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domingo, abril 22, 2007

Planeta Terra pede socorro


O primeiro homem que viu a Terra do espaço, Yuri Gagarin, cosmonauta soviético, disse; “A Terra é Azul”.

Vinte e dois de abril de 2007 é o Dia Mundial da Terra. Há pouco motivo para comemorações. Aquecimento global aumenta a temperatura e amplia a água dos oceanos. A destruição dos recursos naturais piora a cada dia e tem efeitos desastrosos para os seis bilhões de habitantes do Planeta. Por todos os recantos do Planeta há sinais visíveis dos estragos feitos pelo homem.

No Dia Mundial do Planeta. As estatísticas de degradação ambiental há muito assustam a população do mundo inteiro. O assunto em voga, o aquecimento global, longe de ser uma preocupação nova, já vem dando sinais de efeitos na natureza desde a segunda metade do século passado. O aumento das temperaturas e ampliação do nível da água dos oceanos, a queimada das matas, o calor insuportável principalmente nos grandes centros urbanos. Assim tem sido o apelo da Natureza para anunciar que talvez não possa mais manter a vida. Em meio a tanto descuido com o patrimônio ambiental, cabe ainda uma pergunta: o planeta pode se salvar?

Crescimento das favelas
Dados da Organização das Nações Unidas (Onu), no documento "O estado das cidades no mundo 2006/2007" revelou que o crescimento das favelas é o grande responsável pelo aumento da população urbana no planeta. Hoje um terço da população urbana mora em favelas e, até 2020, esse número pode saltar para 1,4 bilhão - número equivalente à população da China. O estudo aponta que no Brasil, nesse mesmo intervalo, a população das favelas pode chegar a 55 milhões, um quarto da população do país.

Consumo exagerado da sociedade
Para a bióloga Cristine Pereira;
Coordenadora do programa de Bioeducação Mudança de Atitude na População, da Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis), o maior problema das cidades é o consumo exagerado desatrelado de uma conscientização com relação ao destino do lixo. Segundo a estudiosa, que trabalha na conservação das espécies de mamíferos e tartarugas, o lixo, tanto o químico quanto o doméstico, são os maiores responsáveis pelo aniquilamento de ecossistemas marinhos e de água doce.
Foto ao lado - Esterco de animais, esgoto e material que não é aproveitado por catadores da Vila Dique é descartado no leito do Arroio da Areia, região Metropolitana de Porto Alegre
"Os animais que nós resgatamos, cada vez mais, apresentam quadros de fome, ocasionados por ingestão de lixo doméstico, principalmente de origem plástica", ressaltou Cristine. Ela informou que são retirados dos oceanos, por ano, milhares de toneladas de lixo plástico. "Hoje a gente percebe um consumo exagerado de saco plástico na sociedade. Indo parar no mar, os sacos provocam a morte dos animais por afogamento, ele fica impedido de respirar, por aprisionamento, quando ele não consegue se locomover em busca de alimento e morre de fome, e por ingestão, porque o animal não digere o plástico".

Uma mudança no quadro de poluição de mares e lagoas, no mundo, segundo a pesquisadora, poderia começar com a limpeza das praias. "As nossas praias estão repletas de lixo de origem doméstica. Os finais de semana são os piores dias, porque a maioria das pessoas está nas praias consumindo". Segundo ela, a população deveria ser conscientizada para não acumular lixo nas praias. "Ainda tem muita gente que deixa lixo nas praias. Não há uma rotina para o condicionamento adequado desse lixo. Não há cestos de lixos disponíveis para as pessoas", alertou.

Urbanização desenfreada
Para o oceanólogo David Zen, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o aumento da população do planeta e a ocupação desenfreada dessa população nos grandes centros urbanos têm contribuído para o desequilíbrio ambiental. "Para que a população mundial chegasse a um bilhão, demorou dois milhões de anos. Nos últimos 200 anos, a população na Terra cresceu seis vezes. Hoje são um bilhão e meio e pessoas", disse. "Como a maior parte da população está nas cidades, o que se percebe ainda é que, no Brasil, 82% da população, habita cidades de zonas costeiras. E o que se constata é que não existiram condições apropriadas para que essas cidades se desenvolvessem de forma equilibrada", informou.

O especialista apontou como solução de preservação do meio ambiente nos grandes centros urbanos, principalmente nas cidades de zonas costeiras, é a mobilização da sociedade. "A solução está nas mãos das pessoas. A situação hoje do meio ambiente não chega a ser uma coisa incontrolável. Enquanto a sociedade não se organizar, não for informada, os problemas ambientais tendem a se intensificar. Hoje já deveríamos ter passado da fase de reclamação para a ação".

Educação ambiental
A população humana atual da Terra é de aproximadamente 6 bilhões de pessoas e a expectativa de vida é em média de 65 anos.
Para mantermos o equilíbrio do planeta é preciso consciência dessa importância, a começar pelas crianças. Não se pode acabar com os recursos naturais, essenciais para a vida humana, pois não haverá condições de repor.
O pensamento deve ser global, mas a ação local, como é tratado na Agenda 21.

Declaracao histórica sobre a defesa do meio ambiente
Em 1854, em resposta a uma proposta do presidente dos Estados Unidos, de comprar grande parte das terras de uma nação indígena, oferecendo, em troca, a concessão de uma outra “reserva” obteve-se como resposta do Chefe Seatle, aquele que tem sido considerado através dos tempos como um dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito da defesa do meio-ambiente.

Neste pronunciamento, o chefe indígena faz um alerta contra a exploração predatória feita pelo homem branco, ao provocar desflorestamentos, a poluição da água, do solo do ar e ao dizimar populações animais, inclusive a do bisão americano, que quase foi levada à extinção pela caça indiscriminada.

Enfatizava as conseqüências negativas desta degradação provocada pelo homem branco. Entre outras afirmações dizia o Chefe Seatle o seguinte : “O que ocorrer com a Terra recairá sobre os filhos da Terra. Há uma ligação em tudo”. Vale ressaltar que a visão “profética” do grande Chefe Indígena, acabou se confirmando com precisão admirável, demonstrando um profundo conhecimento das leis que regulam a natureza pois através das atividades do homem moderno ocorre hoje um processo de intensa degradação do meio ambiente.
Fonte: O Povo – Fortaleza, 22 de abril de 2007

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posted by ACCA@7:28 AM

2 Comments:

At 2:08 AM, Blogger Ferriól said...

Perdoe a interferência, mas a famosa frase "Earth is Blue" não é de Yuri Alekseyevich Gagarin, major e piloto da Força Aérea Soviética, primeiro ser humano a realizar um vôo em órbita terrestre, mas de Neil Armstron, astronauta norte-americano, que foi o primeiro terráqueo a colocar os pés na lua.

 
At 2:10 AM, Blogger Ferriól said...

Errata: Leia-se Neil Armstrong.

 

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