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sábado, novembro 17, 2012

Implantação de um plano de emergência - Parte I

RESUMO:
A implantação de um plano de emergência é o calcanhar de Aquiles, pois é necessária a participação de todos os departamentos da empresa, para atuarem de maneira coesa.
Por outro lado é muito importante estudar e avaliar os fatores de riscos que influirão, tanto no nível do plano encomendado e a estrutura interna do plano de emergência, como as missões específicas e portanto a formação de pessoal.
Por último será necessário realimentar o plano de ação de emergência com as informações obtidas em simulação de emergência a fim de avaliar o nível de operacionalidade.

INTRODUÇÃO
A implantação não consiste apenas um mero documento contido no plano de ação de emergência.
Uma vez elaborado o plano é preciso operá-lo através de seu responsável.  A implantação é o instrumento que mantém vivo  o plano e caso fique aprovado, através desse resultado mantém correto a estrutura de emergência.
Temos de levar em conta que a maioria dos planos falham, pois fazem implantação inadequada, pois não chegam abordar os problemas dessa fase (implantação, operacionalidade do plano).
Do ponto de vista econômico, o custo mais importante desse plano, inicia-se com a implantação, razão pelo qual convém estudar e quantificar previamente esses custos para obtenção do financiamento.

IMPLICAÇÃO DA ESTRUTURA DA EMPRESA
Na fase da implantação desenvolve-se uma série de atividades que envolverão vários departamentos da empresa. Essas atividades poderiam classificar em dois grupos:

a)Atividade própria do departamento de segurança no trabalho de emergência. Normalmente envolverá as pessoas desse departamento (em muitos casos com departamento de manutenção), também com o departamento de Gerência de Risco (caso exista). Essas atividades consistirão no dia a dia da segurança (gestão e administração de recursos, operações de manutenção e seu controle quanto aos meios de proteção, controle de instalações potencialmente perigosas, etc).
b)Atividades que envolvem outros departamentos
Geralmente começará com coletas de informações para elaboração do plano e continuará com a sua divulgação.

Essas atividades podem envolver os seguintes departamentos :
■Produção, Pessoal e Recursos Humanos
■Administração, Engenharia e Compras

Também pode envolver o departamento jurídico e a direção da empresa. É de suma importância a participação da direção da empresa para implantação do programa.

ETAPAS DE IMPLANTAÇÃO
Existem duas etapas distintas na implantação:
■Fase 1 – Execução  do plano
■Fase 2 - Manutenção do plano

FASE 1
Para abordar esta etapa deverá previamente ter contatado com as áreas envolvidas nos conceitos e atuações de emergências, referente à participação de cada uma delas, no Plano de Emergência, supondo que as decisões são as mais corretas possíveis.
O envolvimento dessas áreas no plano e principalmente a delegação de responsabilidade é de extrema importância nessa etapa (Fase 1), que podemos considerar como um caminho sem retorno, isto é, uma vez tomado o caminho errado é difícil retificar.
Deveremos levar em conta que estamos trabalhando com elemento humano que dificilmente acreditará em algo, caso as instruções sejam contraditórias.
Para aumentar a credibilidade do plano, a direção da empresa deverá ter participação atuante, para transmitir que a empresa está seriamente envolvida na implantação desse plano e assim facilitando o envolvimento  das demais áreas da empresa.
É importante para desenvolver essa etapa, fixar uma data adequada, evitando a sua implantação em períodos que representam picos de produção, épocas de conflitos salariais (greves), etc.

FASE 2
Com o desenvolvimento da Fase 1, facilitará a participação do elemento humano nesse plano.
Por outro lado, estabelecerá mecanismos de revisão periódica do plano de ação de emergência e que em muitos casos pode haver influência sobre a suposta emergência (plano parcial de emergência) em função da variação das condições do risco.
 Controlará a manutenção das instalações de proteção ou do perigo potencial, tanto do ponto de vista de operação de manutenção a executar e sua freqüência. Estabelecerá procedimento para realização da simulação do plano de emergência.

CONSIDERAÇÃO SOBRE EQUIPES DE EMERGÊNCIA
Na hora de definir tanto a composição da equipe de emergência e como suas funções será necessário levar em consideração os seguintes fatores:

Risco intrínseco das instalações e materiais existentes
■Recursos materiais de proteção (equipamentos disponíveis)
■Condições de setorização e evacuação dos edifícios
■Capacidade de extinção dos serviços externos de proteção (Corpo de Bombeiros, Brigadas de outras empresas) e tempo de intervenção.
■Características de ocupação habitual dos edifícios
■Características da ocupação não habitual dos edifícios (público em geral).
■Valores elevados ou estratégicos quanto ao conteúdo
■Índice de ocupação dos edifícios ou das instalações

Logicamente a formação e treinamento dos componentes das equipes de emergência dependerão de suas funções esperadas e portanto será também influenciada pelos tópicos mencionados.

FATORES INFLUENTES NO GRAU DE AÇÃO DE EMERGÊNCIA

Risco intrínseco das instalações
Normalmente determinaremos maior preocupação ou pré-disposição a dedicar maior ou menor quantidade de recursos econômicos na proteção diante da emergência.
Os níveis de intervenção e portanto os equipamentos de proteção (contra o fogo, intervenção química, veículos, etc) podem ser muito variáveis, chegando desde zero (nenhum equipamento) até o equipamento profissional e específico, diante de diferentes emergências (indústria química e petroquímica).
Em função deste risco será em muitos casos necessários e obrigatórios tanto para a própria indústria (petroquímica) como para a cidade (Corpo de Bombeiros) a troca de informações, a coordenação dos meios para controle de determinados acidentes (defesa civil) e a obediência às linhas diretrizes para elaboração do plano de emergência.

MEIOS MATERIAIS DE PROTEÇÃO
Os meios materiais definirão o estabelecimento de diferentes níveis de intervenção (primeira e segunda intervenção). A capacidade dos meios materiais (equipamentos) será proporcional a dificuldade (grau de incêndio) e principalmente a definição da utilização desses equipamentos para as diferentes equipes que se podem formar.

Condições de setorização e evacuação dos edifícios
As condições de setorização e evacuação dos edifícios, condicionarão, por um lado os possíveis riscos para vida das pessoas quanto à propagação de fumos e gases e por outro, o tempo em que a ocupação possivelmente afetada pela emergência, pode abrigar em lugar suficientemente protegido.
O momento inicial para decidir a evacuação, como a sua organização (preparação da evacuação, prioridade na evacuação para setores alternativos) ocorrerá por determinadas condições  (riscos possíveis para a vida humana).

CARACTERÍSTICAS DO AUXÍLIO EXTERNO
Tanto a capacidade e quanto aos meios, como a distância ou tempo de intervenção da ajuda externa será fator que definirá o grau de intervenção que ficará em mãos da estrutura de ação de emergência.
Em muitos casos as operações próprias da segunda intervenção serão efetuadas pelo Corpo de Bombeiros, ficando confiado ao pessoal próprio da em¬presa a primeira intervenção e em caso da necessidade a evacuação.
Nos riscos graves e/ou tempo de intervenção elevado, ficará a intervenção em todos os seus níveis sob a responsabilidade da própria brigada de incêndio, com equipamentos adequados e formada especificamente para o controle desse tipo de acidente na empresa. Nesse caso o Corpo de Bombeiros atuará em colaboração com a própria brigada da empresa.

CARACTERÍSTICAS DA OCUPAÇÃO
O tipo de atividade desenvolvida pelos ocupantes habituais dos edifícios ou instalações, definirá a característica para manejar determinados equipamentos.
É evidente que para manejar uma mangueira de 2 1/2" em princípio é mais apto o pessoal que executa algum tipo de trabalho manual, todavia esta aptidão não é necessário para manejar a mangueira de 1 1/2". Isto pode ser um dos condicionantes que em muitos casos nos leva a indicar este equipamento (mangueira de 1 1/2") para a equipe de primeira intervenção (EPI). Mais adiante analisaremos as missões específicas das diferentes equipes.

CARACTERÍSTICAS DA OCUPAÇÃO NÃO HABITUAL (PÚBLICO EM GERAL OU VISITANTES) DOS EDIFÍCIOS
Os parâmetros básicos para catalogar esta ocupação e deduzir as atuações mais convenientes seriam:

a) A relação numérica (coeficiente) entre ocupantes habituais (funcionários) e não habituais (público em geral ou visitantes).
Essa relação pode ser elevada, desde que o edifício recebe visitantes de forma pontual (escritórios, repartições públicas) até locais cobertos ao público (museus, teatros, shopping center) onde essa relação é relativamente pequena.
b) Características físicas e psíquicas dos ocupantes não habituais. Neste sentido nós poderemos  encontrar variedades de situações diferentes, podendo citar alguns exemplos:
■visitantes que conhecem o edifício
■visitantes que não conhecem o edifício
■pessoas idosas
■pacientes com problemas físicos
■pacientes com problemas psicológicos
■expectadores
■grupos familiares
■estrangeiros
■pessoas que carregam volumes (mercadoria)
■transeuntes
■clientes - compradores
■manifestantes
■militares
■pessoas pernoitando

Essas características do tipo de ocupação ou atividade influirão tanto na atuação de intervenção como na evacuação, que dividiremos em :
a) seja pequena, a atuação de intervenção deverá ser imediata, a fim de controlar a emergência diante do surgimento da situação de pânico.
b) em relação à atuação de evacuação será preciso, geralmente a preparação (alerta ao pessoal especializado) e seu controle, desde o momento inicial.

VALORES ELEVADOS OU ESTRATÉGICOS DO CONTEÚDO
Geralmente estão aparelhados com sistemas mais sofisticados e rápidos, tanto de detecção e como de controle de emergência (sistema de FM 200 ou Inergen , CO2, e detectores).
A atuação humana deverá ser de acordo com a interação com os equipamentos, tanto quanto a operação específica selecionada no plano, como a rapidez na atuação, aproveitando a eficiência no sistema de detecção.

SISTEMA DE APROVEITAMENTO DOS EDIFÍCIOS OU INSTALAÇÕES
O sistema de aproveitamento determinará turnos ou períodos produtivos e condições de parada, períodos de férias, etc. Diferentes horários de trabalho ou ocupação podem estabelecer necessidades de diferentes planos de emergência.

Por outro lado, os edifícios alugados parcialmente podem causar problemas sérios sobre o restante que não são alugados, pois a coordenação de diferentes inquilinos ou empresas será trabalhosa quanto ao plano de ação de emergência.

ALERTA
Constitui mecanismo ou conjunto de mecanismos para "alerta" ou colocar em ação as equipes de emergência. O termo "colocar em ação" supõe desde a solicitação de confirmação da emergência até a informação as equipes de intervenção da necessidade de sua participação.
Em muitas ocasiões será necessário informar também a equipe de evacuação das dependências em função de seu desenvolvimento que poderia chegar nessa fase (de acordo com a gravidade do alerta, a equipe de evacuação será responsável imediata pela retirada do pessoal da área do risco).
Em locais com situação de risco de pânico (shopping center, edifícios públicos, etc) a informação pode ser transmitida em forma de sinal (código) pelo sistema de som (desde que a emissão de mensagem seja habitual). Com esta informação a equipe de evacuação começará a desempenhar as suas funções.

ALARME
De acordo com a gravidade do alerta, o alarme será o sinal para evacuação dos ocupantes dos edifícios ou da área em risco.
Existem diversas maneiras para transmitir o sinal de alarme, desde uma sirene (quando o pessoal conhece o sinal e foi treinado para iniciar a evacuação) até as mensagens de viva voz (sistema de som) ou fita pré-gravada, dando as instruções para evacuação (ocupantes não habituais, públicos em geral) e por experiência nunca se deve mencionar de forma clara o motivo da evacuação (poderá gerar princípio de pânico, de difícil controle para evacuação).

INTERVENÇÃO
A ação ou conjunto de ações necessárias para o controle de emergência. Definida em diferentes níveis e atribuído a diferentes equipes. É necessário ressaltar que em algumas ocasiões não está claramente definida a diferença entre os níveis de primeira intervenção (atuação geralmente com extintores portáteis) e segunda intervenção (atuação com sistema de hidrantes).

APOIO
Dentro do termo genérico de "apoio" incluiria todas as atuações que tendem a facilitar os trabalhos de controle de sinistro, tanto por parte das equipes de emergência interna (da própria empresa) como por parte dos serviços externos de ajuda (como exemplo, PAM, Plano de Auxílio Mútuo entre as empresas).

Como sugestão, temos os seguintes trabalhos de apoio:
■Recepção e informação a bombeiros (Corpo de Bombeiros)
■Interrupção de funcionamento de máquinas e equipamentos ou da  área de sinistro e anexo.
■Controle de válvulas do sistema de Sprinklers
■Vigilância do funcionamento das equipes de bombeiros contra incêndio
■Parada do sistema de ar condicionado e/ou das instalações de ventilação
■Vigilância das equipes de elétrica (responsável pelo corte de energia na área de risco).
■Fornecer os materiais necessários para extinção (máscaras, extintores adicionais, mangueiras, viaturas)
■Controle de acesso.

Continua na próxima postagem
Fonte: "Implantación del Plan de Autoprotección", Revista Mapfre Seguridad, 1991

Comentário: Adaptação do pensamento estratégico de Napoleão Bonaparte
Um plano de estratégia deve levar em consideração todas as possibilidades de riscos e deve prescrever as medidas necessárias a uma resposta adequada para essas situações.
Os planos podem ser modificados indefinidamente segundo as circunstâncias, a capacidade de organização, a natureza da chefia e a topografia do local para operações  (condições de acesso ao risco).
O fundamento desta máxima é que devemos obter informações, conhecimentos dos problemas existentes em riscos para que possamos estar preparados para enfrentar essa situação ou eliminá-las.O total desconhecimento dos problemas dos riscos existentes ou negligência, provavelmente levará a resultados desastrosos diante desses problemas. 

Vídeo:
O vídeo da agência independente americana The U.S. Chemical Safety Board (CSB)  mostra a importância da preparação da emergência.

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posted by ACCA@1:59 PM