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quinta-feira, dezembro 07, 2006

Temporal castiga Franca


O forte temporal com chuvas e ventos constantes, que caiu na tarde de segunda-feira, por volta das 17 h, 5 de dezembro de 2006, em Franca, Estado de São Paulo, durou aproximadamente uma hora foi suficiente para castigar novamente a cidade, provocando ocorrências de desmoronamento e inundações de residência e vias públicas.

Conforme informações do COBOM (Centro de Operações do Bombeiros), as áreas mais afetadas foram as seguintes;
■ centro foi o bairro mais atingido pelo transbordamento dos Córregos dos Bagres e Cubatão, tendo várias residências e ruas adjacentes inundadas.
■ na avenida Antônio Barbosa Filho dois veículos foram arrastados pela enxurrada e caíram no Córrego dos Bagres.
■ na rua Geraldo Teodoro Martins, 184 bairro Santa Eugênia ocorreu um desabamento do muro de arrimo, contudo a residência não foi afetada. Na rua Hélio Palermo o chão afundou e um carro caiu no buraco. Nesta mesma rua, duas passarelas estão preventivamente interditadas.
■ na rua José Chiuachiri uma residência ficou parcialmente destelhada.
■ na rua Homero Barbosa Sandoval, o muro de uma casa desmoronou e caiu sobre a parede de um quarto, contudo não houve necessidade de interdição e seus moradores permanecem nos outros cômodos da residência.

Prejuízos – infraestrutura
Ruas esburacadas, desmoronamentos, pontes interditadas, destroços de carros que foram arrastados pelas águas, lixo e muito barro. Essa era a visão de as Avenidas Doutor Ismael Alonso Y Alonso e Doutor Hélio Palermo, locais mais afetados pela forte chuva que caiu em Franca. A Secretaria de Obras realizou um levantamento dos problemas e, inicialmente, os prejuízos somam mais de R$ 2,4 milhões.

Comércio - Limpeza e prejuízos
Vassouras, rodos, panos e muita água foram necessários para retirar o barro que invadiu as lojas e estacionamentos localizados na Avenida Doutor Hélio Palermo. A cena era a mesma em todos os locais: funcionários trabalhando duro para retirar a sujeira. “Não estamos nem atendendo os clientes direito. O barro é muito e, além do chão, temos de lavar os produtos e colocar tudo novamente no lugar”, disse o proprietário da Casa dos Parafusos, José Borges.

O trabalho dos comerciantes não se resumiu apenas na limpeza dos estabelecimentos, mas também na contabilização dos prejuízos, aí somados os lucros cessantes, pois muitos clientes deixaram de comprar nos locais atingidos. “Ainda não fiz os cálculos corretos, mas a estimativa é de R$ 8 mil. Perdi dois computadores, parafusos, porcas e outros materiais. O pior mesmo é a sensação de impotência diante da situação”, desabafou Borges.

Prefeitura cria plano de emergência preventivo
Franca contará com um plano de emergência para tentar prevenir os estragos provocados pelas fortes chuvas. Devido ao ultimo temporal a Prefeitura, o Corpo de Bombeiros, a Guarda Municipal, a Polícia Militar e a Defesa Civil criaram um plano de emergência preventivo, que será colocado em prática, quando surgir qualquer indício de chuva forte.

A prefeitura efetuará os reparos em 2007
O prefeito de Franca afirmou que as obras de recuperação da cidade, orçadas inicialmente em R$ 2,4 milhões, só serão realizadas em 2007. Para conseguir esses recursos, o prefeito precisaria remanejar dinheiro de outras pastas e, para isso, necessitaria de aprovação dos vereadores, que entraram em recesso só voltam a trabalhar no ano que vem.

Fonte: Comércio da Franca, 5/6 de dezembro de 2006

Comentário
Cenas como estas que poderiam ser evitadas se o processo de urbanização da cidade e de outras cidades obedecessem às normas de zoneamento que prevêem condições de escoamento e absorção de água.
Hoje o que se mostra na maioria das cidades é alta impermeabilização da cidade (ruas asfaltadas, passeios cimentados, etc), ocupação desordenada em áreas de várzea e fundos de vale (avenidas).
Os rios geralmente possuem dois leitos, o leito do rio onde a água escoa na maioria do tempo e a várzea o leito maior, que foi ocupado por população ou por obras viárias.
Os córregos e rios que cruzam a cidade não podem ser vistos apenas como receptores de esgotos e águas servidas. Eles formam o elemento principal do sistema de escoamento das águas pluviais. Assim, uma diminuição da seção da calha destes rios e córregos diminui a capacidade de escoamento, e aumenta a probabilidade de alagamento das zonas ribeirinhas.
Os índices elevados de precipitação pluviométrica saturam o solo e a água controla o percurso d`água anormal existente (a água flui para o leito anteriormente existente , rios temporários, agora são avenidas, loteamentos, etc). O transbordamento de rios e córrego é inevitável resultando em alagamentos.
Os rios, córregos precisam se expandir quando há chuva, mas, como não há espaço nas margens, ocorrem alagamentos.

Estudo realizado em mata ciliar (natural) em relação à absorção de água pelo solo, concluiu:
■ o armazenamento temporário de água de chuva pelo ecossistema foi bastante significativo representando, em média, 93,4% da precipitação total;
■ o volume de água que efetivamente infiltrou no solo foi, em média, 55,8% da precipitação total;
■ a quantidade de água armazenada temporariamente no solo foi equivalente a 61,0% da precipitação

Os principais problemas provocados pela inundação são:
■ prejuízos de perdas materiais e humanas;
■ interrupção da atividade econômica das áreas inundadas;
■ contaminação por doenças de veiculação hídrica como leptospirose, cólera, entre outros;
■ contaminação da água pela inundação de depósitos de material tóxico, estações de tratamentos entre outros.

Devemos ter em mente, que a essência dos fenômenos da natureza é a destruição ou melhor retomar o que foi tirado pelo desenvolvimento urbano caótico.
“A natureza não tem objetivo, embora tenha suas próprias leis”. John Donne
ACCA

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