lesões
internas graves, como hemorragias nos pulmões, até aproximadamente 300 metros
de distância da explosão. Mais longe ainda existe o risco de ruptura dos
tímpanos.
O terceiro cenário é o menos provável, envolvendo o hidrogênio sendo
liberado sem ser inflamado. Sendo o elemento mais leve da tabela periódica, o
hidrogênio subiria e se acumularia em uma nuvem sob o teto do túnel. Se houver
uma fonte de ignição (por exemplo, lâmpadas quentes ou um impulso elétrico
acionando um ventilador), ocorrerá uma explosão da nuvem de hidrogênio, que
também causará uma onda de choque, embora com um impacto muito menor do que a
explosão do próprio tanque.
"As nossas investigações
mostraram que, embora os cenários de perigo envolvendo veículos a hidrogênio
sejam relativamente improváveis, eles apresentam um grande potencial de danos.
Os tanques de hidrogênio modernos são construídos de forma tão segura que muita
coisa tem de correr mal para que o hidrogênio escape," disse o professor
Daniel Fruhwirt.
RECOMENDAÇÕES PARA EVITAR OS
RISCOS
Para minimizar os riscos de acidentes com os veículos a hidrogênio, a equipe recomenda diversas medidas, incluindo limites de velocidade mais rígidos nos túneis, controles de distância precisos entre veículos, que sinalizem aos motoristas quando eles estão seguindo muito de perto os outros veículos, e limites de velocidade dinâmicos nos casos de engarrafamentos à frente, para que a velocidade já seja baixa o suficiente ao chegar ao engarrafamento que haja apenas danos menores em caso de colisão traseira.
"O que já foi implementado na maioria dos estados membros da União Europeia, como resultado dos graves acontecimentos do final da década de 1990 e início da década de 2000, é que todos os túneis em autoestradas e rodovias com um comprimento superior a 500 metros sejam túneis de tubo duplo e geralmente não são mais usados para tráfego bidirecional. Isso reduz consideravelmente o risco," disse Fruhwirt. Fonte: Inovação Tecnológica - 06/06/2024
Bibliografia: Artigo: Hydrogen Powered Vehicles In A Tunnel Incident -Risks And Consequences
Autores: Martin Aggarwal, Daniel Fruhwirt, Patrik Föbleitner, Oliver Heger, Patrick Pertl, Regina Schmidt, Alexander Trattner; Revista: Proceedings of the 12th Internation Conference on Tunnel Safety and Ventilation
Marcadores: acidente, explosão, hidrogênio, riscos
