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quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Traços de fungicida em suco de laranja

Os EUA barraram cinco cargas de suco de laranja brasileiro com teor acima do permitido do fungicida carbendazim, produto usado para combater doenças nos pomares e é liberado no Brasil, mas não nos EUA.

A agência que supervisiona alimentos e remédios nos EUA (FDA) está recolhendo amostras de cargas de suco importadas desde o início de janeiro, após o alerta da PepsiCo.

De 80 cargas avaliadas, 11 apontaram a presença de carbendazim acima do limite de 10 partes por bilhão (ppb), ou 10 gramas do fungicida para mil toneladas de suco.

Dessas, cinco partiram do Brasil. Cada carga representa um navio, que pode transportar entre 15 mil e 40 mil toneladas do produto.

As outras seis cargas reprovadas são do Canadá, que compra suco do Brasil para revendê-lo após misturas.

Na quantidade encontrada, o carbendazim não prejudica a saúde, mas em doses altas pode causar danos ao fígado.

Os importadores terão 90 dias para exportar ou destruir o produto rejeitado. Segundo a FDA, 29 cargas passaram no teste, sendo duas do Brasil.

Os testes continuarão para autorizar a entrada do suco no país. O mercado continua aberto para o Brasil, mas, na prática, poucas cargas poderão entrar no país, pois todos os produtores usaram o fungicida na última safra.

Diante da possibilidade de ter mais cargas detidas, a indústria brasileira foi aos EUA propor um limite maior para o fungicida, de 55 a 60 ppb. "Pedimos que o suco concentrado fosse avaliado na mesma proporção que o suco consumido", diz Christian Lohbauer, presidente da CitrusBR (Associação dos Exportadores de Sucos Cítricos).

O setor também já admite a substituição do carbendazim por outra substância. "Mas precisamos de 18 meses para garantir que não haverá mais resíduos", diz Lohbauer.

Além disso, muitos países seguem os americanos nesse tipo de decisão. Desde o início dos testes pela FDA, a CitrusBR (Associação Nacional de Exportadores de Sucos Cítricos) tem sido procurada para prestar esclarecimentos. A União Européia, principal destino do produto, é um dos mercados que avalia o tema.

Sem divulgar estimativa para o impacto econômico dessa devolução, a indústria minimiza os efeitos do problema nos EUA, que em 2011 compraram US$ 344 milhões em suco brasileiro. "Eles representam 13% de nossas exportações", diz Lohbauer.

Mas grandes indústrias brasileiras estão instaladas nos EUA, o que faz daquele país um mercado estratégico.

O Brasil é o maior exportador de suco de laranja do mundo e cerca de 15% dos embarques tem como destino os EUA.

A Coca-Cola e a Pepsi respondem por 59% das vendas de suco de laranja nos EUA e ambas usam suco importado do Brasil, além de suco produzido na Flórida.

Brasil
As exportações atingem em US$ 2 bilhões, fazendo do Brasil, o maior exportador mundial de suco de laranja, 85 por cento de exportações globais.
O mercado americano, é o segundo maior depois de Europa. Os Estados Unidos atualmente compra 15 por cento das exportações brasileiras.

Fonte: Folha de São Paulo - 28 de janeiro de 2012

Comentário:
Podemos indagar:
■ Quem garante que doses menores a longo prazo também não causem problemas?
■ Quem garante que o produtor utiliza o agrotóxico conforme a prescrição?
■ Há médicos que recomendam que o bebê a partir de 4 meses pode tomar suco.
■ Como esse produto é utilizado em outras frutas (maçãs, bananas, pêssegos, morangos, abacaxi, etc), e cereais, como fica o efeito de cruzamento dessa contaminação para o organismo humano?

O carbendazim foi proibido nos pomares de laranja por interesse econômico como diz a nota do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura),
O Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), entidade mantida pelos produtores de laranja e pela indústria do suco, retirou o fungicida carbendazim da lista de defensivos recomendados para os pomares.
A decisão é uma resposta à devolução de cargas de suco do Brasil pelos EUA, que baniu o uso do produto nos seus pomares em 2009.
"A nossa preocupação é preservar o mercado", diz Lourival Carmo Monaco, presidente do Fundecitrus.
Ele afirma que há fungicidas disponíveis no mercado com a mesma função do carbendazim, mas a inclusão de novos produtos na lista somente deve ocorrer em maio, após estudos.
Segundo ele, a substituição do carbendazim não resultará em aumento de custo, dependendo do produto e da tecnologia utilizados.

DADOS TÉCNICOS
Não há relatos na literatura disponível de efeitos em seres humanos por exposição crônica ao produto. Entretanto em estudos com animais expostos ao carbendazim, os principais efeitos observados em altas doses por tempo prolongado foram hepatotoxicidade e alterações da fertilidade em ratos machos em doses de 200 mg/kg caracterizada por uma diminuição dos espermatozóides no epidídimo, além de perturbações da espermatogênese. Estes efeitos não foram observados com doses de 50 mg/kg. Este produto é altamente persistente no meio ambiente e Altamente Tóxico para organismos aquáticos. – Fonte: MSDS do produto

A farmacêutica Thalita Pedroni Formariz Pilon, do Centro Universitário de Araraquara (Uniara), explica que o carbendazim é um fungicida bastante abrangente e largamente utilizado para controlar doenças fúngicas em cereais e frutas, incluindo cítricos, bananas, morangos, abacaxis, entre outros.

Segundo ela, o Ministério da Agricultura segue padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) para estabelecer limites da substância. Entretanto, estudos revelam que, ingerido em altas doses, o fungicida pode causar infertilidade. Em testes, testículos de animais de laboratório foram destruídos. Também aumenta o risco de tumores de fígado nas cobaias.

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posted by ACCA@6:04 PM