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domingo, abril 01, 2007

Usinas buscam pessoas fortes para cortar cana

Novo biotipo do cortador de cana
■ As usinas estão barrando trabalhadores que não atingem cota de produção elevada nos canaviais do interior de São Paulo.
■ A exclusão atinge cortadores de cana com mais de 40 anos, os carteiras brancas (sem experiência) e aqueles com histórico de licenças médicas na ficha. A linha de corte seria uma produção mínima de dez toneladas de cana colhida por dia. Por isso, as mulheres estarão menos presentes na maior safra de cana-de-açúcar do Estado que começa a ser colhida.

Os excluídos
Entre os excluídos, muitos vieram de outros Estados e, sem dinheiro para o retorno, vagam pela cidade de Guariba em busca de ajuda. Quase sempre batem à porta da Pastoral do Migrante, ligada à Igreja Católica, ou do Sindicato dos Empregados Rurais de Guariba.

Fiscalização e seleção de trabalhadores de cana
O presidente do sindicato, Wilson Rodrigues da Silva, conta que as usinas aumentaram as exigências depois das denúncias das “birolas” mortes por exaustão nos canaviais. De acordo com a pastoral, de abril de 2004 até o fim do ano passado, houve 17 mortes de cortadores associadas ao excesso de esforço. Este ano, a pastoral contabilizou entre as suspeitas a morte do cortador José Pereira Martins, de 51 anos, ocorrida no plantio. Ele sofreu um enfarte.

O aumento na fiscalização do Ministério do Trabalho agravou a exclusão, segundo Silva. “As usinas dispensam cortadores que são apanhados sem luvas, caneleiras e equipamentos obrigatórios.” Por trás dessas justificativas, há o interesse das empresas em ter mão-de-obra altamente produtiva e de baixo custo. Silva acredita que por isso as mulheres estão sendo barradas. “Elas perderam o espaço por causa da competição por produtividade.”

Tipo de cana exige mais trabalho
Por causa de variedades de cana transgênica, mais leves e com alta concentração de sacarose, o cortador precisa trabalhar 40% mais para colher a mesma tonelagem de 10 anos atrás. “É uma cana resistente a pragas, por isso tem a casca dura, que dificulta o corte.” A média de renda, no plantio, é de R$ 680, valor que sobe para R$ 900 na safra. “O etanol é a vitrine do mundo, mas o trabalhador continua sendo explorado. Não ganha bem, se alimenta mal e deixa sua saúde no canavial”, diz o sindicalista.

Fonte: Cruzeiro do Sul - 1 de abril de 2007

Comentário:
De um lado o Ministério do Trabalho aumenta a fiscalização no período de safra, entretanto, devido à agilidade e competição do mercado as usinas podem selecionar os trabalhadores mais aptos, com condições físicas adequadas para o tipo de trabalho.
Um trabalhador padrão que corta hoje 12 toneladas de cana em média por dia de trabalho realiza as seguintes atividades no dia:
■ Caminha 8.800 metros;
■ Despende 366.300 golpes de podão;
■ Carrega 12 toneladas de cana em montes de 15 kg. em média cada um, portanto, ele faz 800 trajetos levando 15 Kg. nos braços por uma distância de 1,5 a 3 metros;
■ Faz aproximadamente 36.630 flexões de perna para golpear a cana;
■ Perde, em média 8 litros de água por dia, por realizar toda esta atividade sob sol forte do interior de São Paulo, sob os efeitos da poeira, da fuligem expelida pela cana queimada, trajando uma indumentária que o protege, da cana, mas aumenta a temperatura corporal. O trabalhador é um autêntico soldado de elite cortador de cana ou um robocop.
O que o governo deveria fazer é analisar o que poderia melhorar em relação a segurança/trabalho dos cortadores de cana, tais como; refeitório, dormitório, EPI, contrato de trabalho temporário e seguro de acidentes pessoais e produtividade (fixar limites, média e máxima). ACCA

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posted by ACCA@4:21 PM