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quinta-feira, outubro 18, 2018

Incêndio provoca vazamento tóxico e quarteirão é evacuado em Santos

Um quarteirão foi evacuado após o galpão de uma marcenaria pegar fogo em Santos, no litoral de São Paulo, na madrugada de segunda-feira (8), e causar vazamento de produtos químicos.  
O caso aconteceu na Rua Doutor Cochrane, no Paquetá, por volta da 1h.
No local armazenava cerca de três toneladas do fosfeto de alumínio de forma clandestina, que pertenceriam a uma empresa portuária, e seriam usados na área de navios.  

LOCAL ISOLADO E EVACUADO
De acordo com o Corpo de Bombeiros, todo o quarteirão teve que ser isolado e os moradores foram obrigados a deixar suas casas, porque o vazamento pode prejudicar a saúde, uma vez que os produtos produzem um gás altamente tóxico.  
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foi acionada e já está no local atendendo a ocorrência. A Defesa Civil também está trabalhando para isolar o produto químico do local, com a deposição de areia e de lonas para diminuir os riscos de propagação.  
Segundo o coordenador da Defesa Civil, Daniel Onias, a empresa trabalhava com reaproveitamento de paletes de madeira. Apenas por volta das 4h o responsável pelo galpão informou que havia produtos químicos no local
De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o produto estava presente em frascos armazenados no galpão e seria destinado para fumigação visando a eliminação de pragas (inseticida, fungicida) em embarcações.

CORPO DE BOMBEIROS
O capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, diz que por volta da 1h o Corpo de Bombeiros foi acionado para atender um caso de incêndio no armazém onde funcionava a marcenaria. Como as chamas atingiram grandes proporções, vinte viaturas foram deslocadas ao local. O fogo foi controlado ainda na madrugada, mas os profissionais perceberam que havia algo diferente devido a coloração e o odor da fumaça que saia do local.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), foi acionada para acompanhar o caso, explica que se tratava de fosfina —uma fumaça tóxica gerada a partir da reação química da água em contato com fosfeto de alumínio. A reação foi causada quando a água usada para apagar o incêndio atingiu o produto armazenado de forma irregular na marcenaria.
O produto estava em frascos e seria utilizado para a fumigação —eliminação de pragas em embarcações. Em nota, a companhia informou que os técnicos avaliarão as eventuais concentrações de fosfina nas imediações do galpão, que possam afetar a saúde da população atingida pela fumaça.
De acordo com o capitão Marcos Palumbo, 23 bombeiros, oito policiais militares e cinco guardas portuários seguiram para o Hospital de Clínicas de São Paulo para exames preventivos. Segundo ele, o grupamento decidiu trazer os profissionais para a capital paulista para evitar problemas no atendimento de hospitais da baixada santista, que também precisaram oferecer atendimento aos  moradores.

ATENDIMENTO HOSPITALAR
Cerca de 70 pessoas que moravam próximas ao local do incêndio foram evacuadas de suas casas e encaminhadas  ao hospital Santa Casa de Santos para receber atendimento. De acordo com a assessoria da unidade, já passaram por atendimento 48 adultos e 14 crianças.
Os pacientes que estão chegando à Santa Casa estão passando por triagem e fazendo exames. Aqueles que identificarmos que inalaram grande quantidade de gás ficarão sob observação. Normalmente, pode demorar de 24 a 48 horas para haver algum sintoma ou reação. A grande maioria dos moradores do entorno não estavam em contato direto com o gás e por isso não deverão ter problemas, explica o pneumologista, Alex Macedo, que ajuda na coordenação do atendimento das vítimas.

SUBSTÂNCIA TÓXIA
A fosfina, que é liberada quando o fosfeto de alumínio entra em contato com a água, quando inalada em grande quantidade pode causar problemas gastrointestinais. O produto pode causar queimadura tanto de pele quanto na via respiratória, causar lesões no fígado, no estômago e até pulmão.

REMOÇÃO DE PRODUTO QUÍMICO 
Foram concluídos na noite na  terça-feira (9) os trabalhos de remoção do produto químico. O tráfego no trecho entre as ruas João Pessoa e General Câmara permanece interditado. 

VÍTIMAS – INTERNADOS
Os cinco pacientes que permaneciam internados na Santa Casa de Santos, receberam alta na manhã de quarta-feira (10).

SEM FISCALIZAÇÃO
A investigação do MPE-SP vai apurar as responsabilidades sobre a quantidade e o material armazenado de forma clandestina. Moradores do entorno afirmam à ser comum a guarda de produtos químicos em outros imóveis naquela região.
A Prefeitura informa que a marcenaria tem inscrição municipal autorizada para o comércio de madeira e artefatos. “Estava regular para um tipo de atividade. Portanto, era irregular armazenar o fosfato de alumínio e na quantidade que tinha”, afirma o coordenador da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias Lopes.

APURAÇÃO E MULTA
Segundo a Administração, técnicos da Secretaria Municipal de Finanças e do Meio Ambiente aguardam a limpeza do lote para checar as condições de funcionamento da empresa. A ideia é verificar se há irregularidade quanto ao que de fato está autorizado pelos órgãos municipais. Ainda são avaliadas as sanções a serem aplicadas aos responsáveis pela compra e posse do material.
O estabelecimento tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido até 2021. Contudo, o capitão da corporação, Renato Abreu do Carmo, explica que a documentação não previa o acondicionamento de produtos químicos.
De acordo com o gerente da agência de Santos da Cetesb, Enedir Rodrigues, os responsáveis pela marcenaria devem ser multados. O valor vai levar em consideração o raio de amplitude do gás tóxico, a contaminação da rede pluvial (onde escorreu a água do combate às chamas), a quantidade de material estocado e a de pessoas afetadas pelo poluente. A apuração administrativa terá início após a limpeza do terreno.

RESUMO DA OCORRÊNCIA
■Marcenaria armazenava mais de 2 toneladas de fosfeto de alumínio;
■Produto químico é utilizado para a eliminação de pragas em barcos;
■Área foi isolada e incêndio foi controlado durante a madrugada;
■98 pessoas atendidas (62 moradores) por suspeita de intoxicação;
■ Polícia, Ibama, Cetesb e Prefeitura investigam irregularidades no local.

Fontes: Folha de São Paulo - 8.out.2018, G1 Santos-08 a 09/10/2018, A Tribuna – 08 a 10/10/2018















Comentário:
O Corpo de Bombeiros deveria usar o princípio da prevenção que tem a função de antecipação, preventiva, para que não cause danos ou minimize seus efeitos na saúde dos bombeiros envolvidos no combate ao fogo e no entorno. Uso de detector de gás.

Informações resumidas da Fispq do produto

Fogo:
Produto não inflamável, entretanto em contato com água libera fosfina que é um gás inflamável. Não queima, mas pode se decompor com o calor, produzindo vapores tóxicos e/ou corrosivos. A substância reage com água, às vezes violentamente, liberando gases tóxicos. O recipiente pode explodir se aquecido ou contaminado.
Extinção com pó químico seco, CO2 ou espuma. Remover as embalagens intactas do local do fogo se puder ser feitos sem riscos. Resfriar as embalagens expostas. NUNCA UTILIZE ÁGUA PARA COMBATER O FOGO

Perigo:
Oo produto não é inflamável. Porém, pode se inflamar espontaneamente quando atingir a concentração de 27,1g/m³. Em contato com o calor e umidade libera vapores inflamáveis, que podem elevar a temperatura no local e causar auto-ignição.

Pequenos derramamentos: isolar inicialmente
30 m em todas as direções. A seguir proteger as pessoas no sentido do vento a 100 m durante o dia e 200 m à noite. Para grandes vazamentos: isolar inicialmente 90 m em todas as direções. A seguir proteger as pessoas no sentido do vento a 700 m durante o dia e 2,2 km à noite

Saúde:
O produto pode provocar sinais de toxicidade se absorvido pelas vias respiratória e oral. A reação com a água ou umidade do ar libera gases tóxicos.

Principais sintomas:
A exposição aguda ao produto pode causar efeitos sobre o aparelho respiratório, SNC (sistema nervoso central), TGI (trato gastro intestinal), rins, aparelho cardiovascular e olhos. A exposição crônica causa bronquite, distúrbio motor e da fala, hiperemia e hipersensibilidade, fraturas espontâneas, necrose mandibular, anemia, leucopenia, perda de peso, fraqueza, anorexia, alterações das funções hepáticas, acidose, hematúria e proteinúria.

Meio Ambiente:
O gás fosfina é agudamente tóxico para organismos aquáticos, aves e mamíferos (WHO, 1988). Insolúvel em água.  

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posted by ACCA@1:48 PM

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