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terça-feira, dezembro 02, 2014

Acidente com ônibus de estudantes deixa dezenas de mortos


 O acidente aconteceu no km 68 da rodovia Deputado Leônidas Pacheco Ferreira, a SP-304, na noite de segunda-feira, por volta das 23h30, 27 de outubro. O ônibus da Jabotur retornava de uma excursão com estudantes da Escola Estadual Dom Gastão Liberal Pinto, do município de Borborema. 
Foto: Frente e lateral do ônibus ficaram destruídas
Os estudantes tinham saído de São Paulo, onde participaram de uma excursão, e retornavam para Borborema. A colisão foi a aproximadamente 30 quilômetros do destino final, em um trecho da rodovia que está em obras. O ônibus levava 40 passageiros, entre estudantes e professores.

IMPACTO
O impacto da batida foi tão forte que a lateral do ônibus foi arrancada e alguns dos passageiros – entre eles pelo menos seis adolescentes, de 15 a 17 anos – foram arremessados para fora do veículo. As vítimas morreram na hora. Vários passageiros ficaram presos nas ferragens.
Foto: Cabine do caminhão ficou completamente destruída
Com o impacto a carreta, que transportava óleo vegetal, 27 mil litros de óleo vegetal,  pegou fogo após a colisão. O incêndio no local da batida só foi contido duas horas depois, por equipes do Corpo de Bombeiros.

CAUSAS
Testemunhas relataram que a carreta teria invadido a pista contrária, atingido em cheio a lateral do ônibus. A polícia, no entanto, não confirma a informação. Uma equipe da perícia deve analisar a colisão.

EXCURSÃO
Segundo informações da prefeitura de Borborema, três ônibus com cerca de 110 pessoas foram até a capital. Os outros dois ônibus da excursão chegaram ao destino por volta das 23h de segunda. Como o terceiro ônibus estava demorando para chegar, uma das professoras da escola voltou pela estrada e viu o que tinha acontecido.

Foto: Trecho onde ocorreu acidente está em obras e não há marcação no solo

INTERDIÇÃO
Por causa do acidente, a rodovia, que é de mão dupla, está operando com pista simples, no sistema Pare e Siga.

VÍTIMAS INICIAIS
O motorista do caminhão sofreu ferimentos leves. Já o motorista do ônibus ficou gravemente ferido. Quatro professoras que acompanhavam os alunos e seis adolescentes entre 14 e 17 anos morreram no local. Quatro estudantes estão internados em estado grave na UTI da Santa Casa de Ibitinga e os outros ocupantes do ônibus, feridos com menor gravidade, foram levados para a Santa Casa de Borborema.

VÍTIMAS
O acidente tirou a vida de 13 pessoas, sendo; oito estudantes e três professoras da unidade de ensino,  uma diretora de outro colégio e de uma fotógrafa que acompanhava a excursão do grupo a São Paulo.
Além dos 13 mortos, 24 pessoas ficaram feridas. Três delas continuam internadas, duas na Santa Casa de Ibitinga e o quadro de saúde delas é estável, e o motorista do caminhão teve 45% do corpo queimado e fraturou a perna esquerda e o crânio e está no Hospital Padre Albino em Catanduva.

Foto: Croquis da situação
1-A pista estava recém recapeada e não tinha ainda a sinalização.
2- O motorista do ônibus tentou desviar, mas não conseguiu evitar o choque.
3- O ônibus teve a lateral direita arrancada pela força do impacto.
4- O caminhão continuou em movimento até o acostamento e pegou fogo.

CONDIÇÕES DA RODOVIA
O Departamento de Estrada de Rodagem informou, em nota, que o local está em obra e há sinalização dos trabalhos na pista em todo o trecho, que compreende os km 352,3 ao km 406,7, entre Ibitinga e Borborema. A nota informa ainda que a velocidade máxima permitida no local é de 60 km/h para garantir a segurança dos motoristas. O local passa por recape e, por isso, não há sinalização do solo. De acordo com DER, esse trabalho só é feito no final do recapeamento.

BORBOREMA - TRISTEZA E COMOÇÃO
Com quase 15 mil habitantes, a pequena Borborema se mobilizou para enterrar na quarta-feira (29) as vítimas da tragédia que comoveu a região.
Um clima de profunda tristeza e consternação marcou o enterro das vítimas. Os corpos foram levados de dois em dois para o cemitério de Borborema, em um cortejo acompanhado por centenas de pessoas.
Por conta do acidente, a prefeitura decretou luto oficial de três dias. É uma cidade pequena onde conhecemos todo mundo. Nunca pensei que pudesse atuar como bombeiros para eles, afirma  o bombeiro Marcos Paul.
Várias pessoas passaram mal durante o velório e o sepultamento, e precisaram ser atendidas por equipes dos bombeiros.

LAUDO DA PERÍCIA TÉCNICA
O laudo concluído pelo Instituto Criminalista de Araraquara apontou que o motorista da carreta, Leandro Sanches Basalea, 26 anos, trafegava na contramão no momento da colisão contra o ônibus. No entanto, não justifica o motivo pelo qual o condutor mudou de pista.
Segundo o documento, o motorista do ônibus, Leandro Roberto de Souza, 53 anos, ainda tentou desviar e, por isso, a colisão se deu do lado direto do veículo. Ainda de acordo com o laudo,  o ônibus trafegava a 84 quilômetros por hora no momento do acidente, ou seja, acima da velocidade permitida no local, que é de 60 quilômetros por hora, devido às obras de recapeamento e inclusão da terceira faixa na via. Vale lembrar que o trecho não contém sinalização de solo.
Não foi possível, contudo, precisar a velocidade do caminhão, uma vez que o tacógrafo ficou totalmente destruído após a colisão.
Inquérito
“Já temos um inquérito policial instaurado, baseado em provas testemunhais e provas técnicas. Falta agora receber os laudos do IML (Instituto Médico Legal) sobre as vítimas fatais, e já determinei por meio de carta precatória o depoimento das demais vítimas e dos condutores dos veículos, para saber a versão deles sobre o acidente”, afirmou o delegado de Ibitinga, Carlos Alberto Ocon.
Ele explica que como os motoristas residem em cidades distintas, não são obrigados a irem até Ibitinga prestar depoimento. “Os dois serão ouvidos pelos delegados responsáveis por cada município. Inclusive, já especifiquei as perguntas que acho pertinentes fazer, para ajudar na solução do caso. Depois as declarações serão enviadas para mim e anexadas ao inquérito”, explicou o delegado.
 “Se mesmo depois de todos os depoimentos não ficar totalmente esclarecido o episódio, terei que reinquirir algumas pessoas. É um trabalho de quebra-cabeças agora, para buscar a verdade do que realmente aconteceu”, acrescenta o delegado.
Fontes: JCNT-  Bauru, G1- São Carlos e Araraquara - 28/10/14 a 03/11/2014

Comentário:
O local do acidente está sem pintura de solo que indica a separação entre as pistas, o que pode induzir a acidentes, para o especialista em transportes pela Unicamp Carlos Alberto Bandeira Guimarães. "Com trecho em obra, a rodovia precisa ter sinalização especial. A ausência pode induzir ao erro, ainda mais à noite."
O DER alegou que não é possível pintar sem que o asfalto do trecho seja completamente colocado, pois a sinalização atende normas previstas pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito).
Para o especialista em engenharia de transportes da USP Horácio Augusto Figueira, apenas a colocação de placas não basta e é necessário luzes intermitentes e patrulhamento constante da Polícia Rodoviária. "Mesmo em obras é preciso pintar o solo. Não importa que será preciso pintar de novo", afirmou.
Desorientação espacial

Em acidente aéreo, os especialistas utilizam o termo desorientação espacial para determinado tipo de desastre, onde o piloto enfrenta condições climáticas adversas.
Podemos usar esse termo para as condições da pista no momento da colisão: pista sem sinalização, dirigindo a noite. Não sabemos as condições do motorista do caminhão em relação à carga de trabalho, condições de descanso e sono.
A visão é o principal responsável pela orientação durante a condução do veículo.
Durante a desorientação espacial perdemos a sensação de equilíbrio (profundidade e largura) e de orientação fornecidos pela visão, que tem no “horizonte” a mais importante referência. Isso acontece muito durante a ocorrência de  neblina ou à noite em estrada com péssima sinalização de solo ou inexiste. O motorista pode invadir a pista contrária ou não permanecer na faixa correta.

Sonolência
Segundo o neurologista Rubens Reimão, líder do Grupo de Pesquisa Avançada em Medicina do Sono do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP)  são necessárias 10 a 8 horas de sono por noite. Mais do que uma hora a menos do que essa média pode deixar a pessoa sonolenta durante o dia, fazendo com que perca a rapidez no alerta, podendo provocar acidentes de vários tipos.
Um motorista sonolento pode causar a falta de atenção e leva-lo a causar acidentes tais como: colidir em alta velocidade com obstáculos parados, cair em precipícios, perder a direção e bater em algum veículo, sair da pista, invadir o acostamento ou deixar de observar sinais de trânsito, colocando em risco a própria vida e a de outras pessoas.
“Os acidentes causados por sonolência acontecem mais em situações monótonas, como estradas vazias, e à noite, durante o horário normal do sono. Quando não há sinal de frenagem ou desvio antes de um obstáculo, é provável que o motorista tenha dormido”, afirma o neurologista.

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posted by ACCA@3:00 AM

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