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quarta-feira, novembro 15, 2006

Serralheiro morre ao cair do Conjunto Nacional

Em 12 de outubro de 2006, manhã de domingo, um serralheiro caiu do parapeito do Conjunto Nacional, em Brasília, por volta das 9h30, de uma altura entre 20 e 30 metros de altura, teve morte instantânea

Vítima
Valdivino da Paixão Rodrigues, 47 anos, pai de três filhos.

Causa
Os funcionários estranharam o comportamento de Valdivino. Disseram que os profissionais que sobem ao alto do prédio costumam ficar em uma calha, mas o serralheiro teria se equilibrado sobre o parapeito, um local mais inseguro. Ele subiu no topo do centro comercial para pegar sobras de metal. O material seria soldado e reaproveitado.

Montagem de enfeites de Natal
De acordo com os colegas, Valdivino era responsável por construir enfeites metálicos em um galpão. Outros nove profissionais é que instalavam o material no Conjunto Nacional, quatro homens em solo, para fazer a segurança, e quatro no alto do prédio, juntamente com um brigadista. Desses, três eram treinados para descer de corda (rappel) e instalar o enfeite.

Empresa terceirizada
Valdivino era funcionário terceirizado para fazer a decoração natalina do centro comercial. A empresa dele foi contratada pela Chico Leite Cenografia, que prestava serviços ao Conjunto Nacional. As duas empresas eram de Goiânia, onde morava o serralheiro.

Shopping Conjunto Nacional
No Conjunto Nacional, além das lojas, possui quatro pisos de consultórios, escritórios e diversos serviços. São 410 salas comerciais, 200 consultórios médicos e odontológicos, 50 escritórios.

Conjunto Nacional e segurança
O centro comercial afirmou que sempre cobra dos prestadores de serviço e seus funcionários o uso de todas os procedimentos de segurança exigidos. Esse seria o caso da Chico Leone Cenografia.

Apuração do acidente
O shopping está tomando todas as providências cabíveis para a promover rápida apuração das causas do acidente, bem como a total assistência à Chico Leone Cenografia, empresa idônea responsável pela execução do serviço, com experiência de mais de 25 anos.

Fonte: Correio Braziliense – 12 de novembro de 2006

Comentário
Uma coisa é cobrar, exigir e fiscalizar. Outra coisa é ter um plano de prevenção de riscos e permissão de trabalho. Muita empresa pensa que cobrar e exigir segurança da prestadora de serviço é suficiente para eliminar o risco.Um bom plano, para início das atividades da prestadora de serviço está condicionado à aprovação da análise de riscos pelo setor de segurança do trabalho, pela prestadora de serviço e pelo funcionário responsável pela área onde a atividade será executada.

Conforme disposto na NR 1, “A empresa é obrigada a informar aos trabalhadores os riscos profissionais que possam originar nos locais de trabalho, os meios para prevenir e limitar tais riscos e as medidas adotadas pela empresa.”

Portanto, efetuar as análises e orientar os empregados ou subcontratados é uma obrigação prevista em lei. Dessa forma, a prestadora de serviço deve designar seu representante, para que possa, in loco, analisar os riscos, descrevê-los em impresso próprio e assiná-lo em conjunto com o setor de segurança do trabalho do contratante.

O que diz a norma em trabalho em altura
Para todo e qualquer trabalho executado acima de 2 (dois) metros de altura onde haja risco de queda, deve ser usado cinto de segurança com talabarte duplo preso a um cabo de segurança ou a uma estrutura fixa, durante todo o deslocamento pelas estruturas.

Obviamente a empresa (Conjunto Nacional) não estava preparada com um plano de segurança de trabalho em altura para exigir e fiscalizar a prestadora de serviço quanto à obrigatoriedade do uso do cinto de segurança para todos que realizam trabalhos em locais elevados e que ofereçam riscos de queda.

Mais uma fatalidade em trabalho em altura, em que as partes envolvidas, não tinham plano de prevenção de riscos. O trabalhador era apenas um equilibrista, sem nenhuma proteção de segurança, sem noção do risco que estava correndo. Após a fatalidade a empresa apurará os fatos? Se a empresa tivesse cultura de prevenção de riscos não autorizaria a execução do serviço sem as medidas adequadas de segurança. Esta é a realidade.
No Brasil, após um acidente fatal , indagamos: O que houve de errado? E nunca preocupamos com a prevenção. O que pode dar errado? As autoridades buscam os culpados, esquecendo-se das causas reais do acidente.

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posted by ACCA@8:06 AM