Acidentes, Desastres, Segurança, Meio Ambiente, Riscos, Ciência e Tecnologia
sexta-feira, julho 24, 2026
TEMPORADA DE INCÊNDIOS FLORESTAIS DE 2026 NO CANADÁ
A temporada de incêndios
florestais de 2026 no Canadá começou de forma lenta, mas com alto risco de fogo
em todo o país. Ao longo de junho e julho, a temporada se intensificou, com
mais de 949 incêndios ativos em todo o território em meados de julho,
principalmente nos Territórios do Noroeste, em Manitoba, na Colúmbia Britânica,
em Ontário, no Quebec e em Saskatchewan. Foram registrados incêndios florestais
em nove das dez províncias e nos três territórios.
Cerca de 1.000 incêndios
florestais ativos foram registrados em todo o país em meados de julho, com as
maiores concentrações nos Territórios do Noroeste, Manitoba, Colúmbia
Britânica, Ontário, Quebec e Saskatchewan.
A fumaça dos incêndios
espalhou-se muito além das áreas afetadas pelo fogo, atingindo grande parte do
Canadá e regiões dos Estados Unidos. A fumaça prejudicou a qualidade do ar em
cidades como Toronto, Nova York, Chicago, Detroit e Washington, D.C.
Imagens de satélite da NASA e
de outras agências mostraram enormes plumas de fumaça visíveis do espaço, estendendo-se
pelo leste do Canadá e chegando ao nordeste dos EUA.
Em sua atualização de julho,
o governo canadense informou que, embora a atividade sazonal de incêndios
estivesse, no geral, abaixo da média dos últimos cinco anos, esperava-se um
aumento no risco de incêndios com o avanço do verão, devido às condições de
calor e tempo seco.
Cientistas continuam
apontando as temperaturas mais elevadas, a seca prolongada e as temporadas de
incêndios mais longas — associadas às mudanças climáticas — como os principais
fatores que aumentam a frequência e a intensidade desses incêndios.
EVACUAÇÕES:
Mais de dezenas de
comunidades e Primeiras Nações locais (incluindo Whitesand, Lac La Croix e
Collins First Nation) enfrentaram evacuações obrigatórias.
PANORAMA NACIONAL:
Centenas de incêndios ativos
em todo o Canadá já consumiram mais de 1,4 milhão de hectares nesta temporada.
FUMAÇA
Transporte de fumaça e
impactos na qualidade do ar
Uma forte corrente de jato e
um padrão meteorológico de alta pressão estão empurrando densa fumaça de
incêndios florestais por vastas regiões:
Canadá: Qualidade do ar
perigosa e uma espessa névoa alaranjada cobriram repetidamente grandes centros
populacionais, incluindo Toronto, Hamilton, Ottawa, Edmonton e Calgary.
ESTADOS UNIDOS:
A fumaça se espalhou
intensamente pelo Meio-Oeste, pela região dos Grandes Lagos e pela Costa Leste.
Avisos sobre a qualidade do ar afetaram dezenas de milhões de pessoas em
cidades como Chicago, Detroit, Minneapolis, Baltimore e Nova York.
RESPOSTA A EMERGÊNCIAS
Assistência Federal: Mais de
5.300 bombeiros e quase 300 aeronaves (aviões-tanque, helicópteros, aviões de
transporte) estão mobilizados. As Forças Armadas do Canadá mobilizaram
aeronaves CC-130 Hercules para evacuações de emergência.
PERSPECTIVAS
O órgão Environment and
Climate Change Canada prevê que temperaturas acima da média e condições de seca
persistam durante o restante de julho e agosto, mantendo elevado o risco de
incêndio no norte de Ontário, em Quebec, nos Territórios do Noroeste e no interior
da Colúmbia Britânica.
Fontes: ABC News – july 15, 2026, The Guardian, july 2026, Canada News,
july 2026; Wikipedia - 22 July 2026
QUEIMADAS ATINGIRAM 30 MILHÕES DE HECTARES NO PAÍS EM 2024
A primeira edição do
Relatório Anual do Fogo do MapBiomas mostra que quase metade de toda a área queimada
no Brasil desde 1985 foi na última década
Um quarto (24%) do território
nacional, equivalente à soma das áreas do Pará e do Mato Grosso, queimou pelo
menos uma vez entre 1985 e 2024.
Nas últimas quatro décadas,
206 milhões de hectares foram afetados pelo fogo com intensidades diferentes em
cada um dos seis biomas do País. Ao lado da Amazônia, que bateu recorde de
incêndios florestais em 2024, e da Mata Atlântica, que teve a maior área
afetada por fogo nas últimas quatro décadas, o Pantanal é destaque: teve 62% de
seu territórioqueimado pelo menos uma
vez no período mapeado pelo MapBiomas Fogo.
Os dados também ressaltam
a extensão da área queimada em 2024, quando 30 milhões de hectares foram
afetados – uma área 62% acima da média histórica de 18,5 milhões de hectares
por ano.
Os dados, obtidos a partir do
mapeamento de cicatriz de fogo com imagens de satélite, traçam o mais completo
retrato da ação do fogo em todo o território brasileiro e expõem alguns padrões
da ocorrência das queimadas e dos incêndios. Além de apresentar a alta
concentração do fogo em poucos meses do ano – o período de agosto a outubro
responde por 72% da área queimada no Brasil, com um terço (33%) ocorrendo em
setembro – o relatório aponta os biomas, estados, municípios e áreas protegidas
com maior área queimada. No caso dos biomas, o relatório mostra ainda os que
apresentaram maior recorrência do fogo. Em nível nacional, 64% da área afetada
pelo fogo em todo o país queimou mais de uma vez entre 1985 e 2024.
O Cerrado é o bioma com
maior recorrência do fogo: 3,7 milhões de hectares queimaram mais de 16 vezes
em 40 anos.
Outro dado do relatório é o
tamanho das cicatrizes deixadas pelo fogo no território. Em média, entre 1985 e
2024, a maior proporção (27%) correspondia a áreas queimadas entre 10 e 250
hectares. Em 2024, porém, quase um terço (29%) da área total queimada foi em
mega eventos de fogo com mais de 100 mil hectares afetados. Os dados também
mostram que 43% de toda a área queimada no Brasil desde 1985 teve sua última
ocorrência de fogo nos últimos 10 anos (2014 a 2023).
Entre 1985 e 2024, 69,5% da
área queimada no Brasil ocorreu em vegetação nativa (514 milhões de hectares),
porém no ano de 2024 esse percentual subiu para 72,7% (21,8 milhões de
hectares). Houve mudança também no tipo de vegetação nativa mais afetada: historicamente,
a maior área de vegetação nativa queimada era de formação savânica, com uma
média anual de6,3 milhões de hectares;
em 2024, predominou a formação florestal, com 7,7 milhões de hectares –
extensão 287% superior àmédia
histórica.
Os biomas com maior proporção
de vegetação nativa afetada pelo fogo entre 1985 e 2024 foram Caatinga,
Cerrado, Pampa e Pantanal, todos com mais de 80% da extensão afetada. Na
Amazônia e Mata Atlântica, o fogo ocorreu principalmente em áreas antrópicas
(mais de 55%). No caso de Amazônia, pastagens respondem por 53,2% da área
queimada no período; na Mata Atlântica, 28,9% da extensão queimada eram de
pastagem e 11,4% de agricultura.
PANTANAL LIDERA EM ÁREAS
MAIORES QUE 100 MIL HECTARES QUEIMADOS
Entre os seis biomas brasileiros,
o Pantanal foi o mais afetado pelo fogo nos últimos 40 anos, proporcionalmente.
A quase totalidade (93%) dos incêndios ocorreu em vegetação nativa,
especialmente em formações campestres e campos alagados (71%). As pastagens
representaram 4% das áreas atingidas por fogo. O bioma mostra também uma grande
recorrência do fogo: três em cada quatro hectares (72%) queimaram duas vezes ou
mais nas últimas quatro décadas. As cicatrizes deixadas costumam ser mais
extensas do que em outros biomas: é no Pantanal que se encontra a maior
prevalência de extensões queimadas superiores a 100 mil hectares (19,6%).Áreas com cicatrizes de queimada entre 500 e
10 mil hectares também se destacam (29,5%) e estão distribuídas por diferentes
regiões do bioma. No ano passado, houve um aumento de 157% da área queimada no
Pantanal na comparação com a média histórica do período avaliado pelo MapBiomas
Fogo.
“Os dados históricos mostram
a dinâmica do fogo no Pantanal, que se relaciona com a presença da vegetação
natural e com os períodos de seca. Em 2024, o bioma queimou na região do
entorno do Rio Paraguai, região que passa por maiores períodos de seca desde a
última grande cheia em 2018”, explica Eduardo Rosa, coordenador de mapeamento
do bioma Pantanal no MapBiomas. No Pantanal, Corumbá foi o município com maior
área queimada acumulada entre 1985 e 2024, com mais de 3,8 milhões de hectares.
MATA ATLÂNTICA BATE RECORDE
EM 2024
No caso da Mata Atlântica, o
ano de 2024 representou um recorde. Os 1,2 milhão de hectares afetados pelo
fogo no ano passado, que ficaram 261% acima da média histórica para o bioma, de
338,4 mil hectares por ano, são a maior extensão de área queimada em um único
ano desde 1985.No ano passado, São
Paulo concentrou 4 dos 10 municípios com maior proporção de área queimada no
Brasil, todos no entorno do município de Ribeirão Preto, uma região predominantemente
agrícola.
Entre 1985 e 2024, 8,3
milhões de hectares foram queimados pelo menos uma vez, o que corresponde a 7%
do bioma nos últimos 40 anos. A maior parte (60%) das cicatrizes mapeadas
ocorreu em área antrópica, sendo a pastagem a classe com maior ocorrência (3,9
milhões de hectares). Entre os tipos de cobertura natural, as formações
campestres lideram, com 2,2 milhões de hectares queimados no período analisado.
As áreas queimadas menores que 250 hectares são predominantes (80,7%). Quase
três em cada quatro hectares afetados pelo fogo na Mata Atlântica (72%) entre
1985 e 2024 queimaram somente uma vez nos últimos 40 anos.
“As áreas naturais na Mata
Atlântica são especialmente vulneráveis ao fogo, que não faz parte da dinâmica
ecológica desse bioma. Quando ocorrem, os incêndios acabam trazendo grandes
impactos aos escassos remanescentes florestais dentro do bioma. Além dos
prejuízos ambientais — como a degradação dos serviços ecossistêmicos
relacionados ao clima, à água e ao solo — são evidentes os danos econômicos e,
principalmente, os para a saúde e qualidade de vida da população”, aponta
Natalia Crusco, da equipe da Mata Atlântica do MapBiomas.
RECORDE DE ÁREA QUEIMADA NA
AMAZÔNIA EM 2024
Em 2024, a Amazônia registrou
a maior área queimada de toda a série histórica iniciada em 1985 e foi, de
longe, o bioma que mais queimou no país. O bioma apresentou aproximadamente
15,6 milhões de hectares queimados, um valor 117% superior à sua média
histórica. Essa área correspondeu a 52% de toda área nacional afetada pelo fogo
em 2024, tornando a Amazônia como o principal epicentro do fogo no Brasil no
ano passado.
Além do recorde em extensão,
2024 também marcouuma mudança em termos
qualitativos: pela primeira vez na série histórica, a vegetação florestal
tornou-se a classe de cobertura e uso da terra mais afetada pelo fogo na
Amazônia. Foram 6,7 milhões de hectares de florestasafetados pelo fogo (equivalente a 43% da área
queimada no bioma), superando os 5,2 milhões de hectares de pastagem queimados
(33,7%). Historicamente, as pastagens sempre haviam sido a classe mais atingida
pelo fogo no bioma.
“O fogo não é um elemento
natural da dinâmica ecológica das florestas amazônicas. As áreas queimadas que
marcaram o bioma em 2024 são resultado da ação humana, especialmente em um
cenário agravado por dois anos consecutivos de seca severa. A combinação entre
vegetação altamente inflamável, baixa umidade e o uso do fogocriou as condições perfeitas para a
propagação do mesmo em larga escala, levando a um recorde histórico de área
queimada na região.” afirma Felipe Martenexen, coordenador de mapeamento do
bioma Amazônia do MapBiomas.
AMAZÔNIA E CERRADO CONCENTRAM
86% DA ÁREA QUEIMADA NO BRASIL
O Cerrado também se destaca
pela extensão afetada pelo fogo. Juntos, Cerrado e Amazônia,responderam por 86% da área queimada pelo
menos uma vez no Brasil entre 1985 e 2024: foram 89,5 milhões de hectares no
Cerrado e 87,5 milhões de hectares na Amazônia. Embora a área queimada nos dois
biomas seja semelhante, há uma grande diferença em termos proporcionais, uma
vez que a área total da Amazônia é quase o dobro do Cerrado. Por isso, na
Amazônia, a área queimada pelo menos uma vez nos últimos 40 anos corresponde a
21% do bioma; no Cerrado, esse percentual é de 45%.
É também na Amazônia e no
Cerrado que se encontram os três estados brasileiros líderes em área queimada:
Mato Grosso, Pará e Maranhão. Juntos, eles concentram 47% da área queimada em
todo o Brasil entre 1985 e 2024.Entre
os 15 municípios brasileiros que mais queimaram – e que, juntos, respondem por 10%
de toda a área afetada pelo fogo no Brasil nos últimos 40 anos – sete estão no
Cerrado e seis na Amazônia.
No Cerrado, a área
queimada, de 10,6 milhões de hectares em 2024, equivale a 35% do total queimado
no país no ano passado e representa um crescimento de 10% em relação à média
histórica de 9,6 milhões de hectares por ano.
“Historicamente, o Cerrado
evoluiu com a presença de fogo natural, geralmente provocado por raios durante
o início da estação chuvosa. No entanto, o que temos observado é um aumento
expressivo dos incêndios no período de seca, impulsionado principalmente por
atividades humanas e agravado pelas mudanças climáticas. Um dado especialmente
preocupante é o avanço do fogo sobre as formações florestais no Cerrado, que em
2024 atingiram a maior extensão queimada dos últimos sete anos — uma mudança na
dinâmica do fogo que ameaça de forma crescente a biodiversidade e a resiliência
desse bioma” comenta Vera Arruda pesquisadora do IPAM e coordenadora técnica do
MapBiomas Fogo.
CAATINGA E PAMPA: QUEIMADAS
ABAIXO DA MÉDIA EM 2024
Na Caatinga, a extensão
queimada, de 11,15 milhões de hectares queimados entre 1985 a 2024, representou
13% do bioma. Cerca de 38% da área queimada no bioma foi afetada pelo fogo mais
de uma vez ao longo dos últimos 40 anos. A prevalência foi de áreas menores que
250 hectares (53%). As formações savânicas são o tipo de vegetação mais afetado
pelo fogo (79%) na Caatinga, e representam 95% da vegetação nativa. Em 2024,
houve uma redução da área queimada de 16% com404 mil hectares queimadosa
respeito da média histórica de 480 mil hectares.
“Apesar de o fogo não ser um
elemento natural predominante na dinâmica ecológica da Caatinga, sua
recorrência em determinadas regiões chama a atenção. As formações savânicas têm
sido as mais impactadas, o que reforça a importância do monitoramento. A queda
observada em 2024, com valores abaixo da média nos últimos 10 anos da série
histórica, é positiva, mas não garante uma tendência de redução a longo prazo.”aponta Soltan Galano da equipe Caatinga do
MapBiomas.
PAMPA
O Pampa, por sua vez, tem a
menor área queimada – tanto em extensão (495 mil hectares), como
proporcionalmente em relação ao total do bioma (3%). Apesar de um leve aumento
em relação a 2023, os valores permaneceram abaixo da média anual, de 15,3 mil
hectares. O ano com maior área queimada dentro do período analisado foi 2022,
com 36,2 mil hectares.
As áreas queimadas no Pampa
são predominantemente pequenas, com cerca de 93% das cicatrizes de fogo
atingindo menos de 250 hectares. A maior parte dos incêndios (95%) ocorre em
áreas naturais, predominando nas formações campestres. A silvicultura foi o
tipo de uso antrópico com maior extensão de área queimada (19,6 mil hectares).
“A proporção de área queimada
no Pampa costuma ser baixa. Em 2024 os valores ficaram abaixo da média
histórica, especialmente por contado
fenômeno El Niño. No sul do Brasil,ele
se manifesta com volumes expressivos de chuva, como as observadas no primeiro
semestre — que incluíramas enchentes de
maio. Embora o fogo ocorra em menor escala no bioma, muitas áreas naturais
estão sujeitas a incêndios catastróficos nos períodos mais secos, como as áreas
pantanosas e os campos com grande acúmulo de biomassa, que resultam em danos
ambientais expressivos”, afirma Eduardo Vélez, coordenador de mapeamento do
bioma Pampa do MapBiomas.
Na avaliação dos
pesquisadores, os dados traçam o mais completo retrato da ação do fogo em todo
o território nacional e expõem alguns padrões da ocorrência das queimadas e dos
incêndios.
“O relatório permite apoiar o
planejamento de medidas preventivas e direcionar de forma mais eficaz os
esforços de combate aos incêndios”, conclui Ane Alencar, diretora de Ciências
do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo. Fonte: MapBiomas - 24 de
junho de 2025
MONITORAMENTO MOSTRA QUE 99% DOS INCÊNDIOS SÃO POR AÇÃO HUMANA
Apenas uma parte ínfima dos
incêndios florestais que se proliferam pelo país é iniciada por causas
naturais. A constatação é da doutora em geociências Renata Libonati,
coordenadora do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
“De todos os incêndios que
acontecem no Brasil, cerca de 1% é originado por raio. Todos os outros 99% são
de ação humana”, afirma.
A pesquisadora é responsável
pelo sistema Alarmes, um monitoramento diário por meio de imagens de satélite e
emissão de alertas sobre presença de fogo na vegetação. Ao relacionar os dados
com a proibição vigente de colocar fogo em vegetação, ela afirma que “todos
esses incêndios, mesmo que não tenham sido intencionais, são de alguma forma
criminosos”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Com base em dados que ficam
disponíveis a cada 24h, a professora constata que “a situação é muito crítica”
nos três biomas analisados, sendo a pior já registrada na Amazônia. Em relação
ao Cerrado e o Pantanal, ela ressalta que a presença das chamas está “muito
próxima do máximo histórico”.
Renata Libonati associa o
fogo que consome vegetação em diversas regiões brasileiras a atividades
econômicas. “A ocorrência dos incêndios no Brasil está intimamente relacionada
ao uso da terra”.
Com o olhar de quem acompanha
cada vez mais eventos climáticos extremos, a pesquisadora percebe um ultimato:
“Nosso estilo de vida atual é incompatível com o bem-estar da nossa sociedade
no futuro”.
Acompanhe os principais
trechos da entrevista:
AGÊNCIA BRASIL: A PARTIR DO
MONITORAMENTO REALIZADO PELO SISTEMA ALARMES, É POSSÍVEL TRAÇAR UM RETRATO DE
COMO ESTÁ A SITUAÇÃO NO PAÍS?
Renata Libonati: O sistema
Alarmes monitora atualmente os três principais biomas do Brasil: Amazônia,
Cerrado e o Pantanal. Principais no sentido dos que mais queimam. No Pantanal,
do início do ano até 18 de setembro, já teve cerca de 12,8% da sua área
queimada. Fazendo um comparativo com 2020, o pior ano já registrado, 2020
queimou no ano todo cerca de 30% do bioma.
A média anual que o Pantanal
queima é em torno de 8%. Então, 2020 foi muito acima e 2024 também ultrapassou
a média de porcentagem diária atingida. Isso representa cerca de 1,9 milhão de
hectares queimados em 2024 [para efeito de comparação, o estado do Sergipe tem
quase 2,2 milhão de hectares]. Esse acumulado está abaixo do que queimou em
2020 no mesmo período, mas até o início de setembro, o acumulado era maior que
o mesmo período de 2020.
A Amazônia já teve cerca de
10 milhões de hectares queimados [o que equivale a mais que o estado de Santa
Catarina]. Como a Amazônia é muito grande, isso representa em torno de 2,5% da
sua área queimada. A situação é muito crítica. Esse é o pior ano já registrado
desde que a gente tem medição aqui no nosso sistema, em 2012.
O Cerrado já queimou cerca de
11 milhões de hectares, o que corresponde a quase 6% da sua área. Esse valor
está ligeiramente abaixo do ano que mais queimou, que foi em 2012.
De uma forma geral, a
situação é muito crítica nos três biomas. A Amazônia no máximo histórico; e nos
outros biomas, muito próxima do máximo histórico.
AGÊNCIA BRASIL: COM OS DADOS
COLETADOS, NOTAM-SE INDÍCIOS DE AÇÕES CRIMINOSAS E/OU COORDENADAS?
Renata Libonati: O
monitoramento por satélite não permite fazer distinção de que tipo de ignição
originou determinado incêndio. O que posso dizer é que existem duas formas de
iniciarmos um incêndio. A primeira é a forma humana, seja intencional ou
criminosa. A segunda é a causa natural, que seriam os raios.
Percebemos um padrão que, de
todos os incêndios que acontecem no Brasil, cerca de 1% é originado por raio.
Todos os outros 99% são originados de ação humana. Desde maio até agora, não
teve nenhuma ocorrência no Pantanal de incêndio começado por raio. Isso
monitorado por satélite e com dados de descargas atmosféricas.
Isso nos indica que é fogo
humano. Sabendo que existe decreto que tem proibido o uso do fogo em todas
essas regiões devido à crise climática que a gente está vivendo esse ano, todos
esses incêndios, mesmo que não tenham sido intencionais, são de alguma forma
criminosos. Exceto quando é acidental.
AGÊNCIA BRASIL: SÃO LIGAÇÕES
COM ATIVIDADES ECONÔMICAS, MAIS NOTADAMENTE A AGROPECUÁRIA?
Renata Libonati: Existem
vários fatores que estão relacionados a esses inícios de incêndio. Por exemplo,
o desmatamento, um fator que fica muito ligado ao início de incêndio, porque,
em geral, utiliza-se o fogo em algumas situações de desmatamento.
A ocorrência dos incêndios no
Brasil está intimamente relacionada ao uso da terra, às atividades econômicas,
principalmente, ligadas ao desmatamento para abrir áreas de pastagem e
agricultura e, quando já está consolidado, muitas vezes se utiliza o fogo por
várias razões, e isso causa os grandes incêndios que estamos observando.
AGÊNCIA BRASIL: O FOGO, QUE
JÁ FOI UM GRANDE ALIADO DA HUMANIDADE, ESTÁ CADA VEZ MAIS SE TORNANDO UM
INIMIGO?
Renata Libonati: É muito
importante não esquecer que o fogo nem sempre é ruim. Regiões como o Cerrado e
parte do Pantanal, que são constituídas basicamente de regiões savânicas, são o
que chamamos de dependentes do fogo. Precisam da ocorrência anual do fogo para
manter a sua biodiversidade e padrão ecossistêmico. O que ocorre é justamente isso
que você comentou, a ação humana alterou completamente o regime de fogo natural
dessas regiões para um regime atual que é muito mais agressivo, no sentido que
os incêndios são mais intensos, mais extensos e mais duradouros. Isso tem um
efeito muito ruim mesmo em regiões que são dependentes do fogo.
É diferente da Amazônia e de
qualquer floresta tropical, que a gente chama de ecossistemas sensíveis ao
fogo. Quando ocorre, é altamente prejudicial. É sempre bom fazer essa distinção
entre o Cerrado, Pantanal e Amazônia, porque as relações que cada ecossistema
tem com o fogo são diferentes, e o uso do fogo precisa ou não ser tratado de
forma diferente de acordo com o ecossistema.
AGÊNCIA BRASIL: COMO O
SISTEMA ALARMES FAZ O MONITORAMENTO?
Renata Libonati: O sistema
Alarmes foi lançado em 2020. Até aquela época, o monitoramento de área queimada
por satélite era feito com atraso que podia chegar a três meses para a gente
ter estimativas de quanto e de onde queimou. O sistema Alarmes veio para trazer
uma informação que era muito requerida pelos órgãos de combate e prevenção, que
era informação da área queimada de alguma forma rápida, em tempo quase real,
para fazer as ações de planejamento do combate.
Nós utilizamos imagens de
satélite da Nasa [agência espacial americana], aprendizado de máquina profundo
[um método de inteligência artificial] e informações de focos de calor. Isso
nos permitiu criar esses alertas rápidos. Enquanto antes nós precisávamos
esperar de um a três meses para ter essas localizações do que queimou, nós
temos essa informação no dia seguinte que queimou. Ele é atualizado diariamente
com novas informações e vem sendo aprimorado através da colaboração com
entidades públicas, privadas e até da sociedade. Nos ajudam a validar os nossos
alertas e a qualidade dos nossos dados, por exemplo, através do sistema Fogoteca.
Brigadistas que estão
combatendo tiram fotografias georreferenciadas e inserem isso no sistema como
uma forma de saber que os nossos alertas estão corretos no tempo e no espaço. A
Fogoteca vem crescendo desde então, nos auxiliando a melhorar essas estimativas
com informação de campo, que é muito importante para validar e verificar a
acurácia do monitoramento que fazemos por satélite.
AGÊNCIA BRASIL: HOUVE UMA
ATUALIZAÇÃO ESTA SEMANA NO ALARMES, PARA AUMENTAR A PRECISÃO.
Renata Libonati: Essa
diferença de dar a área queimada com atraso de três meses ou de um dia vai
fazer com que você tenha uma melhor precisão quando tem mais tempo para
trabalhar aquelas imagens do que quando você tem que fazer uma coisa muito
rápida, quando perde um pouco a precisão. É aquele cobertor curto, quando eu
tenho um processamento rápido, eu perco qualidade, mas ganho agilidade. Quando
eu tenho um processamento lento, eu perco em agilidade, mas ganho em qualidade.
Os nossos alertas, por terem
essa capacidade de identificar rapidamente o que que aconteceu, têm uma
qualidade mais restrita que um dado mais lento. O que fizemos para atualizar
isso foi juntar os dados mais lentos com os mais rápidos, de forma a diminuir
essas imprecisões: efeitos de borda (superdimensionamento da área identificada)
e omissões em casos específicos
AGÊNCIA BRASIL: O SISTEMA
ALARMES É UMA FERRAMENTA. PARA CONTER A PROLIFERAÇÃO DE INCÊNDIOS NO PAÍS SÃO
NECESSÁRIAS AÇÕES DA SOCIEDADE E GOVERNOS. COMO ESPECIALISTA NO ASSUNTO, SUGERE
CAMINHOS?
Renata Libonati: A gestão do
incêndio não passa apenas pelo combate. Muito pelo contrário, o pilar precisa
ser a prevenção. Passa, por exemplo, por uma gestão da vegetação antes da época
de fogo, fazer aceiros [terreno sem vegetação que serve como barreira para
impedir a propagação do fogo], diminuir material combustível seco, muitas vezes
através de queimas prescritas, quando se usa o que chamamos de "fogo
frio", antes da época de fogo, quando a área ainda está úmida. Fragmentar
a paisagem para quando chegar a época de fogo, ele não ter para onde ir porque
você já tirou aquela biomassa dali, contendo o incêndio.
Essas técnicas de prevenção
também englobam maior conscientização e educação ambiental sobre o uso do fogo.
Maior fiscalização. Ações que precisam ser feitas de forma continuada ao longo
de vários anos.
Diante das condições
climáticas que estamos vivenciando nas últimas décadas e, principalmente, nos
últimos anos, observamos que esses eventos extremos, como grandes secas e ondas
de calor estão cada vez mais frequentes, duradouros e persistentes e essas são
as condições que levam a grandes incêndios. Então qualquer ignição vai se
propagar de uma forma muito rápida, muito intensa, e o combate é muito difícil.
Mesmo que tenhamos um empenho
muito grande, como está acontecendo este ano por parte dos governos federal e
estaduais empenhados no combate, mesmo assim essas condições climáticas são
muito desfavoráveis ao combate. É muito difícil combater, por isso que é
preciso sempre priorizar a prevenção. O Brasil deu um primeiro passo para isso,
que foi a lei do Manejo Integrado do Fogo, aprovada o final de julho,
sancionada pelo presidente da República.
Essa lei vai permitir uma
mudança de paradigma na forma em que o Brasil realiza a sua gestão de
incêndios, permitindo um pilar muito forte na prevenção do que propriamente no
combate. Já demos um primeiro passo.
AGÊNCIA BRASIL: PODE SE DIZER
QUE MUDANÇAS CLIMÁTICAS SÃO UMA AMEAÇA NÃO PARA O PLANETA, E, SIM, PARA A VIDA
HUMANA?
Renata Libonati: O que
estamos vivenciando hoje é um resultado do que a humanidade vem fazendo ao
longo de várias décadas. Realmente é preciso fazer uma mudança na forma que a
gente utiliza o planeta porque o nosso estilo de vida atual é incompatível com
o bem-estar da nossa sociedade no futuro.
Se continuarmos a emitir
gases do efeito estufa na mesma faixa que estamos hoje, vamos ter, os modelos
climáticos indicam, nos 2050 até 2100, ocorrências muito mais frequentes de
ondas de calor, de secas, enchentes como a que a gente viu no Rio Grande do
Sul. Isso vai impactar diretamente a vida humana. É importante chamar atenção
que sempre as pessoas que vivem em maior vulnerabilidade são aquelas que vão
ser as mais impactadas.
AGÊNCIA BRASIL: VOLTANDO AO
SISTEMA ALARMES, É UMA MOSTRA DE QUE A ACADEMIA ESTÁ CENTRADA PARA AS
NECESSIDADES ATUAIS DA SOCIEDADE?
Renata Libonati: Essa ideia
de que a universidade vive fechada nas suas quatro paredes já não procede. As
universidades públicas, há algumas décadas, mudaram a forma de fazer ciência,
passando por uma ciência que visa auxiliar na solução dos problemas que a nossa
sociedade tem hoje. O Alarmes é, de fato, um bom exemplo de que todo o
conhecimento gerado na academia pode ser utilizado na forma de trazer um
benefício para a solução desses problemas. No caso, a gestão dos incêndios, que
vai levar também a uma melhoria da qualidade do ar.
No caso do Alarmes, o
desenvolvimento foi possível por conta de uma aproximação do Prevfogo [Centro
Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais] do Ibama [Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], que financiou
um edital no CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico]. Foi um edital inédito e eles trouxeram os principais problemas
que eles tinham. Um desses problemas era o monitoramento mais rápido da área
queimada. Então é muito importante que haja investimentos públicos na
universidade para que a gente possa ter condições de desenvolver e melhorar
cada vez mais a inovação que podemos ter.
Nós tivemos também muitos
investimentos de ONGs [organizações não governamentais], como Greenpeace,
Wetlands Internacional, WWF, CEPF, Terra Brasilis. Uma série de ONGs
preocupadas com a questão ambiental e que fomentaram algumas melhorias no
sistema. Fonte: Agência Brasil - Rio de
Janeiro - Publicado em 20/09/2024
ORIENTAÇÕES PARA EVITAR A EXPOSIÇÃO À FUMAÇA INTENSA E NEBLINA, CAUSADAS POR QUEIMADAS
Semanalmente, o Ministério da
Saúde envia aos estados e DF o Informe Queimadas, com orientações e
recomendações para evitar a exposição da população à fumaça intensa e neblina,
causadas por queimadas.
O monitoramento de áreas sob
influência de queima de biomassa é um dos campos de atuação da Vigilância em
Saúde Ambiental e Qualidade do Ar (VIGIAR) e da Sala de Situação Nacional de Emergências
Climáticas em Saúde, coordenado pelo Ministério da Saúde.
Além dos esforços de combate
ao fogo, é fundamental que a população seja orientada sobre como se proteger,
evitando, dentro do possível, a exposição aos poluentes.
O Ministério da Saúde
recomenda as seguintes orientações para a população:
·Aumentar a
ingestão de água e líquidos ajuda a manter as membranas respiratórias úmidas e,
assim, mais protegidas;
·Reduzir ao máximo
o tempo de exposição, recomendando-se que se permaneça dentro de casa, em local
ventilado, com ar condicionado ou purificadores de ar;
·As portas e as
janelas devem permanecer fechadas durante os horários com elevadas
concentrações de partículas, para reduzir a penetração da poluição externa;
·Evitar atividades
físicas em horários de elevadas concentrações de poluentes do ar, e entre 12 e
16 horas, quando as concentrações de ozônio são mais elevadas;
·Uso de máscaras
do tipo “cirúrgica”, pano, lenços ou bandanas podem reduzir a exposição às
partículas grossas, especialmente para populações que residem próximas à fonte
de emissão (focos de queimadas) e, portanto, melhoram o desconforto das vias
aéreas superiores. Enquanto o uso de máscaras de modelos respiradores tipo N95,
PFF2 ou P100 são adequadas para reduzir a inalação de partículas finas por toda
a população;
·Crianças menores
de 5 anos, idosos maiores de 60 anos e gestantes devem redobrar a atenção para
as recomendações descritas acima para a população em geral. Além disso, devem
estar atentas a sintomas respiratórios ou outras ocorrências de saúde e buscar
atendimento médico o mais rapidamente possível.
PESSOAS COM PROBLEMAS
CARDÍACOS, RESPIRATÓRIOS, IMUNOLÓGICOS, ENTRE OUTROS, DEVEM:
·Buscar
atendimento médico para atualizar seu plano de tratamento;
·Manter
medicamentos e itens prescritos pelo profissional médico disponíveis para o
caso de crises agudas;
·Buscar
atendimento médico na ocorrência de sintomas de crises;
·Avaliar a
necessidade e segurança de sair temporariamente da área impactada pela sazonalidade
das queimadas.
Fonte: Ministério da
Saúde- Publicado em 25/08/2024
GOVERNO DE SP EMITE ALERTA DE RISCO ELEVADO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS PARA 16 REGIÕES
Resumo: Os incêndios no
estado de São Paulo em 2024 atingiram o território paulista, no Brasil, na
segunda quinzena de agosto de 2024. O aumento súbito nas ocorrências teve
início em 22 de agosto, afetando vários pontos do interior paulista. A
influência de uma onda de calor, o longo período sem chuvas, em função da
estação seca, e o aumento dos ventos, em consequência da aproximação de uma
frente fria, criaram condições para a propagação dos focos de fogo. No entanto,
há registros de incêndios de origem criminosa. As queimadas atingiram
pastagens, plantações e áreas de preservação e provocaram mortes e
escurecimento do céu devido à fumaça.
EVENTO
A Defesa Civil alerta que,
com exceção do litoral, todo o estado atingirá níveis abaixo dos 20% de umidade
relativa do ar, aumentando riscos de incêndios
O Centro de Gerenciamento de
Emergências da Defesa Civil do estado (CGE) emitiu alerta via SMS 40199 para 16
regiões do estado de SP sobre o risco de incêndios florestais.
Receberam a mensagem usuários
cadastrados nas seguintes regiões: Capital, Região Metropolitana de SP,
Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Campinas, Franca, Itapeva, Marília,
Presidente Prudente, Registro, Ribeirão Preto, São Jose dos Campos, São Jose do
Rio Preto e Sorocaba.
Segundo o meteorologista do
CGE, Willian Minhoto a umidade relativa do ar poderá atingir níveis críticos ao
longo do dia. Segundo ele, com exceção do Litoral Paulista, todo o estado
atingirá níveis abaixo dos 20% de umidade relativa do ar. As temperaturas
também subirão bastante. Na Capital há previsão de máxima de 32°C. Em Ribeirão
Preto e Araçatuba as máximas podem chegar aos 36°C.
O texto do SMS trazia a
seguinte recomendação: “Risco elevado para incêndios florestais na região.
Redobre a atenção em áreas de vegetação seca. Não coloque fogo no mato, isso é
crime ambiental!”
MORADORES DE RIBEIRÃO PRETO
DEIXAM CASAS CERCADOS POR FOGO E TEMPESTADE DE POEIRA
Com 14 focos de incêndio
ativos no sábado, cidade viu tarde virar noite com fumaça densa e fuligem no
céu; avião do governo vai auxiliar no combate aos incêndios
Uma forte tempestade de
poeira e fuligem de queimadas em canaviais atingiu cidades do interior de São
Paulo e piorou os efeitos dos incêndios registrados nas últimas 48 horas.
Ribeirão Preto tem 14 focos de incêndio ativos na noite de sábado (24),
inclusive na área urbana, segundo a prefeitura, o que tem gerado medo nas
pessoas devido ao agravamento dos problemas e a evacuação de moradores de um
condomínio de luxo.
RECURSOS DISPONÍVEIS DE
COMBATE AO FOGO
A mobilização de esforços
para combater o fogo continua neste domingo em todo o estado, com foco em Ribeirão
Preto, hoje uma das mais críticas. A atuação do Estado ocorre em parceria com o
governo federal por meio das Forças Armadas. Além de três helicópteros da
Polícia Militar que já atuam na operação, a Força Aérea Brasileira enviou uma
aeronave KC-390 e dois helicópteros para ajudar no combate às queimadas. Mais
28 veículos pesados, caminhões do Corpo de Bombeiros, são destinados à cidade.
A ação conta ainda com cinco
drones da Fundação Florestal, seis do Corpo de Bombeiros e uma aeronave de asa
fixa para debelar os incêndios na Área de Proteção Ambiental (APA) de Ibitinga.
O setor canavieiro, por sua vez, também está apoiando o estado com carros-pipa
e brigadistas, e ainda há suporte das empresas de construção com contratos com
o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e que operam para as
concessionárias de rodovias nos contratos geridos pela Artesp. O Centro de
Triagem e Recuperação de Animais Silvestres (CETRAS) também atua na operação.
RECURSOS PESSOAIS
Mais de 7,3 mil profissionais
e voluntários estão mobilizados no combate às chamas e na orientação da
população.
GABINETE DE EMERGÊNCIA
O gabinete de pronta
resposta, instalado na sexta-feira (23/08), permanece ativo no âmbito da
Operação SP Sem Fogo, que integra especialistas da Defesa Civil do Estado e das
secretarias da Segurança Pública (SSP), Agricultura e Abastecimento, e Meio
Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
CALOR EXTREMO E ESTIAGEM
Em meio à estiagem, calor
extremo e incêndios que causaram transtornos e medo a moradores do interior de
São Paulo, o estado registrou entre quinta-feira (22) e sexta-feira (23) 2.316
focos de fogo, número quase 7 vezes maior do que o registrado em todo o mês de
agosto do ano passado, quando foram contabilizados 352 incidentes.
Os registros, segundo
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), colocam São Paulo no topo da
lista de incêndios do país no fim desta semana, inclusive à frente de estados
da Amazônia Legal, que enfrentam uma temporada recorde de queimadas - com
fumaça chegando a 10 estados, incluindo São Paulo e até o Rio Grande do Sul.
FATORES DE AGRAVAMENTO DOS
INCÊNDIOS
Alta temperatura, ventos
muito fortes e baixíssima umidade relativa do ar nesses últimos dias.
VÍTIMAS E EVACUAÇÃO
Duas pessoas morreram e mais
de 800 tiveram que deixar suas casas desde que o fogo começou, na sexta-feira
(23), segundo dados do governo estadual.
ÁREA QUEIMADA
·Mais de 20 mil
hectares já foram queimados na região, que teve mais de 2.300 focos de incêndio
em apenas três dias, de acordo com a Defesa Civil.
·Área destruída de
canavial e rebrota: 59 mil hectares
ESTIMATIVA DE PREJUÍZOS
·Os prejuízos provocados
pelas queimadas superem o valor de R$ 1 bilhão.
·Estimativa de
prejuízo dos produtores de cana: 350 milhões de reais
CAUSA PROVÁVEL
Incêndio criminoso
INCÊNDIO CONTROLADO
Segundo o governador, São
Paulo não tem mais nenhum foco ativo de incêndio. Até o final da noite de
domingo (25), o estado ainda tinha seis pontos.
Segundo o governador disse
nesta segunda-feira (26) que São Paulo não tem mais nenhum foco ativo de
incêndio. Até o final da noite de domingo (25), o estado ainda tinha seis focos. Fontes: Portal do Governo - seg, 19/08/2024; Portal do
Governo - dom, 25/08/2024; g1 SP, GloboNews - 26/08/2024, Wikipédia - 2 de setembro de 2024.
OCORRÊNCIAS EM ANDAMENTO
FOCOS INCÊNDIOS EM ATIVIDADES
Cinco cidades do interior paulista estão com focos de incêndio ativos no sábado (31/08), informou a Defesa Civil do estado de São Paulo. Segundo o órgão, os focos de fogo foram verificados nas cidades de Morro Agudo e Pedregulho, ambos na região de Franca; em Altinópolis e Franca, na área de Ribeirão Preto; e em Fernandópolis, na região de São José do Rio Preto.
Os agentes de Defesa Civil, bombeiros, brigadistas voluntários e equipes de grupos privados estão atuando em todos estes locais para o combate às chamas. Fonte: Agência Brasil - São Paulo- 31/08/2024
02/09/2024 - COM CLIMA SECO, ESTADO DE SP TEM 4 CIDADES COM
FOCOS DE INCÊNDIO
O estado de São Paulo tem
quatro focos de incêndios ativos na segunda-feira (2), nas cidades de
Pedregulho, Jardinópolis, Dois Córregos e São Simão, de acordo com a Defesa
Civil. Outros 48 municípios estão em alerta máximo para incêndios.
Mapa de risco divulgado pela Defesa
Civil (02/09/2024) mostra que a maior
parte do estado está em nível de emergência para incêndios, o mais alto.
As áreas estão coloridas em
diferentes tonalidades, com roxo indicando risco elevado, vermelho para risco
alto e amarelo para risco baixo. No canto inferior direito, há uma legenda com
as categorias de risco: EMERGÊNCIA, ALERTA, ALTO e BAIXO. Fonte: Folha de São Paulo -2.set.2024
12/09/2024 - SP TEM 15
CIDADES COM FOCOS ATIVOS DE INCÊNDIO E GOVERNO PRORROGA FECHAMENTO DE UNIDADES
DE CONSERVAÇÃO E PARQUES
Por conta da situação
alarmante, parques e unidades de conservação permanecerão fechados até o dia 29
de setembro.
O estado de São Paulo tem 15
cidades com focos ativos de incêndio, segundo informou a Defesa Civil na manhã
desta quinta-feira (12).
A Defesa Civil, afirmou que as
equipes estão empenhadas em combater as chamas dos focos ativos nos municípios
de São Paulo, utilizando recursos terrestres e nove aeronaves. O calor extremo,
ventos fortes e locais de difícil acesso complicam ainda mais o trabalho dos
brigadistas.
Todo o estado, entretanto,
está em situação de emergência por conta do alto risco de incêndios. O
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já registrou quase mil
incêndios em setembro deste ano no estado de SP.
Por conta da situação
alarmante, o governo prorrogou o fechamento dos parques e unidades de
conservação até o dia 29 de setembro. Fonte: g1 SP — São Paulo - 12/09/2024
DEFESA CIVIL APONTA RISCO ALTO DE INCÊNDIOS PARA O ESTADO DE SP
O CGE (Centro de
Gerenciamento de Emergência) da Defesa Civil de São Paulo publicou na segunda-feira
(17) uma previsão que alerta para o alto risco de incêndio em todo o estado
durante a semana, com destaque para as regiões centro e oeste.
O mapa de risco é um
instrumento que ajuda a Defesa Civil no monitoramento de queimadas em vegetação
durante o período de estiagem.
Ele mostra uma cor totalmente
avermelhada, o que chamou a atenção de técnicos da Defesa Civil. Nas regiões
centro e oeste, a cor roxa indica grau máximo de risco, em uma situação
bastante crítica.
A imagem mostra seis mapas de
uma mesma região em dias consecutivos, indicando o risco de incêndio de 17 a 22
de junho de 2024. Cada mapa é colorido de acordo com o nível de risco, variando
de baixo (amarelo) a emergência (roxo), e inclui a legenda correspondente. Os
mapas são marcados com o logotipo do Climatempo e da Defesa Civil de São Paulo,
indicando que são fontes oficiais de monitoramento de riscos ambientais
Mapas indicam o risco de incêndio
até o dia 22 de junho no estado de São Paulo - Defesa Civil/Divulgação
A explicação para o risco elevado de incêndios
florestais é a ausência de chuva e a baixa umidade relativa do ar em todo o
território paulista.
"O estado de São Paulo
possui um outono e inverno com climatologia de tempo mais seco, com tendência
para que a umidade relativa do ar diminua significativamente, atingindo níveis
mais críticos diariamente, ou seja, valores abaixo dos 30% em praticamente
todas as áreas monitoradas", explica Willian Minhoto, meteorologista da
Defesa Civil.
O tempo seco e quente deve
permanecer pelo menos até a próxima segunda-feira (24), com ausência completa
de chuva e umidade relativa do ar abaixo dos 30% em diversos municípios.
Segundo estudos do Painel Geoestatístico
dos Incêndios Florestais em Unidades de Conservação e Áreas Protegidas, da
Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, em 2023 mais de 90%
dos 158 focos de incêndio em áreas protegidas tiveram como causa ações humanas
que poderiam ter sido evitadas.
Por isso, a Defesa Civil
recomenda medidas de prevenção como não colocar fogo em áreas de vegetação
seca, não jogar bitucas de cigarro em beiras de rodovias, não realizar a limpeza
de áreas rurais utilizando técnicas de fogo, não queimar lixo e não soltar
balão.
Em 2023, a área total
atingida por incêndios florestais foi de 1.030 hectares em todo o estado de São
Paulo. Em 2022 o número foi de 7.181, ou seja, houve uma queda de 86% de um ano
para outro.
MONITORAMENTO
O software da Defesa Civil
funciona 24 horas por dia e é alimentado a partir de algoritmos que compilam
dados sobre elementos como o nível de chuva, cobertura vegetal, umidade do ar e
do solo, temperatura e velocidade do vento.
O mapa disponibiliza modelos
com previsão para os próximos cinco dias. A escala possui quatro níveis e vai
do risco baixo (cor amarela) ao risco emergência (cor roxa).
Diariamente, o CGE encaminha
o mapa de risco de incêndio para todas as coordenadorias municipais. As que
estão em uma área com risco mais elevado recebem um indicativo de alerta para
adoção de medidas de prevenção, como vistorias nas áreas mais suscetíveis às
queimadas, construção de aceiros e intensificação das campanhas de
conscientização. Fonte: Folha de São Pulo - 18.jun.2024
Há exatamente 60 anos, o
Paraná ardia em chamas. Uma série de incêndios florestais entre os meses de
agosto e setembro de 1963 causou uma tragédia histórica
Os meses de agosto e setembro
são meses de fortes estiagem no Paraná e o estado vinha passando por um período
bem seco. Ainda era inverno, a temperaturas ficaram baixas e os campos do
Paraná estavam secos em razão das fortes geadas daquele ano. Como era de
costume, os lavradores faziam pequenas queimadas para limpar o terreno. Com os
fortes ventos, não demorou muito para o fogo avançar sem controle. Essa
combinação de fatores foi o estopim para o fogo se alastrar pelo interior do Paraná.
INÍCIO DOS INCÊNDIOS
Os incêndios começaram a
atingir os municípios de Ortigueira, Tibagi, Arapoti, Jaguariaíva até Sengés.
As regiões do Paraná que mais sofreram com a
tragédia foram as cidades de Ortigueira, Curiúva, Tibagi, Sapopema, Arapoti,
Cândido de Abreu, Barbosa Ferraz, Telêmaco Borba, Reserva, Ivaiporã, Roncador,
Palmital, Pitanga, Piraí do Sul, Castro, Ponta Grossa, Faxinal, Campo Mourão e
Inajá.
IMPACTOS
As chamas se
estenderam a Sengés e Jaguariaíva, o que provocou a perda de, pelo menos, 15
milhões de araucárias na região, sem contar os danos irreversíveis causados à
floresta que abriga essa importante espécie ameaçada de extinção. O relatório
do governo estadual da época apontou que o município de Ortigueira teve 90% da
área queimada.
Mais de 70% das reservas
florestais das Indústrias Klabin de Papel e Celulose, cultivadas em uma fazenda
de Tibagi, se perderam. Só nesse local, 200 milhões de araucárias foram
destruídas. As perdas em todo o Paraná foram, na época, calculadas em 200
milhões de cruzeiros.
Ao todo, 128 cidades das
Regiões Norte, Central e dos Campos Gerais foram afetadas. Dois milhões de
hectares foram completamente devastados ao longo de dois meses. "Foram 20
mil hectares de plantações, 500 mil de florestas nativas e 1,5 milhão de campos
e matas secundárias", relata o pesquisador Antônio Carlos Batista,
professor de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná.
Aproximadamente 8 mil
imóveis, entre casas, galpões e silos, foram queimados . Cerca de 5,7 mil
famílias – a grande maioria formada por trabalhadores rurais – ficaram
desabrigadas. Tratores, equipamentos agrícolas e incontáveis veículos foram
atingidos pelo incêndio.
Milhares de animais foram
mortos, entre animais silvestres e animais de criação. Os prejuízos foram
enormes, devastando lavouras inteiras, reflorestamentos, muitas fazendas e
vilas. Ao todo o incêndio atingiu 128 municípios paranaenses. Principalmente
municípios da região do norte pioneiro e campos gerais, além de alguns
municípios da região central e norte do estado.
As perdas em todo o estado
eram calculadas em 200 milhões de cruzeiros. O Paraná essencialmente agrícola
na época, viu sua atividade econômica parar.
AJUDA
A ajuda para combater os
incêndios veio de outros estados, com a oferta de helicópteros e aviões. Cerca
de quatro mil membros do Exército, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros
tentavam evitar um cenário ainda pior – se é que isso ainda parecia possível.
Também foram enviados ao Paraná medicamentos, ferramentas agrícolas, roupas e
alimentos de diversos países, como Estados Unidos, Itália, Japão, China e
Suíça.
CONTROLE DO INCÊNDIO
Foi somente com a volta da
chuva, o incêndio foi controlado.
ESTADO DE CALAMIDADE
Em 28 de agosto de 1963, o
governo do Paraná decretou “Estado de Calamidade Pública”. O fato foi motivado
pela destruição provocada pelos incêndios e pelos problemas sociais trazidos
com ele, como o alto índice de desabrigados e desempregados. A atividade
agrícola na época ficou, praticamente, parada em todo o Paraná.
DA TRAGÉDIA À PREVENÇÃO
O incêndio de 1963 ficou
conhecido como o maior do país. Sobre o Paraná, após a tragédia de 1963, a
segunda maior devastação por fogo foi em 1999, quando 6.610 focos devastaram
126.864 hectares, segundo dados do Corpo de Bombeiros divulgados pela
Coordenadoria Estadual da Defesa Civil.
Desde o registro da tragédia
de 1963, o Paraná passou a se preocupar com a prevenção e o combate a incêndios
florestais, inserindo, a partir de 1967, um curso voltado para esse tipo de
ação no Corpo de Bombeiros e investindo em treinamentos para os membros da
corporação. Desde 1998, o estado conta com um Plano Estadual de Prevenção e
Combate aos Incêndios Florestais – Mata Viva , que articula órgãos públicos,
empresas da iniciativa privada, mídia e segmentos organizados da sociedade para
prevenir e combater os incêndios florestais. Fontes: Wikipédia - 7 de
setembro de 2023; Gazeta do Povo - 28/08/2019; Gazeta do Povo - 09/08/2013
O bioma Pantanal é considerado uma das maiores extensões
úmidas contínuas do planeta. Este bioma continental é considerado o de menor
extensão territorial no Brasil. A sua
área aproximada é 150.355 km²
(IBGE,2004), ocupando assim 1,76% da área total do território brasileiro. Em
seu espaço territorial o bioma, que é uma planície aluvial, é influenciado por
rios que drenam a bacia do Alto Paraguai.
O Pantanal sofre influência direta de três importantes
biomas brasileiros:
■Amazônia,
■Cerrado e
■Mata Atlântica.
Além disso, sofre influência do bioma Chaco (nome dado ao
Pantanal localizado no norte do Paraguai e leste da Bolívia).
Estudos indicam que o bioma abriga os seguintes números de
espécies catalogadas:
■263 espécies de peixes,
■41 espécies de anfíbios,
■113 espécies de répteis,
■463 espécies de aves e
■132 espécies de mamíferos sendo 2 endêmicas.
Segundo a Embrapa Pantanal, quase duas mil espécies de
plantas já foram identificadas no bioma e classificadas de acordo com seu
potencial, e algumas apresentam vigoroso
potencial medicinal.
INCÊNDIOS
Inicio
Um incêndio de grandes proporções atinge desde o último
domingo (27) uma extensa área de pantanal entre os municípios de Aquidauana,
Miranda e Corumbá, em Mato Grosso do Sul. O fogo se espalhou por cerca de 50
mil hectares, tamanho equivalente ao da cidade de Maceió.
As chamas, que se alastraram rapidamente pela mata seca,
impulsionadas pelo vento, deixaram a área encoberta por nuvem de fumaça e
fuligem.
Causa
Segundo os bombeiros, o incêndio começou na região do Morro
do Azeite e do Passo do Lontra em seis pontos isolados e distantes uns dos
outros, o que eleva a probabilidade de que tenha sido provocado pela ação
humana.
"Não é possível dizer ainda que foi criminoso, porque
não foi feita perícia, mas certamente é fruto da ação do homem, seja por
negligência ou por imprudência”, afirma o tenente-coronel Fernando Carminati,
do Corpo de Bombeiros. “Fizemos um sobrevoo na segunda-feira [28] e vimos que
era de grandes proporções. Então pedimos reforço de efetivo e apoio de outras
instituições."
RECURSOS DISPONÍVEIS
Bombeiros e equipamentos disponíveis
Ao todo, 33 bombeiros trabalham das 8h às 21h no campo para
conter o fogo. No solo, a mata é densa e de difícil acesso, e os bombeiros são
guiados por uma equipe que acompanha a evolução do incêndio por meio de dois
helicópteros. Três aviões auxiliam jogando água sobre as chamas.
Reforços
Ao todo, 151 pessoas, entre bombeiros e funcionários rurais,
estão mobilizadas no combate ao fogo. Em uma única propriedade, houve mais de
40 mil hectares queimados.
Em 5 de novembro
chegou reforços de bombeiros do DF compostos por uma aeronave capaz de
transportar até 3.100 litros de água e mais 35 homens para o combate o fogo.
Comunicações e apoio
A partir de 02 de novembro, o Exército também dará apoio ao
combate aos focos no Rio Negro, deslocando para a área uma cozinha de campanha,
reservatório de água potável e equipe para instalação de sistema de
comunicação, que é uma das dificuldades operacionais no contato entre as ações
por terra com as aeronaves. A região terá uma base operacional, que está sendo
instalada na Fazenda Barranco Alto.
“Estamos atualmente com 91 focos em toda a área monitorada”,
informou o coordenado da Coordenadoria de Defesa Civil do Estado,
tenente-coronel Fábio Catarinelli, com base em dados de satélites. O comando da
Operação Pantanal 2 anunciou a chegada do avião Air Tractor do Corpo de
Bombeiros do Distrito Federal.
Regiões afetadas
Os principais municípios atingidos foram;
■Corumbá, na fronteira com a Bolívia, 440 km distante de
Campo Grande.
■Miranda e Aquidauana, 210 km e 150 km distante de Campo
Grande. A BR-262, que liga esses municípios, está interditada em diversos
trechos, alguns deles com mais de 10 km, para que a força-tarefa possa
trabalhar no controle das chamas. O trabalho reúne Corpo de Bombeiros, Exército
e Ibama/PrevFogo.
Devido à fumaça na pista, a Polícia Rodoviária Federal tem
recomendado que população evite dirigir à noite tanto pela BR-262 quanto pela
Estrada Parque, uma rota alternativa em meio a fazendas turísticas e de
produção.
Infraestrutura e comercio interrompidos
Além da fumaça, Corumbá e Miranda enfrentam falta de acesso
à internet, uma vez que o incêndio danificou a fibra óptica que leva internet
aos municípios.
A população tem sofrido também com queda de energia em
consequência das queimadas. Segundo a Energisa, empresa de abastecimento de
energia elétrica nas cidades, “as queimadas provocam o desligamento de linhas e
consequentes variações de tensão na rede elétrica que atende Corumbá,
Aquidauana e Miranda".
Corumbá está sem abastecimento de água em alguns bairros, já
que a bomba de captação da cidade parou de funcionar.
Os desdobramentos das queimadas são sentidos em diversos
setores, incluindo o comércio, que não tem conseguido efetuar vendas em cartões
de crédito ou débito por conta da falta de internet, e a saúde pública.
Na quinta-feira (31),
a prefeitura emitiu nota informando a população de que devido aos problemas
ocasionados pela falta de internet, a rede pública de saúde está
impossibilitada de agendar consultas e também de entregar exames.
Propagação do fogo, fora de controle
O grande incêndio na região do Pantanal em Mato Grosso do
Sul já atingiu uma área de 1.200 km2 , comparável à da cidade do Rio
de Janeiro.
A estimativa da destruição foi feita pelo Inpe (Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais). O número, porém, já aumentou e tende a
crescer porque ainda há focos de incêndio, segundo Fábio Catarinelli, coordenador
da Defesa Civil de Mato Grosso do Sul. Apesar dos esforços, não há previsão do
fim do fogo.
“A situação está bem
crítica, a temperatura está alta, a umidade está baixa, a vegetação está muito
seca e esses fatores agravam a situação do incêndio. O fogo é voraz e até área
alagada, cuja vegetação pega fogo por cima, queima muito rápido. Utilizamos um
parâmetro que se chama 'risco de fogo', e no Pantanal ele está entre alto,
muito alto e crítico”, diz Catarinell.
O principal desafio para conter e apagar as chamas é a
densidade da mata e as áreas alagadas. O fogo passa por cima da água, por entre
as copas das árvores, e segue queimando por cima de pântanos. Bombeiros
relataram ter visto animais que fugiram desesperadamente e ainda assim morreram
devido a queimaduras.
Em 04 de novembro, segundo dados do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe), já foram queimados 122 mil hectares na região de
Corumbá e Miranda.
Emergência
Devido à gravidade do incêndio, o governo estadual publicou,
no último dia 31 outubro, resolução no Diário Oficial proibindo queimadas
controladas por mais um mês, até dia 30 de novembro. Na mesma linha, a
Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil apontou a situação de emergência
das cidades de Aquidauana, Bonito, Miranda e Corumbá, todos os destinos
turísticos que estão prejudicados pelos incêndios e seus desdobramentos, como
falta e/ou oscilação de energia elétrica, água e internet.
Fauna e flora
Mata à dentro, animais mortos queimados. Entre eles,
jacarés. Outros tentam fugir dos focos de calor e das chamas.
Araras ameaçadas descreve Neiva Guedes, coordenadora do
Instituto Arara Azul, espécie vulnerável e em risco de extinção. Segundo ela,
os efeitos das queimadas podem perdurar por até um ano no ambiente.
Como a arara-azul é uma espécie de dieta restrita a
basicamente dois tipos de frutos (acuri e bocaiúva), a destruição das palmeiras
torna os alimentos escassos.
"Agora, estamos em época reprodutiva e os efeitos
perduram com o passar do tempo. Vai demorar para as palmeiras se recuperarem e
surgirem cachos de frutos para que as araras se alimentem", diz Guedes.
Em termos imediatos, as queimadas causaram perdas diretas ou
indiretas a 49% dos ninhos monitorados na estação natural de reprodução do
Instituto. Além de ninhos, ovos e filhotes queimados, parte dos animais morreu
devido ao calor das labaredas, por desidratação ou asfixia causada pela fumaça.
Para Felipe Dias, agrônomo e diretor-executivo do Instituto
SOS Pantanal, as queimadas significam a “perda ainda imensurável" de
animais e plantas. Segundo ele, apesar de as queimadas serem recorrentes no
Pantanal em época de estiagem, nesse ano, a proporção das chamas surpreendeu a
todos.
“Alguns animais
fogem, mas de que adianta se o alimento, como certas plantas, se perdeu? Há
também perda enorme de espécies cuja característica é a lentidão e que estão na
base alimentar de outras, como insetos, répteis e anfíbios", diz.
Controle do fogo
Após 13 dias de incêndio, bombeiros anunciaram no sábado, 9
de novembro, q eu controlam o fogo no Pantanal.
Até esta sexta-feira, 8 de novembro, foi contabilizada a
destruição de aproximadamente 173 mil hectares, área superior a da cidade de
São Paulo.
O fogo atingiu seis municípios: Aquidauana, Anastácio,
Miranda, Bodoquena, Rio Negro e Corumbá.
As chuvas que atingem a região ajudaram na redução dos
focos, segundo o Corpo de Bombeiros. As chamas chegaram a atingir as
proximidades do Parque Estadual do Rio Negro, localizado na região central do
Pantanal.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
informam que, em outubro, foi registrado o maior número de queimadas no
Pantanal nos últimos 17 anos. O balanço do instituto registra 2.430 focos de
incêndio no mês no bioma, número 1.925% maior do que o verificado em outubro do
ano passado.
Pantanal - Balanço
Em outubro, o Pantanal teve o maior número de focos de
incêndio para o mês em 17 anos, com 2.430 registros, segundo dados do Inpe
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre a região do bioma em Mato
Grosso e Mato Grosso do Sul.
O fogo seguiu novembro adentro e apenas no período de 27 de
outubro a 9 de novembro consumiu 1.730 km² em Mato Grosso do Sul, uma área
maior que a da cidade de São Paulo (1.521 km²).
Também de acordo com o Inpe, em 2019 o Pantanal teve a maior
extensão de terra queimada dos últimos 12 anos.
Entre janeiro e outubro, foram 18.138 km² atingidos por
focos de incêndio. Em todo o ano de 2007, foram 18.699 km².
Chuva
Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e Clima (Cemtec),
no fim de outubro os ventos eram de até 40 km/h e a umidade relativa do ar era
de 10%. Após as chuvas, a umidade subiu para 35% e chegou a 95% nos municípios
atingidos. “Choveu de encharcar o solo”, diz Catarinelli.
Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador-geral de operações
e modelagem do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres
Naturais), diz que as chuvas já estavam abaixo do normal esperado para essa
época do ano há pelo menos três meses, o que facilitou a propagação das chamas.
O período de chuvas na região depende da passagem de frentes
frias que, neste ano, tiveram um comportamento incomum e “passaram batido” por
Mato Grosso do Sul.
Clima
Clima seco, temperaturas altas e ventos fortes criam
ambiente propício para propagação das chamas.
Queimadas
Catarinelli diz que 90% das queimadas são de causa humana,
seja por ação ou omissão do homem. “É cultural que, após um longo período de
estiagem, assim que há uma previsão de chuva, as pessoas coloquem fogo como
método de ‘limpeza’ do campo, prática que é ilegal”, diz.
Julio Sampaio, gerente do programa Cerrado e Pantanal da ONG
WWF-Brasil, também diz que a culpa é do mau uso do fogo em áreas de pasto.
Segundo ele, a limpeza de áreas de pasto com o fogo pode acabar saindo do controle.
Interrupções
Serviços como abastecimento de energia, água e internet
foram prejudicados em seis municípios (Aquidauana, Miranda, Corumbá, Rio Negro,
Anastácio e Bodoquena), paralisando parcialmente serviços públicos de saúde,
como agendamentos de consultas e entrega de exames, e transações bancárias que
dependiam de internet. Fontes: Folha de São Paulo – 1º nov a 12.nov.2019, UOL Noticias
-09/11/2019, Midia Max‑ 02/11/2019