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segunda-feira, julho 06, 2015

Proibição de isopor em Nova York

A prefeitura de Nova York anunciou  que a partir de julho será proibida a venda de produtos em recipientes de isopor por causa dos danos ambientais que sua utilização representa.
A medida foi anunciada pelo gabinete do prefeito Bill de Blasio, após consultas a empresas de recipientes, vendedores e agências de saúde da cidade.
Essa iniciativa já foi tentada em 2013 pelo prefeito anterior, Michael Bloomberg, mas a ordem nunca foi executada por oposição do conselho municipal, que pediu mais tempo para ver se era possível desenvolver um sistema de reciclagem desse material.

DANO AO MEIO AMBIENTE
Após confirmar que isso não é possível, o novo governo decidiu proibir os recipientes, muito usados pelos nova-iorquinos para conservar e transportar comida e café. "Esses produtos causam um dano real ao meio ambiente e não têm lugar na cidade de Nova York", afirmou De Blasio em declaração que acompanhou o anúncio da proibição.
"Se temos melhores opções, melhores alternativas, e se há mais cidades no país que seguem nosso pensamento e instituem proibições similares, essas alternativas em breve serão abundantes e custarão menos", acrescentou.

OUTRAS CIDADES ADOTARAM
Com isso, Nova York se junta a outras 70 cidades dos Estados Unidos que adotaram uma medida parecida, entre elas Washington, San Francisco, Seattle e Minneapolis, esforço que contou com a adesão de grandes empresas para buscar alternativas de recipientes.

GRANDE VOLUME DE LIXO
No entanto, Nova York é a maior cidade entre as que adotaram a medida, e a que mais lixo produz. Segundo dados da prefeitura, a cidade produziu em 2014 um total de 28.500 toneladas de recipientes de isopor, o que representa um grande volume de lixo, levando em conta que trata-se de um material leve.

O QUE É ISOPOR?
Comercializado nos Estado Unidos com o nome de Styrofoam, o isopor foi inventado pelo cientista da empresa Dow Chemical Otis Ray McIntire em 1941.
Para fazê-lo, pequenas quantidades do polímero poliestireno são misturadas com produtos químicos para se expandiram 50 vezes do seu tamanho original.
Após o resfriamento, essa massa é então colocada em moldes – seja de um copo ou de uma embalagem – e passa por um novo processo para expandi-la ainda mais, até que o molde seja totalmente preenchido e as contas se fundirem.
O produto final é leve, barato – 95% de sua composição é ar. Suas propriedades isolantes e seu custo barato tornaram o isopor uma escolha atraente nos negócios.

POR QUE ELE É TÃO PREJUDICIAL AO MEIO AMBIENTE?
Há uma estimativa de que apenas nos Estados Unidos 25 bilhões de copos de café de isopor são jogados no lixo em um ano – para efeito de comparação, 100 bilhões de sacolas plásticas são descartadas anualmente.
Em 2006, por exemplo, 135 toneladas de produtos de isopor foram despejadas em lixões em Hong Kong – menos de 5% de todo o lixo plástico descartado no país.
Mas mesmo o isopor representando uma parcela pequena do lixo, ambientalistas afirmam que o problema ganha outras dimensões quando ele chega no mar.

LIXO NO OCEANO
Segundo Douglas McCauley, professor de biologia marinha da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, há dois problemas causados pelo isopor para os animais marinhos, um químico e o outro, mecânico.
■ O mecânico é bem fácil de se ver. Encontramos espuma de isopor no intestino de animais – e isso pode ser letal;
■ Já o aspecto químico tem a ver com a propriedade absorvente do material. O isopor age como uma pequena esponja poluente, capturando todos os compostos que mais contaminam o oceano. E então um animal engole isso, pensando ser uma água-viva, explica McCauley
E isso não é perigoso apenas para os animais marinhos para o oceano como um todo. Pode também ser prejudicial para os humanos.
"É preocupante que um peixe que ingeriu tudo isso acabe nas nossas mesas", afirma.

POR QUE NÃO É POSSÍVEL RECICLÁ-LO?
A dificuldade em reciclar o material é uma das principais razões. Ninguém conseguiu até agora provar que seja possível reciclá-lo em larga escala, e tampouco há mercado para isso.
Devido ao processo químico usado em sua confecção, é quase impossível transformar, por exemplo, um prato de isopor em uma embalagem feita do mesmo material.
Há, no entanto, alguns métodos sendo testados, como reciclagem térmica. Mas sua viabilidade em termos de custo e logística de transporte ainda é um problema.

QUAIS AS ALTERNATIVAS?
O McDonalds começou a deixar de usar embalagens de isopor nos anos 90 – e em 2013 abandonou totalmente o material, o substituindo por alternativas feitas com papel.
Já o Dunkin'Donuts agora faz seus copos com um composto mais fácil de ser reciclado, o polipropileno – um tipo de plástico bastante usado para embalagens para levar comida para casa. No entanto, o produto é mais caro que o isopor. Fonte: @ZR, G1-09/01/2015

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