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domingo, setembro 18, 2011

País proíbe bisfenol A em mamadeiras

Substância é suspeita de imitar a ação de hormônio feminino e causar puberdade precoce e obesidade
Fabricantes têm 90 dias para tirar produtos do mercado; não há provas conclusivas dos riscos para a saúde

A partir de 2012, Anvisa quer impedir que a substância - suspeita de causar câncer, diabete e infertilidade - seja ingerida por bebês, os mais sensíveis aos efeitos danosos

A partir de 1.º de janeiro de 2012, as mamadeiras vendidas no Brasil não poderão ter a substância bisfenol A (BPA), suspeita de causar problemas como câncer, diabete e infertilidade. Com a medida, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer proteger bebês de 0 a 12 meses, considerados mais sensíveis.

A resolução, que deve ser publicada hoje no Diário Oficial da União, deixa de fora outros utensílio de plástico usados por crianças pequenas, como copos, pratos e colheres. E não foram incluídas latas de leite em pó, cujo revestimento interno tem BPA.

"Nenhum país adotou a proibição para latas, pois ainda não há um substituto para o verniz usado em seu revestimento", explica Denise Resende, gerente-geral de alimentos da Anvisa. No caso das mamadeiras, há opções de produtos sem BPA. "Além disso, as mamadeiras podem ser usadas para aquecer o leite, o que aumenta a liberação do BPA para o alimento", diz. Segundo ela, a retirada da substância em outros produtos está em discussão com os países do Mercosul.

O BPA está em produto feito de policarbonato, um plástico rígido e transparente, e simula no organismo a ação do hormônio estrogênio, podendo causar desequilíbrio no sistema endócrino. Estudos em animais mostram inúmeros efeitos prejudiciais, mas os resultados em humano são inconclusivos.

Não se sabe até que ponto a substância migra do plástico para o alimento e se, nas quantidades permitidas por lei, ela é prejudicial. Especialistas concordam que a gestação e os primeiros dois anos são os períodos de maior vulnerabilidade, pois os bebês estão em rápido desenvolvimento, têm pouca massa e mais dificuldade para metabolizar tóxicos. "Claro que o ideal era tomar medidas para proteger todas as faixas etárias, mas considero esse passo inicial importante", diz Tania Bachega, coordenadora de uma campanha contra o BPA promovida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Em abril, a Justiça determinou à Anvisa que criasse norma para obrigar os fabricantes a informar no rótulo dos produtos a presença de BPA. Mas a agência reverteu a decisão em liminar. O processo está em andamento.

"Essa orientação no rótulo não acrescenta nada ao consumidor e não minimiza o risco", afirma Denise. Diante das evidências de risco, a agência optou por adotar a medida restritiva. O BPA também foi proibido em alguns países da União Europeia, Canadá, China, Malásia, Costa Rica e 11 Estados americanos.

COMO REDUZIR A EXPOSIÇÃO
■ Geralmente o bisfenol A está presente em plásticos rígidos e transparentes. Alguns produtos têm um número na parte debaixo que indica sua composição. Aqueles com os números 3 e 7 podem conter a substância.
■ Enlatados: Não consuma enlatados quando a embalagem estiver amassada ou a data de validade, vencida.
■ Plástico: Não aqueça ou congele alimentos em embalagens plásticas. Evite armazenar comida em plástico, mesmo em temperatura ambiente, e usar potes arranhados.
■ Utensílios: Substitua aqueles que entram em contato com alimentos pelos de vidro, metal ou madeira

Fonte: Estadão - 16 de setembro de 2011

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Comentário:
De acordo com o toxicologista da Universidade Federal Fluminense Luiz Quirino, o bisfenol A é um desregulador endócrino, tendo participação em problemas de tireoide e obesidade. É muito perigoso à fertilidade humana, e sua ingestão pode, a longo prazo, alterar os cromossomos.
Nos EUA, o Instituto Nacional de Ciências para a Saúde e Meio Ambiente aumenta a lista de alertas sobre a substância, vinculando sua presença a mudanças de comportamento, diabetes, câncer, asma e doenças cardíacas. E os efeitos do BPA ainda seriam transmitidos aos filhos de pessoas contaminadas.

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posted by ACCA@12:15 PM