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domingo, maio 06, 2007

Mega explosão do depósito de combustíveis de Buncefield – Parte 1


Em 11 de dezembro de 2005, às 6 h, domingo, uma mega explosão no depósito de Buncefield, um grande terminal de distribuição de combustível, que armazena óleo, gasolina e querosene, foi ouvida a 322 km de distância.

Local
O deposito de combustível de Buncefield está localizado em Hemel Hempstead, situado aproximadamente 24 km a noroeste de Londres. O depósito é o quinto maior no Reino Unido e de importância estratégica para operação de diferentes companhias. O deposito recebe gasolina, combustível de aviação, diesel e outros combustíveis por oleoduto. Os combustíveis são armazenados e distribuídos por oleodutos e caminhões tanques. O deposito de Buncefield antes do incidente tinha participação de 8% da distribuição de derivados de petróleo no Reino Unido e de 40% de combustível de aviação no aeroporto de Heathrow.

Conseqüências da explosão
A explosão quebrou vidraças/vidros em residências situadas a 3 km de distância, destruiu área industrial circunvizinha, incluindo colapso total ou parcial de numerosos edifícios comerciais.

Vítimas
Cerca de 43 pessoas ficaram feridas na explosão, mas ninguém sofreu ferimentos graves ou fatais.

Acionamento do Corpo de Bombeiros
Às 6 h 02 min o centro de controle de serviços de combate contra incêndio e salvamento de Hertfordshire recebeu a primeira das sessenta chamadas sobre o incidente.Outros centros da vizinhança receberam mais de cento cinqüenta chamadas. O oficial em comando declarou a ocorrência como “incidente grave” apenas oito minutos após a sua chegada no local.

Chegada das equipes de bombeiros no local do incidente
As primeiras equipes confrontaram com um cenário de destruição generalizada, abrangendo vários quilômetros quadrados. Foi descrito como o maior incidente na Europa no tempo de paz. Encontraram vinte tanques em chamas, elevando-se a 60 m de altura, acompanhada de uma nuvem negra, densa, deslocando-se em direção sudeste.

Explosão destruiu equipamentos estratégicos de controle do depósito
A explosão destruiu o centro de controle do deposito, a casa de bomba de água de emergência e interrompeu completamente as estradas limítrofes. A intensidade do fogo interrompeu o acesso a dois dos três sistemas de abastecimento de água de emergência.

Plano de combate ao fogo
O plano preliminar seguiu as diretrizes e concentrou-se no maior depósito em chamas, atacando com concentrado de espuma, água e equipamento gerador de espuma, armazenados no local para uso imediato das equipes locais.

Bombeiros já conheciam e foram treinados no local
As equipes de Hertfordshire receberam treinamento no local utilizando os equipamentos disponíveis, mensalmente, durante os últimos seis meses.

Comando Geral do Incidente
Foi instalado o comando de incidente de grandes proporções na central de polícia de Hertfordshire.
Os serviços de emergência no Reino Unido operam por meio de uma estrutura de comando dividido em Ouro, Prata e Bronze. O comando Ouro equivale ao estratégico, isto é, localizado fora do local do incidente. O comando Prata é equivalente ao tático, opera as unidades de comando no local e o comando Bronze opera na linha de frente.
Durante os cinco dias seguintes os principais oficias de Hertfordshire revezaram no comando Ouro (estratégico) e também para garantir a presença de um deles no local do incidente.

Combate inicial ao fogo
Foi necessário conduzir o incidente em diversas fases, tais como;
1) Em primeiro lugar foi conduzida as operações de busca e salvamento em diversos edifícios colapsados e danificados;
2) Oito viaturas de combate contra incêndio e recursos aéreos permaneceram no local (apoio) enquanto decorriam as operações de busca e salvamento;
3) Enquanto decorriam as operações de busca e salvamento foi necessário estabelecer cortinas d’água para resfriamento e proteção dos tanques que ainda não foram afetados pelo fogo

Preocupação com o meio ambiente
O comando estratégico (Ouro) começou a discutir as questões ambientais e de saúde em conseqüência do incêndio, incluindo o comportamento da fumaça e também a possibilidade que o incêndio prolongasse por até nove dias.
A análise da fumaça (plume, semelhante ao formato de uma fumaça cônica invertida) através da modelagem, baseada em simulação de computador, sugeria que a movimentação da fumaça poderia atingir o continente europeu, principalmente França, Bélgica e Luxemburgo em vinte quatro horas.
Devido ao problema da fumaça e suas conseqüências o comando estratégico decidiu combater ao incêndio ativamente em vez de deixar que se queimassem até a sua extinção (método tradicional de combate).

Vizinhança
Os bombeiros aconselharam os moradores que ficassem em suas casas e escutassem as informações de rádio e TV local sobre o desenrolar do incêndio.
Devido a possíveis efeitos da poluição as aulas foram suspensas por dois dias em duzentos e cinqüenta escolas.

Recursos adicionais de equipamentos de combate contra incêndio
Com a decisão de combater ao fogo, o comando estratégico identificou as necessidades de suprimentos e encomendou;
1) grande quantidade de espumas
2) bombas de grande vazão, de quase 8.000 l/min, usando mangueiras de 15 cm (seis polegadas)

Movimentação de veículos e estradas
Na primeira fase a auto-estrada M1 vizinha do local ficou fechada por 12 h. Foi reaberta na noite de sábado. A auto-estrada M10 também ficou fechada nas primeiras horas para ser usada como área de manobra de viaturas de incêndio e de serviços de salvamento.
A reabertura completa da auto-estrada M1 tornou-se objetivo principal do governo devido à proximidade do Natal e foi liberada na manhã de domingo, 17 de dezembro.

Delimitação de zona de segurança
O comando estabeleceu uma zona de exclusão aérea em uma área de 16 km de altura e perímetro de 1,6 km para proteção ao tráfego aéreo e excluir os helicópteros da mídia. Essa zona de exclusão teve ser reforçada na sexta-feira de manha, quando os helicópteros da mídia começaram a aproximar-se do local e afetando a camada de espuma utilizada para prevenir a reignição.

Plano tático
O vice-comandante comandou uma equipe que incluía; bombeiros profissionais da indústria de petróleo, peritos técnicos, gestores do local, oficiais bombeiros de Hertfordshire e outras autoridades locais.
Essa equipe decidiu lidar com o fogo em quatro fases;
A primeira fase de operação seria isolar os incêndios e proteger os tanques intactos por meio de cortina d’água.
As demais fases iriam trabalhar progressivamente nos demais tanques e também garantir a manutenção das camadas de espuma já colocadas.
O ataque passaria de um tanque para outro, deixando o maior tanque com incêndio para ser atacado por último. O plano devia ser flexível para lidar com incêndio de diques, reignições, colapsos de tanques e alimentação de incêndios provocados pelo calor e pressão.

Disponibilidade de água
A única fonte de água disponível era um pequeno lago, distante 1,8 km, que necessitava de construção de uma estrada provisória para acesso ao local e permitir que o barco de salvamento de Hertfordshire colocasse as bombas. A estrada provisória foi construída e foram montadas 14 bombas de grande vazão com ajuda de guindastes.
O plano de combate exigiria 32.000 l/min de água e 1.200 l/min de concentrado de espuma. Houve também solicitação de instalação de iluminação na área por holofotes. Isso exigiu logística extraordinária para abastecer a linha de frente de combate ao fogo.
Continua na parte 2
Vide fotos ampliadas

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posted by ACCA@4:24 PM