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domingo, julho 29, 2007

Falta de hidrantes no local para combate ao fogo no Airbus da TAM

O combate ao incêndio que se seguiu à explosão do Airbus da TAM teve dificuldade adicional em quanta a hidrantes. Na Avenida Washinton Luiz existem apenas três hidrantes perto do local do acidente. Um deles está quebrado. Os outros dois não têm sinais de uso recente.

Hidrantes quebrados ou faltando
Do acesso da Avenida dos Bandeirantes até a entrada do Aeroporto de Congonhas, os únicos hidrantes disponíveis estão na esquina com a Rua Visconde de Aguiar, em frente a uma agência do Bradesco; no cruzamento com a Rua Barão de Goiânia, que está quebrado; e na esquina com a Rua Felix de Souza, a uma quadra do local do acidente. Em frente ao prédio da TAM Express e ao posto de combustível, os dois locais destruídos pelo acidente, não há sinais de hidrantes.

Caminhões-tanque
O Corpo de Bombeiros recorreu a caminhões-tanque para combater o incêndio. Quem acompanhou o trabalho dos bombeiros pôde ver a chegada constante de caminhões-pipa. Pelo menos 15 caminhões-tanque iam e voltavam do local para abastecer as equipes de resgate.

Controle das chamas
O vôo 3054 explodiu dentro do galpão de quatro andares às 18h50m, mas apenas depois da meia-noite os bombeiros puderam começar a resfriar o local para entrar em busca de vítimas. Foram pelo menos cinco horas apenas para que os bombeiros dominassem as chamas. Mesmo assim, por diversas vezes os focos de fogo retornaram com força, obrigando os bombeiros a recuar. Menos de três horas depois da explosão partes do prédio da TAM Express, caíram.

Minutos iniciais
Os primeiros bombeiros a chegar ao local do acidente sequer tinham escada para alcançar as vítimas desesperadas nas janelas no prédio em chamas. Os depoimentos de dois deles, que conseguiram resgatar dois homens que pediam socorro na janela do terceiro andar, mostraram as dificuldades que o Corpo de Bombeiros enfrenta para salvar vidas.
Os dois disseram estar entre os primeiros a chegar ao local do acidente, cerca de 10 minutos depois de o Airbus da TAM ter deslizado pela pista de Congonhas e invadido o prédio.
“Eu estava numa viatura sem escada e pedi uma escada manual para resgate” contou o tenente Henguel Ricardo. Assim que a escada manual chegou, Henguel conta ter gritado para as duas pessoas que esperassem um minuto que iria resgatá- las.
Desesperadas, as vítimas já estavam com o corpo chamuscado. Logo depois do salvamento, a laje desabou.
“Quando socorremos as vitimas, elas choravam desesperadas. Foi um momento muito emocionante, o mais emocionante em toda a minha carreira” disse Henguel.

O Corpo de Bombeiros ainda não se pronunciou sobre o uso de água de caminhões-tanque. Também nada foi dito sobre a falta de hidrantes no local, que pode ter dificultado o trabalho de resgate.

Falta de hidrantes na região do aeroporto
A falta de hidrantes perto do local do acidente chama a atenção porque ali é justamente uma das cabeceiras da pista. Congonhas registrou cinco derrapagens de aviões na pista antes dos incidentes mais recente - o turbo‑hélice da Pantanal e a tragédia do 3054 - e pelo menos um, da BRA, ficou embicado na pista e quase alcançou a avenida. Foi uma espécie de prenúncio da tragédia do Airbus.
Nas ruas paralelas e transversais a Washington Luis, nos fundos do local do acidente, há uma extensa área residencial e pequenos comércios de bairros. Em cinco quadras, nem sinal de hidrante.

Aeroporto
Dentro do aeroporto de Congonhas, do outro lado da Avenida Washington Luis, é possível ver vários hidrantes espalhados na região da cabeceira da pista. O problema é que não há qualquer coisa que indique que os acidentes ficarão limitados à área interna de Congonhas, logicamente.

Cidade
A falta de hidrantes é uma cena bastante comum na capital paulista, maior cidade do país. Pelas principais avenidas da capital, os hidrantes, apesar da enorme densidade populacional são coisa rara. Os que estão inteiros são ainda mais difíceis de encontrar.
Fonte: Globo Online – 20 de julho de 2007

posted by ACCA@3:16 PM