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domingo, abril 20, 2014

Lembrança:Fogo destrói depósito da Nestlé no ABC

O incêndio começou às 12h20, na segunda-feira,  24 de setembro de 2001,  e os próprios funcionários tentaram conter o fogo em seu início, sem sucesso e o Corpo de Bombeiros foi acionado às 12h32. Os primeiros bombeiros chegaram ao depósito às 12h40.
O trânsito nas principais vias de acesso ao depósito foi bloqueado. Uma multidão de curiosos e alguns familiares de funcionários da Nestlé foram ao local atrás de notícias.
De fora, era possível ver a fumaça e as chamas que tomavam conta do prédio. Por volta das 15h, as labaredas atingiram 30 m de altura.

DESABAMENTO PARCIAL DO DEPÓSITO
Dos 45 mil m2 de área do depósito da empresa, cerca de 20 mil m2 foram atingidos pelo fogo. Parte da estrutura metálica do prédio desabou sobre caixas de leite, chocolates, biscoitos, bolachas e outros alimentos. As chamas alcançaram 30 metros de altura. A fumaça preta podia ser vista a quilômetros de distância.

CAUSA
A causa mais provável do acidente foi um curto-circuito que teria ocorrido na fiação do teto de um galpão onde são armazenados os chamados produtos secos, como biscoitos e chocolates.
Alguns funcionários que conseguiram sair da empresa disseram que o fogo começou no teto. Há suspeita de que um curto-circuito tenha dado início às chamas. Outros funcionários chegaram a dizer que uma empilhadeira teria explodido, dando origem ao incêndio. A informação não foi confirmada pelos bombeiros.

CARGA DE INCÊNDIO:
O incêndio no centro de distribuição queimou 13 mil toneladas de chocolates, biscoitos, sopas e caldos. As áreas que abrigavam sorvetes e produtos refrigerados não foram atingidas.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo atingiu 800 graus, provocando até a desintegração de vidros.
Além da grande quantidade de papelão, a gordura dos chocolates dificultou o trabalho do Corpo de Bombeiros.
 “Há muito chocolate em pó armazenado em latas, que demoram para entrar em combustão, mas não param de queimar por causa da gordura”, disse o coronel Wagner Ferrari, comandante do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo. Segundo Ferrari, isso criaria sempre novos focos de incêndio.

VÍTIMAS:
Dois funcionários ficaram intoxicados pela fumaça e foram medicados num posto de saúde de São Bernardo do Campo. Dois bombeiros estavam desaparecidos.

CORPO DE BOMBEIROS E DEMAIS AUXÍLIOS
Para combater as chamas, foram mobilizadas pelo menos 420 pessoas (entre bombeiros, funcionários da Prefeitura, guardas municipais, policiais civis e militares, além de seguranças particulares), 23 carros do Corpo de Bombeiros e 15 caminhões-pipas.
A prefeitura de São Bernardo do Campo destacou 190 homens. Policiais militares cuidaram do isolamento das ruas próximas ao galpão. O trabalho teve o reforço de caminhões-pipa de São Bernardo do Campo, de cidades vizinhas e de empresas particulares.
O combate ao fogo contou, além de órgãos municipais e estaduais, com o apoio de outras empresas. A SSU (Secretaria de Serviços Urbanos) de São Bernardo acionou o PAM (Plano de Ação Emergencial), que é formado pelas oito maiores empresas da cidade, como Volkswagen e Basf.
“Os funcionários da parte de segurança dessas empresas ficam disponíveis e são deslocados em caso de alguma emergência, como esse incêndio”, explicou o secretário da SSU, Gilberto Frigo. A Nestlé não está entre as oito empresas que compõem o grupo.

FALHAS DA NESTLÉ DIFICULTAM CONTROLE DO FOGO
O coronel Ferrari considerou que houve demora na chamada feita aos bombeiros e disse que deveria ter ocorrido assim que o incêndio foi detectado. Para ele, a demora de 12 minutos dificultou o controle das chamas.
O comandante dos bombeiros avaliou que o procedimento adotado pela Nestlé desde o início do incêndio foi “incorreto”. O primeiro erro foi os próprios funcionários terem tentado conter o fogo apenas com os extintores. “Em casos como esse, o extintor é insignificante”, afirmou Ferrari.
Em seguida, a empresa teria determinado que os funcionários permanecessem no local para retirar as mercadorias, para evitar que o fogo se alastrasse. “Não podiam ter feito isso, deveriam ter deixado o local imediatamente e não permanecer expostos ao perigo.”
O auxiliar de armazém Fernandes Nunes, 21 anos, que disse estar próximo ao local em que o fogo começou, confirmou que os funcionários improvisaram uma “força-tarefa”. Ele disse que do lado oposto de onde surgiu o incêndio haviam botijões de gás estocados. “Foi a primeira coisa que nós retiramos.”
O funcionário L.J.C,, que trabalhava no galpão destruído e não quis se identificar porque teme perder o emprego, afirmou que eles só deixaram o local quando os diretores informaram que o fogo não podia ser controlado. “Quando os encarregados viram que não conseguiríamos dar conta do fogo, nos mandaram sair”, afirmou.

DEFICIÊNCIAS NO SISTEMA DE COMBATE A INCÊNDIO
O coronel Ferrari constatou que houve falha no sistema de hidrantes da Nestlé. A Brigada de Incêndio da empresa começou a combater o incêndio, antes de os bombeiros chegarem, mas as mangueiras não tinham pressão suficiente para jogar a água a uma altura de até 15 metros. Esse problema teria prejudicado o combate inicial às chamas, feito pela brigada de incêndio da Nestlé.
O coronel Orlando Rodrigues de Camargo Filho, que também participou dos trabalhos, informou que a causa da falta de pressão deve ter sido o rompimento da rede de hidrantes, após o desabamento de parte do teto do depósito. A água das mangueiras tinha alcance de no máximo 3 metros. As chamas só puderam ser combatidas com a pressão necessária a partir da chegada dos bombeiros.
A água dos caminhões-pipa era insuficiente e os veículos tinham de sair a todo momento para reabastecer. A vizinha FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) cedeu água.

DIFICULDADE NO COMBATE AO INCÊNDIO
O comandante do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, Wagner Ferrari, criticou os problemas estruturais da Nestlé.
 “Está na hora de empresários e autoridades se conscientizarem de que a normalização de regras básicas de segurança não é uma questão de exigência, mas sim uma postura necessária como cidadãos e na quais muitas pessoas estão envolvidas”, completou.
Segundo ele, vários problemas colaboraram para que a expansão do incêndio tomasse proporções assustadoras.
A grande quantidade de material estocado no depósito, por exemplo, impediu que o fogo fosse controlado com maior facilidade.
Em alguns pontos do galpão, as pilhas com produtos atingiam 12 m de altura. Ele também questionou o trabalho da brigada de incêndio da empresa,  devido a demora em chamar os bombeiros e a rápida queda da estrutura do depósito.
Outro fator foi levantado pelo coronel Orlando Rodrigues Camargo. Ele afirmou que a falta de pressão dos hidrantes da empresa pode ter sido causada por um “colapso” na estrutura do prédio.
Segundo ele, com o desmoronamento da ferragem do teto, a rede de hidrantes foi destruída e impossibilitou a chegada de água aos locais incendiados. “O teto caiu sobre a rede de hidrantes. Eu vi vários trechos destruídos”, afirmou.
Camargo não soube afirmar se a proteção à rede de hidrantes é uma norma técnica obrigatória. A falha nesse sistema foi apontada pelo Coronel Ferrari como um dos principais fatores para a propagação do incêndio. Ele lembrou que, enquanto as chamas atingiam até 30 m de altura, a água só chegava a três metros de altura.

IRREGULARIDADE NO AUTO DE VISTORIA
O Corpo de Bombeiros identificou irregularidade administrativa na Nestlé, em razão da empresa não ter atualizado o Auto de Vistoria da corporação, que deve ser renovado a cada dois anos.  O laudo de vistoria feito pelo Corpo de Bombeiros no depósito de distribuição da Nestlé na estrada do Alvarenga, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), estava vencido havia dois anos. A última vistoria no local foi feita em março de 1999, tendo validade de 180 dias.
Durante a inspeção são verificados os equipamentos de combate a incêndio (hidrantes e extintores), o sistema de alarme de incêndio, a iluminação de emergência, as rotas de fuga e a pressão dos hidrantes.
A vistoria atualizada poderia ter evitado possíveis falhas apontadas pelo coronel Ferrari no sistema de bombeamento nos hidrantes da Nestlé, que foram utilizados pela brigada de incêndio da empresa quando o fogo foi percebido, às 12h.
Segundo ele, o galpão da empresa tem 12 metros de altura, mas a pressão nos hidrantes levava água até apenas 3 metros, sendo que o fogo começou pelo teto. "Se não fosse a falta de pressão nos hidrantes, talvez não tivéssemos perdido o controle do incêndio."
A vistoria dos bombeiros, prevista em decreto estadual de 1993, deve ser feita a cada dois anos. Para que ocorra, é necessária uma solicitação da empresa, o que, no caso da Nestlé, não teria ocorrido. O coronel Ferrari afirma que a fiscalização do documento cabe à prefeitura.
A Nestlé informou que seu sistema de segurança está de acordo com as "normas para o tipo de atividade que exerce e para as dimensões do local".

FUNCIONÁRIOS RETIRAM MATERIAIS
Funcionários da Nestlé voltaram nesta terça (25.09) ao centro de distribuição e retiraram equipamentos e produtos que não foram atingidos pelo incêndio, materiais que ainda poderiam ajudar a propagar o incêndio. O mesmo procedimento tinha sido adotado no dia em que o fogo atingiu boa parte do galpão, segunda-feira. A empresa nega ter orientado os empregados a retirar o material quando começou o acidente.
No dia do incêndio, produtos que estavam estocados no local e que não foram afetados foram removidos para áreas nas quais não corriam risco de ser atingidos pelo fogo.
Além disso, segundo um motorista – que não quis se identificar – que presta serviço de entregas para a empresa, com contrato terceirizado, cinco caminhões foram usados para transportar materiais de escritório a partir do momento em que as chamas começaram a atingir os 40 mil m² do galpão.

“Em 15 minutos, eu e vários outros funcionários carregamos os cinco caminhões com aparelhos de fax, computadores, papéis e outros materiais de escritório. O material foi colocado nos caminhões e levado para longe do galpão, mas dentro do terreno”, afirmou.
De acordo com o motorista, a orientação para a retirada dos produtos e dos acessórios de escritório partiu da área de transporte da empresa. Mas ele não soube identificar o responsável pela ordem. “Pegou fogo muito rápido. Mesmo assim, nós salvamos vários equipamentos que estavam em alguns dos escritórios que existia no galpão”, disse o motorista, que trabalha há dois anos para a empresa.
A Nestlé negou, por meio de sua assessoria de imprensa, que tenha orientado os funcionários a retirar alimentos do local do incêndio ou mesmo materiais de escritório.
De acordo com o comunicado divulgado, funcionários tentaram salvar os equipamentos, acessórios e produtos “voluntariamente”. A empresa informou ainda que, quando a atitude foi percebida, eles foram obrigados a deixar o local e seguir orientações da brigada de incêndio.

PLANO DE EMERGÊNCIA DA NESTLÉ
A Nestlé já reprogramou seu esquema de distribuição e, segundo sua Assessoria de Imprensa, está afastado o risco de desabastecimento. A partir de terça-feira, 25/09/01, a distribuição para as regiões servidas pelo centro atingido pelo fogo passou a ser feita pelos CDs de Cordeirópolis, no interior do Estado de São Paulo, e de Recife (PE). O primeiro é o maior depósito da América Latina, com capacidade de armazenagem de 3,2 milhões de caixas e área construída de 66,3 mil metros quadrados. A Assessoria de Imprensa não soube informar se a Nestlé vai construir um novo centro em São Bernardo do Campo.

CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO
Com área de 40 mil m², o CD (Centro de Distribuição) da Nestlé, localizado em São Bernardo, armazena 25 mil toneladas de produtos. É um dos três CDs da empresa, o segundo maior e responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo e da região Sul do país.
É considerado de grande importância estratégica e de logística para a indústria de alimentos, que mantém a liderança do mercado, principalmente por causa de sua localização. Os outros dois CDs ficam em Cordeirópolis (interior de São Paulo) e Recife (PE). O prédio foi inaugurado em 1978.
Segundo comunicado da empresa, o abastecimento de produtos não deverá ser prejudicado. As regiões atendidas pelo centro de distribuição São Bernardo passarão a ser atendidas por outras unidades

AMPLIAÇÃO DO CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO
Há cerca de um mês, o presidente da Nestlé, Ivan Fábio Zurita, anunciou o investimento de R$ 10 milhões (US$ 4,2 milhões) para a ampliação física do centro: expansão para 50 mil m² que deveria ser iniciada no primeiro semestre do próximo ano.
Segundo Zurita, a ampliação aumentaria o volume operado e aproveitaria as facilidades que deverão surgir após o término da construção do Rodoanel, que vai cortar a via Anchieta. “O Rodoanel passará ao lado do centro e contribuirá muito para os nossos negócios”, afirmou Zurita na ocasião.
O mercado de consumo do Grande ABC é tido como muito importante pela empresa. Segundo o presidente da multinacional, a região responde por 10% de todo o volume de vendas realizado no país. Em nota oficial, emitida nesta segunda-feira, a empresa informou que o abastecimento não será prejudicado.

FUNCIONÁRIOS
Cerca de 300 pessoas trabalham no local, sendo 70 no galpão em que o incêndio começou – no momento da troca de turno.

COMUNICADO DA NESTLÉ
Em um comunicado oficial, a Nestlé informou que o fogo atingiu 50% dos 45 mil metros quadrados do centro. A  Nestlé informou que nenhum dos 300 funcionários do depósito ficou ferido.
Cerca de 13 mil toneladas de chocolates, biscoitos, sopas e caldos foram queimados. A administração e áreas que abrigavam refrigerados e sorvetes não foram afetadas. O centro funcionava desde 1978, com capacidade para armazenagem de 25 mil toneladas de produtos. O abastecimento não deve ser comprometido, já que a empresa dispõe de outras unidades de distribuição que devem suprir a demanda.
A Nestlé informou também que não orientou os funcionários a resgatar mercadorias e que colocou à disposição várias linhas telefônicas dentro do prédio para que os funcionários entrassem em contato com suas famílias. Segundo a empresa, os prejuízos ainda não foram calculados e as causas serão apuradas.

ESTIMATIVA DE PREJUÍZOS: R$ 90 MILHÕES (US$ 37 MILHÕES)
O incêndio que destruiu mais da metade dos 45 mil metros quadrados do Centro de Distribuição (CD) da Nestlé, no bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, causou prejuízos que ultrapassam a cifra de R$ 90 milhões. O depósito, inaugurado em 1978, abastecia a Grande São Paulo e a Região Sul do País e é o 2º maior da empresa, com capacidade de armazenamento de 25 mil toneladas.

INQUÉRITO POLICIAL
O delegado Carlos Eduardo de Vasconcelos, do 3º DP de São Bernardo, irá presidir o inquérito que vai apurar as causas do incêndio. Segundo ele, só após o rescaldo, os peritos do Instituto de Criminalística poderão percorrer o local.

FOI O MAIOR INCÊNDIO DO ANO NO ESTADO
O incêndio ocorrido no Centro de Distribuição da Nestlé, na estrada dos Alvarengas, em São Bernardo, é o maior registrado este ano no Estado de São Paulo, de acordo com avaliação do coronel Wagner Ferrari. Ele disse que em nenhum outro caso o fogo causou uma destruição tão grande e o combate levou tanto tempo.
“Tivemos casos de grandes proporções em favelas, devido às precárias instalações da rede elétrica. Mas nenhum deles atingiu as proporções do caso de hoje”, afirmou o coronel.
Ferrari comparou o incêndio da Nestlé com o da favela Heliópolis, no bairro Heliópolis, zona Sul de São Paulo, ocorrido no dia 17 de junho de 1996. Na ocasião, o fogo destruiu um prédio semiconstruído, cerca de 20 barracos e matou quatro pessoas. “Em área atingida e dificuldade no combate, acho que as proporções são as mesmas”, afirmou.

INCÊNDIO EM DEPÓSITO DA NESTLÉ ESTÁ CONTROLADO, SEGUNDO OS BOMBEIROS
O incêndio no depósito da Nestlé em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, está controlado, segundo os bombeiros.
No entanto, conforme Gilberto Frigo, presidente da Defesa Civil e secretário de Serviços Urbanos de São Bernardo, o fogo "ainda é forte".
"As chamas ainda são bastante fortes nos fundos do galpão. Há um monte de entulho e ferro retorcido", disse. Apesar de o fogo ainda ser intenso, os bombeiros conseguiram confinar as chamas.
Dois bombeiros estão desaparecidos. Eles são do 8º Grupamento. "Eles pertencem a uma das primeiras equipes que entraram no pavilhão, que desabou após ser consumido pelo fogo. Não há nada confirmado ainda", afirmou.

FOCOS DE FOGO PERSISTEM   
Três dias depois do início do incêndio que ainda consome o depósito da Nestlé em São Bernardo, as dificuldades para acabar com o fogo e encontrar os corpos dos dois bombeiros desaparecidos continuam.
Após previsões iniciais que não se concretizaram, o Corpo de Bombeiros estimou nesta quarta que, pelo menos até sexta, quatro dias após o início do fogo, as chamas não acabarão. A eliminação total do risco de o incêndio voltar só deve acontecer em 15 dias, quando os escombros forem todos retirados.
Vários focos de incêndio continuavam nesta quarta na parte central do depósito e provocavam muita fumaça nas proximidades do local por causa do vento que atingiu a região durante todo o dia. As chamas já não são visíveis, mas continuam sob pilhas de produtos que atingem até 8 m de altura.
O coronel do Corpo de Bombeiros Orlando Rodrigues Camargo Filho, responsável pela operação, disse que uma das maiores dificuldades para acabar com o fogo é o fato de a água não atingir as chamas. “As latas e outros escombros estão retendo a água, que não chega ao fogo”, afirmou. Além disso, a gordura dos alimentos contribui para manter a combustão.
Até esta quarta, também não havia previsão para a descoberta dos corpos ou de indícios materiais que comprovem as mortes dos dois bombeiros. Os bombeiros iniciaram os trabalhos de remoção dos escombros no centro do galpão, local onde o sargento Alail Alves Benício, 51 anos, e o tenente Carlos Alberto Teixeira, 43, foram vistos pela última vez.

VIZINHANÇA
Os vizinhos do Centro de Distribuição da Nestlé em São Bernardo têm sofrido desde segunda-feira com a grande quantidade de fumaça do incêndio que atingiu o depósito. Irritação nos olhos e na garganta e falta de ar são os principais sintomas relatados pelos moradores.
O problema chegou a tal ponto que alguns estabelecimentos comerciais fecharam as portas e afixaram cartazes para explicar o motivo e famílias com crianças deixaram as residências.
O problema atingiu os moradores após a chuva de terça -feira.
O coronel do Corpo de Bombeiros Orlando Rodrigues Camargo Filho, responsável pela operação no depósito, afirmou que a ausência de vento tem feito com que a fumaça se concentre na superfície, como uma espécie de névoa. Ele garante que não é tóxica, mas recomendou que as pessoas com problemas respiratórios deixem o local.

CHAMAS CONTINUAM NA NESTLÉ
Os focos de chamas no centro de distribuição de alimentos da Nestlé, em São Bernardo do Campo, só deverão estar extintos na quinta-feira (27/09/01), e a limpeza de entulhos deverá ser concluída no prazo de 10 a 15 dias.
Esta é a previsão do coronel Orlando Rodrigues de Camargo Filho, chefe do Departamento de Operações Especiais do Corpo de Bombeiros da capital, que comandou os trabalhos de combate ao incêndio iniciado na segunda-feira.
Ainda havia chamas e fumaça no depósito. Dos montes de entulhos retirados de dentro do galpão e colocados na parte externa também surgiam labaredas e muita fumaça.
No interior do depósito, os focos de chamas estavam localizados em baixo das pilhas de entulhos de até 6 metros de altura. Foi o que sobrou de prateleiras de caixas de alimentos. Materiais prensados dificultavam a entrada de água nas partes inferiores das pilhas de entulhos.
No entanto, o Corpo de Bombeiros não acredita no risco de as chamas voltarem a crescer numa proporção descontrolada.  A retirada dos entulhos é feita com retroescavadeiras e guindaste. Há dificuldades operacionais.
Camargo Filho disse que a fumaça não é tóxica, mas sugeriu que pessoas com problemas respiratórios e que moram próximas ao depósito deveriam se afastar.

OPERAÇÃO RESCALDO
O Corpo de Bombeiros informou que os últimos focos de fogo foram extintos na madrugada desta quinta feira (27/09/01) e agora estão realizando a operação rescaldo. As causas do incêndio, ainda desconhecidas, estão sendo investigadas.

MORTES
Foram encontrados os corpos dos 2 bombeiros desaparecidos. Eles provavelmente morreram intoxicados pela fumaça no depósito da Nestlé.
Foram encontrados na quinta-feira (27/09/01), às 16h30, no centro de distribuição de alimentos da Nestlé, em São Bernardo do Campo.
Os corpos não estavam carbonizados. Para o comandante do Corpo de Bombeiros no Estado, coronel Wagner Ferrari, os dois morreram intoxicados pela fumaça.
Junto aos corpos havia uma mangueira. Eles estavam nos fundos de um depósito de chocolate de 30 metros de largura por 60 metros de comprimento e 8 de altura. O local tinha duas portas (de 2 metros de largura por 3 de altura) e os corpos estavam longe delas.

BALANÇO DO INCÊNDIO
A destruição atingiu mais do que os 50% divulgados anteriormente. A área atingida é de aproximadamente 30 mil m², ou seja, cerca de dois terços do depósito de 45 mil m².
Foram gastos 6 milhões de litros de água no combate ao fogo, e 226 homens continuam a trabalhar no local, com 27 viaturas, nove retroescavadeiras e 10 caminhões-pipa.

Fonte : O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Jornal da Tarde e Diário do Grande ABC, no período de 25 a 30 de setembro de 2001.

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posted by ACCA@9:42 PM