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quarta-feira, outubro 05, 2016

Inspeção e teste de sistemas de proteção contra incêndios

Os sistemas de proteção de incêndio são um fator essencial na redução de perdas potencialmente elevadas, causadas por incêndios em qualquer propriedade. Evidências estatísticas da supressão de fogo por equipamentos de proteção contra incêndios, adequadamente projetados e mantidos, têm comprovado a eficácia desses sistemas. Infelizmente, perdas causadas por grandes  incêndios não controlados decorrentes do mau funcionamento de equipamentos de proteção continuam a ocorrer, em virtude de inspeções e testes insuficientes.

Alguns dos problemas recorrentes que continuamos a enfrentar, causados por deficiências em inspeções, incluem:
■Fechamento não detectado de válvulas de controle de sistemas de sprinklers
■Bombas de incêndio inoperantes
■Tanques de abastecimento de água vazios
■Mau funcionamento de equipamentos especiais de supressão
■Portas corta-fogo inoperantes ou obstruídas
■Sistemas de detecção inoperantes
■Alarmes inoperantes
■Válvulas de controle de sprinklers inoperantes

A direção/gerência de unidade/fábrica deverá adotar uma abordagem firme para estabelecer um programa de inspeções, testes e manutenção periódicos dos equipamentos de proteção contra incêndios, em um esforço de manter a confiabilidade operacional dos sistemas contra incêndios.
A direção deverá considerar programa documentado de inspeção da proteção contra incêndios, como parte das operações continuamente eficientes da unidade industrial. A alta direção deverá estabelecer uma política determinando um programa de auto inspeção em cada unidade.

Os procedimentos desenvolvidos a seguir, poderão servir como um roteiro para a empresa  desenvolver o seu próprio sistema. Estes procedimentos fornecem uma visão geral dos principais requisitos de inspeção, testes e manutenção das diversas normas ABNT/NFPA/Corpo de Bombeiros que se aplicam aos sistemas de supressão de incêndios. Para conhecer a íntegra dos requisitos, consultar as normas aplicáveis.
Os procedimentos oferecem  uma visão geral das diversas inspeções que deverão ser executadas.

PROCEDIMENTOS DE INSPEÇÃO

1. VÁLVULAS DE CONTROLE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA PARA PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS
Isto inclui todas as válvulas de controle do sistema de sprinklers, válvulas de controle de abastecimento de água e das bombas de incêndio, e demais válvulas do sistema.
a. Todas as válvulas individuais deverão ser inspecionadas visualmente se estiverem lacradas.
Se as válvulas estiverem travadas abertas ou contarem com supervisão eletrônica, a inspeção poderá ser feita mensalmente.
b. Todas as válvulas deverão ser inspecionadas para verificar se estão “travadas” na posição aberta; o formulário de inspeção deverá ser assinalado de
acordo.
c. Quando uma válvula de controle for encontrada destravada, ela deverá ser testada fisicamente, girando-a até a posição completamente aberta e executando-se um teste do dreno principal, geralmente a jusante da válvula, para verificar se está completamente aberta. A válvula deverá então ser travada. Deve-se lembrar de que todas as válvulas deverão ser lacradas se não tiverem uma trava.
d. Se uma válvula de controle for encontrada fechada, o motivo deverá ser determinado. Se nenhum problema for determinado, a válvula deverá ser aberta, um teste de dreno de 2” (5,08 cm) deverá ser realizado e a válvula deverá ser travada. O motivo de a válvula estar fechada deverá ser investigada.
OBS.: As chaves de válvula para caixas de registro de recalque deverão estar disponíveis em local acessível na unidade industrial.

2. BOMBAS DE INCÊNDIO
Para fins de documentação identificar cada bomba pelo número de série e sua localização.
Cada bomba deve ser ligada automaticamente por queda de pressão.
■com motores à combustão devem ser operadas por pelo menos 30  minutos por semana;
■ bombas de incêndio com motores elétricos devem ser operadas por no mínimo 10 minutos por semana;

a.Teste anual de desempenho das bombas de incêndio
Deverá incluir todas as bombas de incêndio e bombas de reforço.
a Todos os alarmes de supervisão dos controladores das bombas deverão ser testados para condições como falta de energia e/ou se a chave principal do controlador foi desligada ou passada para a posição manual.
b. Testar os alarmes de problemas do controlador do acionamento por motor de combustão interna:
1. Falha no arranque
2. Excesso de rotação do motor
3. Pressão baixa do óleo
4. Temperatura elevada da água de resfriamento
5. Falha da bateria
OBS.: Consultar o Manual de Operação do fabricante do controlador para obter os métodos de teste do alarme.
d. A manutenção da bomba de incêndio deverá ser executada de acordo com os requisitos da Norma, do fabricante da bomba e do fabricante do controlador da bomba.

3. TANQUES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA
Cada tanque deverá ser identificado por sua localização ou número.
Nos tanques não equipados com alarmes de nível de água o nível de água em cada tanque deverá ser verificado através do indicador de nível ou pelo transbordamento do tanque. Para tanques providos com alarmes de nível de água conectados a um local constantemente assistido, a inspeção do nível do tanque poderá ser feita trimestralmente.
A parte externa do tanque, sua estrutura de suporte, a fundação dos respiros e passarelas ou escadas, onde houver, deverão ser visualmente inspecionadas para identificação de sinais de danos, enfraquecimento ou oxidação. O tanque deverá estar livre de materiais armazenados, lixo, vegetação rasteira ou outros riscos de incêndio.

4. ABASTECIMENTO PÚBLICO DE ÁGUA
Verificar se a rede pública de abastecimento está em pleno funcionamento. A maior preocupação é assegurar que todas as válvulas de controle do reservatório local estejam abertas e lacradas. Caso a confiabilidade do abastecimento local de água não seja confiável em virtude
de grandes flutuações de pressão, sejam elas sazonais ou periódicas, um manômetro de pressão estática deverá ser instalado no conjunto de válvula de retenção, no lado conectado ao reservatório da rede pública de abastecimento de água. Leituras de pressão anormalmente baixas deverão ser registradas no formulário de relatório, e essa condição deverá ser levada à atenção da concessionária de água para que possa ser sanada.
Se as válvulas no reservatório local estiverem travadas na posição aberta, esta inspeção poderá ser feita mensalmente.

5. SISTEMAS DE SPRINKLERS, SISTEMAS DE ASPERSÃO DE ÁGUA
Inspecionar os medidores nos sistemas de tubulação seca, pré-ação e de dilúvio, para assegurar que as pressões de ar e água sejam corretas. Todos os problemas constatados durante a inspeção deverão ser anotados e corrigidos prontamente.
Inspecionar todos os dispositivos de alarme de fluxo de água para confirmar que estejam isentos de danos físicos.
Testar os dispositivos mecânicos de fluxo de água (gongos hidráulicos).
Testes do dreno principal de 2” (5,08 cm) deverão ser realizados em todos os sistemas de sprinklers e de aspersão de água.
Para confirmar que as válvulas de controle do sistema estejam na posição completamente aberta, a válvula de dreno do sistema de 2” deverá ser aberta e a pressão deverá ser registrada. As válvulas de dreno deverão então ser lentamente fechadas para evitar a criação de um golpe de aríete em decorrência de um surto de pressão. A pressão estática na coluna deverá então ser registrada. A pressão estática poderá variar ligeiramente em relação à pressão de testes anteriores, em virtude de flutuações normais no consumo de água da rede. A diferença entre as
pressões estática e sob vazão registradas representa a perda de carga por atrito na tubulação entre a fonte de abastecimento de água e a conexão do manômetro na coluna, com a água sendo
descarregada através da válvula de dreno de 2” (5,08 cm) completamente aberta.
Se a pressão estática não retornar ao normal, ou se a pressão diferencial aumentar significativamente em relação a registros anteriores, a causa deverá ser determinada e medidas corretivas deverão ser aplicadas imediatamente. Os motivos para uma situação dessas podem ser uma válvula de controle parcialmente fechada ou uma obstrução na tubulação subterrânea.

6. SISTEMAS DE EXTINÇÃO ESPECIAIS
Identificar todos os sistemas de extinção especiais pelo número do sistema e o risco contra o qual protegem.
a. Sistemas de extinção com dióxido de carbono – Verificar se o indicador de nível de líquido nos sistemas de baixa pressão mostra a quantidade mínima de agente no tanque.
1. Inspecionar para assegurar que os cilindros de alta pressão estejam posicionados e corretamente presos.
2. Para o armazenamento a baixa pressão, deve-se inspecionar os seguintes elementos:
a. O manômetro deve indicar pressão normal
b. A válvula de bloqueio do tanque deve estar aberta e a válvula piloto de suprimento de pressão piloto deve estar aberta.
c. O indicador de nível do líquido deve ser observado. Se, a qualquer momento, um contêiner apresentar uma perda superior a 10%, ele deverá ser recarregado, a menos que os requisitos mínimos de gás ainda estejam sendo atendidos.
3. O armazenamento de dióxido de carbono deve estar conectado à tubulação de descarga e aos atuadores.
4. Todos os atuadores manuais devem estar instalados e os lacres de violação, intactos.
5. Os bocais devem estar conectados, corretamente alinhados e isentos de obstruções e material estranho.
6 Os detectores devem estar instalados e isentos de materiais estranhos ou obstruções.
7 O painel de controle do sistema deve estar conectado e indicando condição “normal‑preparado”.

b. Os sistemas de detecção de fagulhas e de detecção/supressão de fagulhas deverão passar por uma inspeção física das lentes e confirmação da ausência de obstruções. O sensor deverá ser verificado para se certificar de que não apresenta danos físicos.
Os sistemas de prevenção contra explosões deverão ser inspecionados e testados por pessoal qualificado.
Obs.: Em equipamentos “críticos para a produção”, o sistema de detecção de fagulhas deverá ser inspecionado diariamente.

c. sistemas de extinção com agente limpo
Os compartimentos dos sistemas de inundação total deverão ser inspecionados quanto a infiltrações que tenham ocorrido e possam causar a concentração do agente dentro do compartimento. Todas as infiltrações constatadas deverão ser fechadas para manter a integridade do compartimento.

7. ABRIGO PARA MANGUEIRAS
Identificar a localização e a conexão de cada mangueira interna. Em cada conexão de mangueira interna, o bocal ajustável de aspersão deverá estar montado, e a mangueira deverá estar corretamente colocada no abrigo para mangueiras e conectada à tubulação de abastecimento. É importante determinar que todas as conexões das mangueiras estejam em pleno funcionamento, prontamente acessíveis e que as mangueiras e os bocais se encontrem em bom estado.
A mangueira deverá ser testada hidrostaticamente de acordo com os requisitos da Norma para inspeção, cuidados e uso, acoplamentos e bocais; e testes de mangueiras de incêndio em serviço.
Isto se aplica às mangueiras que são usadas em abrigos para mangueiras, carretéis, suportes de
parede ou veículos usados pela brigada de incêndio ou organização de emergência de instalações industriais.

8. HIDRANTES, BOCAIS DE CANHÕES MONITORES E REDES PARTICULARES DE INCÊNDIO
a. As caixas para mangueiras deverão ser inspecionadas para determinar o funcionamento
adequado e se os equipamentos estão instalados e em boas condições.
b. As conexões do Corpo de Bombeiros, registros de recalque , deverão ser inspecionadas quanto ao seguinte:
1. Os registros de recalques devem estar visíveis, sinalizados e acessíveis.
2. Os acoplamentos dos registros de recalques não devem estar danificados.
3. Os bujões ou tampas dos registros devem estar instalados e sem danos. (Nos registros que utilizam tampas, estas devem ser removidas e inspecionar seus  interiores quanto as obstruções.)
A rede de água de incêndio deverá passar por um teste de vazão a cada 5 (cinco) anos, sendo seus resultados comparados aos dos testes anteriores para determinar se ocorreu alguma deterioração no sistema.
Os bocais monitores deverão ser inspecionados para identificação de vazamentos, danos físicos e corrosão. Os reparos necessários deverão ser feitos.
Manutenção: Hidrantes, bocais de canhões monitores e redes de incêndio
a. Os hidrantes deverão ser completamente abertos e enxaguados, as roscas das mangueiras lubrificadas com grafite e as tampas de hidrantes faltantes deverão ser repostas.
b. Os canhões monitores deverão ser abertos completamente. Os canhões monitores deverão
oscilar e ser movimentados em sua faixa completa de operação para assegurar as condições operacionais apropriadas.
c. Os hidrantes e canhões monitores deverão ser completamente lubrificados.
Consultar as Normas ABNT/Corpo de Bombeiros/NFPA para verificar os requisitos adicionais.

9. EXTINTORES DE INCÊNDIO PORTÁTEIS
Extintores de incêndio portáteis e sobre rodas deverão ser inspecionados para assegurar que estejam acessíveis e corretamente posicionados e em boas condições de manutenção. Todos os extintores deverão estar adequadamente carregados e com etiquetas afixadas, indicando terem recebido manutenção no último ano.
Recomenda-se disponibilizar uma planta indicando a localização e o tipo das unidades, para garantir que todas elas sejam inspecionadas.
Os extintores de incêndio portáteis deverão passar por manutenção anual, realizada por pessoal autorizado. Uma etiqueta deverá ser afixada em cada unidade, indicando a data da manutenção anual e a data do próximo teste hidrostático requerido.

10. PORTAS CORTA-FOGO, PORTAS/JANELAS CORTA-FOGO DE ENROLAR E DAMPERS CORTA-FOGO
a. Inspecionar visualmente se todas as portas corta-fogo e portas/janelas corta-fogo de enrolar estão funcionando e livres de obstruções (ou seja, se não existe armazenamento temporária obstruindo a passagem) que possam impedir o fechamento adequado da porta em caso de uma emergência de incêndio.
b. O revestimento metálico e todas as ferragens das portas corta-fogo deverão ser inspecionados, incluindo fechos e guias. Será necessário inspecionar os fusíveis de disparo para assegurar que não tenham tinta/pintura ou outros materiais estranhos que poderiam retardar sua operação.

Teste - Portas corta-fogo, portas/janelas corta-fogo de enrolar e dampers corta-fogo
a. O teste das portas corta-fogo deverá ser conduzido para cada fechamento automático das portas, erguendo-se fisicamente os contrapesos, desconectando-se ou cortando-se os fusíveis de disparo e/ou testando-se os mecanismos automáticos de detecção e liberação. Este teste costuma ser chamado de teste de queda ou ativação.
b. Os dampers corta-fogo deverão ser inspecionados 1(um) ano após a instalação, de acordo com os requisitos da Norma. Posteriormente, os testes dos dampers corta-fogo deverão ser realizados a cada 4 (quatro) anos.

11. SISTEMAS DE DETECÇÃO AUTOMÁTICA DE INCÊNDIO, DE DETECÇÃO DE GÁS E DE ALARME DE INCÊNDIO
A inspeção e o teste semanais dos sistemas de detecção automática de incêndio, de alarme manual de incêndio e de detecção de gás deverão ser feitas de acordo com os requisitos da norma NFPA/ABNT, por pessoal qualificado.

12. SISTEMAS DE ÁGUA NEBULIZADA
a. Testar semanalmente as bombas do sistema de água nebulizada.
b. Inspecionar o sistema de pressurização de ar quando não for supervisionado eletronicamente, e ligar o compressor.
c. Verificar visualmente se as válvulas estão travadas na posição aberta, caso não sejam supervisionadas eletronicamente.
Inspecionar- Sistemas de Água Nebulizada
a. Inspecionar a pressão da fonte de abastecimento de água.
b. Inspecionar o nível do tanque de armazenamento de água quando provido de supervisão.
c. Inspecionar o nível de água do cilindro de alta pressão.
d. Inspecionar os níveis de água do tanque de recirculação quando provido de supervisão eletrônica.
e. Inspecionar as pressões dos cilindros de gás comprimido quando forem providos por supervisão eletrônica.
f. Inspecionar toda tubulação associada às válvulas de alívio.

ORGANIZAÇÃO E LIMPEZA:
Durante a visita de inspeção semanal, toda a unidade deverá ser verificada quanto a problemas de organização e limpeza, bem como quanto ao controle de perigos comuns, como descuido ao fumar, trapos embebidos em óleo, líquidos inflamáveis armazenados incorretamente, painéis de distribuição elétrica obstruídos, armazenamento de combustíveis em salas elétricas, etc. As falhas deverão ser registradas no relatório e corrigidas.

COMPROMETIMENTOS:
Qualquer comprometimento da proteção contra incêndios constatados durante inspeções ou testes deverá ser imediatamente informado à Diretoria/Gerência. Fonte: AIG Global Property

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posted by ACCA@3:21 PM

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