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quinta-feira, janeiro 31, 2013

O que acontece durante o processo de evacuação em um incêndio?

Talvez o caos ou pânico?
O senso comum nos faria pensar que após perceberem que havia um incêndio, os ocupantes entraram em pânico generalizado. Essa percepção vem dos meios de comunicação (filmes, televisão e imprensa) que retratam o pânico se propagando mais rapidamente que o próprio incêndio, imaginando que todos queiram sair simultaneamente para escapar do perigo iminente, empurrando e até esmagando uns aos outros. Mas na verdade, o pânico é um comportamento muito raro em um incêndio, e há muitos anos os pesquisadores desse assunto rechaçam o conceito, chamando-o de “mito do pânico”

REAÇÃO LENTA
Ainda que o comportamento humano durante um incêndio seja complexo, e nem sempre homogêneo, a natureza das informações obtidas, o limitado tempo disponível para reagir a elas e nossa avaliação do perigo reinante, todos esses fatores levam a uma situação incremental de tensão nervosa ou stress. Mas stress não é sinônimo de pânico. Paradoxalmente, o mais comum é que ante uma situação de stress as pessoas reajam lentamente, letargicamente, seja a um alarme inicial, a comandos de voz ou aos primeiros indícios do incêndio. A ciência do comportamento humano chegou à conclusão que, em geral, o ser humano está programado para reagir lentamente a uma emergência. 

O National Institute of Standards and Technology (NIST) acaba de tornar públicas  suas conclusões sobre o processo de evacuação durante o ataque às Torres Gêmeas em NY.  Após entrevistar quase 900 sobreviventes, chegou à conclusão que as pessoas que sobreviveram a esse terrível incidente levaram;
■ em média 6 minutos para reagir e tomar a decisão de evacuar os edifícios.
■ a maioria dos sobreviventes se sentiu “paralisada” nos primeiros minutos, sem saber o que fazer.
■ muitos arrumaram suas mesas, desligaram os computadores, pegaram o livro que estavam lendo a caminho do escritório e deram telefonemas, em vez de saírem rápida e instintivamente em direção às escadas de emergência.

REAÇÃO LENTA
Parece paradoxal que a maioria das pessoas, ante um risco iminente de morte, se torne incrivelmente dócil, e mais amável que o normal. Dizem os pesquisadores que nos movemos lentamente, em grupos, como se estivéssemos caminhando todos juntos, como num pesadelo. Os pesquisadores concluem que quanto mais informações recebemos, mesmo que sejam extremamente valiosas para nossa sobrevivência, mais lentamente as processamos. Parece que nosso instinto mais profundo é permanece no mesmo lugar, paralisados, aparentemente pensando que “é impossível que isso esteja acontecendo comigo”. Dizem os mesmos pesquisadores que em certos casos, alguns animais atacados por um animal superior ficam paralisados como estratégia de sobrevivência. Um animal geralmente não come outro se este já estiver morto. É possível então que nossa reação tenha algo a ver com esse mesmo instinto de sobrevivência.

SIMULAÇÃO E TREINAMENTO DE EVACUAÇÃO
Entretanto, as pessoas que reagem rapidamente a uma emergência já experimentaram uma situação de grande perigo, ou foram treinadas para reagir à emergência. Os que cresceram em países onde há terremotos me entenderão quando digo que nossa reação no segundo ou terceiro terremoto é muito mais rápida e apropriada ao risco. Por isso, é imperativo que pratiquemos o plano de evacuação onde trabalhamos e onde vivemos, como recomendam as normas da NFPA. Se compreendermos que temos que lutar para reprogramar nossos instintos, muito possivelmente tomaremos essa tarefa com mais seriedade e entusiasmo.
Fonte: NFPA Journal Latinoamericano- 24 de Dezembro, 2010- Jaime A. Moncada, PE, SFPE

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posted by ACCA@9:10 AM