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quarta-feira, maio 23, 2007

Taj Mahal : poluição versus crescimento econômico


Durante mais de três séculos, o mármore de tonalidade branco-lírio do Taj Mahal conferiu a ele o esplendor puro e etéreo adequado a um monumento ao amor eterno.
Mas a fuligem de fábricas próximas está amarelando o Taj Mahal, e isso tem enfurecido grupos ambientalistas . Neste mês o problema incitou alguns membros do parlamento indiano a exigirem controles mais rígidos da poluição.

Os legisladores estão preparados para gastar centenas de milhares de dólares em várias obras com o objetivo de restaurar a brancura daquele que é um dos mais reconhecidos ícones arquitetônicos do mundo.

Taj Mahal – símbolo do frágil meio ambiente
O Taj Mahal se tornou o mais recente cenário de embate entre o crescente movimento ambientalista da Índia -que tem sido apoiado pelos tribunais- e as entrincheiradas potências industriais, muitas vezes apoiadas por políticos.

Para muita gente, a questão básica é determinar se a Índia é capaz de encontrar um equilíbrio entre a sua próspera economia e o seu frágil meio-ambiente.

"É bom que o parlamento demonstre a sua preocupação com o Taj Mahal e os fatores ecológicos que ameaçam o monumento, mas até o momento o governo não se preocupou muito em proteger o meio-ambiente e patrimônios culturais como o Taj Mahal", afirma Mahesh Mehta, um advogado especializado em questões ambientais que trabalha para preservar a elegante estrutura construída no século 17.

Mehta moveu diversas ações no supremo tribunal da Índia, obrigando o governo a reprimir os donos de centenas de casas de fundição, fábricas de tijolos e outros poluidores industriais, incluindo uma refinaria de petróleo, que surgiram em Agra e nos arredores da cidade.

Em 1993, o supremo tribunal da Índia ordenou o fechamento de mais de 500 estabelecimentos industriais próximos ao monumento a menos que estes instalassem dispositivos para controle da poluição ou passassem a usar combustíveis que gerassem menos poluentes. No fim das contas, 212 dessas indústrias foram fechadas, provocando o desemprego de 13 mil trabalhadores.

"É evidente que as indústrias estão sendo injustamente alvo de ataques", reclama Manish Agrawal, vice-presidente da Câmara Nacional de Indústria e Comércio em Uttar Pradesh, o Estado mais populoso da Índia.

"Os tribunais e o governo deveriam perseguir os motoristas de caminhões e dos táxis movidos a gás. A fumaça negra dos caminhões movidos a óleo diesel e dos auto rickshaws (táxis de três rodas, muito usados na Índia) movidos a gás causam mais danos ao Taj Mahal do que as fábricas, muitas das quais já praticam o controle da poluição", diz ele.

Os tribunais baniram os veículos queimadores de gás nas proximidades do Taj Mahal. A maioria dos turistas é levada ao monumento em ônibus movidos a baterias elétricas ou em carruagens puxadas por cavalos.

TajMahal
O Taj Mahal foi concluído em 1654 pelo governante de Mughal, Shah Janan, que construiu o edifício para a sua mulher, Mumtaz Mahal, que morreu ao dar a luz ao 14º filho de Janan.
A obra-prima arquitetônica se tornou um dos destinos turísticos mais lucrativos da Índia, atraindo cerca de três milhões de visitantes por ano e sendo responsável por uma grande parcela dos mais de US$ 30 bilhões arrecadados anualmente pela Índia com o turismo.

População preocupada com saneamento
Não muito longe do Taj Mahal, as auto-estradas impecáveis que passam em frente a cintilantes prédios de escritórios e shopping centers recém-construídos no entorno da cidade dão lugar a ruas esburacadas cheias de lixo e marcadas por uma confusão interminável formada por lojas artesanais e carroças que carregam alimentos.

Agra é uma cidade arenosa e de relevo ondulado, de 1,3 milhão de habitantes. Uma procissão constante de carros que buzinam incessantemente, caminhões e carroças serpenteia por entre uma multidão de pedestres e manadas de vacas soltas.

Para a maioria dos moradores daqui, o amarelamento do mármore branco do Taj Mahal é uma questão menor comparada ao fato de poucos deles terem acesso a água limpa.

O Rio Yamuna, que corre próximo ao Taj Mahal, absorveu enormes quantidades de lixo industrial, resíduos agrícolas e esgoto não tratado de Agra e de diversas outras cidades, incluindo Nova Delhi, a capital da Índia que fica mais de uma centena de quilômetros a montante.

Sem o tratamento de água, a água não pode ser bebida, o que obriga a maioria dos moradores de Agra a comprar água mineral ou cavar poços artesianos. De qualquer forma, o acesso a água potável é um luxo para a população.

Fonte: UOL - Cox Newspapers - 17 de maio de 2007

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posted by ACCA@8:44 AM