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segunda-feira, janeiro 11, 2016

Anatomia de um incêndio

Em 20 de outubro de 1977, o mundo industrial foi atingido por um incêndio no  principal depósito de peças e acessórios da Ford, em Koln (Colônia), Alemanha Ocidental.

CAUSA PROVÁVEL:
Negligência em fumar

COMBUSTIBILIDADE:
Plásticos e óleo.

RESULTADOS:
Destruição de  75.000 m2 do depósito, com um prejuízo estimado de US$100 milhões em danos materiais e lucros cessantes de US$50 milhões .

O QUE HOUVE DE ERRADO?
Por que o incêndio não foi controlado? O edifício tinha sistema de sprinkler. Todas as válvulas de controle do sistema de sprinkler foram encontradas abertas. A brigada de incêndio da Ford respondeu rapidamente? Por que esta proteção falhou?

O ARRANJO FÍSICO (LAY-OUT) 
O deposito da Ford alemã de peças e acessórios em Merkenich, subúrbio de Koln, era uma edificação industrial pós- II Guerra,  uma grande edificação, uma superestrutura, incluindo  concentração excessiva de produtos acabados ou, neste caso, de mercadorias. E essas mercadorias incluíram quantidade considerável de plásticos altamente combustíveis.

AS ATIVIDADES
O edifício abrigou peças e os acessórios da Ford para o mercado mundial Os empregados ocupavam-se; no recebimento, embalagem,  expedição e em atividades correlatas.

A ESTRUTURA
O edifício foi construído em 1962, com ampliação em 1967, e uma área coberta aproximadamente de 127.500 m2. A estrutura do telhado era de dois tipos: chapa metálica e laje de concreto pré-moldado. A cobertura era única de betume liso e eram suportados por vigas e colunas de aço.
 Diagrama – Lay-out do edifício – O incêndio propagou-se do ponto de origem (retângulo vermelho), do oeste para final do edifício e leste  para a parede corta –fogo até coluna 26. A área em retângulo é mostrada com mais detalhes no diagrama 2. 
O DIAGRAMA 1
Mostra a posição da parede dupla,  que divide o edifício em duas partes; leste e oeste.
A parede dupla, com isolamento entre elas de 8 cm e a espessura de cada parede de 11 cm, estende 25 cm acima do telhado. A estrutura da parede possui portas de fechamento automático no lado oeste  (lado em que o  incêndio ocorreu).

CONTEÚDOS
A mercadoria armazenada no lado leste da parede era principalmente de peças de escapamento (silencioso), tubulações, rodas, amortecedores, e peças de corpo metálico. No lado oeste da parede era armazenado mais peças de metal de carro, mais itens combustíveis tais como; manta de fibra natural, tubulação, consoles, latas do óleo para motor, volante para direção, estrutura de assento, forração, carpete, e limpadores de pára-brisa. Muitos destes produtos eram peças individuais ou em conjuntos, plástico, e a maioria estava armazenada em caixa de papelão e acondicionada em plástico.

Existia armazenamento permanente e temporário. A armazenagem permanente era em porta paletes ou mantinha as peças grandes tais como; assentos de carro corretamente nas prateleiras, ou, mais freqüentemente, mantinha muitas peças pequenas em cestos metálicos. 
O empilhamento em cestos metálico era também usado para o armazenamento permanente. O armazenamento temporário era ou em cestos metálicos (paletes metálicos) ou em porta-paletes. Os cestos metálicos também conhecidos como paletes metálicos,  tinham do tipo sólido (chapa, tipo caçamba)  e metálico (tela metálica), ambos com base de madeira .

Seta azul – armazenagem temporária
Retângulo amarelo – origem do incêndio 
A configuração de armazenagem na área da origem do incêndio é mostrada no diagrama 2.
Fileiras duplas, tais como; 8 e 9, 23* e 24* tinham quase nenhum espaço transversal (paralela no sentido da carga) ou o espaço longitudinal (perpendicular no sentido da carga).
Os arranjos compactos de cestos metálicos, como nas fileiras 8* a 24*, tinham espaços longitudinais de cerca  13 cm, mas nenhum espaço transversal. Um terceiro arranjo, encontrado nas fileiras 1 e 2 e aquele mais distante eram o dobro, fixado em estrutura de porta-paletes, com 10 cm de espaço longitudinal.
Outras áreas tinham configurações similares, mas geralmente mais fileiras duplas do que arranjos compactos.
Como o diagrama 2 mostra, havia também armazenamento temporário considerável na área próxima.
Nas principais áreas do depósito, os paletes metálicos eram empilhados até 6 m de altura.. Os porta paletes permanentes tinham 3 m de altura  e geralmente tinha outro de 3 m de cestos metálicos empilhados no alto (obstruindo longitudinalmente o espaço entre eles).
A armazenagem temporária na fileira 5, no lado oeste, consistia de volantes de direção, feito de alma de aço, alcochoado em espuma de poliuretano e com revestimento em PVC e consoles de plásticos.

Os volantes de direção eram armazenados em porta-paletes,  empilhados com dois a seis cestos metálicos. Os consoles plásticos neste corredor eram empilhados em um a dois paletes. A armazenagem na fileira 5,  no lado leste, e entre as fileiras 9 e 10, consistiam de latas de óleo para motores em paletes,  empilhados com 2 ou 3 paletes de altura.

PROTEÇÕES CONTRA INCÊNDIO
Embora elas nem impediram e nem controlaram o incêndio, havia recursos humanos e físicos para proteções contra incêndio no depósito de Merkenich. Também, além dos esforços dos funcionários da Ford, e de diversas organizações de combate ao fogo (brigada de incêndio) da vizinhança que responderam ao alarme.

O EQUIPAMENTO DO DEPÓSITO EM MERKENICH
O sistema de sprinkler automático foi instalado em todo o depósito e originalmente foi projetado de acordo com os códigos locais, mas foi modificado mais tarde para aumentar a densidade de cobertura, conforme exigências da FM Global para armazenagem predominante naquele tempo. Os bicos de sprinklers  foram aprovados pela FM Global, do tipo para cima (upright), com diâmetros de orifícios de 12,7 mm . A maioria dos sprinklers era para temperatura de operação  de 74o C; e o restante para 100o C.
A área de cobertura para a maioria era de 9 m2 por bico. A demanda de água disponível era adequada proteger os componentes plásticos armazenados até a altura de 1,5 m, dispostos como estavam no depósito em Merkenich.

O sistema de sprinkler era alimentado por uma rede pública principal através de duas bombas, (booters), dois tanques de pressão de  45 m3, e de uma moto-bomba diesel para o tanque de sucção. Uma estação de bomba (booster) estava localizada no canto, a sudoeste do depósito, a outra na edificação, à nordeste do depósito.   Estas bombas (booters) tinham as tubulações de sucção de 150 mm e de entrada de 200 mm, com um hidrante principal de 300 mm, alimentado  por uma rede principal pública de 400 mm  e fornecia separadamente a alimentação central do sprinkler. A bomba diesel alimentava de um reservatório subterrâneo, com conexão automática de abastecimento para a rede pública.

A fiação para o painel de controle da bomba era distribuída; aérea, em badeja de cabo,  ao longo da cobertura do depósito. Além das bombas (boosters), todos os hidrantes do local  eram abastecidos por uma canalização de 300 mm,  conectados a rede pública por uma canalização de 400 mm.

Todos os abrigos, continham  mangueiras de 20 m,  tipo C (resistente á óleo, à abrasão, resistente a superfície quente, 120o C), com diâmetro de 50 mm e esguicho de jato sólido de 8 mm. Alguns esguichos eram reguláveis para jato tipo neblina ou para fornecer jato sólido (diâmetro de 12,7 mm).

Os alarmes do sistema de sprinkler foram projetados ser ativados sob queda de pressão da água da canalização de sprinkler. Os sinais de cada coluna de alimentação eram recebidos e automaticamente registrados na portaria principal e  transmitidos simultaneamente à Central da Brigada de Incêndio da Ford, localizado em outra fábrica da Ford, em Niehl, distante 2,5 km do depósito em Merkenich.

 BRIGADA DE INCÊNDIO E SEU EQUIPAMENTO
Três profissionais da brigada de incêndio eram designados permanentemente para o depósito em Merkenich durante o turno dia. Além disso, aproximadamente vinte funcionários do depósito recebiam  treinamento periódico, como brigadista voluntário. Os três profissionais faziam parte da equipe de 53 profissionais, da brigada de incêndio da Ford,  e o restante de pessoal  permanecia  na Central de Brigada, sediada em Niehl,  distante apenas três a quatro minutos pela autoban (autopista, estrada de tráfego rápido).
Pelo menos dezessete profissionais ficavam sempre em serviço, embora nenhum permanecia à noite em Merkenich, onde a vigilância normal de segurança era responsável para acionamento do alarme de incêndio.
A estrutura de emergência da brigada de incêndio da Ford não incluía atribuições individuais para as bombas e para as válvulas de controle de sprinkler. Estas atribuições deviam ser feitas pelo responsável  na chegada no local da emergência.
Os equipamentos da brigada consistiam; dois caminhões de moto-bomba, um caminhão do serviço, bombas portáteis, unidades de dióxido de carbono, unidades de pó químico seco e de espuma. Normalmente, os equipamentos não eram enviados de uma só vez;  inicialmente foram preparados dois conjuntos de equipamento e uma brigada de incêndio .
Outras equipes de brigadas que podiam e responderam a emergência em Merkenich, foram aquelas próximas ao depósito, da industria química Wacker,  brigadas de voluntários de Merkenich e de Fuhlinger, e o Corpo de Bombeiros da cidade de Koln.

POLÍTICA DE CONTROLE DE INCÊNDIO
Semanalmente as inspeções de válvulas de controle do sistema de sprinkler eram feitas e registradas, e os serviços de manutenção importantes do sistema de sprinkler (impairment, fora de serviço, necessita de colocar vigilância na área e comunicar as autoridades) eram comunicados a FM Global em Frankfurt. Havia uma política “proibido de fumar” em determinadas áreas do depósito:  armazenamento dos líquidos inflamáveis, carpintaria e armazenamento de guarnição de plástico de automóveis. Fumar era permitido, entretanto, em a maioria outras de áreas do edifício incluindo a área onde este incêndio desastroso começou.

Os representantes da companhia de seguro, incluindo os engenheiros da FM Global, inspecionavam regularmente a instalação do deposito de Merkenich e consideravam o depósito bem conservado, com armazenamento e localização eficientes das peças de reposição de automóvel.
Os engenheiros da FM Global alertaram a Ford que o armazenamento de plásticos na altura de 6 m, poderia sobrecarregar o sistema de sprinkler e recomendaram  a redução da altura de armazenamento. Respondendo a isto e a outras recomendações similares, Ford avaliou os resultados de seus testes de fogo que foram conduzidos no Centro de Teste  da FM Global, em Rhode Island, no verão de 1976.
Ciente do aumento do risco de incêndio, a Ford desenvolveu novos padrões para a companhia para  armazenagem de materiais de riscos elevados e estes foram às diretrizes para o controle, quando o incêndio começou no depósito em Merkenich.

O INCIDENTE
Estes foram os eventos, quanto ao desdobramento, nesse dia de outono:
Aproximadamente às 14 h 20 min, 20 de outubro 1977, o incêndio  rompeu no depósito, no setor de armazenagem temporária de consoles plásticos. Imediatamente é informado pelos funcionários da área,  que as chamas estão quase a 1 m de altura.

As informações se propagam, e quatro minutos após a descoberta, dois funcionários tentam sem êxito  extinguir o incêndio com uma mangueira de incêndio, próxima a central de mangueira,  no interior do edifício. Suspeitando, incêndio em óleo e pensando que a água seria ineficiente, eles concentraram seus esforços em direção aos porta-paletes adjacentes, jogando água para impedir seu envolvimento. Apesar disto, o as chamas cresciam rapidamente.  Alguns minutos ou mais tarde, a brigada de incêndio da Ford em Niehl é alertado pelo sistema de alarme de incêndio e pelo telefone. Simultaneamente, os primeiros sprinklers abrem e o alarme automático é recebido em Niehl.

Assim que os caminhões da brigada aproximam do local, o chefe da brigada de incêndio da Ford vê a fumaça crescendo das aberturas dos respiradouros do telhado e solicitou reforços do Corpo de Bombeiros da cidade de Koln.
Na chegada ao depósito às 14 h 39 min , a brigada dirigiu-se para a área de armazenagem onde as chamas podiam ser vistas em todos os porta-paletes e os funcionários ainda estavam tentando controlar o incêndio. A brigada da Ford ataca o incêndio com pó químico seco e duas linhas de mangueiras, mas é impedido pela armazenagem de mercadorias nos corredores (obstrução).

Os sprinklers  estão operando, mas a densidade de água disponível não podia penetrar ou pela elevação de gases quentes gerados pela combustão dos estoques ou pela obstrução dos espaços entre os paletes para alcançar o local do incêndio. Um segundo grupo de brigadista de Niehl chega e organiza a evacuação do pessoal das áreas adjacentes do escritório. Mais tarde, entram na área de armazenagem , que está  agora completamente sem luzes,  porque o quadro de fusíveis derreteu se.
A locomoção está difícil e o uso de aparelho autônomo é necessário. Este grupo, também, tenta combater as chamas com mangueiras, mas agora o incêndio está fora do controle. Neste momento, o supervisor de manutenção do depósito segue para casa de bomba diesel e encontra a bomba funcionando com um brigadista em plantão. Dez minutos mais tarde, ele verifica outra vez, e a bomba está operando ainda sob a supervisão.

Entretanto, assim que os veículos de incêndio do Corpo de Bombeiros de Koln se aproximam, cerca de 3 km,  o oficial responsável pela guarnição observa uma densa nuvem negra no céu e envia um alarme adicional, solicitando reforços.
Outro destacamento é enviado e as brigadas de voluntários das vilas próximas são chamadas. As 15 h, os veículos de incêndio do Corpo de Bombeiros de Koln chegam ao local e outro alarme é enviado imediatamente, solicitando mais oito unidades de reforços. O incêndio está muito intenso agora, queimam latas de óleo e a estrutura estala assustadoramente.

A fiação do controle do painel da moto-bomba diesel  interrompe ou entra em curto circuito, neste momento, causando a paralisação da bomba.
Equipes  sobrevoando em helicóptero, vêem as chamas e fumaça, elevando-se das aberturas e das clarabóias do telhado.

No interior, a propagação do incêndio parece que parou na parede de alvenaria que divide a metade ocidental (oeste) que está em chamas da outra metade que não está envolvida (leste). Entretanto, o incêndio continua com fúria, movendo-se para o norte e para o oeste. Nesse momento, o sistema de sprinkler está totalmente indefeso e os esforços da brigada são incapazes de controlar a situação.

A pressão da água diminuiu, porque muitas mangueiras e o sistema de sprinkler estão em operação. Um outro alarme é emitido, que traz mais três unidades para o local. As 15 h 30 min, o especialista de controle de incêndio da Ford chega ao local  e segue em direção a casa de bomba diesel, onde ele encontra a bomba, que não está mais em funcionamento e a porta está fechada. O supervisor de manutenção, que está  próxima a cobertura, é surpreendido em ouvir, que a bomba está agora abandonada (sem vigilância). O especialista do controle de incêndio destrava a porta e liga a bomba manualmente.

A pressão da água está agora tão baixa, que houve reforço de água através de uma série de bombas de diversas autobombas, conectada a uma mangueira, que está abastecendo de água de um lago perto do local e também de um reservatório de captação de água de chuva localizado na área do depósito.

O especialista de controle de incêndio da Ford encontra a moto-bomba elétrica no edifício, sem energia e a segunda bomba elétrica (booster) não está operando, embora o controle está na posição automática. Esta bomba é ligada manualmente.

Os funcionários da Ford solicitam ao departamento de água da prefeitura, bombeamento adicional de água para reforçar a linha. As 16 h 20 min, o comandante do Corpo de Bombeiros da cidade de Koln anuncia que o edifício da parte oeste da parede de alvenaria não pode ser salvo  e ordena  a evacuação de todos os bombeiros. Os esforços agora são dirigidos para salvar o edifício da parte leste da parede de alvenaria, onde estão localizados;  a principal subestação elétrica, casa de caldeira, os edifícios administrativos e o escritório principal.

Às 18 h 47 min, o incêndio está sob controle. Às 23 h 30 min, o incêndio está praticamente extinto. Ocasionalmente surgem focos de incêndios, mas são rapidamente extintos.
Sobre 75.000 m2 do edifício da parte oeste da divisão da parede de alvenaria está em ruínas. A laje de  concreto  da cobertura  desmoronou totalmente. As vigas e colunas de aço foram retorcidas pelo calor intenso.
Latas de óleo carbonizadas, que caíram das prateleiras, formaram um monte de entulho. Algumas mercadorias  estavam tão derretidas ou queimadas que eram impossíveis para identificá-las. O que era uma vez uma ativa operação de negócio, agora foi reduzida a entulho.

PERGUNTAS E RESPOSTAS
Como poderia acontecer?
Como poderia um depósito com sistema de automático de sprinkler sofrer uma perda tão devastadora?
Pode a indústria não confiar mais em equipamento da proteção contra incêndio?
Podemos somente cruzar os nossos dedos e esperar que o incêndio não nos atinja novamente?
A perda de Ford levantou muitas questões alarmantes.
No monte de entulho desta instalação encontra-se uma lição que a indústria deveria preocupar-se. Sim, a instalação era protegida, mas havia diversas falhas fatais na blindagem (na proteção) .

O EMPILHAMENTO ERA MUITO ELEVADO
A armazenagem de peças de plásticos atingia 6 m de altura. De acordo com a norma da FM Global, o sistema de sprinkler disponível poderia somente proteger a armazenagem até a altura de 1,50 m.
Esta altura excessiva permitiu maior profundidade de área e um incêndio muito mais intenso para desenvolver e  interferiu no acesso da água dos bicos de sprinklers às chamas.
O fogo começou próximo ao solo e os gases quentes foram capazes de elevar-se em direção ao teto e com muita maior velocidade e volume do que um arranjo de armazenamento com baixa altura.
O sistema de sprinkler foi dominado pelo fogo na armazenagem, o qual estava para proteger. Este era, sem dúvida, o fator o mais importante.
Mas isto não significa que a armazenagem de plásticos deve sempre ser limitado a 1.5 m? Não, porque a proteção pode ser projetada para a estocagem mais elevada.
Entretanto, neste caso, as características de projeto do sistema de sprinkler submeteram a existência  de uma proteção inadequada  para altura de 6 m.

A DENSIDADE DE SPRINKLER ERA MUITO BAIXA
A densidade da água disponível para sistema de sprinkler existente, era apenas quase 14,3 mm/min  sobre uma área da demanda de 279 m2 . A densidade de sprinkler necessária para altura de 6 m de armazenamento de plásticos seria de 24,4 mm/min sobre a mesma área.
Entretanto, isto supõe a instalação de sprinkler com orifício grande  para altas temperaturas e manter  pelo menos 90 cm de espaço livre entre a altura do armazenamento até o bico do sprinkler, infelizmente, não existia neste depósito.

Tamanhos dos orifícios do sistema de sprinkler e a temperatura de operação estavam incorretos

A concentração elevada de componentes plásticos exigia  sprinklers com orifícios de 13,5 mm, mas aqueles no depósito tinham  12,7  mm de orifícios. Os bicos maiores descarregariam aproximadamente 40% a mais de água sobre as chamas e as gotas maiores de água penetrariam melhor na elevação do plume do fogo (a fumaça gerada por uma fonte de calor, material em combustão, flui no sentido ascendente, com formato de um cone invertido).  Também, os sprinklers sobre os porta-paletes  eram classificados para temperatura de operação para 74o C,  enquanto eram necessários para 141o C. Isto permitiu que muitos bicos de sprinklers abrissem durante o estágio inicial do fogo, e que resultou baixa densidade de água para o sistema, como um todo.
Conseqüentemente, a eficácia do sistema total ainda seria reduzida pelo uso destes bicos para baixa temperatura, mesmo se o armazenamento fosse mantido nos padrões dos limites recomendados. O sistema de sprinkler em Merkenich não foi projetado para proteger o armazenamento com altura excessiva de componentes plásticos envolvidos. Mas, ainda havia outras deficiências que contribuíram para o desastre.

ARMAZENAMENTO TEMPORÁRIO BLOQUEANDO OS CORREDORES
A expedição de componentes automotivos eram colocados temporariamente nos corredores, enquanto aguardavam o destino final, deixando espaços nos corredores, somente de 70 cm. Esta obstrução aumentou o risco de incêndio e tornou extremamente difícil o combate manual ao fogo. Os espaços amplos dos corredores poderiam ter limitado a propagação das chamas, em vez da disposição de armazenagem compacta que forneceu virtualmente uma fonte ininterrupta de combustível para o fogo. As mangueiras de incêndio não conseguiam alcançar eficazmente o local do fogo.

NÃO HAVIA NENHUM ESPAÇO ENTRE OS PALETES (FLUE SPACE)
1 -A NFPA e FM, recomenda  a criação de um espaço entre os paletes na seção transversal e na longitudinal não é recomendável .
2- Na Suécia, a norma recomenda a criação dos espaços
Os espaços entre os paletes fornecem um trajeto para a água do sistema de sprinkler para seguir através dos porta-paletes, de modo que possa alcançar o fogo nos níveis mais baixos. Sem estes espaços, o fogo é protegido e pode crescer incontrolado pelo efeito de resfriamento da água (externamente a mercadoria está resfriada, mas internamente está gerando calor). Embora as chamas  podem se tornar grandes suficientes para alcançar o teto e ser expostas para o sprinkler descarregar, mas a fonte da geração do calor permanece queimando no centro do empilhamento. Alem disso, o armazenamento neste caso era tão elevado, as chamas podiam envolver um volume de material, enquanto ainda estava escondida da água do sprinker.

O ARRANJO FÍSICO DA SUBESTAÇÃO ELÉTRICA E DO CONTROLE DA BOMBA NÃO ERA CONFIÁVEL
A instalação elétrica de alimentação à estação da bomba de incêndio número  4, localizada à sudoeste  do edifício,  era distribuído através de painel de distribuição situado no depósito. A fiação de controle da bomba de incêndio  a diesel para estação de controle número 6 , também atravessava o edifício. A operação destas bombas, componentes importantes para o sistema de defesa contra o fogo, era conseqüentemente sujeito aos efeitos do fogo no edifício, que elas pretendiam proteger.
E aproximadamente 20 minutos após a ignição do fogo, a bomba de incêndio da estação número 4 perdeu energia. Foi em conseqüência de uma queima ou curto-circuito na fiação para o painel de controle  da bomba causou paralisação nesta bomba por cerca  40 a 60 minutos, depois que o fogo iniciou-se.
A fonte de alimentação para a bomba de incêndio e para os controles deveria ser projetada para operação confiável sob quaisquer condições de emergências. Todos os fatores mencionados, até agora relacionam somente aos aspectos físicos da proteção. Mas, sobre o elemento humano? Como foi a atuação do pessoal na emergência?

A ORGANIZAÇÃO DE EMERGÊNCIA NO LOCAL ESTAVA INCOMPLETA
Quando um incêndio ou a outra emergência aparecem, as pessoas tendem apavorar-se. Isto é da natureza humana. Mas os minutos preciosos podem ser perdidos com a confusão, dando ao incêndio uma possibilidade de crescer e propagar. Neste incêndio, perderam até 5 ou 6 minutos de tempo,  após a descoberta do incêndio, para que alguém decidisse avisar o departamento de incêndio de Niehl. Três vezes durante a emergência, as bombas de incêndio foram encontradas não funcionando, ainda que colocado no controle automático.

Ninguém foi designado para permanecer  no local para assegurar operação ininterrupta. Duas bombas foram religadas  manualmente, enquanto a terceira bomba ficou sem energia logo no inicio do incêndio.
O planejamento do pré-plano de incêndio é uma das mais melhores armas, que uma industria possui no combate contra graves perdas. O pessoal deve ser treinado para pensar eficientemente no “momento da crise”, para agir junto com o sistema de proteção contra incêndio.

Um programa  de organização de emergência deve fazer parte integrante do programa de conservação  de propriedade de cada companhia.
Este programa contribuiria de maneira mais eficaz  aos esforços do combate ao incêndio, atribuindo ao pessoal do depósito as seguintes funções chaves;

• Uma pessoa responsável  pela emergência  e dirigir os esforços da organização  até a chegada da Brigada de Incêndio da Ford da Central de Incêndio  
• Pessoal treinado; para acionar o alarme de incêndio e avisar  a Central de Incêndio da Ford, após a descoberta do incêndio
• Operadores de controle de válvula; para assegurar que as válvulas de controle da água do sistema de sprinkler para a área afetada estejam inteiramente abertas, e para permanecer no local , como “vigia das  válvulas” contra o fechamento prematuro por terceiros, até a chegada da pessoa responsável

• Operadores da bomba de incêndio; para assegurar que cada bomba de fogo inicia e permaneça  funcionando até a duração da emergência
• Equipe de incêndio; inicia manualmente o combate ao incêndio com pequenos extintores e mangueiras  até a chegada da Brigada de incêndio e do Corpo de Bombeiros
O combate ao incêndio não deve começar com o Corpo de Bombeiros, mas com a brigada de incêndio da empresa, treinada para agir rapidamente e corretamente no momento da descoberta do incêndio.

UMA LIÇÃO AMARGA
Quando o depósito foi construído em 1962, o sistema de sprinkler era adequado para as condições dominantes. O estoque era pequeno no início e foi mantido dentro dos limites segurança. Mas as operações cresceram e mais componentes eram armazenados; algumas peças tornaram se obsoletas ou de giro lento (estoque) .
Os espaços adequados do corredor não foram mantidos, e a expedição em trânsito foi colocado entre alguns porta-paletes. Também, como os anos passaram, a indústria automotiva  mudou muito, com uso intensivo de plástico em vez metal para vários componentes. A carga altamente combustível no depósito refletiu esta tendência. Entretanto, a proteção não manteve o ritmo com estes desenvolvimentos.

Com sistema de sprinkler e densidade de água apropriada, e melhor configuração  de armazenagem, o sistema de sprinkler poderia ter controlado o incêndio. O fator mais crítico, embora, era a existência de um sólido bloco contínuo de combustível altamente desafiador (armazenagem compacta de componentes plásticos), que nenhum sistema de sprinkler poderia suficientemente proteger.
A indústria atual, procurando conservar a propriedade em condições reais de valores e promover a eficiência da produção, está construindo instalações maiores e super-instalações, algumas superiores a 100.000 m2 de área . A proteção adequada torna-se um sério problema.

Sem paredes corta-fogo para limitar os danos, estas grandes instalações podem totalmente ser destruídas por um incêndio. Os prejuízos por danos a propriedade e de interrupção de negócio (lucros cessantes) podem alcançar centenas de milhões de dólares, a menos que o sistema de proteção contra incêndio  acompanha progressivamente as ocupações e projetos cada vez mais perigosos.

Quando os riscos mudam, o sistema de proteção deve ser revisto e implementado as melhorias necessárias. O sistema de sprinkler automático, quando corretamente projetado e combinado para o desafio envolvido, permanece a melhor linha de defesa contra o incêndio. A gerência industrial está aprendendo que a prevenção de perda é crítica para operação contínua e pode colocar a sua confiança no equipamento da proteção contra incêndio. Mas esta confiança é justificada somente quando a proteção é dada  como a mais elevada prioridade na política da corporação.

Nota técnica de rodapé

Se o armazenamento está mais baixo do que 3 m? De acordo com a norma da FM Global, item 8-9, a disposição   adequada de armazenamento de  plásticos para 3 m de altura deve ser protegida por uma densidade de 18,3  mm/min sobre uma área de demanda de 465 m2, se a temperatura de operação do instalado é de  74o C. O sistema atual, com todas as bombas em operação,  fornecia apenas  12,2 mm/min sobre uma área de operação de quase 465 m2.
Se foram instalados sprinklers, com temperatura de operação de 141o C  e uma densidade de 18,3 mm/min sobre uma área da demanda de 279 m2 seria exigido, de qualquer modo, aproximadamente 14,3 mm/min sobre uma área disponível de 279m2

Desta maneira, mesmo diminuindo a altura de armazenamento de 6 m para 3 m e  mantendo os espaços longitudinal e vertical entre as superfícies das cargas unitárias e instalando sprinklers para altas temperaturas, não assegurariam proteção de um incêndio desastroso.

Fonte: @ZR, Anatomy of a fire – An analysis of the largest loss in the history of the Factory Mutual  Insurance Company – 1979 

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