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terça-feira, abril 19, 2016

Lembrança: O incêndio de 1903 no teatro Iroquois, em Chicago

“A cortina de asbestos! Pelo amor de Deus, ninguém sabe como abaixar esta cortina?”
Eram os gritos do ator Eddie Foy do palco do Teatro Iroquois em Chicago, em 30 de dezembro de 1903, enquanto o público apavorado lutava para sair do prédio. O incêndio começou no palco durante o segundo ato da matinê, Mr. Bluebeard,  causado por curto-circuito numa lâmpada de iluminação de cenário  (holofote)  e o fogo rapidamente começou a propagar-se pelo cenário que eram combustíveis. Dois funcionários do palco tentaram apagá‑lo, mas as chamas já estavam fora de controle.

O público mais próximo do palco podia ver as chamas, e alguém acabou gritando “fogo”. A multidão começou a se dirigir para as saídas e, como Foy mais tarde lembrou nas suas memórias, “já mostravam sinais de pânico – os da plateia não estavam tão assustados como os do mezanino e das galerias, locais mais perigosos”.

Foy pediu para descer a cortina do palco, mas ela parou a dois terços do caminho, uma das pontas travou. Uma corrente de ar vinda  do palco, através da porta em que os atores estavam fugindo, jogou a cortina solta  incendiada sobre o auditório.  Então aconteceu o que observadores descreveram como “um ciclone de fogo”, do palco para a plateia. O pânico tomou conta das pessoas em fuga.


EXCESSO DE LOTAÇÃO
Havia cerca de 2.000 pessoas no teatro. Desse número 1740 estavam sentados. O restante estava amontoado nos corredores da plateia e no mezanino. Nas galerias estavam lotados de pessoas.

CRIANÇAS E MULHERES FORAM AS PRINCIPAIS VÍTIMAS.
Havia homens na plateia e nas galerias, mas eram poucos, na proporção das crianças. Havia mulheres também.
Muitas das vítimas eram mulheres e crianças que aproveitavam os feriados de Natal para ir ao centro da cidade ver a peça.
Alguns delas morreram com seus filhos nos braços. Provavelmente, a proporção de homens no teatro seria um  para cada dez mulheres e crianças; das mulheres uma para cada quatro crianças ou jovens.
Vítimas fatais – 602
Feridos - 350

INVESTIGAÇÃO
A investigação revelou que o prédio, cuja construção ainda não estava terminada, estava longe de ser “à prova de fogo”, como dizia o construtor.
As entradas para os mezaninos superiores e galeria estavam fechadas para impedir que as pessoas da plateia passassem para outros níveis. Portas abertas para o interior do teatro dificultaram a saída de pessoas  que começaram a amontoar-se tentando escapar. Muitas pessoas foram pisoteadas na tentativa de escapar.
Das 30 saídas, 27 tinham sido trancadas e poucas delas estavam sinalizadas. Não existiam saídas de incêndio, alarmes,  extintores de incêndios,  telefones ou conexões de água.  

O Teatro Iroquois foi reaberto um ano mais tarde, como Teatro Colonial e mais tarde foi substituído pelo Teatro Oriental em 1926.
Fonte: @ZR, Chicago Daily Tribune, Thursday, 31 December, 1903, Nfpa Journal Latinoamericano- setembro 2015

Comentário: Passados mais de 100 anos os problemas mais comuns de violações de incêndio continuam; saídas de incêndio, alarmes,  sprinklers, sinalização, rede de hidrante.

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posted by ACCA@6:21 PM

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