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Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

terça-feira, dezembro 28, 2010

Tecnologia brasileira dispensa hidrantes para combater incêndios

Durante um dos testes realizados no Rio, o protótipo do equipamento, manipulado por apenas um técnico, eliminou, em 1,4 minutos, chamas que atingiam 12 metros de altura.

Combater incêndios em locais de difícil acesso que não contam com redes de hidrantes.

Esse é o diferencial da tecnologia desenvolvida pelo Grupo de Análise de Risco Tecnológico e Ambiental (Garta) da UFRJ/Coppe, que utiliza o dióxido de carbono (CO2) no lugar de água para apagar o fogo.

IDEAL PARA FAVELAS, MUSEUS E BIBLIOTECAS
■ O equipamento é ideal para comunidades situadas em morros ou em periferias, que não contam com hidrantes e redes adequadas de distribuição de água.
■ Também é apropriado para ambientes que abrigam obras de arte e patrimônio histórico, como museus, igrejas e bibliotecas, e até mesmo centros de processamento de dados.

FLEXIBILIDADE DO EQUIPAMENTO
■ Segundo Moacyr Duarte, coordenador do Garta, o equipamento apresenta algumas vantagens em relação aos sistemas tradicionais. Além de combater o fogo sem danificar os materiais, ele pode ser manipulado de forma ágil, segura e eficiente.
■ "Também pode prevenir incêndios e explosões em galerias subterrâneas, ao ser utilizado para deslocar vapores de substâncias inflamáveis que possam contaminar as galerias subterrâneas, principalmente as de passagem de energia elétrica, comuns nos grandes centros urbanos", explica Moacyr.

EFICIÊNCIA
■ O equipamento, denominado Sistema de Descarga Baseada em Gás Liquefeito, pode ser móvel ou fixo. Segundo Moacyr, é mais barato, por exemplo, implantar o sistema em regiões de periferia do que expandir a rede de hidrantes, que requer grandes tubulações para dar vazão à quantidade de água necessária para se combater um incêndio, na faixa de 2,8 mil litros por minuto.

■ "Além disso, o maior carro-pipa utilizado pelo corpo de bombeiros tem capacidade de apenas 30 mil litros, o que não é suficiente para uma operação de combate a incêndio que ultrapasse dez minutos, operando com vazão máxima", afirma.

■ Tal carência pode ser suprida pelo equipamento desenvolvido na UFRJ/Coppe, que tem capacidade de armazenar entre 8 e 20 toneladas de gás liquefeito, chegando a ter vazões equivalentes a 1,1 mil litros de água por minuto.

■ "Apesar de a vazão equivalente ser menor, o nosso sistema é mais eficiente porque o gás, ao neutralizar o oxigênio, elimina as chamas de forma mais rápida e precisa do que a água", garante Moacyr.

TESTES EM CAMPO
Durante um dos testes realizados no Rio, o protótipo do equipamento, manipulado por apenas um técnico, eliminou, em 1,4 minutos, chamas que atingiam 12 metros de altura. O coordenador do Garta diz que, convencionalmente, para apagar um incêndio de mesma proporção, seriam necessárias seis pessoas operando duas mangueiras de 2,5 polegadas.

O equipamento também pode combater incêndio em eletrodomésticos, a exemplo dos extintores comuns, à base de gás comprimido. Outra vantagem é que, caso haja uma pessoa no local, ela poderá ser retirada após a remoção da fumaça e do gás superaquecido, sem risco de sofrer asfixia.

COMBATE DE INCÊNDIO COM GÁS
O conjunto do equipamento como um todo possui uma célula de operação autônoma montada em um contêiner.

A célula pode ser à base de sistemas fixos para uso nas indústrias ou adaptada sobre caminhões para múltiplas utilizações.

O sistema foi projetado com diferentes dimensões, ou seja, mais de um formato para atender a necessidades de demandas variadas.

Uma célula do equipamento pode dar suporte a vários disparadores manuais, que têm tamanho similar ao de um extintor de incêndio, até o denominado canhão pode ser montado em caminhões ou robôs, para atender às necessidades de deslocamentos.

Uma célula do equipamento pode dar suporte a vários disparadores manuais, que têm tamanho similar ao de um extintor de incêndio.

O gás, no estado liquefeito, fica armazenado no tanque do equipamento e, após passar pelo processo de descompressão maciça, é lançado por meio de jatos no ambiente, por meio de três bicos reguláveis.

Os jatos formam uma espécie de neve carbônica, similar à fumaça de gelo seco, e o gás proporciona, simultaneamente, a redução da concentração de oxigênio e o resfriamento do ambiente.

De acordo com o pesquisador da UFRJ/Coppe, a redução do oxigênio afasta a possibilidade de fogo e o resfriamento da área, que pode atingir uma temperatura de até 11 graus negativos. "Com isso, eliminamos os focos que poderiam reiniciar o incêndio", afirma Moacyr.

Os disparos são controlados para que a concentração de CO2 aumente segundo uma estratégia definida previamente. Desse modo, é possível utilizar apenas o efeito mecânico do jato, para deslocar a fumaça e os gases aquecidos.

Esse procedimento permitirá que os bombeiros realizem o resgate de vítimas sem risco de asfixia, beneficiando-se da redução de temperatura e de uma melhor visibilidade.

Em ambientes abertos, os disparos são feitos como uma cortina fluidodinâmica, formando uma "gaiola de gás". Essa configuração é adequada para praças de bombas de transferência e parques de carregamento de caminhões com substâncias inflamáveis entre outras instalações características da indústria do petróleo.

SISTEMA SERÁ TESTADO EM NAVIOS DE GUERRA
Em breve, o equipamento utilizado em base fixa poderá ser testado em três tipos de navios de guerra da Marinha: fragatas, corvetas e porta-aviões. Essas embarcações consistem em ambientes de risco, pois contêm substâncias inflamáveis e explosivas.

Além disso, os navios, corvetas e fragatas também possuem hangares com estoque de combustível para abastecer o helicóptero a bordo.

"O sistema de descarga que desenvolvemos na UFRJ/Coppe poderá aumentar a segurança no abastecimento das aeronaves nos navios porta-aviões, além de possibilitar o aumento do número de pontos de equipamentos de combate a incêndios a bordo. Considerando que são navios de combate, em casos extremos, caso haja um incêndio em compartimentos bem próximos aos locais de estoques de munição e de material inflamável, nosso equipamento resfria os depósitos vizinhos, de forma a evitar as consequentes explosões e aumentar a segurança da equipe durante a operação de combate a incêndios a bordo", garante o pesquisador da UFRJ/Coppe.

Fonte: Planeta Coppe - 22/10/2010

Comentário
Extremamente interessante esse tipo de tecnologia que poderá auxiliar os bombeiros em combate ao fogo usando-a estrategicamente. Esse equipamento será eficiente em espaço confinado ou semi confinado. Usando como arma de ataque inicial para dificultar a propagação do fogo e em conjunto com sistema tradicional de água.
Em ambiente aberto existem outros fatores ambientais que interferirá na eficiência do sistema, tais como;
■ vento - influi na forma, direção e intensidade do fogo.
■ material combustível e
■ topografia do terreno
■ Umidade do material combustível
■ Condições climáticas

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domingo, dezembro 26, 2010

Tabela Periódica será corrigida pela primeira vez na história

Pesos atômicos deixam de ser constantes da natureza, e passarão a ser expressos em intervalos, com limites superiores e inferiores. Mudanças nos pesos atômicos

Pela primeira vez na história, os pesos atômicos de alguns elementos da Tabela Periódica serão alterados.

A nova Tabela Periódica, descrita em um relatório científico que acaba de ser divulgado, irá expressar os pesos atômicos de 10 elementos de uma forma diferente, para refletir com mais precisão como esses elementos são encontrados na natureza.

Os elementos que terão seus pesos atômicos alterados são: hidrogênio, lítio, boro, carbono, nitrogênio, oxigênio, silício, cloro, enxofre e tálio.

"Por mais de 150 anos os estudantes aprenderam a usar os pesos atômicos padrão - um valor único - encontrados na orelha dos livros didáticos de química e na Tabela Periódica dos elementos," comenta o Dr. Michael Wieser, da Universidade de Calgary, no Canadá e membro da IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada).

Contudo, explica ele, conforme a tecnologia foi evoluindo, os cientistas descobriram que aqueles números tão bem decorados não são tão estáticos quanto se acreditava anteriormente.

Ciência, indústria e esportes

As modernas técnicas analíticas conseguem medir o peso atômico de vários elementos com altíssima precisão.

E essas pequenas variações no peso atômico de um elemento são importantes não apenas nas pesquisas científicas, mas também em outras atividades práticas.

Por exemplo, medições precisas da abundância dos isótopos de carbono podem ser usadas para determinar a pureza e a origem de alimentos como a baunilha ou o mel.

Medições dos isótopos de nitrogênio, cloro e outros são utilizadas para a detecção de poluentes em rios e águas subterrâneas.

Nas investigações de doping nos esportes, a testosterona, que melhora o desempenho dos atletas, pode ser identificada no corpo humano porque o peso atômico do carbono na testosterona humana natural é maior do que na testosterona farmacêutica.

Pesos atômicos como intervalos

Os pesos atômicos destes 10 elementos agora serão expressos em intervalos, com limites superiores e inferiores.

Por exemplo, o enxofre é conhecido por ter um peso atômico de 32,065. No entanto, o seu peso atômico real pode estar em qualquer lugar no intervalo entre 32,059 e 32,076, dependendo de onde o elemento é encontrado.

"Em outras palavras, o peso atômico pode ser utilizado para identificar a origem e a história de um determinado elemento na natureza," afirma Wieser.

Elementos com apenas um isótopo estável não apresentam variações em seu peso atômico. Por exemplo, o peso atômico padrão do flúor, alumínio, sódio e ouro são constantes, e seus valores são conhecidos com uma precisão acima de seis casas decimais.

E agora, professor?

"Embora esta mudança ofereça benefícios significativos na compreensão da química, pode-se imaginar o desafio para os professores e estudantes, que terão que escolher um único valor de um intervalo ao fazer cálculos de química," diz a Dra Fabienne Meyers, diretor adjunto do IUPAC.

"Nós esperamos que os químicos e os educadores tomem este desafio como uma oportunidade única para incentivar o interesse dos jovens em química e gerar entusiasmo para o futuro criativo da química," afirma Meyers.

O trabalho que embasou a primeira correção já feita na Tabela Periódica durou de 1985 a 2010. A mudança vai coincidir com o Ano Internacional da Química, que será celebrado em 2011.

Considerada um dos maiores feitos científicos de todos os tempos, a tradicional Tabela Periódica tem sofrido "ataques" de várias frentes de pesquisa, conforme o conhecimento científico avança.

Fonte: Inovação Tecnológica - 17 de dezembro de 2010

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quarta-feira, dezembro 22, 2010

Navio atingido por ondas gigantes

O navio de cruzeiro "Clelia II" foi atingido por ondas que chegaram a sete metros e partiram vidros na ponte. A embarcação sofreu pane elétrica e esteve várias horas à deriva no mar.

Os problemas para o navio "Clelia II" começaram ao largo do Arquipélago das Ilhas Shetland do Sul, cerca de 120 quilômetros a Norte da Península Antártica, depois de uma forte onda ter atingido e quebrado a janela da ponte de estibordo e desencadeado um problema no circuito elétrico do navio, que causou interrupção temporária no sistema de comunicações e no radar, que afetou o desempenho de um dos motores.
O navio Clelia II deveria permanecer quatro dias na Antártica, mas regressou ao porto de Ushuaia devido ao acidente.

ALERTA DE EMERGÊNCIA
O alerta foi acionado após ter partido da Península Antártica com destino a Ushuaia, Argentina.
O navio estava a nordeste da Ilhas Shetland do Sul e 845 quilômetros de Ushuaia. O navio da National Geographic Explorer que estava na área, ajudou o navio "Clelia II", transferindo equipamento de comunicação VHF.

VÍTIMAS
Nenhum dos passageiros ficou ferido e apenas um tripulante sofreu ferimentos ligeiros.

TESTEMUNHAS
A viagem de volta foi lenta, apenas cinco nós, e em "condições climáticas muito difíceis", disse um passageiro, o aposentado U. S. Marinho Denis Smyth. "Eu sou um homem do mar, mas era muito difícil. Havia dias em que muitas pessoas estavam demasiado doentes para comer", disse Smyth à Associated Press por telefone de Ushuaia.
Ele disse que uma enorme onda quebrou o trilho do suporte do vidro da ponte, que causou a entrada de água e provocou um curto-circuito nos sistemas de radar e de comunicações. "Quando o navio balançou, várias pessoas foram jogadas para o ar na sala."
Smyth disse: "A única preocupação que tive foi quando o navio perdeu as comunicações. O navio navegava praticamente à cegas..."

CHEGADA A USHUAIA
Às 21 horas (horário local) de segunda-feira, 11 de outubro, chegou ao porto de Ushuaia, Argentina o navio Clélia II. O navio ingressou à Baía de Ushuaia com menos de 48 horas de atraso de acordo com o cronograma original.

TRIPULAÇÃO E PASSAGEIROS
Tripulação com 77 pessoas e 88 passageiros..

Fontes: El Diário del Fin del Mundo- 10/12/2010, La Tercera - 10/12/2010, Jornal de Noticias – Portugal - 10 Dezembro 2010

Vídeo:


DETALHES DO NAVIO
Tipo de Navios: Passageiro
Ano de construção: 1990
Comprimento x largura: 88 m X 15 m
Porte Bruto: 2420 t
Velocidade registrada (Max/media): 13 / 9.9 nós
Calado: 4.5 m
O Clelia II é um navio de luxo que foi revisado em 2009 para chegar a Antártica. Possui 50 suítes com vista para o mar que têm um valor que varia entre US$ 8.000 e US$ 15.000 para estadias de dez dias.

ESTREITO DE DRAKE
O estreito de Drake é um local da junção do oceano Atlântico com o Pacífico. Esse estreito é um local onde as frentes frias passam com uma intensidade muito grande. E uma após a outra, com um intervalo muito pequeno. Por isso é uma região sempre muito conturbada. Está sempre com o mar revolto.
O estreito de Drake cuja largura é de cerca de 650 km, constitui a distância mais curta entre a Antártica e as outras terras do mundo. Considera-se às vezes que a fronteira entre os oceanos Atlântico e Pacífico seja a distância mais curta entre o Cabo Horn e Snow Island (a 260 km ao norte da parte continental da Antártica). Antigamente, a fronteira era situada sobre o meridiano que passa no Cabo Horn. As duas fronteiras situam-se inteiramente no estreito e Drake.
O estreito de Drake comporta somente as pequenas ilhas Diego Ramirez como terra, situadas a cerca de 50 km ao sul do Cabo Horn. Não existem outras terras na mesma latitude que o estreito de Drake, o que permite à corrente que dá a volta na Antártica circular livremente (seu fluxo é de cerca de 600 vezes o do rio Amazonas). Wikipédia

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quinta-feira, dezembro 16, 2010

Funcionário dorme embaixo de caminhão e morre atropelado na fábrica da Ford

Um funcionário da empresa Brazu, terceirizada que presta serviços de transporte para a montadora Ford, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (BA), morreu na noite de terça-feira, 14 de dezembro, após ser atropelado por um caminhão do tipo cegonha (veículo que transporta veículos), dentro das dependências da fábrica. Antônio tinha 56 anos.

Causa
Os motoristas descansavam embaixo dos veículos e quando um deles voltou para dar partida na carreta, Antônio não levantou e acabou tendo a cabeça esmagada por uma das rodas do veículo.
Antônio trabalhava há dez anos como motorista de caminhão. A empresa terceirizada Brazu informou que o acidente foi uma fatalidade e que peritos de São Paulo vão investigar o ocorrido.

Fatalidade
De acordo com informações da assessoria de comunicação da Brazu, a empresa lamenta o ocorrido, afirma que o acidente foi uma fatalidade e destaca os investimentos feitos em segurança do trabalho. A assessoria informou que peritos técnicos de São Paulo chegam a Camaçari ainda nesta quarta-feira para investigar, junto com profissionais locais, o atropelamento.

Ford
A Ford divulgou, por meio de sua assessoria, que teve conhecimento do acidente, mas não se posicionou, pois embora o fato tenha acontecido dentro das dependências da empresa, o funcionário não fazia parte do quadro da montadora, e, sim, da empresa terceirizada.

Inquérito
O caso foi registrado pela delegada plantonista da 18ª Delegacia (Camaçari). A 18ª CP fez o levantamento cadavérico, mas ainda não ouviu ninguém sobre o caso.

Fontes: Correio da Bahia e Terra Noticias - 15 de dezembro de 2010

Comentário


Foto: É comum no Brasil e alguns países os motoristas cochilarem sob o caminhão

A fábrica deveria ter um local de descanso para os motoristas que fazem transportes de veículos entre jornadas. É uma forma de obrigar para que os motoristas descansem antes de enfrentar viagens longas transportando veículos novos da fábrica. Grandes empresas que recebem transportadoras ou veículos com atividades de movimentação de matéria prima ou produtos acabados devem ter áreas delimitadas para essa movimentação e áreas de espera para esses motoristas.

Não tem lógica a nota que a Ford divulgou, informando que devido ao trabalhador não pertencer ao quadro da montadora, indiretamente está isento da responsabilidade na prevenção de acidente do contratante.

A norma, estabelece que a empresa contratante e as contratadas, que atuem num mesmo estabelecimento, deverão implementar, de forma integrada, medidas de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, de forma a garantir o mesmo nível de proteção em matéria de segurança e saúde a todos os trabalhadores do estabelecimento.

A empresa contratante deverá adotar medidas necessárias para que as empresas contratadas recebam as informações sobre os riscos presentes nos ambientes de trabalho, bem como sobre as medidas de proteção adequadas. Além disso, a contratante deverá, ainda, adotar medidas necessárias para acompanhar o cumprimento das medidas de segurança e saúde no trabalho pelas empresas contratadas que atuam no seu estabelecimento.

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terça-feira, dezembro 14, 2010

Menina morreu em hospital após receber medicação errada na veia

A polícia investiga a possibilidade de embalagens iguais terem levado uma auxiliar de enfermagem a confundir o soro que deveria ser aplicado na estudante Stephanie dos Santos Teixeira, 12, com vaselina líquida.
A menina morreu na madrugada de sábado, 4 de dezembro de 2010, após procurar o hospital São Luís Gonzaga, no Jaçanã (zona norte de SP), com vômito.

TROCA DE MEDICAÇÃO
Ela recebeu 50 ml de vaselina na veia, segundo o atestado de óbito emitido pela Santa Casa de Misericórdia, que administra o hospital.
De acordo com a polícia, a suspeita é que, na hora de trocar a embalagem de soro vazia por outra cheia, a auxiliar de enfermagem tenha se enganado e colocado o vasilhame com vaselina.
Médicos dizem que a vaselina, por não se dissolver no sangue, entope as veias e pode até causar uma embolia.

OS FRASCOS SÃO IGUAIS
As duas substâncias eram armazenadas em garrafas de vidro iguais, com tampas azuis, segundo material apresentado pelo hospital. Ambas são transparentes. A única diferença é a identificação do rótulo -feita por uma etiqueta.
A direção do hospital afirmou à polícia que as substâncias ficam guardadas em locais separados.

INQUÉRITO POLICIAL
O caso é tratado pela polícia como homicídio culposo.
O laudo do IML (Instituto Médico Legal), que vai dizer a causa da morte, deve demorar pelo menos 15 dias. A polícia irá ouvir as 16 pessoas, entre enfermeiros e auxiliares, que participavam daquele plantão, além dos médicos responsáveis. Eles foram afastados do trabalho.
A vaselina costuma ser utilizada nos hospitais em pacientes com queimaduras graves. É aplicada na pele para evitar que ataduras grudem na área ferida, diz Adriana Castanho, chefe de enfermagem do hospital particular São Luiz.

ERROS
Arnaldo Lichtenstein, clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor da USP, diz que frascos de soro feitos de vidro ainda existem, mas não são comuns. A maioria dos hospitais utiliza a substância em sacos plásticos.
A mãe de Stephanie disse que a filha recebeu duas doses de soro de um recipiente plástico e piorou depois que o soro foi trocado por outro que estava em um vidro. Erros como o esse são raros, diz Lichtenstein.
Ele diz que atualmente já há hospitais que utilizam até leitores de códigos de barra para ter certeza de que o medicamento que será aplicado é o mesmo que foi receitado.
Folha de São Paulo - São Paulo, terça-feira, 07 de dezembro de 2010

AUXILIAR DE ENFERMAGEM
Auxiliar de enfermagem confessou ter aplicado vaselina no lugar de soro na menina Stephanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, no Hospital São Luiz Gonzaga, na Zona Norte de São Paulo. Ela prestou depoimento, por cerca de três horas, na tarde desta quarta-feira, 8, no 73º Distrito Policial, no Jaçanã. A mulher de 26 anos estava acompanhada por dois advogados e não falou com os jornalistas.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a auxiliar de enfermagem afirmou que pegou o frasco com vaselina em um armário em que normalmente eram armazenados apenas os frascos de soro e que por isso, ela não leu o rótulo. O delegado-assistente Antônio Carlos Corsi Sobrinho, do 73º DP, irá questionar o hospital sobre o armazenamento das medicações. Ele também vai esperar a conclusão dos laudos e o resultado da perícia nos frascos, realizado pelo Instituto de Criminalística (IC), para concluir o inquérito.

FRASCOS IGUAIS
Os potes iguais de vaselina e soro usados pelo hospital São Luiz Gonzaga (zona norte) são disponibilizados para os 39 hospitais que fazem parte da Irmandade Santa Casa. A instituição administra o São Luiz Gonzaga.

Fontes: Folha de São Paulo – 07 e 12 de dezembro de 2010, Estadão – 8 e 10 de dezembro de 2010

Comentário:
Stephanie, 12 anos, de São Paulo, morreu após receber vaselina em vez de soro na veia. O mesmo fim teve Helena, 3 anos , de Andira (SP), após tomar uma injeção de ampicilina sódica diluída em cloreto de potássio em vez de água destilada. Verônica, 31, do Rio, foi operada no lado esquerdo do cérebro, quando a cirurgia deveria ser no lado direito. Também morreu.
Chocantes, casos de erros dentro do ambiente hospitalar, seja ele público ou privado, são mais comuns do que se pensa.
■ Só nos EUA, 98 mil mortes ocorrem todos os anos por erros evitáveis cometidos por médicos ou pela área da enfermagem.
■ No mundo, estimativas da OMS dão conta de que as mortes anuais cheguem a 5 milhões.
■ Embora não haja estatísticas semelhantes no Brasil, supõe-se uma realidade parecida. Pesquisa feita em 2007 em um hospital público na zona sul de São Paulo notificou 440 erros no período de um ano.
Falhas de medicação responderam por quase um quinto dos casos. Entre eles, troca de remédio do paciente, medicação certa em paciente errado e erros de dose.

Transcrevo duas abordagens sobre falhas humanas: A primeira de autores brasileiros que chegam a conclusão semelhante a abordagem do Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra

1ª ABORDAGEM - ERROS DE MEDICAÇÃO: QUEM FOI?
A aviação é uma organização considerada modelo em termos de segurança. Seus trabalhadores operam em um sistema complexo, com inúmeras interfaces entre pessoas e tecnologia e, mesmo assim, possui índices de acidentes extremamente baixos.

Os acidentes aeronáuticos são raros, altamente visíveis e dão origem a exaustivas investigações para se saber tudo o que envolveu o acidente, com o propósito maior de aprender com os erros e evitar outros acidentes. Ao contrário, os erros médicos são, na sua maioria, pouco visíveis, subnotificados, e não existem padrões ou métodos de investigação e documentação. O conhecimento obtido com o estudo do erro ocorrido não é difundido.

A aviação nos EUA possui um órgão independente, a Aviation Safety Reporting-System (ASRS), operado pela National Aeronautics & Space Administration (Nasa) e fundado pela Federal Aviation Administration (FAA). Esse órgão desenvolveu um sistema inteiramente confidencial para receber notificações de incidentes de pilotos, comissários ou qualquer outra pessoa. As informações são revisadas por especialistas e o notificador recebe informações e esclarecimentos sobre o resultado dos estudos. Em nenhum momento o nome da pessoa é revelado para fins judiciais, sendo um sistema não punitivo e confidencial. As informações processadas, e com os nomes dos notificadores retirados, podem ser acessadas pelas companhias aéreas com a finalidade de melhorar a segurança de vôo.

Apreendendo com os erros
O ambiente onde trabalham os profissionais de saúde é certamente mais complexo do que os "cockpits" dos aviões; entretanto, algumas lições podem ser aprendidas com a aviação. Os erros devem ser estudados em todos os seus aspectos e dentro de uma abordagem não punitiva e os notificadores dos eventos devem receber retorno da informação que gerou. Tal qual a aviação, há a necessidade de um órgão ou setor independente que possa receber informações sobre erros, protegendo a identidade de quem informou

A falha em uma das etapas do uso dos medicamentos pode ocorrer por distração ou lapso que, a princípio, aparenta pouca importância.

A segurança do uso dos medicamentos se divide, então, em dois segmentos:
■ o primeiro busca a garantia de que o produto seja eficaz e seus efeitos nocivos conhecidos e aceitáveis, e o
■ segundo garantir que o processo de utilização do medicamento seja seguro em todas as suas etapas.
Muitos dos problemas surgidos com o uso dos medicamentos não se enquadram no conceito de reação adversa a medicamento, pois acontecem em doses ou condições não usuais de tratamento e profilaxia. Essa a razão pela qual foram então propostos os conceitos para eventos adversos relacionados a medicamentos e erros de medicação.

O processo de utilização dos medicamentos nos hospitais é complexo, envolvendo de 20 a 30 etapas diferentes. Implica na atuação de diversos profissionais, transmissão de ordens ou materiais entre pessoas, contendo, cada elo do sistema, potenciais variados de ocorrência de erros. Uma redução real dos erros de medicação somente será obtida com uma análise sistêmica do processo, a detecção dos seus pontos vulneráveis e a implementação de medidas para diminuir as taxas dos eventos adversos preveníveis.

O conhecimento atual sobre erros de medicação ainda não possibilita uma visão real e sistêmica da dinâmica desses eventos adversos. Verifica-se, nos numerosos estudos publicados, que a dimensão desses eventos é bem maior do que a imaginada. Vidas são perdidas ou limitadas e valiosos e muitas vezes escassos recursos financeiros são consumidos em decorrência dessas falhas no processo de uso dos medicamentos.

O caráter preventivo intrínseco aos erros de medicação é intrigante: poderá o homem, algum dia, evitar todos os erros ou obter o chamado erro zero ou a perfeição? A condição humana, notadamente falível, não pode pretender isso; entretanto, é preciso ter humildade e sabedoria para aprender com os erros cometidos e usar este conhecimento para melhorar a assistência prestada aos pacientes. Fonte: Mário Borges Rosa; Edson Perini

2ª ABORDAGEM : COMPREENDENDO AS CAUSAS DA FALHA HUMANA
É um estudo feito por um grupo de especialistas para o Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra, ( National Health Service), que aborda a falha humana no contexto geral e no serviço de saúde.
É um relatório muito extenso para publicar, mas relaciono algumas observações importantes desse estudo:
■ O erro humano deve ser visto como uma causa não uma conseqüência de falha
■ Os erros são vistos como sendo formado e provocado por fatores sistêmicos contrários, que incluem a estratégia da organização, sua cultura e a abordagem da gerência para o risco e a incerteza. As contramedidas associadas são baseadas na suposição que enquanto não podemos mudar a condição humana, podemos alterar as condições sob quais as pessoas trabalham, a fim de evitar menos erros cometidos.
■ Quando um evento adverso ocorre, a questão importante não é quem cometeu o erro, mas como e porque as defesas falharam e que fatores ajudaram a criar as condições em que os erros ocorreram. O sistema de abordagem reconhece a importância da recuperação no interior das organizações e também reconhece o processo de aprendizagem, como fator de tal recuperação.
."As ações humanas são um elemento chave em muitos incidentes graves, mas são somente partes da explicação, porque o desastre ataca"
■ O erro é comumente responsabilizado por falhas porque é freqüentemente o fator mais facilmente identificável operando no período anterior ao evento adverso. Contudo dois fatos importantes sobre o erro humano são freqüentemente negligenciados.
• Primeiro, as melhores pessoas podem cometer os piores erros.
• Segundo, longe de serem aleatórios, os erros caem em padrões periódicos. O mesmo conjunto de circunstâncias pode provocar erros similares, independentes das pessoas envolvidas.
■ Qualquer tentativa em gerenciamento de risco, que focaliza primeiramente sobre o suposto erro latente dos processos mentais (esquecimento, falta de atenção, falta de cuidado, negligencia, etc) e não procura externamente remover estas situações de “armadilhas de erros” é certo que vai falhar. Os erros humanos locais são os últimos e provavelmente a menor parcela controlável da seqüência causal que conduz a algum evento adverso.
■ Todas as organizações que funcionam em circunstâncias perigosas tendem a desenvolver barreiras, defesas e proteções que intervém entre a fonte do perigo e as vítimas potenciais ou as perdas que ocorreriam se o risco torna-se realizado.
Estas defesas podem ser;
• ou “rígidos” (controles físicos, automação e projetos de segurança)
• ou “leves” (procedimentos, protocolos, controles administrativos e as pessoas' que interagem com os problemas').
Os elementos humanos de um sistema podem enfraquecer ou criar lacunas nestas defesas de duas maneiras:
• pelas falhas ativas e
• pelas condições ou circunstancias latentes
.As falhas ativas são os atos inseguros cometidos por aqueles profissionais que interagem com os problemas. Estas podem ser por deslizes, lapsos, erros ou violações de procedimentos. Têm um impacto imediato e geralmente transitórias nas camadas defensivas. Tendem também a ocupar um “espaço” em toda a investigação subseqüente.
As condições ou circunstâncias latentes são comparáveis aos sintomas de doença no corpo. Por eles, freqüentemente não fazem nenhum dano particular. Podem encontrar-se adormecido no sistema por longos períodos antes de combinar com os fatores locais e as falhas ativas para penetrar ou contornar as defesas. A pesquisa sugeriu que as organizações podem inserir as precondições para a falha, e que esta pode ocorrer muitos anos depois.


A figura mostra, a quebra de defesas é ilustrada com base na analogia do “queijo suíço”. De acordo com ela, o acidente ocorre quando a falha mostra-se capaz de passar pela série de barreiras defensivas existentes no sistema.

■ Uma visão da causa de acidente muito corrente nos campos da aeronáutica e de usina nuclear é chamado “o modelo do queijo suíço”. Isto é ilustrado na figura.
Idealmente, todas as defesas que separam perigos das perdas potenciais devem ser intactas; mas, na realidade, são mais como fatias do queijo suíço, cheio de buracos.

Ao contrário dos buracos do queijo suíço, entretanto, as lacunas em sistema de defesas estão continuamente abrindo, fechando e mudando de posição. São criados, como discutida acima, por falhas ativas e por circunstâncias latentes. O perigo sério aumenta quando um conjunto de linhas de buracos permite uma abertura momentânea de oportunidade para o acidente. Nas empresas de tecnologia os sistemas bem-defendidos (por exemplo, fábrica de aviões. usinas nucleares,), com muitas camadas de barreiras e de proteções, tais oportunidades do acidente são raras, mas podem ter conseqüências devastadoras. Em muitos campos da clínica médica, entretanto, pode haver relativamente poucas fatias protetoras intervindo entre o perigo e o dano.

■ Resultado final: Pesquisa especificamente focalizada em sistemas de serviço de saúde, sugere que cerca de 70% de incidentes adversos são evitáveis. Entretanto, os erros possam ser minimizados, eles nunca serão completamente eliminados, particularmente onde os volumes elevados de atividades ocorrem. Estimou-se, por exemplo, que um hospital com residência médica com 600 leitos, com índice de 99,9% isentos de erros de pedidos de medicamentos, a distribuição e controle experimentará 4.000 erros de receitas de droga ao ano.

Assim medidas devem ser tomadas para limitar as conseqüências adversas desses erros que ocorrem ainda. Isto envolve, projetando ou modificando sistemas, de modo que possam ser mais capazes para tolerar erros humanos inevitáveis e controlar suas conseqüências prejudiciais.

Enquanto esses erros cometidos próximos à pessoa tende alocar volume de seus recursos para tentar fazer indivíduos menos falíveis, o sistema indica a abordagem para um programa detalhado dirigido simultaneamente em pessoas, equipes, tarefas, locais de trabalho e instituições. Não há única solução que pode ser aplicada em cada circunstância.

Desde que os eventos adversos graves têm raramente uma única causa isolada, tentativas de prevenir ou atenuar eventos adversos necessita dirigir-se não somente a cadeia de eventos simples, mas ao sistema como um todo. Enquanto os detalhes de alguma falha futura dificilmente podem ser previstas, as defesas podem ser instaladas que limitarão seus efeitos danosos. Fonte: An organisation with a memory - Report of an expert group on learning from adverse events in the NHS, chaired by the Chief Medical Officer

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sábado, dezembro 11, 2010

Verão mais quente dos últimos anos

O clima quente e úmido, como o nosso, é considerado o pior do mundo por especialistas. Seres humanos podem mesmo viver com conforto num clima com temperatura maior que a do corpo, desde que seja seco. A umidade reduz a eficiência do nosso mecanismo natural de resfriamento, isto é, suar. Quanto mais úmido, pior a sensação de calor. Por exemplo, a umidade relativa do ar no Rio de Janeiro chegou a assustadores 70%. Se a umidade exceder 75%, escorre pelo corpo em grande quantidade e não evapora. Suar assim, só causa desidratação. O efeito refrescante é perdido.

A combinação de umidade elevada e calor extremo é opressiva. O clima quente e úmido é perigoso. É mais fácil sobreviver no frio.

A REAÇÃO DO ORGANISMO:
A temperatura normal do corpo humano é de 36,5 graus Celsius, mas algumas pessoas podem suportar uma queda de mais de 20 graus. Porém, um aumento da temperatura corporal de apenas cinco graus é, invariavelmente, fatal. Ambientes quentes e úmidos não só parecem terríveis, como são de fato perigosos.

O calor provoca vasodilatação, o que pode causar queda da pressão arterial e provocar mal-estar, sonolência e desânimo.

Quando a temperatura externa é superior à do corpo, o único meio de perder calor é suar. Temos cerca de 3 milhões de glândulas sudoríferas (metade na pele do tórax e das costas). A testa e a palma das mãos também têm grande concentração. As mulheres só produzem aproximadamente a metade do suor dos homens. Idosos correm mais risco porque suam menos.

As células do cérebro são extremamente sensíveis ao calor. Se a temperatura corporal chegar a 42 graus Celsius (a normal é de cerca de 36,5 C), elas começam a morrer.

EXERCÍCIOS:
Muito cuidado com exercícios físicos em dias quentes, eles podem aumentar em até cinco vezes a produção de calor.

Ao se exercitar no calor, a pessoa perde muita água, sais e minerais (eletrólitos) pelo excesso de suor. Com isso, fica exposta a câimbras já que a quantidade de eletrólitos se torna deficiente nos músculos.

ROUPAS:
Beber pouco líquido e usar roupas pesadas, como ternos, são outros fatores de risco. Roupas impermeáveis são perigosas porque impedem a transpiração. Prefira tecidos "respiráveis", como os de algodão e os de tecidos sintéticos modernos.

SAÚDE:
Drogas: Algumas causam hipertermia (aumento da temperatura corporal). A mais conhecida é o ecstasy.
Álcool e cafeína: Consumo excessivo de cafeína e álcool aumenta as chances de desidratação.

Brotoejas: São problemas comuns no calor. A causa é a inflamação das glândulas sudoríparas, que causa pequenas bolhas vermelhas. Afetam uma em cada três pessoas expostas a climas quentes.

Insolação: É uma emergência e se não tratada imediatamente pode ser letal ou causar danos cerebrais. A melhor maneira de tratar uma vítima de insolação é passar em seu corpo uma esponja com água morna. O resfriamento por evaporação baixa a temperatura da pele muito mais depressa do que a imersão numa banheira de água fria, já que o choque térmico causa constrição dos vasos e reduz a perda de calor. Nos casos graves deve-se aplicar compressas de gelo em locais em que grandes vasos sanguíneos estão perto da superfície da pele, como pescoço, axilas e virilha.

A insolação acontece quando o corpo não consegue mais deter a elevação da própria temperatura e esta ultrapassa 41 graus Celsius. Ela evolui depressa. Seus sintomas são dor de cabeça, pele seca e quente, avermelhamento do rosto, tonteira, perda de energia e irritabilidade. Quando o quadro se agrava, há confusão mental e perda de coordenação motora. A pessoa para de suar. Se a temperatura corporal ultrapassar 42 graus Celsius, a pessoa morre.

Inchaços: O calor pode provocar inchaços nas pernas e nas mãos.

Espasmos musculares: Também podem ser provocados pelo calor excessivo.

Desmaios: Uma pessoa com pressão baixa pode perder os sentidos porque o calor faz os vasos se dilatarem, desequilibrando o fluxo sanguíneo.

Remédios: Muitos remédios aumentam o risco do surgimento de doenças relacionadas ao calor. Alguns medicamentos reduzem o volume de sangue bombeado pelo coração e limita o fluxo sanguíneo à pele, de forma que o corpo perde parte da capacidade de se resfriar pelo suor. Outras drogas podem alterar a percepção de sede ou mesmo aumentar a produção de calor do corpo. Quem toma remédios regularmente, deve consultar o médico sobre os riscos de doenças relacionadas ao calor.

ANIMAIS DOMÉSTICOS:
Os cães ficam de língua de fora para acelerar a perda de calor. Eles arfam para refrescar as vias nasais.

Registro de calor extremo:
O recorde mundial de calor foi registrado em El Azizia, na Líbia: tórridos 58 graus Celsius, medidos à sombra, em 1992.

Fonte: Globo Online - 12 de janeiro de 2010

Vídeo:
Veja o que o calor do deserto pode causar no corpo humano

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quinta-feira, dezembro 09, 2010

Incêndio destrói parcialmente supermercado

Um incêndio destruiu parte do Supermercado Angeloni na rua Marechal Deodoro, no Centro de Criciúma, no fim da madrugada de quarta-feira, 10 de novembro 2010. Os bombeiros precisaram de quase duas horas para conseguir controlar as chamas.

Segundo relato de funcionários e vizinhos do estabelecimento, o fogo começou nos fundos do supermercado, onde fica a cozinha da padaria, por volta de 5h30min. As chamas atingiram também um depósito e o açougue.

DESTRUIÇÃO
Foram destruídos pelo fogo a padaria, o açougue e um depósito aos fundos da loja. A área comercial do supermercado (corredores, gôndolas) não foi atingida.

CIRCUNVIZINHANÇA
As ruas em torno do local foram interditadas por causa do trabalho dos bombeiros e para evitar riscos aos que passavam pela região. Os prédios próximos ao estabelecimento não foram atingidos.

VÍTIMAS
Nenhum dos 15 funcionários que estavam no interior da loja no momento do incidente se feriu.

CORPO DE BOMBEIROS
De acordo com o tenente coronel João Carlos Leão Correia, 40 bombeiros trabalharam na ação, seis caminhões pipas e usaram cerca de 100 mil litros de água. A porta de entrada da loja precisou ser arrombada para ventilação forçada no interior da loja.

CAUSA PROVÁVEL
Uma fritadeira teria sido a causadora das chamas que atingiram 30% da loja, no Centro da cidade, adiantou o presidente do conselho da empresa, Antenor Angeloni. Quinze funcionários trabalhavam na padaria, onde começaram as chamas, mas ninguém

SUPERMERCADO FECHADO
A reabertura do supermercado será informada após a conclusão dos laudos, que deve acontecer em 30 dias.

PREJUÍZO
Um levantamento preliminar da seguradora estima um prejuízo de R$ 3 milhões (US$ 1,7 milhões).

Fonte: A Tribuna – 10 de novembro de 2010, Zero Hora - 11 de novembro de 2010 e Diário Catarinense - 11 de novembro de 2010

Vídeo:



COMENTÁRIO:

COMO APAGAR FOGO EM ÓLEO DE COZINHA
Dramático 30 s de vídeo sobre como lidar com fogo em cozinha, especificamente com óleo em fritura. Você provavelmente nunca imaginou que um pano úmido pode ser apropriado para abafar o fogo em uma panela! Ou que jogar água em incêndio com óleo terá resultados desastroso!
Em uma escola de treinamento de combate ao fogo, eles demonstraram isto, com uma frigideira de fritura em campo de teste. Um instrutor com vestuário contra fogo e usando um jarro de 240 ml, distante 3 metros do fogo, joga água na frigideira. O resultado chama atenção dos estudantes.
A água, sendo mais pesado do que o óleo, afunda imediatamente, onde ela se torna instantaneamente superaquecida. A força explosiva do vapor expande o óleo incandescente para cima. Em local aberto, transforma-se numa bola de fogo de 9 metros de altura. Nos limites de uma cozinha, a bola de fogo atinge o teto e ocupa toda área.
Além disso, não jogue açúcar ou farinha sobre o óleo incandescente. Uma xícara cria uma força explosiva equivalente a duas bananas de dinamite.

Trechos principais do vídeo:
Caso você esqueça no fogo a panela ou frigideira com óleo e pegue fogo;
Não entre pânico.
1. Desligue o fogão.
2. Molhe um pano, torça-o retirando o excesso de água, para que este não pingue.
3. Coloque o pano sobre a panela/frigideira e espere ate que esfrie (não saia mais vapor)
4. Nunca tente mover a panela ou frigideira.
5. Nunca jogue água, pois os respingos resultarão numa bola de fogo (explosão) com efeitos devastadores.



ABAFAMENTO.
Consiste em eliminar o comburente (oxigênio) da queima, fazendo com que ela enfraqueça até se apagar. Para exemplificar, basta lembrar que, quando se está fritando um bife e o óleo liberado entra em combustão. A chama é eliminada pelo abafamento ao se colocar a tampa ou pano úmido (não sintético) na frigideira. Isso reduz a quantidade de oxigênio existente na superfície da fritura.

INCÊNDIOS EM RESTAURANTES NOS USA EM 2002
Resultados
■ Em 2002, estimava-se em 7.100 incêndios em restaurantes, que foram responsáveis por 108 vitimas com ferimentos e prejuízos materiais de US$ 116 milhões em propriedades
■ Menos de um terço de incêndios em restaurantes ocorreram em áreas que tinham alarmes de incêndio, e menos da metade de incêndios ocorridos em áreas com sistema de sprinklers.
■ Aproximadamente 64% de incêndios em restaurantes foram causados; pelos setores de cozinha, seguido, por aquecimento (10%) e por suspeita de incêndio criminoso (5%).
■ Materiais de cozinha, tais como; gordura, óleo, foram os itens mais freqüentes para provocar inicialmente a ignição .
■ Os incêndios em restaurante foram limitados inicialmente aos objetos incendiados em 70% dos incidentes

VAMOS ANALISAR O QUE FAZ DO ÓLEO DE COZINHA, A GORDURA E A BANHA, INCÊNDIOS TÃO ESPECÍFICOS.
Os óleos de cozinha usados para fritura têm uma faixa ampla de temperaturas de auto-ignição. A auto-ignição do óleo pode ocorrer em qualquer intervalo de 288°C a 385°C (o teste de laboratórios requer a auto-ignição e/ou acima de 363°C). Para que esta auto-ignição possa ocorrer, a massa total de óleo, se medido em gramas em uma panela pequena ou até 52 kg em uma fritadeira industrial, deve ter sido aquecido além da temperatura de auto-ignição. Depois que a auto-ignição ocorreu o óleo mudará sua composição ligeiramente ao queimar-se. A sua nova temperatura de auto-ignição pode ser tanto quanto 10°C mais baixo do que sua temperatura de auto-ignição original. Este incêndio será auto-sustentado a menos que a massa inteira de óleo for refrigerada abaixo da nova temperatura de auto-ignição.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DO ÓLEO DE SOJA
O óleo de soja tem um ponto de fumos ou fumaça (emanação de vapores, smoke point) elevado, 227o C (218°C é o mínimo para óleo de fritura). O ponto de fulgor é de 327°C e seu ponto de combustão é de 365° C. (baseado em um óleo de soja com nível de ácido graxo livre de 0,02 %). Os óleos de soja com níveis ácidos graxos livres mais elevados do que 0,02% terão os pontos de fumos, fulgor e de combustão mais baixo. No Brasil o nível de acido graxo pode chegar até 2% (dependendo da qualidade do óleo).
O óleo de fritura quando alcança o ponto de ebulição é muito perigoso. Se o óleo inicia o borbulho, retirar imediatamente da fonte quente. Simplesmente desligar da fonte quente pode não ser suficiente para reduzir imediatamente a temperatura, quando utiliza um aparelho elétrico (fritadeira), porque esse tipo de equipamento retém calor, mesmo após seu desligamento.

Um óleo alcança o seu ponto de fulgor em 315o C, quando pequenos filetes de fogo começam saltar de sua superfície. Se o óleo alcançou seu ponto de combustão de 370o C, para maioria dos óleos, sua superfície começará vaporizar-se e ignição espontânea surgirá imediatamente.
Obs:: O ponto de fumos ou de fumaça (smoke point) é a temperatura em que o óleo poder ser aquecido antes de emitir vapores ou alterar sua cor, indicação de sua decomposição. Quando estiver fritando com óleo e começar a emitir vapores, o óleo alcançou o seu ponto de fumos. No ponto de fumos, o óleo começar emitir odor desagradável e também interfere no sabor do alimento.

EXTINTOR ADEQUADO – CLASSE K
Incêndios que envolvem meios de cozinhar (banha, gordura e óleo) tem sido por muito tempo a principal causa de danos materiais, vítimas fatais ou não. Estes incêndios são muito especiais na natureza. Testes recentes efetuados por ULI (Laboratórios de Underwriters, Inc.) e outras agências em outros países obtiveram novos resultados neste tipo especifico de risco de incêndio.

Incêndios envolvendo equipamentos de cozinha industrial são diferentes na maior parte de outros incêndios. Nos Estados Unidos uma nova classificação para atividade de incêndios em cozinha - classe K - foi reconhecida pela NFPA (National Fire Protection Association), através da norma, NFPA 10 – Extintores de Incêndio Portáteis e por Laboratórios de Underwriters, norma 711 de ANSI/ULI. Essas organizações compreenderam que estes incêndios não se parecem com os tradicionais incêndios em líquidos inflamáveis que envolvem a gasolina, o óleo lubrificante, solvente de pintura ou solvente em geral.
Fonte: Class K Fires - A New Classification for Commercial Cooking Hazards - J. Craig Voelkert, Vice-presidente, Special Hazards , Amerex Corporation

Tipo de extintor - Pó químico umedecido – componente básico acetato de potássio especial desenvolvido para combater incêndio especifico de cozinha industrial (óleos).
O extintor quando acionado, é descarregado com um jato tipo neblina (pulverização). O fogo é extinto por resfriamento e pelo efeito asfixiante da espuma (saponificação).
O extintor é especifico para combate fogo (Classe K) como: gorduras e banhas quentes, incêndios de óleos e gorduras de cozinhas.
Equipamentos típicos a serem protegidos pelo extintor: fritadeiras, frigideiras, grelhas, assadeiras, etc.

Vídeo:
Alerta para não jogar água no fogo.


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sábado, dezembro 04, 2010

Ousado resgate no metrô de Madri

O ousado resgate realizado por um policial espanhol na sexta-feira, 3 de dezembro, que retirou um homem dos trilhos do metrô antes que ele pudesse ser atropelado pelo metrô.

No entanto, o protagonista da ação minimizou a importância e assegura que nesses momentos "não pensas em nada, foi instintivo".

Angel fazia dois meses formou-se como policial e ontem estava livre de serviço e ia com sua noiva fazer compras natalinas quando gritos dos usuários do metrô chamaram atenção que um homem tinha caído nos trilhos.

Foi na estação Puerta Angel onde a vítima caiu nos trilhos por causa desconhecida, estava titubeante, segundo se vê num vídeo com imagens de Metrô de Madri.

O policial disse que não pensou duas vezes quando viu ao homem caído nos trilhos, sem poder levantar-se: "corri e saltei. Retirei da frente do trem e arrastei na hora certa".

Tudo isso em frações de segundos, porque o metrô se aproximava, em que pese às vozes e gestos de outros usuários para avisar o operador do trem, que não teve tempo de parar e atropelaria o homem caído.

Ángel não perdeu de vista outro lado dos trilhos, para garantir que nenhum outro trem estava se aproximando pelo lado oposto e, com a ajuda dos usuários que estavam na plataforma, retirou o homem antes de subir.

O policial admite que não teve consciência do alcance de seu gesto até quando viu as imagens.

"Tenho que tirá-lo", era o único pensamento do policial, que fez seu treinamento no distrito central da capital e que reúne quem ingressou na Polícia com a intenção de "servir aos cidadãos".

No entanto, ele nunca poderia imaginar que se veria numa situação como essa no metro madrilenho e ainda que na academia lhes ensinem protocolos de atuação, a resposta é instintiva.

Ángel reconhece com um sorriso que o incidente atrapalhou seu dia de folga, mas que valeu à pena, e recusa com modéstia o rótulo de "herói" antes de indicar que quando subiu a plataforma e comprovou que tanto ele como o homem estavam bem exclamou: "ufa", com alívio.

A pessoa que caiu nos trilhos é um cidadão espanhol de 41 anos, que ficou com ferimento leve, segundo a Delegacia Superior de Polícia de Madri.

Fonte: Yahoo News - 4 de dezembro de 2010

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sexta-feira, dezembro 03, 2010

Avião projetado na UFMG bate recordes mundiais

Um avião projetado e construído por alunos e professores no Centro de Estudos Aeronáuticos do Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) quebrou quatro recordes mundiais, nesta semana, na categoria C1A0, que engloba modelos com motor a pistão, hélice e peso total de decolagem de até 300 quilos. "Nunca na história da aviação brasileira houve sequer a tentativa de quebrar recordes mundiais com aeronave motorizada", disse, orgulhoso, o professor de Engenharia Aeronáutica da UFMG e coordenador do projeto, Paulo Iscold.

A aeronave CEA 308 bateu na quinta-feira, 02 de dezembro, o recorde russo de tempo de subida até três mil metros de altitude - baixou de 13 minutos e 40 segundos para 8 minutos e 15 segundos. Também deixou para trás ontem duas marcas que pertenciam a norte-americanos: velocidade em linha reta em 15 quilômetros - atingiu 329 km/h contra 292 km/h - e velocidade de ida e volta em cem quilômetros, chegou a 326 km/h ante 297 km/h. Hoje foi a vez de superar os austríacos na velocidade em linha reta em três quilômetros - 360 km/h contra 351 km/h.

As quebras de recorde contaram com a aferição da CAB (Comissão de Aerodesporto Brasileira), órgão vinculado à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e da National Aeronautic Association, entidade equivalente à CAB nos Estados Unidos, ambas representando a FAI (Federação Aeronáutica Internacional).

O avião
Construído com materiais compostos e madeira, o CEA 308 é um avião-conceito que, para a quebra de recordes, se enquadra na categoria C1A0, destinada, segundo a Fédération Aéronautique Internationale, a modelos com motor a pistão, hélice e peso total de decolagem – incluindo gasolina, piloto e equipamentos de segurança – inferior a 300 quilos.

Feito de materiais compostos, como fibra de vidro e espuma rígida, também chamada de espuma de PVC, o avião hoje possui 80 cavalos de potência, pouco mais que a potência de um carro de mil cilindradas, e atinge 360 km/h, velocidade superior a de carros de Fórmula 1. O peso da aeronave sem piloto, paraquedas e combustível é de 206 quilos. "Nessa categoria há limitação do peso em até 300 quilos, o que traz uma limitação de potência, porque é difícil conseguir no mercado motor leve e potente", afirmou Paulo Iscold.
O primeiro voo ocorreu em 2001. "Naquela época as dificuldades eram muitas, a maior delas financeira", disse Iscold. Em 2007 os voos passaram a ser regulares. O piloto que desde 2005 participa dos teste é Gunar Armin, ex-comandante da Varig.

O CEA 308, de 2001, foi a sexta aeronave desenvolvida pelo Centro de Estudos Aeronáuticos da UFMG – hoje, esse número chega a dez –, único, numa universidade brasileira, a projetar e construir aviões-conceito. No mundo, apenas as instituições de ensino superior alemãs investem na produção de protótipos.

Fonte: UOL Educação e Universidade Federal de Minas Gerais - 2 de dezembro de 2010

Comentário:
É importante essa iniciativa da Universidade unindo a pesquisa e tecnologia aplicada, transformando num projeto aplicado e experimental. É um incentivo aos futuros engenheiros e pesquisadores.

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quarta-feira, dezembro 01, 2010

Remoção de materiais perigosos em sistema de tubulação

INTRODUÇÃO
O pessoal da instalação de uma petroquímica abre a tubulação e o equipamento para executar a manutenção rotineira, acrescenta/substitui componentes, ou altera a altura da tubulação.
A tubulação pode conter materiais perigosos, tais como; hidrocarbonetos inflamáveis, produtos químicos tóxicos, ou produtos químicos térmicos reativos. As práticas seguras do trabalho prescrevem a remoção ou a isolação mecânica de materiais perigosos da tubulação e do equipamento (por exemplo, usando válvulas ou flanges cegas) antes de começar o trabalho.
Este boletim de segurança identifica as tarefas específicas que as instalações devem incluir em todas as atividades do trabalho envolvendo a abertura de equipamento ou tubulação para garantir a remoção completa de materiais perigosos. Além disso, a orientação é fornecida para execução de procedimentos genéricos (na maior parte da instalação) para atividades do trabalho não rotineiras .

EXPLOSÃO DE PERÓXIDO E FLASH FIRE
Flash Fire- queima rápida de gases inflamáveis em alta temperatura e formação de onda de choque. Um tipo de fogo que se propaga rapidamente através de uma nuvem de gás no ambiente

Em janeiro 2004, a US Chemical Safety and Hazard Investigation Board – CSB investigou a explosão e o flash fire na instalação da Huntsman Petrochemical Corporation em Port Neches, Texas, USA.
Durante a purga do vapor para modificação de uma tubulação que exigiu abertura da linha e trabalho à quente (isto é, corte e solda), uma mistura de peróxido /álcool foi aquecida acima de sua temperatura térmica de decomposição. A mistura ficou presa num ponto mais baixo da tubulação ao longo de 275 m de tubulação de 25 cm de diâmetro.

A explosão e o flash fire resultantes feriram seriamente dois empregados. O pessoal acreditou incorretamente, com a execução da purga com o gás do nitrogênio que precede a purga com vapor tinha removido todo o líquido da tubulação. Entretanto, uma quantidade desconhecida da mistura de peróxido/álcool termicamente reativa permaneceu no ponto mais baixo não identificado da tubulação.


Fig. 1 – Ruptura da tubulação/válvula e dano devido ao incêndio

Fig.2 – Piso elevado, emaranhado de tubulação, danificou os condutos elétricos

Enquanto o vapor aqueceu o peróxido retido na tubulação e decompunha exortemicamente e sobrepressurizado na tubulação, causando a sua ruptura (figura 1).
Com a abertura o vapor inflamável inflamou-se então, houve a ignição em “flash fire” que queimou dois empregados e danificou seriamente o equipamento próximo (figura 2). O sistema automático de dilúvio e a brigada de incêndio controlou o fogo.

CAUSAS DE INCIDENTES
Remoção incompleta de mistura perigosa

Os procedimentos de operação e de manutenção da Huntsman destacaram os perigos da remoção incompleta de produtos químicos tóxicos, inflamáveis, ou reativo das tubulações e do equipamento.
O procedimento de partida da unidade normal requereu a limpeza do peróxido/álcool da linha utilizando a purga com gás nitrogênio.
O pessoal da instalação estava ciente dos riscos associados, deixando o peróxido em um sistema tubulação fechada. Entretanto, as etapas do procedimento para a purga com o gás do nitrogênio foram deficientes na remoção de toda a mistura perigosa na tubulação.

A modificação na ordem de trabalho para a linha em operação que exigiu o trabalho à quente era raramente utilizada; incluiu a purga com o nitrogênio antes da abertura da linha, semelhante ao procedimento normal de limpeza.
Esta atividade foi considerada para limpar líquidos reativos termicamente da linha antes de utilizar a purga com vapor para remover todos os traços do material inflamável. A purga com vapor era um pré-requisito para executar o trabalho à quente em toda a tubulação ou equipamento.


Fig. 3 – Ponto inferior de drenagem não utilizado

A linha da tubulação continha um segmento inferior de quase 90 m de comprimento (figura 3), com um volume de liquido retido superior a 1.300 litros.

A tubulação foi colocada acima de 60 cm do solo em uma estrutura de tubulação aérea, que escondeu a longa seção inferior (ponto inferior da tubulação) (figura 4).

Foto 4 – Tubulação e condutos elétricos adensados. Tubulação em rack na parte superior

Os operadores não tinham percebido que a purgação com o gás de nitrogênio, requerida pelo procedimento de operação foi ineficaz na remoção de toda a mistura de peróxido/álcool no ponto inferior.
Preparando a linha para o trabalho à quente, requereu a purgação adicional do nitrogênio como uma precaução, a seguir purgar a linha com vapor para completar a remoção do vapor residual do hidrocarboneto.
Isto era a primeira vez que o trabalho à quente tinha sido especificado para esta linha.Foi somente quando a tubulação foi purgada com vapor na preparação para a modificação da tubulação aprovada que o peróxido superaqueceu, causando sua decomposição e sobrepressurização na tubulação.

VERIFICAÇÃO INADEQUADA DA LINHA DA TUBULAÇÃO
O líquido poderia ter sido removido com segurança antes da purga com vapor. Como mostrado em figura 3, ambas as extremidades da seção longa da tubulação continha drenos nos pontos inferiores.

Uma revisão detalhada no projeto, combinado com inspeção detalhada completa na linha da tubulação de transferência de peróxido/álcool, se requerido no gerenciamento de mudança do processo, identificaria provavelmente o ponto inferior da tubulação.
Embora o segmento de tubulação inferior e dois drenos disponíveis foram mostrados no esboço da linha isométrica da tubulação, o ponto inferior foi divido em folhas separadas (figura 3), fazendo-o difícil de reconhecer a retenção do líquido.

Além disso, a modificação da tubulação envolveu somente uma parte dos desenhos isométricos. Como na maioria das instalações de petroquímicas, milhares de linhas de tubulações foram distribuídas por toda parte em estruturas aéreas ou em rack (figura 4).

Há uma probabilidade elevada que alguns pontos inferiores serão negligenciados, exceto a tubulação inspecionada em detalhes, com identificação nos pontos inferiores (seção da tubulação que retém líquido) e nos drenos instalados*. (* após o incidente, Huntsman conduziu uma inspeção detalhada nos pontos inferiores de toda tubulação de peróxido e identificou pontos inferiores de retenção adicionais.Uma ordem de trabalho de gerenciamento de mudança de processo foi executada para eliminar cada ponto-morto).

AQUECIMENTO INSEGURO DE PRODUTOS QUÍMICOS TERMICAMENTE SENSÍVEIS

Usando o procedimento genérico de purgação de vapor em tubulação de peróxido/álcool criou um perigo imprevisível. A temperatura do vapor excedeu a 182ºC, que é significativamente acima da temperatura da decomposição do peróxido.
O vapor de alta temperatura fluiu através do sistema de tubulação por quase 1,5 hora, e o peróxido retido começou a decompor.

O acúmulo da pressão finalmente causou a falha de uma válvula- gaxeta e liberou o vapor inflamável.

Quase ao mesmo tempo a tubulação a montante da válvula em vazamento rompe, liberando liquido e vapor inflamável adicional, alem disso propagando o incendio. A pressão violenta causou também danos adicionais ao equipamento na área.

ANÁLISE INADEQUADA DE RISCOS NA REVISÃO DE PROCEDIMENTO
As configurações complexas da distribuição da tubulação e de equipamento contêm freqüentemente pontos inferiores que retêm materiais perigosos.

Lavar a tubulação com jato água ou o outro líquido apropriado pode eficazmente remover o material mas gera uma quantidade significativa de resíduo líquido. Além disso, o líquido que permanece em pontos inferiores ou em equipamento podem causar condições inseguras ou degradar a tubulação.

Para reduzir o volume de resíduo, a Huntsman revisou os procedimentos para purgação substituindo o gás inerte por lavagem com jato de água. Entretanto, a purgação com gás inerte ou vapor não remove necessariamente o líquido retido.

O procedimento revisado:
■ Deixou de indicar à importância da identificação dos pontos inferiores (pontos de retenção) da tubulação
■ Deixou de exigir o uso de drenos nos pontos inferiores para remover os líquidos perigosos retidos.

A identificação adequada e o uso dos drenos asseguram a remoção completa de líquidos perigosos.

O procedimento de purgação do gás inerte revisado foi aplicado para processo de tubulações contendo líquidos termicamente instáveis sem considerar adequadamente os perigos e se estes líquidos permanecessem na tubulação durante a purga com vapor.

A alta temperatura do vapor utilizado para remover traços de vapor inflamável da tubulação antes de executar o trabalho à quente, pode causar em líquidos termicamente instáveis sua decomposição violentamente. Isto é precisamente o que ocorreu com a mistura peróxido/álcool neste incidente.

AS LIÇÕES APRENDIDAS
Abertura de tubulação e de equipamento de atividade não rotineira

A abertura de tubulação e de equipamento em processo química pode ser extremamente perigoso. Deve-se nunca ser considerado trabalho de rotina.

As instalações que manipulam produtos químicos perigosos devem;
■ Executar uma inspeção detalhada de toda a tubulação e componentes entre os dispositivos de isolação. Atualize os desenhos dos projetos construídos quando necessário
■ Utilizar os desenhos dos projetos da tubulação afetada para identificar todas as conexões de distribuição, válvulas de isolação, drenos de pontos inferiores e vents de pontos superiores
■ Preparar procedimento por escrito específico para remoção, lavagem por jato de água e purgação de materiais perigosos do sistema. Considerar as conseqüências se o fluxo do líquido permanece no sistema após o trabalho está completo.

PROCEDIMENTOS DE UNIDADES ESPECÍFICAS
Procedimentos de unidades específicas devem ser usadas para assegurar a gestão segura de atividades não rotineiras, tais como; purgação com vapor de linhas de processo que manuseia líquidos instáveis termicamente.

As instalações devem:
■ Revisar as etapas planejadas em relação aos riscos de unidades específicas
■ Atualizar procedimento de unidades específicas quando necessário para indicar as características originais da atividade
■ Especialmente quando estão envolvidas modificações
■ Se a atividade de modificação inclui o uso de procedimentos genéricos de segurança, identificar claramente as restrições aplicáveis (por exemplo, procedimentos específicos adicionais para verificar a remoção de todas as fontes de energia, incluindo materiais químicos termicamente reativos)

Fonte: Safety Bulletim - no. 2004-03-B - julho 2004 - US Chemical Safety and Hazard Investigation

Comentário: No livro What went wrong? de Trevor A. Kletz, ele alerta quando a tubulação possui pontos baixos, durante a drenagem dessa tubulação pode permanecer líquidos, tornando-se perigosa durante a execução de manutenção. Ele recomenda a instalação de drenos e raquetes nos pontos altos.
Ele também alerta sobre pontos mortos em tubulações que provocam muitas falhas e explosões.

Podemos indagar se os profissionais envolvidos na operação e manutenção de tubulações e outros tipo de instalações estão cientes dos riscos existentes?
■ Será que as unidades industriais estão preparadas para manutenção de tubulações envolvendo substâncias perigosas?
■ Será que é possível conhecer todas as alterações e projetos das tubulações para execução de um programa de manutenção com segurança?
■ Será que existe conhecimento disseminado sobre as propriedades tóxicas e inflamáveis das substâncias existentes nas tubulações entre os trabalhadores de qualquer escolaridade?
■ Será que já existem procedimentos para a eliminação total dessas substâncias perigosas nas tubulações para manutenção?
■ Será que no imaginário do pessoal técnico e dos trabalhadores estão registrados os efeitos tóxicos das substâncias perigosas?
Esses questionamentos são importantes para elaborar procedimentos de segurança e treinamento do pessoal envolvido na manutenção de tubulações.

Acidentes
Em 26 de setembro de 2006, um operário morreu asfixiado e outro foi socorrido com início de asfixia em uma obra da Petrobras, em Igaratá, a 88 quilômetros de São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 21h30 no gasoduto em construção entre Campinas e Rio de Janeiro. O local do acidente fica a 30 quilômetros do centro de Igaratá e faz divisa com Jacareí no Vale do Paraíba.
Os dois funcionários de uma empresa que presta serviços para a refinaria trabalhavam na limpeza de uma tubulação, quando foram intoxicados por resíduos de nitrogênio. Eles caminharam por quatro metros dentro do duto. Os dois conseguiram deixar o local mas um deles, Rosevaldo Bezerra de Oliveira, acabou morrendo.

O outro funcionário, Marcos André da Silva, sofreu convulsões e foi socorrido a tempo por bombeiros de Jacareí. Ele permanece internado na Santa Casa de Jacareí mas, segundo a assessoria de imprensa do hospital, a família não autorizou informações sobre o estado de saúde.
Segundo relatos de outros funcionários que trabalhavam próximo ao local do acidente, a tubulação havia passado por um processo chamado de "inertização", procedimento que usa nitrogênio para proteger o duto da oxidação e evitar incêndios e explosões no transporte do gás, isolando todo o oxigênio do local.

A Petrobras, através de sua assessoria de imprensa, informou que as causas do acidente estão sendo investigadas. A empresa também lamentou o acidente. "O acidente ocorreu durante início de processo de limpeza da tubulação do gasoduto, que é feita de um instrumento denominado Pig Espuma e que provocou a morte por asfixia do empregado da empreiteira Azevedo e Travassos, Rosevaldo Bezerra de Oliveira. Outro empregado da mesma empresa está internado na Santa Casa de Misericórdia de Jacareí, com sinais vitais estáveis. Todos os esforços estão sendo empregados para apurar com rigor as causas do acidente", informou a nota oficial. Fonte: O Estado de São Paulo

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posted by ACCA@11:12 AM

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