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sexta-feira, abril 21, 2006

Máquina mortífera - Álcool x Carro




Máquina mortífera - Álcool x Carro

O consumo de bebidas alcoólicas, mesmo que não excessivo, é causa, direta ou indireta, de inúmeros acidentes de trânsito de que resultam milhares de vítimas, já que este é um depressor que prejudica as capacidades psicofisiológicas.
1) O ÁLCOOL NO ORGANISMO
Só cerca de 5% do álcool ingerido é eliminado diretamente através da expiração, saliva, transpiração e urina. O restante passa rapidamente para a corrente sanguínea, sendo transportado pelos vasos sanguíneos para os diversos órgãos. Quando atinge o cérebro, órgão abundantemente irrigado de sangue, afeta, progressivamente, as capacidades sensoriais, perceptivas, cognitivas e motoras, incluindo o controle muscular e o equilíbrio do corpo. Assim, o álcool interfere, negativamente, em todas as fases da condução.Além disso, o grande purificador do álcool no nosso organismo, o fígado, só lentamente procede à sua decomposição, uma média de 0,1 a 0,2 g/l por hora, no caso dos homens, e de 8,5 a 10 mg/ml por hora, no caso das mulheres.
2) ELIMINAÇÃO DO ÁLCOOL
O processo de eliminação do álcool é lento. Refira-se, como exemplo, que num indivíduo que tenha atingido uma taxa de alcoolemia no sangue (TAS) de 2,00 g/l à meia-noite, só às 20 horas do dia seguinte o organismo eliminou completamente o álcool no sangue, apresentando, ainda, às 12 horas uma taxa de 0,80 g/l, em circunstâncias médias e normais.Este processo não pode ser apressado por nenhum meio, assim como não é possível eliminar os efeitos do álcool. Existem, contudo, substâncias e fatores que perturbam essa eliminação, nomeadamente atrasando as funções normais do fígado, ou potenciando o seu efeito nocivo como o café, o chá, o tabaco, certos medicamentos e a fadiga.
3) ALCOOLEMIA E TAXA DE ALCOOLEMIA
Chama-se alcoolemia à presença de álcool no sangue e exprime-se por gramas de álcool puro num litro de sangue. A esta porcentagem chama-se taxa de alcoolemia no sangue (TAS).
Há diversos fatores que interferem na TAS:
Pessoal:
* Peso (pessoas mais pesadas, normalmente, apresentam taxas menos elevadas);
* Idade e sexo (a capacidade metabólica face ao álcool é, em geral, significativamente inferior nos adolescentes e nas mulheres);
* Crianças, filhos de alcoólicos, epilépticos, pessoas que tenham sofrido traumatismos cranianos são mais sensíveis ao álcool;
* O estado de fadiga, alguns estados emocionais, certos medicamentos aumentam a sensibilidade ao álcool.
Formas de absorção:
A mesma quantidade de álcool pode originar valores de TAS muito diversos, na mesma pessoa ou em pessoas diferentes, conforme seja ingerido em jejum ou às refeições, rapidamente ou com grandes intervalos.
A TAS é mais elevada com um consumo de álcool excessivo, rápido e em jejum.
Características da bebida.
A taxa de alcoolemia depende não só da quantidade de bebida ingerida como do seu maior ou menor grau alcoólico, bem como se a bebida é gaseificada ou aquecida (nestas duas últimas situações a absorção do álcool é mais rápida).
4) OS PRINCIPAIS EFEITOS DO ÁLCOOL
A ação do álcool no sistema nervoso origina efeitos nefastos que prejudicam o exercício da condução, como:
4.1) Audácia incontrolada:
Sensação de bem-estar e de otimismo, com a conseqüente tendência para sobrevalorizar as próprias capacidades, quando, na realidade, estas já se encontram diminuídas;4.2) Perda de vigilância em relação ao meio envolvente;4.3) Perturbação das capacidades sensoriais, particularmente as visuais
:4.3.1) Reduz a acuidade visual;
* A visão estereoscópica é prejudicada, ficando o condutor incapaz de avaliar corretamente as distâncias e as velocidades;
* A visão noturna e entardecer ficam reduzidas;
* Estreitamento do campo visual (com o aumento da intoxicação alcoólica, o campo visual pode chegar à visão em túnel, situação em que a visão do condutor abrange única e exclusivamente um ponto à sua frente).
4.3.2) Perturbação das capacidades perceptivas;
4.3.3) Aumento do tempo de reação e lentificação da resposta reflexa:Designa-se por tempo de reação o tempo que divide entre a percepção de um estímulo e o início da resposta a esse estímulo.As bebidas alcoólicas ingeridas pelo motorista afetam, ao nível do cérebro e do cerebelo, as capacidades perceptivas e cognitivas, as capacidades de antecipação, de previsão e de decisão e as capacidades motoras de resposta a um dado estímulo.Assim, em caso de necessidade de efetuar uma frenagem brusca devido, por exemplo, ao aparecimento de um obstáculo imprevisível na faixa de rolamento, a alcoolemia torna mais lento o processo de identificação, aumentando o tempo de reação e provocando, conseqüentemente, um alongamento da distância de frenagem do veículo.
4.3.4) Diminuição da resistência à fadiga:O álcool desempenha um verdadeiro papel de analgésico ao nível dos centros nervosos e se, numa determinada fase, pode contribuir para criar um estado de euforia, este é, posteriormente, substituído por uma fadiga intensa que pode chegar até ao entorpecimento.
5) O ÁLCOOL E A COORDENAÇÃO PSICOMOTORA
Sob o efeito do álcool, a coordenação psicomotora do motorista é afetada, podendo traduzir-se em frenagens bruscas e desnecessárias, mudança brusca de direção, etc.
6) O ÁLCOOL E O RISCO DE ENVOLVIMENTO EM ACIDENTE GRAVE
O risco de envolvimento em acidente grave aumenta rapidamente à medida que a concentração de álcool no sangue se torna mais elevada.
TAS - taxa de alcoolemia no sangue
TAS Aumento do risco
0,50 g/l Duas vezes
0,90 g/l Cinco vezes
0,80 g/l Quatro vezes
1,20 g/l Dezesseis vezes
7) O ÁLCOOL E O ESTADO EMOCIONAL
A ingestão de bebidas alcoólicas, mesmo em pequenas doses, pode transformar uma pequena contrariedade num grande problema e dar origem a estados de agressividade, frustração, depressão ou outros que são, normalmente, transferidos para a direção, com todos os riscos que isso comporta.
8) O ÁLCOOL E OS MEDICAMENTOS
Numerosos medicamentos agem ao nível do sistema nervoso, alterando faculdades particularmente importantes para dirigir. Quando combinados com o álcool acarreta, ainda, maiores riscos.Os efeitos da conjugação de álcool e medicamentos, mesmo que a sua ingestão não seja simultânea, podem ser antagônicos ou reforçarem-se mutuamente.
9) O ÁLCOOL E OS JOVENS
Os acidentes que envolvem jovens motoristas sob o efeito do álcool ocorrem essencialmente à noite, em situação de lazer .Desta forma, é de fundamental importância que os jovens, com vista à sua própria segurança e à dos outros (acompanhantes e pedestres da via pública), se revezem entre os elementos do grupo em que se inserem, no sentido de um deles não beber para que a condução se processe com a máxima segurança possível.
SE VAI DIRIGIR, NÃO BEBA; SE BEBER, NÃO DIRIJA.

Fonte : Revista "Segurança"- Portugal - Fevereiro de 2005

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