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sexta-feira, abril 14, 2006

Incêndio em Maringá


Incêndio em Maringá
Na noite de segunda-feira, 6 de agosto de 2001, um incêndio destruiu o Shopping Center Brasil e a loja Studio Matrice, no centro de Maringá.O prédio onde funcionava o shopping tinha mais de 30 anos, mas havia passado por uma reforma há um ano e meio, quando os empresários Reginaldo Caleffi Navarro e Altamir Vinheski assumiram o shopping e a sua administração.
Abalado, o empresário Navarro não quis falar sobre o que aconteceu e pediu que o sócio conversasse. Vinheski lembrou que durante a reforma o sistema de hidrantes também havia sido totalmente revisado, já que o prédio não tinha caixa d'água e a água subterrânea precisava ser bombeada através de um motor de carro.
"O prédio passou por uma grande revisão e não havia nenhum problema nas instalações do shopping", disse.
O Corpo de Bombeiros confirmou que no dia 27 de junho havia feito uma vistoria nas instalações de prevenção de incêndios do prédio e que haviam sido feitas algumas exigências, que foram cumpridas. "Faltava à mangueira de hidrante e havia alguns cilindros de gás de cozinha em local inadequado. Eles providenciaram as mudanças", informou o tenente Gilberto Gavlovski.
O empresário Vinheski comentou que apesar da tragédia eles esperam resolver essa situação o mais rápido possível. Segundo informou, o prédio tinha um seguro contra incêndio no valor total de R$ 500 mil, além de um seguro para reconstrução das lojas, em caso de necessidade, no valor de R$ 100 mil. "O valor deverá ser suficiente para cobrir os gastos com a reconstrução do galpão pré-fabricado e das lojas", informou.
O administrador disse que das 105 lojas que funcionavam no local, apenas algumas tinham um seguro particular contra incêndio. Segundo ele, a maioria deverá sofrer um grande prejuízo, com a perda do estoque. "A corretora de seguros informou que nos casos de incêndio, a liberação do dinheiro é rápida, assim que sai o laudo da perícia. Quando isso acontecer, vamos iniciar a reconstrução do shopping, que imaginamos não demorar mais de 90 dias, após o início da obra", concluiu.
LOJISTAS
Ricardo dos Santos, dono de uma das lojas do shopping, informou que o seu prejuízo deverá chegar aos R$ 45 mil. Sem seguro, o comerciante lamentou o que aconteceu e disse que parte da tragédia poderia ter sido evitada.Segundo Santos, ele foi avisado do incêndio por volta das 19h10, por um amigo lojista da avenida Brasil e chegou ao local, minutos depois.
Mas, de acordo com suas informações, o Corpo de Bombeiros demorou para chegar lá. "Eles chegaram por volta das 19h40, quando não dava mais para controlar o fogo, que já havia atingido até a Studio Matrice", lamentou.O comerciante espera que a Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim) e a prefeitura possam encontrar uma maneira de ajudar os lojistas.
A expectativa do comerciante é que seja criada uma linha de crédito especial para a compra de estoque e a reconstrução das lojas. "Sem essa ajuda será difícil recomeçar", informou.Santos também tem uma loja no 'Direto da Fábrica", na esquina da avenida Brasil, e já está providenciando um seguro contra incêndio para evitar outra tragédia. "Eu tinha mais medo do Direto da Fábrica, porque é mais antigo. Agora, o jeito é fazer um seguro para garantir", concluiu.Maria Aparecida de Oliveira Silva, dona de loja, também perdeu todo o estoque no incêndio. Segundo seus cálculos, o prejuízo será de R$ 15 mil. A comerciante não tinha seguro, mas espera recuperar o que perdeu. "Tenho outra loja no Shopping CIC e espero conseguir recuperar o que perdi", lamentou.
HISTÓRIA
Altamir Vinheski, sócio proprietário do Shopping Center Brasil, contou sua versão da tragédia. Segundo ele, as primeiras informações que chegaram diziam que o incêndio teria sido provocado por um curto circuito no interior do shopping.Vinheski lembrou que os funcionários da empresa responsável pela segurança do prédio, de do horário comercial, ligaram informando sobre um princípio de incêndio no Shopping CIC. "Eles não sabiam informar onde estava acontecendo o problema, se confundiram. Só depois confirmaram que era na avenida Brasil", informou.
A primeira notícia chegou até o empresário por volta das 19h40, segundo contou. Vinheski informou que o Corpo de Bombeiros já havia sido acionado pela empresa de segurança, que não conseguiu conter o incêndio."Os funcionários da empresa de segurança não têm as chaves para entrar no prédio, mas acho que eles arrombaram a porta". O empresário disse que o funcionário tentou ligar a mangueira do hidrante, mas não conseguiu porque não sabia que era preciso acionar um motor para puxar a água. "Ele não tinha conhecimento de como funcionava o sistema de hidrantes do prédio", lamentou.
De acordo com o empresário o fogo consumiu as lojas e a loja vizinha em aproximadamente 40 minutos. "Foi muito rápido, queimou tudo", disse. Sobre a atuação do Corpo de Bombeiros, Vinheski não quis dizer nada. "Não tenho conhecimento técnico para falar sobre o trabalho dos bombeiros. Eles estavam lá e apagaram o incêndio", concluiu.
Fonte: O Diário (Maringá) - 7 de Agosto de 2001

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posted by ACCA@12:17 PM