Zona de Risco

Acidentes, Desastres, Riscos, Ciência e Tecnologia

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

Gerenciamento de Desastres


Vista aérea do município catarinense de Itajaí, um dos mais castigados pela chuva. No destaque, a cidade americana de Nova Orleans, na Louisiana, um dia depois da passagem do furacão Katrina, em 2005.


É necessário otimização da Defesa Civil no Brasil para proteção da população e meio ambiente

D
esde que passou a viver de forma gregária, organizado em sociedade, o ser humano defronta-se com os cataclismas da natureza que, em maior ou menor grau, causam devastação, danos e perdas materiais e de vidas. Modernamente, vivendo em complexos aglomerados urbanos e com a crescente industrialização, os países desenvolvidos e em desenvolvimento, vêem-se às voltas com desastres naturais ou tecnológicos, cujos efeitos destrutivos foram potencializados porque o acidente, às vezes, não se restringe tão somente à área imediatamente ao alcance de sua influência, mas tem o poder de atingir até as futuras gerações, na medida em que atuam modificando o meio ambiente.

Conscientes dos incalculáveis prejuízos que esses acidentes provocam, os países mais organizados estudaram e criaram estruturas administrativo-operacionais para a prevenção, enfrentamento e minimização dos resultados de catástrofes naturais e tecnológicas em seus territórios e, não raro, esse aparato se desloca para fora de suas fronteiras para socorrer nações com menores recursos e golpeadas por desastres de grande magnitude.

No final do século passado e no início do atual, estamos testemunhando o nascimento de uma nova e mais virulenta forma de ameaça à humanidade. São os atentados terroristas, como o que atingiu Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001, destruindo as torres do World Trade Center, que podem gerar massivas perdas de vida e profundos danos ao meio ambiente, através do emprego de armas portáteis NBC (nucleares, biológicas e químicas). Essa nova forma de desastre tem consumido o tempo de especialistas e pesquisadores na busca de soluções para fazer face aos novos desafios.

O Brasil, infelizmente, está no grupo dos países que pouca importância dá aos problemas dessa ordem e que carecem de uma cultura prevencionista para enfrentamento de emergências de grande complexidade. O último exemplar do relatório decenal-92/02 (World Disaster Report – Foco na Redução dos Riscos) da Cruz Vermelha Internacional, aponta nosso país como “campeão” das Américas, em mortes causadas por desastres naturais. Ficamos a frente também de países como: Afeganistão, Coréia do Norte, Moçambique, Tanzânia e Sudão (Jornal da Tarde-SP, de 17/07/03). Como explicar que um país tão privilegiado pelo Criador, onde praticamente não existem cataclismas naturais, possa ter mais vítimas de catástrofes que países não tão bem aquinhoados e que constantemente sofrem com terremotos, tsunamis, furacões, etc.

Nosso sistema de Defesa Civil é praticamente inexistente, sendo deslocado de Ministério em Ministério, sem conseguir imprimir um modelo eficiente de proteção à população civil. Exemplos, temos todos os anos, destacando-se o grande incêndio florestal em Roraima em 1998 e o desabamento do Osasco Plaza Shopping, em São Paulo, em 1996. Nesse campo de atuação não há espaço para improvisações. Se não houver uma estrutura federal bem equilibrada administrativa e operacional, bem como o desenvolvimento de uma cultura prevencionista, estaremos condenados a ficar lamentando perdas de grande monta de vidas humanas, do meio ambiente e do patrimônio.

Nossas políticas no campo da proteção contra eventos de grande magnitude são patéticas, preocupam-se com os efeitos e não com a prevenção.

Até hoje nenhum presidente da República preocupou-se verdadeiramente em dar à Defesa Civil um papel de pólo irradiador de políticas prevencionistas de desastres e de coordenação de medidas operacionais quando, por acaso, um evento extrapola a capacidade de resolução operacional de um município ou estado-membro. A ordem é aguardar que o estado ou o município peça ajuda, o que nem sempre ocorre, por um lado, por divergências políticas pessoais ou partidárias, por outro, por absoluta falta de visão prevencionista, que sem dúvida, não faz parte da cultura do dirigente brasileiro. O máximo que, apressadamente, os governantes estaduais ou municipais, fazem é declarar “estado de calamidade” para terem acesso às verbas especiais e liberdade para fazerem aquisições sem o crivo da lei das licitações.

É necessário promover uma revolução na cultura de Defesa Civil no Brasil, quebrar os paradigmas atuais, enxergar as coisas por um outro ângulo, reformular conceitos preestabelecidos. É preciso, acima de tudo, inovar. O Brasil necessita que o órgão federal, de fato, coordene e controle um Sistema Nacional de Defesa Civil, tanto doutrinária como operacionalmente, e que em caso de calamidade possa mobilizar todos os recursos quer sejam federais, estaduais ou mesmo municipais, para minimizar os efeitos desse evento no que diz respeito à preservação da vida humana, do meio ambiente e do patrimônio.

Fonte: Resumo do artigo Gerenciamento de Desastres, 2006 - Luiz Carchedi - Ex-comandante do Corpo de Bombeiros de São Paulo, especializado em Atendimento Pré-Hospitalar. Técnico de Emergências Médicas, instrutor de Reanimação Cardio-Pulmonar, de Primeiros Socorros e Resgate em Espaços Confinados.
Vídeo:
Imagens aéreas de 24 novembro de 2008, ao meio dia, direto do avião da TAM, sobrevoando a cidade de Itajaí e descendo no aeroporto em Navegantes.

Marcadores: ,

Assinar
Postagens [Atom]

Site Meter