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terça-feira, maio 17, 2016

Manuseio de pedras industrializadas aumenta risco de doenças

Enquanto as elegantes bancadas feitas com as chamadas “pedras industrializadas” se popularizam, especialistas em segurança alertam que os operários que as manuseiam se tornam especialmente propensos a um velho risco profissional — a sílica, um mineral associado à silicose, doença pulmonar debilitante e potencialmente letal.

As bancadas são feitas de quartzo processado, um material que contém até 90% de sílica, o dobro do teor dessa substância no granito.

SILICOSE
Quando placas de pedra industrializada são cortadas e polidas para se encaixarem numa cozinha ou banheiro específico, grandes quantidades de partículas de sílica são inaladas. Isso pode dar início a um processo que leva à silicose e também ao câncer pulmonar e a doenças renais.

Os riscos trazidos por essas bancadas estão sendo analisados mais atentamente desde que a Administração de Saúde e Segurança Ocupacional dos EUA anunciou regras para reduzir a exposição dos trabalhadores à sílica.

Fora dos Estados Unidos, há numerosos casos de silicose. Em Israel, por exemplo, cerca de 300 operários receberam o diagnóstico dessa doença, incluindo 22 pacientes que precisaram se submeter a transplantes de pulmão, segundo o médico Mordechai Kramer, diretor do Instituto de Pneumologia de Petah Tikva, em Israel.

As bancadas não representam riscos para os consumidores em suas casas. Mas os operários que manuseiam a pedra industrializada podem ter uma exposição significativa à sílica, especialmente se estiverem trabalhando sem os equipamentos adequados. “São as pessoas que pegam as placas e as cortam sob medida que estão em risco”, disse o professor de medicina Paul Blanc, da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

As pedras industrializadas são populares porque são atraentes, duráveis, fáceis de limpar e mais baratas que as bancadas de granito natural. Para produzi-las, pedras de quartzo são trituradas, misturadas com plástico e moldadas em placas. Os principais fabricantes desses produtos, vendidos sob marcas como Zodiaq, Caesarstone e Silestone, incluem DuPont (EUA) Caesarstone (Israel) e Cosentino (Espanha).

Em um artigo publicado em 2014 na revista “The International Journal of Occupational and Environmental Health”, pesquisadores relataram que o número total de casos de silicose na Espanha, depois de cair entre 2003 e 2007, voltou a subir, por causa da pedra industrializada.

Nos EUA, um estudo de 2013 da Universidade de Oklahoma sobre o equipamento de segurança usado em fábricas de bancadas nesse Estado constatou que a maioria das proteções era inadequada.

Há dois anos, as autoridades de saúde do Texas relataram o primeiro caso documentado nos EUA de silicose entre operários que fabricam bancadas. O paciente, Ublester Rodriguez, havia passado quase uma década trabalhando com pedra industrializada e outros produtos de sílica.

Rodriguez, 39, pai de três filhos e morador da região de Houston, não quis ser entrevistado, já que o assunto é objeto de uma ação judicial. No entanto, num depoimento preliminar à Justiça, Rodriguez, que hoje respira com a ajuda de um balão de oxigênio, afirmou que frequentemente deixava o trabalho coberto de poeira branca. “Quando a gente saía daquela sala, os olhos estavam brancos”, declarou. “Brancos. O cabelo da gente ficava totalmente branco por causa da poeira.”

Blanc disse que os casos já relatados de silicose relacionados à pedra industrializada podem ser o prenúncio de muitos outros.

Além dos EUA, o uso da pedra industrializada está se popularizando também na China, onde frequentemente há pouquíssima segurança nos ambientes de trabalho. “Dá para imaginar o que está acontecendo por lá”, afirmou. Fonte: @ZR, Folha de Sao Paulo - The New York Times- Maio 13, 2016

Marmorarias Manual de Referência
Recomendações de Segurança e Saúde no Trabalho

Artigo publicado
Morte Silenciosa



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posted by ACCA@3:00 AM

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