Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

terça-feira, abril 13, 2010

Memória: Oppau, explosão na fábrica da Basf

Eram 7 horas e 32 minutos da manhã de 21 de setembro de 1921, uma quarta-feira. Em Munique, ouviram-se dois sons abafados, mas fortes o suficiente para que as pessoas se perguntassem de onde teriam partido, o que estaria por trás deles. A resposta só se tornou conhecida mais tarde.

Gráfico:Num raio de 30 km as residências foram afetadas

Cerca de 300 quilômetros de distância, na cidade de Ludwigshafen, às margens do Rio Reno, havia ocorrido uma explosão estrondosa: o lugar da catástrofe foi à sede da empresa Basf (sigla de Badische Anilin- und Soda-Fabrik) em Oppau, um subúrbio do norte de Ludwigshafen.

EXPLOSÃO CONTROLADA QUE SE TORNOU INCONTROLADA
Num depósito de sulfato de amônio com salitre, tentou-se afofar a mistura com pequenas explosões, para que o adubo composto não se solidificasse e petrificasse. Caso isso acontecesse, seria impossível transportar o adubo.
A explosão ocorreu quando estava sendo utilizado explosivo para fragmentar pilhas estocadas de mistura de nitrato de amônia (mistura de 50/50, sulfato de amônia e nitrato de amônia). Este procedimento foi utilizado em mais de 16.000 vezes, sem acidentes. Cerca de 4.500 t da mistura foi envolvida na explosão que criou uma enorme cratera.
Foram registradas duas explosões; uma inicial de menor intensidade e, em seguida, a maior, com efeitos catastróficos em todos os sentidos.

CRATERA GIGANTESCA
No lugar da explosão, abriu-se uma cratera de 90 metros de largura, 120 metros de comprimento e 20 metros de profundidade.

Foto-Círculo em amarelo – cratera

FALTA DE CONHECIMENTO NA ÉPOCA
"Em princípio, naquela época, não existia nenhuma experiência que demonstrasse que tal processo de explosão, aplicado erradamente, pudesse levar a grandes danos. O nível de conhecimentos ainda não era tão alto. Tratava-se de um produto que começara a ser fabricado pouco tempo antes, ou seja, cinco ou seis anos. Mas o problema da sua petrificação nos grandes depósitos já era conhecido há muito tempo e, durante anos, fora solucionado com as explosões. Por isso, não se tinha consciência dos efeitos que elas podiam provocar. Hoje, existem processos de explosão aplicada, examinados e aprovados pelas autoridades de segurança da Alemanha, que são utilizados com êxito", disse Rolf Haselhorst, atual chefe do corpo de bombeiros da Basf:

DANOS MATERIAIS
Se as explosões foram ouvidas em Munique, podem-se imaginar os danos provocados na área do acidente.
A fábrica da Basf ficou em ruínas, da mesma maneira como o bairro suburbano de Oppau. De cerca de mil casas existentes, 80% foram inteiramente destruídas, nenhum prédio deixou de ser afetado. Num raio de 25 quilômetros, os telhados das casas foram arrancados.
Houve também danos na cidade vizinha de Mannheim, na margem oposta do Reno, da mesma forma como em Heidelberg, a 30 quilômetros de distância. Lá, foram destruídas tantas vidraças que o trânsito teve de ser interrompido. Até mesmo em Frankfurt, a 90 quilômetros do local das explosões, registraram-se danos.

VÍTIMAS
Morreram 561 pessoas e 1.952 ficaram feridas.

DESABRIGADOS
Cerca de 7.500 pessoas desabrigadas foram alojadas em barracas, recebendo o que necessitavam com maior urgência, sobretudo cobertores e roupas. Elas tinham perdido praticamente tudo o que possuíam.

REPARAÇÃO DOS DANOS
Demoraram três anos para que os danos da catástrofe pudessem ser inteiramente reparados. Para isto, trabalharam 31 arquitetos e 40 empresas construtoras.
O acidente de 1921 não foi a única explosão ocorrida nas dependências da Basf. Nos anos posteriores, foram registradas outras que, contudo, não provocaram vítimas. E continuam a ocorrer detonações de pequena intensidade e sem maiores conseqüências. Nesses casos, não há explosões, mas meros estampidos, garante Rolf Haselhorst.

Fonte: DW-World – Deutsche Welle – 21 de novembro de 2004 e Quest Consultants Inc.

Marcadores:

Print Friendly and PDF

posted by ACCA@7:58 AM