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sexta-feira, abril 14, 2006

Explosão em indústria de alumínio


Explosão em indústria de alumínio

Uma violenta explosão aconteceu logo de manhã, segunda-feira, do dia 6 de julho de 1999, na indústria Kaiser Alumínio, localizada na cidade de Gramercy, em Lousiana. A explosão feriu 29 trabalhadores. Os moradores próximos à indústria disseram: "Após a explosão, surgiu uma nuvem vermelha corrosiva no ar", em toda área residencial próxima a fábrica.
A explosão estremeceu as residências, quebrou janelas e vidros e foi sentida a cerca de 40 km.As autoridades disseram que os moradores permaneceram em suas casas com janelas fechadas, pelo menos sete horas.
Muitos dos moradores (pelo menos 100) sentiram náuseas, problemas respiratórios e foram encaminhados ao hospital. Todos foram medicados e liberados.Dezenove trabalhadores foram hospitalizados, sendo quatro na unidade de queimadura. Alguns trabalhadores tiveram problemas nos olhos devido à nuvem química provocada pela explosão, e outros trabalhadores sofreram cortes profundos por causa de fragmentos metálicos lançados pela explosão.
A explosão provocou uma nuvem química no ar, impregnando carros, casas e pessoas que saíram à rua para verificar o que estava acontecendo. Segundo o porta voz da Kaiser, a fábrica permanecerá no mínimo três meses fechada, pois os danos foram graves. A fábrica está operando no local desde 1957.A Agência Federal de Saúde e Segurança de Minas será responsável pela investigação do acidente e também se a indústria cometeu algum tipo de infração em relação às normas de segurança federal, que tem a finalidade de proteger os trabalhadores.
INFRAÇÕES COMETIDAS EM RELAÇÃO ÀS NORMAS DE SEGURANÇA
Em 7 de Janeiro de 2000, a Agência Federal divulgou que a indústria cometeu vinte e três infrações em relação à norma de segurança. Das vinte e três infrações, sete foram infrações graves que contribuíram diretamente para a explosão e as demais foram associadas à violação da norma.De acordo com o secretário da Agência Federal : "É norma da Agência efetuar a divulgação das infrações para o cumprimento da lei".
RELATÓRIO FINAL E MULTAS
Em 15 de março de 2000, a Agência Federal concluiu o relatório do acidente e indicou que a causa principal foi à inoperância do sistema de alívio de pressão.A Agência aplicou uma multa de US$ 533.000,00 contra a Kaiser Alumínio por ter cometido infrações (23) contra as normas de segurança.A Agência levou em consideração para aplicar a multa: a complexidade da operação, o grau de negligencia envolvida, a gravidade da infração e a boa fé da indústria para atender as normas de segurança.
A Agência apontou sete infrações graves cometidas pela indústria e foi aplicada uma multa de US$ 55.000,00 para cada uma delas. E também foi aplicada uma multa de US$ 100.000,00 a indústria pela interferência e dificuldades em fornecer informações durante a investigação no local. E outras multas foral aplicadas, perfazendo o total de US$ 533.000,00AS

PRINCIPAIS INFRAÇÕES GRAVES APONTADAS PELA AGÊNCIA FORAM AS SEGUINTES:
1. O sistema de alívio de pressão, instalado para aliviar a pressão excessiva nos tanques de expansão 7, 8 e 9 (flash tanks) foi inoperante. A pressão excessiva formada e conseqüentemente causou uma ruptura violenta de um ou mais tanques. Houve falha para corrigir esse defeito naquele momento e comprovou falha grave nos procedimentos, mais do que uma negligencia e sim uma falha injustificável para cumprir a execução da norma de segurança.
2. O sistema de alívio de pressão, instalado para aliviar a pressão excessiva no tanque de expansão 6 (flash tanks) foi inoperante. A pressão excessiva formada causou a explosão desse tanque
3. Na seção da tubulação de alívio de pressão indicada para aliviar a pressão para os digestores e tanques de expansão (flash tanks) estava bloqueada e pelo menos uma parte da seção estava com incrustação. A incrustação estava acumulada no interior de várias tubulações por um longo período de tempo.
4. A tubulação de 36" de descarga para conexão do tanque de Blow-off para o tanque de alívio estava reduzido devido à incrustação . Esta incrustação reduziu o fluxo da pasta do tanque após a falha elétrica.
5. A rotina de gerenciamento de operação da Kaiser permitiu que no processo de digestão funcionasse enquanto a pressão de um ou mais vasos de pressão excedia a sua capacidade nominal de produção.
6. O gerenciamento de operação falhou para analisar os riscos existentes na área e conseqüentemente falhou em analisar os procedimentos para corrigir as condições que poderiam provocar riscos aos trabalhadores. O controle de operação para o tanque de expansão no 7 (flash tank) para a pressão excessiva indica a capacidade e falhou propriamente em manter o sistema de alívio de pressão para vasos de pressão na área de digestão. Demonstra-se que a gerencia sabia ou deveria conhecer esses riscos e falhou em colocar em ação medidas corretivas.
7. O operador da sala de controle de digestores não tinha treinamento adequado em dispositivos de segurança. O operador não tinha treinamento ou conhecimento de procedimentos que poderiam implementar em caso de falha elétrica.A Agência reclamou da "Kaiser" que dificultou os trabalhos de investigação do acidente, com demora na entrega de documentos, projetos, diagramas e alterações ou eliminação de registros armazenados sem o consentimento da própria Agência. Outras infrações cometidas pela empresa foram o treinamento inadequado aos empregados e a falta de equipamentos de segurança para alguns empregados.

Fonte : Mine Safety and Health Administration - MSHA News Release - 2000.

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posted by ACCA@12:38 PM