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sábado, março 13, 2010

Acidente em quadra de futsal, jogador morre no Paraná

Durante uma partida de futsal válida pela Copa 200 anos, disputada entre Guarapuava/Deportivo Futsal e Palmeiras/Jundiaí no Ginásio Joaquim Prestes, no sábado, 6 de março, na cidade paranaense de Guarapuava, o jogador Robson Rocha Costa sofreu um grave acidente.
O jogador machucou-se ao dar um carrinho na quadra e um pedaço de madeira teria se soltado do piso e o ferido. A madeira teria entrado transversalmente pela coxa e atingido o intestino do atleta, causando hemorragia interna.

Lance do acidente
Aos três minutos de partida contra o Palmeiras Jundiaí, Robson Costa, do Clube Atlético Deportivo de Guarapuava, deu um carrinho para tentar evitar um lance de perigo do adversário. Perto do local, o goleiro e capitão do time, Flavio Araújo, o Brigadeiro, viu quando o companheiro gritou de dor e logo percebeu que o problema era sério. Foi o primeiro a pedir ajuda quando notou a lasca de madeira do piso do ginásio atravessada na coxa de Robson, que, consciente, chegou a fazer um pedido ao amigo.
"Eu estava bem perto do lance, dentro da área. Eu sabia que a lesão era grave, mas não do jeito que foi. Ele conversou comigo, tanto que me pediu para que eu mesmo arrancasse a madeira, para aproveitar que o sangue estava quente. Quando foi levado para o hospital, pediu para que a gente ganhasse o jogo", afirmou o goleiro.

Atendimento médico
Robson foi atendido por socorristas do Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital São Vicente de Paulo, onde deu entrada por volta das 20 h.A madeiras (ripa) entrou pela virilha perfurou várias artérias, ocorrendo intenso sangramento. Depois de passar por cirurgia, Robson não resistiu e acabou morrendo na manhã de domingo, por volta de 7h.
Após necrópsia do corpo, foi constatado que o jogador morreu vítima de um choque hemorrágico.

Investigações
As investigações ficarão por conta do Instituto de Criminalística de Guarapuava. A Polícia Militar (PM) deve encaminhar o boletim de ocorrência para a Polícia Civil. Assim, a delegada Maria Nysa Moreira Nanni deve analisar o processo e decidir se instaura o inquérito para apurar as causas da morte.

Outros acidentes ocorridos no mesmo local
■ Em outubro de 2008, durante um campeonato entre escolinhas de futsal no Ginásio Joaquim Prestes, em Guarapuava (PR), Giuliano Magela, com 11 anos na época, tentou fazer um cruzamento na linha de fundo e caiu. Uma lasca da quadra se soltou e ficou atravessada na panturrilha do garoto. Ele foi operado.
O pai de Giuliano, o publicitário Geraldo Magela, lembra que, na época, os administradores do ginásio prometeram tomar uma atitude para que o episódio não se repetisse.
"Meu filho ficou com marcas, que comprovam que há problemas na quadra. Ele vai ficar marcado para o resto da vida. Volta e meia ele reclama de dor. Mas, um ano e cinco meses depois, acontece à mesma coisa, no mesmo local. É um absurdo. Não é algo casual. Foi reincidência", afirmou.

■ Em 2008, ex-jogador da equipe de Guarapuava e atualmente no Cascavel, Davi também recorda de um episódio parecido, ainda que em menor intensidade. Um atleta do Japão que veio fazer teste no time paranaense se feriu na quadra durante um treino no ano passado. Não dá para comparar. Foi uma lasca de uns dois centímetros. Ele caiu, e um fragmento acabou entrando nas nádegas, perto das costas.

Fonte: Gazeta do Povo – 7 a 10 de março de 2010

Comentário
Se houve ocorrências registradas anteriores existem algum problema no piso.
O que exige a Federação de Esporte:
■ Piso permanente de madeira.
■ Piso de madeira móvel
■ Piso permanente sintético.
■ Piso sintético móvel.
O fabricante, junto com o instalador do piso, é obrigado a:
■ Ter um programa de qualidade de garantia de acordo com o ISO 9001 e ISO 9002
■ Produzir documentação para cada consumidor comprovando pelo menos o seguinte: resultados do teste protótipo, uma descrição do procedimento de instalação, os resultados da inspeção e a aprovação da instalação existente feita por oficiais de inspeção aprovados.
■ Para piso permanente de madeira, de acordo com DIN 18032-2

O que diz os instaladores de piso
■ Segurança: contra Farpas da Madeira e Aberturas Laterais (frestas) na Junção dos Encaixes das Réguas de Madeira
A conseqüência da dilatação e contração que experimentam os pavimentos de madeira, ao equilibrarem sua umidade com a do ambiente que lhes rodeia. Podem originar aberturas laterais (frestas) nos encaixes do piso e, desprender ferpas, criando risco de acidente aos atletas.
Para evitar, ao escolher a madeira, deve-se levar em conta, as espécies com características apropriadas e principalmente usar madeiras oriundas de empresas que detenham grande conhecimento e controle, Quanto à secagem artificial e usinagem das peças de piso de madeira, sendo esse controle que dará a qualidade final do pavimento esportivo.
Lembrando: - Piso de madeira de qualidade superior deve apresentar o mínimo possível de frestas e calafetação.
■ Estabilidade dos Agentes Atmosféricos
Todos os materiais que integram o pavimento, desde a superfície de uso até a estrutura, tais como madeira, adesivo, viguetas de suspensão, etc., devem reunir as condições exigíveis, para que se mantenha uma estabilidade dimensional correta.
■ Isolamento contra Umidade
O contrapiso deve estar devidamente preparado para evitar a ascensão da umidade procedente dos estratos inferiores, assim como as laterais.

Em geral consideramos esse tipo de acidente como fatalidade. Mas o que significa a fatalidade?
Segundo o dicionário do Houaiss, significa destino que não se pode evitar; fatalismo.
Podemos considerar como fatalidade, após a análise de todas as normas empregadas para construção de um piso para quadra de esporte. Mas como a quadra tinha evidências de outras ocorrências, os responsáveis deveriam solucionar esse problema. Ou seja, não acreditar que os acidentes ocorrem por acaso, ou que são frutos da fatalidade, pois tal concepção implica aceitar que é impossível preveni-lo.

Vídeo:

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posted by ACCA@5:22 PM

1 Comments:

At 6:50 AM, Blogger Valdecy Alves said...

Estado do Ceará é condenado a pagar 200 mil reais de indenização à família de estudante, morta dentro da escola, além de pensão até os pais da falecida completarem 65 anos. DIVULGUEM, POIS O MAIS FUNDAMENTAL É O CARÁTER PEDAGÓGICO DA CONDENAÇÃO, QUE VALE PARA ESCOLAS PÚBLICAS E PARTICULARES. Leia matéria em:

www.valdecyalves.blogspot.com

 

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