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sábado, abril 09, 2011

Panorama do terremoto e tsunami no Japão – em 01 de abril

PRIORIDADES
■ Operação militar maciça em conjunto EUA-Japão está em andamento para recuperar os corpos que estão ainda desaparecidos
■ Número de mortos e desaparecidos atinge 28.000
■ ONGs e voluntários começam a concentrar a ajuda às pessoas que vivem fora dos centros de evacuação e fora da rede de distribuição
■ Suporte psicossocial a longo prazo será necessário para os sobreviventes, incluindo os trabalhadores de emergência

PRINCIPAIS FATOS
■ É o quarto terremoto mais forte desde 1900 em todo o mundo
■ Tsunami de até 30 metros de altura inundou 433 mil quilômetros quadrados de terra
■ 492.000 pessoas foram evacuadas
■ 11.600 mortos e 16.450 desaparecidos até o momento
■ 20 equipes de Busca e Resgate Internacional de 15 países responderam ao desastre
■ 17 mil casas e prédios destruídos, 138 mil danificados
■ Mais de 119 mil pessoas de serviço de emergência atenderam durante oito dias
■ Danos estimados em US$ S309 bilhões
■ Mais de 951 milhões dólares foram doados por países

PANORAMA DO DESASTRE

Três semanas após o terremoto e tsunami uma imagem mais clara surgiu da extensão da destruição em todo o litoral nordeste do Japão.

■ Pesquisadores da Universidade Nacional de Yokohama e da Universidade de Tóquio diz que o tsunami atingiu uma altura de 29,6 metros na cidade de Ofunato, Iwate. Este número excede o registro anteriormente relatado de 20 metros.
■ Houve sete ondas de tsunami durante um período de seis horas após o terremoto. O primeiro e maior tsunami foi registrada 26 minutos depois do terremoto. Informação do Geoespacial do Japão
■ As autoridades estimam que pelo menos 443 quilômetros quadrados (equivalente a 53.000 campos de futebol ou cinco vezes o tamanho da ilha de Manhattan), do litoral, foram inundadas pela água do mar.
■ Em Fukushima e Miyagi, cerca de 110 quilômetros da costa litorânea estava submerso e as águas chegaram até cinco quilômetros ao interior. A água do mar ainda não tinha diminuído em cerca de 70% das áreas inundadas. Em Minami-soma, Fukushima, bombeamento de água está em curso para retirar a água do mar que cobre cerca de 350 hectares.

Como a chuva começa aumentar em abril, até chegar a principal estação chuvosa, que inicia em meados de junho na região de Tohoku e continua por cerca de seis semanas, as áreas costeiras de Iwate, Miyagi, Fukushima e Ibaraki estão se preparando para reforçar seus sistemas de alerta. O terremoto causou depressão de terra em determinadas áreas e o tsunami danificou aterros, tornando essas áreas vulneráveis as inundações.

Hoje, a Força de Defesa do Japão e militares dos EUA lançaram uma operação em conjunta de três dias para recuperar os corpos de pessoas que ainda estão desaparecidas no litoral de Miyagi, Iwate e Fukushima.

Mais de 11.600 pessoas morreram e 16.450 continuam desaparecidas nessas prefeituras. A operação não inclui a zona de exclusão de 20 quilômetros ao redor da Usina Nuclear Fukushima onde acreditam que pode haver um número significativo de corpos.

Muitos dos desaparecidos devem ter sido arrastados para o alto mar. Um total de 18.000 membros da Força de Defesa e 7.000 militares dos EUA participarão desta procura em terra, mar e ar com 120 aviões e 65 navios militares. Mergulhadores das unidades da Guarda Costeira do Japão também serão utilizados em busca de rios e áreas alagadas. Recuperar os corpos dos desaparecidos é visto como um passo importante para ajudar o país a seguir em frente.

Neste momento, existem 170.500 pessoas desabrigadas que vivem em 2.230 centros de evacuação em 17 prefeituras. O número de pessoas em centros de evacuação está diminuindo ligeiramente enquanto o número de centros de evacuação aumentou para 200 nos últimos dois dias. Isso porque 174 abriram em Aomori, no norte.

Melhorar as condições de vida nos abrigos em áreas mais afetadas é a maior prioridade, caso contrário, continuará aumentar o número de casos de doenças relacionadas ao frio e higiene.

Ainda não se sabe quantas pessoas vivem fora dos centros de evacuação, mas o número certamente é grande.

Muitas pessoas que foram para os centros de evacuação retornaram para suas casas, danificadas e sem água e energia. Essas pessoas não recebem alimentos básicos por parte das autoridades municipais, mas estão se tornando foco de atenção das ONGs locais e voluntários.

INFRA-ESTRUTURA

A grande maioria das principais infra-estruturas, como estradas, portos e aeroportos foram restaurados e houve melhorias no fornecimento de eletricidade, gás e abastecimento de água, mas nas áreas mais afetadas pode levar algum tempo antes que esses serviços essenciais estejam funcionando. A maioria dos sistemas de esgotos na área afetada ainda não está funcionando. As últimas avaliações de relatório cerca de 16.950 casas e edifícios foram destruídos e outros 138 mil foram danificadas.

Pelo menos 2.126 estradas, 56 pontes e 26 de ferrovias foram destruídas. Embora as rotas de transporte, essenciais estejam abertas ainda é impossível viajar em muitas das estradas secundárias e há relatos de que algumas estradas permanecem interrompidas dificultando o acesso de ajuda.

O Ministério da Infraestrutura e Transportes informa que a maioria da infraestrutura terrestre, marítima e aérea da região de Tohoku estão abertas. Cerca de 99% das auto-estradas e rotas principais foram reparadas, exceto aquelas perto da Usina Nuclear Fukushima.

No entanto, muitas estradas vicinais e ruas nas áreas afetadas ainda estão intransitáveis, bloqueada com entulhos e detritos, dificultando a entrega de ajuda para aqueles que ficam em suas próprias casas e em pequenos centros de evacuação.

Todos os portos e aeroportos já estão abertos, exceto para o Aeroporto de Sendai, que é reservado para ajuda humanitária. Em outros aeroportos, 71% dos vôos domésticos foram retomadas. As ferrovias estão abertas para 62% dos trens-bala e 60% para os trens locais.

A avaliação preliminar da Companhia Ferroviária do Leste, estimou que a metade do total de vias férreas, 23 estações de trem e 22 quilômetros de vias férreas foram completamente varridas na região pelo tsunami.

ELETRICIDADE
A eletricidade foi restaurada em 96,3% em Tohoku, deixando apenas 180 mil famílias sem energia elétrica.

GÁS
O fornecimento de gás foi restaurado em 32% das residências e 340 mil famílias continuam sem gás, porque 4 de 7 bases de fornecimento de petróleo liquefeito (LP) do gás não estão operacionais. O Ministro da Economia, Indústria e Comércio vai utilizar 40.000 toneladas provenientes da reserva nacional pela primeira vez a partir de 04 de abril.

COMBUSTÍVEL
Independentemente da recuperação em curso, a escassez de combustível continua a ser um problema sério nas áreas afetadas, agravado por um número limitado de postos de combustível em operação e as necessidades crescentes. O governo planeja gastar 210 milhões dólares para obter tanques e instalar postos de combustíveis improvisados

ABRIGO
A construção de abrigos temporários continua nas prefeituras afetadas. Algumas prefeituras têm revisto seus planos para atender às necessidades crescentes. Iwate anunciou que está aumentando o número de abrigos temporários de 8.800 para 18.000, o que irá abranger 40.000 a 50.000 pessoas.

Prefeitura de Miyagi está pedindo a construção de 10 mil casas e anunciou a construção de 1.195 abrigos que terá início em 05 de abril em 11 cidades. Atualmente, a construção está em curso para 1.207 abrigos.

O desafio é encontrar terrenos adequados para a construção das casas, como a área costeira de Tohoku é montanhosa e é difícil encontrar terrenos planos. O Ministro da Infraestrutura e Transportes diz que apenas 8% dos terrenos necessários para a construção foi assegurada até o momento. O plano é ter 30 mil abrigos temporários construídos até meados do mês de maio. De acordo com a Agência de Política Nacional 70.409 famílias estão vivendo em centros de abrigo.

A fim de permitir que os desabrigados tenham melhor acesso a serviços básicos, enquanto espera pelos abrigos temporários, o Governo está tentando encontrar edificações públicas disponíveis que possam acomodar 42.145 famílias evacuadas das 47 prefeituras.

ÁGUA
Até a presente data, 87,9% de água foi restabelecido aos edifícios e apenas 260 mil famílias em oito prefeituras ainda estão sem água potável. Atualmente 320 caminhões de água estão fornecendo água para aqueles sem acesso a água encanada e em breve mais 200 caminhões

O acesso à água foi restaurado para mais de 1,9 milhões de famílias ao longo das últimas três semanas, a prioridade é recuperar o acesso para os restantes 260 mil famílias (ou 10% que foram afetadas), segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar. Mais de 400 empresas de abastecimento de água em todo o país já estabeleceu sistemas de abastecimento de água de emergência para prestar o serviço de transporte por caminhão de água para as prefeituras afetadas. 189 veículos de abastecimento de água estão operando em Miyagi, 84, em Iwate e 35 em Fukushima.

SANEAMENTO E HIGIENE
As avaliações do governo revelaram que os sistemas de esgoto em Miyagi, Iwate e Fukushima não estão funcionando ou foram danificados.

Mais de 2.405 profissionais do Ministério da Infraestruturas e Transportes, governos locais e empresas concessionárias de esgoto foram deslocados para as áreas afetadas e 210 profissionais estão atualmente nos locais para ajudar a reparar os sistemas de esgotos.

Mais de 5,5 milhões de garrafas de água foram entregues aos centros de abrigos e hospitais, de acordo com o relatório de Resposta de Emergência para o Desastre. Isso é mais que o dobro do que foi entregue no prazo de uma semana após o desastre. Outro 1 milhão de garrafas estão em trânsito ou sendo distribuídos. Entretanto, a falta de água limpa para a higiene dos desabrigados está colocando riscos para a saúde pública em alguns centros de abrigo.

Os relatórios Cruz Vermelha informaram que o ambiente de saneamento e higiene estão se deteriorando em 30% dos 314 centros de abrigos avaliados em Ishinomaki, Higashi-Matsushima e Onagawa em Migyai. A eliminação de dejetos é o principal problema.

SAÚDE
A Universidade de Tohoku relata que os casos de pneumonia entre os idosos em centros de abrigos em Miyagi estão aumentando. Durante o período de 20 a 26 março, a Universidade recebeu 40 comunicações de dois hospitais locais. Em meio a tais receios do aumento da prevalência de doenças infecciosas e a gripe entre os desabrigados, o Ministério da Saúde, Trabalho e Previdência Social anunciou que 142 equipes médicas de 640 profissionais de todo o país estão atendendo principalmente em Miyagi, Iwate e Fukushima.

Além disso, mais de 630 farmacêuticos, 250 enfermeiros, 110 agentes de saúde pública, nutricionistas, dentistas e outros profissionais médicos foram enviados para centros de abrigo e hospitais. 20 equipes de 95 profissionais estão também atendendo às necessidades psicossociais e 280 cuidadores estão atendendo as pessoas com deficiência e pessoas que necessitam de cuidados. Cerca de 8.000 prestadores cuidadores adicionais estão de prontidão. Cerca de 400 especialistas em bem-estar da criança também estão em estado de espera e 17 foram deslocados para Iwate até agora.

Hospitais que prestam serviços de emergência nas três províncias mais afetadas estão retornando gradualmente a sua capacidade normal. Dos 33 hospitais de grande porte nessas prefeituras, 26 estão aceitando tanto pacientes internados e ambulatoriais. Suprimentos médicos suficientes estão agora chegando aos hospitais-chave. O desafio é a distribuição para frente a uma rede de hospitais e clínicas, que está sendo prejudicado pela falta de farmacêuticos.

Entretanto, a mobilização nacional de assistência médica continua. Nas prefeituras não afetadas, há mais de 390 hospitais públicos, com cerca de 3.400 leitos disponíveis.

As instalações sociais identificaram acomodações para pelo menos 35.000 idosos, 8.700 pessoas com deficiência, 7.100 crianças e 900 pessoas com necessidades de outras proteções.

Até agora, 690 pessoas se mudaram para estas instalações. Uma das principais preocupações de saúde é a continuidade do tratamento para pacientes com doenças graves e doenças crônicas, como câncer e diabetes.

Instituições médicas em prefeituras não afetadas estão divulgando serviços disponíveis para esses pacientes em seus locais.

A Cruz Vermelha também entregou mais de 125.500 cobertores, 26.100 kits de emergência (incluindo rádios, lanternas e outros materiais), 11.000 kits de cama (incluindo travesseiros, colchões de campismo, tampões para os ouvidos, etc) e roupas para as famílias em centros de abrigo.

ALIMENTOS
O Quartel General de Resposta a Emergência informa que cerca de 14 milhões de refeições foram entregues a centros de abrigo e hospitais nas áreas afetadas até o momento. Cerca de 1,5 milhões de refeições foram entregues nos dias 30 e 31 de março. Além disso, cerca de 3 milhões de refeições em trânsito. O valor não inclui a distribuição de alimentos pelas municipalidades, ONGs, setor privado, e Força de Defesa do Japão.

EDUCAÇÃO
O ano letivo deve começar em abril, muitas escolas nas três províncias de Iwate, Miyagi e Fukushima não estão capazes de retomar suas aulas, pois um grande número de escola foram danificadas pelo terremoto e tsunami ou estão sendo usados como centros de abrigo. Na pior das três áreas afetadas, cerca de 1.700 (70%) das escolas públicas foram danificadas, e entre elas, 291 escolas primárias e ginasiais, até agora, nenhuma perspectiva de retomar suas aulas. Cada prefeitura está pensando em usar instalações públicas não utilizadas em outros locais para minimizar o atraso para a abertura das escolas. Também muitos professores estão desaparecidos ou mortos

AGRICULTURA
Embora o total dos prejuízos ainda não está determinado, o Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca estima que cerca de 24.000 hectares, 2,6% das terras agrícolas foram danificadas pelo tsunami em seis prefeituras, Aomori, Iwate, Miyagi, Fukushima, Ibaraki e Chiba.

O pior foi na cidade de Shichigahamamachi, Iwate, onde 93,4% da terra foi lavada ou inundada. Como Tohoku é a maior zona produtora de arroz no Japão, os campos de arroz são responsáveis por 85% do total dos prejuízos. Quanto à pesca, mais de 18.500 barcos de pesca foram aparentemente danificados ou perdidos. Na pior das três províncias afetadas, Miyagi, Iwate e Fukushima, o dano é de 87,9%.

Apenas 4% das 1.200 embarcações de pesca registradas não foram danificadas em Iwate. Da mesma forma, o prejuízo para os portos de pesca também foi grave. Quase todos os portos de pesca nas três províncias sofreram danos significativos. Considerando que a agricultura e as pescas são uma das maiores indústrias da região de Tohoku, a reconstrução desses setores será fundamental para a recuperação dos meios de subsistência.

Fonte: OCHA (Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU) - 01 de abril de 2011

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Terremoto visto na cidade. Os prédios balançando

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